Você sabe o que é uma Instituição Financeira? Se a resposta foi não, confira este guia completo, tire todas as suas dúvidas e saiba como seu varejo pode criar a sua própria infraestrutura de crédito!
Você já parou para pensar em o que é realmente uma Instituição Financeira, e por que ela é tão essencial para o funcionamento dos setores da economia?
Essas instituições estão no “coração” de praticamente todas as operações de crédito e transações financeiras realizadas no cotidiano, pois são elas que intermediam os recursos, oferecem crédito e impulsionam o consumo
Isso vai desde um simples pagamento com cartão de crédito, até às grandes operações de crédito estruturadas.
Assim, elas cumprem um papel fundamental dentro do Sistema Financeiro Nacional (SFN), assegurando que a “roda da economia” siga girando.
Nos últimos anos, o avanço da tecnologia e da agenda do Banco Central (BC) ajudaram a transformar a maneira como essas instituições operam.
Historicamente, existia apenas um modelo centralizado, que era controlado pelos grandes bancos. Porém, atualmente, existe um ecossistema muito mais aberto, digital e colaborativo.
Isso foi possível, graças ao fenômeno da bancarização e do surgimento das fintechs de crédito, instituições de pagamento e plataformas de Banking as a Service (BaaS) e Credit as a Service (Caas).
Todas essas estruturas ajudaram a reposicionar o conceito de Instituição Financeira, que agora, vai muito além das agências físicas e dos caixas eletrônicos, representando toda uma infraestrutura tecnológica e regulatória capaz de conectar empresas, pessoas e dados financeiros.
Desse modo, empresas que não possuem origem no mercado financeiro, como é o caso do varejo, conseguem oferecer produtos de crédito e demais serviços aos seus clientes.
Este guia completo vai te ajudar a entender tudo o que você precisa saber sobre Instituição Financeira e como ela está moldando o futuro do crédito no Brasil.
Portanto, separe um tempo de qualidade e acompanhe a leitura até o fim!
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Primeiramente, antes de entrarmos a fundo nesses detalhes, é importante que você conheça melhor o que é uma Instituição Financeira (IF).
Segundo a definição do próprio BC, ela é uma “empresa especializada em intermediar o dinheiro entre poupadores e aqueles que precisam de empréstimos, além custodiar (guardar) esse dinheiro.
Em outras palavras, ela é uma instituição autorizada a administrar, intermediar ou operar recursos financeiros.
Na prática, são essas instituições as responsáveis por fazer com o dinheiro circule nos diferentes segmentos da economia.
Afinal, elas conectam quem tem recursos disponíveis, como investidores e depositantes, a quem necessita do crédito, como pessoas físicas e jurídicas.
Isso pode ocorrer de várias formas distintas, por meio de captação, empréstimos, investimentos, saques, pagamentos ou guarda desse dinheiro.
Ainda de acordo com o BC, uma Instituição Financeira é “qualquer pessoa jurídica cuja atividade principal ou acessória envolva a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros”.
Para que uma empresa comece a atuar nesse mercado, é necessário uma autorização e supervisão prévia por parte do BC.
O órgão máximo bancário do país é o responsável por garantir a segurança, transparência e estabilidade necessárias para que sejam seguidas as regras e regulações do SFN.
Diferentes modelos de negócios
Quando falamos sobre IF, é comum algumas pessoas pensarem automaticamente nos grandes bancos comerciais.
Porém, nos dias atuais, esse conceito é muito mais amplo, e engloba diversos modelos e estruturas digitais.
É o caso, por exemplo, das Sociedades de Crédito Direto (SCD), fintechs de crédito, cooperativas de crédito, instituições de pagamento, plataformas de CaaS e BaaS, entre muitas outras.
Entraremos em detalhes sobre esses modelos de negócio mais adiante, mas é importante você saber que todos esses players estão mudando o jogo.
Graças à suas atuações, o sistema financeiro passou a ser mais acessível, competitivo e integrado, o que abriu caminho para a bancarização empresarial.
Por meio desse movimento, empresas que não têm origem no mercado financeiro, passam a poder oferecer serviços de crédito dentro dos seus ecossistemas.
Como funciona uma Instituição Financeira?
Agora que você já está familiarizado com o conceito de Instituição Financeira, fica mais fácil de compreender como ela funciona na prática.
Para isso, tenha em mente o seguinte: sempre que você fizer uma compra parcelada, um investimento, contratar um seguro ou utilizar uma conta digital, haverá uma IF nos “bastidores”, para garantir que a operação ocorra com segurança e compliance.
Afinal, é essa empresa quem faz o “dinheiro circular”, captando recursos de um lado (investidores/empresas/poupadores) e os empresta ao outro lado (consumidores/clientes/negócios) que precisam de crédito.
Na prática, esse ciclo de captação, intermediação e retorno é o que mantém a “roda da economia girando” e o sistema financeiro “vivo”.
Abaixo, você vai poder entender melhor como esse processo funciona:
Captação de recursos: como núcleo central da operação, a IF recebe o dinheiro das pessoas e empresas, por meio de contas, investimentos, depósitos ou fundos;
Análise e concessão de crédito: a partir desses recursos, ela empresta dinheiro a quem precisa. Aqui, entra o papel fundamental da gestão de ativos e risco de crédito, feita com dados, modelos estatísticos e, mais recentemente, via Inteligência Artificial (IA);
Cobrança de juros e retorno financeiro: aqui, ocorre o chamado spread de crédito, que é a diferença entre o que a Instituição Financeira paga a quem aplica e o que cobra de quem toma um empréstimo;
Supervisão e compliance: toda essa operação ocorre dentro de um ambiente regulado pelo BC, que fiscaliza as transações, protege o consumidor e garante toda a estabilidade do sistema.
Exemplo de funcionamento de uma Instituição Financeira no setor imobiliário
Para melhor entendimento de como funciona uma Instituição Financeira, trouxemos dois exemplos aplicados ao contexto imobiliário e do varejo.
Imagine que um empresário está interessado em construir uma grande loja de departamentos em sua cidade.
Por consequência, essa intenção irá gerar novos empregos, seja em sua fase de construção, ou quando a mesma estiver em pleno funcionamento.
Ao mesmo tempo, essa loja de departamentos também é capaz de estimular o consumo na cidade, facilitando o seu progresso econômico.
Apesar disso, esse empresário não tem os recursos necessários para construir o empreendimento, É aí que entra a Instituição Financeira.
O empresário pode buscá-la para captar recursos e colocar em prática o seu projeto. Para isso, ele pode emitir uma debênture ou Certificado de Recebível Imobiliário (CRI). Em contrapartida pelo crédito concedido, essa IF espera receber os juros da dívida.
Se o projeto for bem planejado e executado, os lucros do empresário serão suficientes para o pagamento dos juros da dívida, representando uma situação de “ganha-ganha”.
Exemplo de funcionamento de uma Instituição Financeira no setor do varejo
Agora, imagine que essa loja de departamentos (após ter sido construída e inaugurada) opta por vender seus produtos tanto à vista quando parcelado.
Sempre que houver uma venda a prazo, por exemplo, em 10x no cartão de crédito ou crediário loja, haverá uma IF por trás dessa operação.
Na maioria das vezes, o cliente nem saberá que isso ocorre, porém, sem a atuação dessa instituição, não será possível vender a prazo.
Afinal, é essa Instituição Financeira que fará a antecipação do valor total da venda para o varejista, assumindo o risco de inadimplência do cliente.
No modelo tradicional, e que foi utilizado por anos no mercado, o varejista pagava uma taxa sobre a operação.
Assim, o cliente final passava a dever para a IF que antecipou o dinheiro, e não mais diretamente à loja.
Contudo, graças ao avanço da bancarização, esse mesmo varejista consegue criar sua própria estrutura financeira “dentro de casa”.
Isso é chamado de braço financeiro, que na prática, é uma estrutura criada por uma empresa que não tem origem no mercado financeiro, para oferecer serviços bancários ou de crédito aos seus clientes e fornecedores.
Por meio dessa estrutura, qualquer empresa consegue aumentar sua liquidez, receber suas vendas a prazo e contar com uma tributação mais adequada ao seu contexto.
Com isso, o varejista consegue financiar todo seu ecossistema, mas quem torna isso viável é uma Instituição Financeira regulada, conectada via API.
Nesse contexto, a IF funciona como a “ponte de liquidez” que viabiliza parcelamentos, financiamentos, cashback e contas digitais, transformando a experiência de compra e o relacionamento com o cliente.
Quais são os principais tipos de Instituição Financeira?
Como dissemos anteriormente, o conceito de Instituição Financeira é muito amplo, e engloba diversos modelos de negócios.
Naturalmente, cada um deles possui diferentes funções, regulamentações e níveis hierárquicos definidos pelo BC.
O BC estabelece 5 níveis hierárquicos. Eles são essenciais para determinar o nível de autorização, complexidade e escopo de atuação.
Esses são os níveis hierárquicos existentes:
Nível 1 – Bancário Completo: Essas são as licenças que têm maior nível e permissão para captar depósitos do público e operar crédito em larga escala;
Nível 2 – Crédito Especializado: Essas IFs podem conceder crédito, financiar e estruturar operações, porém, não podem captar depósitos à vista;
Nível 3 – Fintechs de Crédito: São instituições não financeiras, mas que possuem autorização para operar no Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB);
Nível 4 – Pagamentos/Open Finance: Criadas pela Resolução CMN 5.656/2018, podem conceder Crédito Direto ao Consumidor;
Nível 5 – Outras supervisionadas: Inclui outras entidades que prestam serviços financeiros e estruturam operações de securitização.
De modo geral, existem alguns tipos principais de Instituição Financeira. Entre eles, podemos destacar:
Bancos Comerciais;
Banco Múltiplo;
Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI);
Instituições de pagamento;
Sociedade de Crédito Direto (SCD);
Sociedade de Empréstimo entre Pessoas (SEP);
Cooperativas de crédito;
CTVM e DTVM.
Bancos Comerciais
Os Bancos Comerciais são um dos principais exemplos de Instituição Financeira que existem no país.
Ele estão enquadrados no nível hierárquico 1 do BC, o que significa que eles têm as licenças de maior nível, podendo captar depósitos do público e operar crédito em larga escala.
Além disso, eles também têm autorização para emitir cartões, oferecer contas-correntes e realizar operações de câmbio, investimentos e seguros.
De modo geral, os Bancos Comerciais são essenciais para o fluxo diário dos recursos da economia, tendo em vista que eles são responsáveis por intermediar operações entre empresas, pessoas físicas e o governo.
Enquadram-se nessa categoria os “grandes bancões” que atuam no país, como por exemplo o Itaú, Bradesco e Santander.
Todos eles são Bancos Comerciais que atendem tanto o varejo quanto o atacado, oferecendo crédito pessoal e financiamentos corporativos.
Ademais, essas Instituições Financeiras são frequentemente parceiras de algumas grandes redes varejistas, especialmente em uma operação de cartão co-branded.
Banco Múltiplo
Por sua vez, o Banco Múltiplo também está enquadrado no nível hierárquico 1 das licenças do BC.
Ele funciona como uma “evolução” dos Bancos Comerciais, pois reúne duas ou mais carteiras de atuação embaixo da mesma estrutura.
Essas carteiras podem ser tanto comerciais ou de investimento, quanto de crédito imobiliário, arrendamento mercantil ou desenvolvimento.
Essa atuação múltipla possibilita que essa Instituição Financeira ofereça um amplo e variado portfólio de produtos financeiros.
Assim, um Banco Múltiplo pode atua com maior flexibilidade, tanto no varejo quanto no mercado de capitais.
O Banco do Brasil e o BTG Pactual são alguns exemplos de Bancos Múltiplos, pois eles atuam ofertando desde crédito ao consumidor até serviços de investimento e tesouraria.
Até por conta disso, é relativamente comum alguns varejistas que mantém operações financeiras mais complexas buscarem parcerias com esses bancos, devido à sua amplitude operacional e capacidade de estruturação financeira.
Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI)
A Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI) também é uma Instituição Financeira regulamentada pelo BC.
Neste caso, ela é destinada a executar operações de empréstimo, financiamento e soluções de investimento a curto, médio ou longo prazo, estando dentro do nível hierárquico 2.
Na prática, essa financeira é uma instituição privada autorizada a conceder crédito para aquisição de bens, serviços e capital de giro.
Isso ocorre através de uma plataforma eletrônica, que consegue conectar de forma direta os investidores, que podem ser pessoas físicas ou jurídicas, aos tomadores de crédito.
Por conta dessas características, é comum as SCFIs não serem ligadas aos bancos, operando somente como braço financeiro de empresas que não possuem origem no mercado financeiro.
Entretanto, essa Instituição Financeira também pode atuar em nichos que, na maioria das vezes, acabam não sendo atendidos pelos grandes bancos.
Isso é possível especialmente nas transações de empréstimos que têm características mais específicas, como riscos mais elevados ou financiamento de veículos usados.
Sociedade de Crédito Direto (SCD)
Se você já acompanha os nossos conteúdos aqui no blog, certamente já ouviu falar na Sociedade de Crédito Direto (SCD), uma Instituição Financeira fundamental dentro do contexto da bancarização.
Ela está enquadrada no nível hierárquico 3, das fintechs de crédito. Ela é regulada tanto pelo BC, quanto pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), sendo especializada em estruturar operações de concessão de crédito.
O principal objetivo da SCD é fornecer empréstimo de maneira direta para os tomadores, eliminando a intermediação de um Banco Comercial.
No entanto, a SCD possui algumas limitações, sendo a principal delas, a impossibilidade de captar recursos do público.
Para que isso seja possível, a SCD é habilitada a emitir a Cédula de Crédito Bancário (CCB), documento responsável por formalizar uma operação de crédito junto ao BC.
A CCB, enquanto título extrajudicial, serve para formalizar a operação de crédito de empresas não-financeiras, possibilitando que elas cobrem juros sobre vendas parceladas e outras operações que envolvem juros.
Com isso, a SCD aloca esses recursos para conceder crédito e financiamento com condições mais atrativas, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas, tornando mais fácil o acesso ao crédito. Além disso, uma Sociedade de Crédito Direto só pode atuar em ambiente 100% digital.
No contexto do varejo, as SCDs são uma das principais portas de entrada no mercado financeiro, pois elas permitem a criação de operações de crédito próprias, como crediário bancarizado ou antecipação de recebíveis.
Sociedade de Empréstimo Entre Pessoas (SEP)
Assim como ocorre com a SCD, a Sociedade de Empréstimo entre Pessoas (SEP) também está dentro do nível hierárquico 3 das licenças do BC.
Conhecidas como Peer-to-peer lending, elas também foram regulamentadas em 2018, e possibilitam que pessoas físicas e jurídicas emprestem dinheiro de forma direta a outras pessoas ou empresas, por meio de plataformas digitais.
Neste caso, a SEP atua como intermediadora, ao conectar credores e tomadores, cobrando taxas de intermediação e gerenciando o risco da operação.
No contexto do varejo, a SEP pode ser utilizada por varejistas que querem criar comunidades de investimento, como clubes de crédito entre fornecedores ou clientes de alto engajamento.
Ademais, tanto a SCD quando a SEP podem conceder crédito digital, atuar com parceiros e operar via APIs.
Instituições de Pagamento
Dentro do nível hierárquico 4 estabelecido pelo BC, estão algumas das instituições financeiras que atuam intermediando crédito digital. É o caso, por exemplo, das Instituições de Pagamento.
Também chamada de IP, ela é uma pessoa jurídica autorizada pelo BC para prestar serviços referentes à movimentação de recursos, no âmbito de um arranjo de pagamento.
Um arranjo de pagamento é um conjunto de regras que determinam como uma transação financeira é realizada.
Porém, uma Instituição de Pagamento não pode intermediar outras operações que são típicas de outras IFs, como financiamentos ou concessão de crédito com recursos captados do público.
Por conta disso, a IP precisa obrigatoriamente fazer parte de um arranjo, pois ele é o responsável por definir as regras para seu funcionamento.
Nubank, PicPay, Stone, Cielo, Mercado Pago e PagSeguro são alguns exemplos de Instituições de Pagamento, que podem ser enquadrada em quatro modelos distintos, sendo eles:
Emissor de moeda eletrônica;
Emissor de instrumento de pagamento pós-pago;
Credenciador;
Iniciação de Transação de Pagamentos (ITP).
Desse modo, as IPS conseguem executar serviços de pagamento, como carteiras digitais, processamento de transações e emissão de cartões pré-pagos.
Ademais, uma Instituição de Pagamento também pode atuar como emissor de instrumento de pagamento pós-pago, gerenciando contas de pagamento do tipo pós-paga, nas quais, os recursos são usados para pagar dívidas que foram assumidas previamente, como é o caso do cartão de crédito.
Entretanto, para que isso seja possível, é necessário que a IP esteja conectada como uma estrutura de bancarização e securitização, como a oferecida pela GIRO.TECH.
Cooperativas de Crédito
Por sua vez, as Cooperativas de Crédito também são exemplos de Instituição Financeira, porém, elas são formadas por associação de pessoas, que podem ser físicas ou jurídicas, que se unem para obter serviços financeiros a custos menores.
Embora estejam dentro do nível hierárquico 5 das licenças do BC, elas funcionam de maneira semelhante aos Bancos Comerciais.
No entanto, a diferença é que as Cooperativas de Crédito são controladas pelos próprios cooperados, que também participam dos resultados da instituição.
De modo geral, essas instituições têm alcançado maior força em regiões que possuem menor presença bancária tradicional, além de atender pequenas e médias empresas.
É justamente aí que as Cooperativas de Crédito se tornam uma ótima opção para varejistas ou associativos que buscam um crédito mais acessível e linhas de financiamento locais. Sicredi, Cresol e Sicoob são alguns exemplos dessas IFs.
CTVM e DTVM
Por fim, ainda dentro do nível hierárquico 5, existem duas instituições financeiras extremamente relevantes:
Corretora de Títulos e Valores Mobiliários (CTVM);
Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM).
Essas duas entidades atuam no mercado de valores mobiliários, intermediando a compra e venda de ativos como ações, debêntures, títulos públicos, fundos e derivativos.
Aqui, vale um adendo importante: essas IFs não emprestam dinheiro e nem captam depósitos. Elas apenas facilitam o acesso de investidores ao mercado de capitais.
Além de intermediar e distribuir ativos financeiros, as CTVMs estão autorizadas a operar de maneira direta no pregão da bolsa de valores.
De modo geral, essa é a principal diferença entre a CTVM e a DTVM, que é especializada na administração e distribuição de valores mobiliários.
A Hemera DTVM é um exemplo dessa Instituição Financeira, que tem um papel crucial para os varejistas que desejam investir em uma operação de crédito estruturada via FIDC.
Assim, por meio da securitização, os varejistas conseguem transformar seus recebíveis em títulos negociáveis no mercado de capitais, obtendo liquidez imediata e fortalecendo o ecossistema financeiro de todo o negócio.
Em suma, apesar de cada um desses tipos de Instituição Financeira cumprir um papel distinto dentro do SFN, todas elas compartilham o mesmo objetivo: tornar o crédito, os pagamentos e os investimentos mais eficientes e acessíveis às empresas e pessoas.
Independentemente se você é ou não um varejista, é fundamental que compreenda essas diferenças, pois esse é o primeiro passo para a escolha do parceiro certo e da construção de soluções financeiras personalizadas.
Qual é o papel das Instituições Financeiras no mercado de crédito?
O mercado de crédito funciona como o “coração da economia”. E não teria como ser diferente, afinal, ele consiste no conjunto de organizações, produtos e serviços que facilitam a concessão de empréstimos e financiamento.
As instituições financeiras, obviamente, fazem parte desse grande ecossistema financeiro. E não é nenhum exagero dizer que elas são o “sistema circulatório” que faz esse coração bater.
Afinal, são essas instituições as responsáveis por viabilizar o acesso ao crédito, alocar recursos de maneira eficiente e estimular o consumo e o investimento.
Sem a atuação delas, não haveria como intermediar o fluxo de dinheiro entre quem tem capital e quem precisa dele.
Mas o impacto da Instituição Financeira dentro do mercado de crédito não para por aí, pois esse agente também cumpre diversos outros papéis. Entenda melhor na sequência:
Intermediação financeira
O principal objetivo de uma Instituição Financeira é fazer a “ponte” entre quem tem e quem precisa de crédito.
Ou seja, de um lado as pessoas físicas ou jurídicas que possuem recursos disponíveis e buscam valorizar o se capital.
Do outro lado, há os consumidores e negócios que precisam desse capital para consumir, investir ou expandir seus projetos e atuações.
Neste contexto, a IF se torna a responsável por administrar esse fluxo, avaliando os riscos, estabelecendo taxas e assegurando que o dinheiro possa circular de maneira segura e sustentável.
Até por conta disso, as entidades financeiras se tornam os principais agentes responsáveis por fazer girar a “roda da economia”.
Estimulo ao consumo e à economia real
O crédito é um dos principais motores de crescimento da economia no país. E isso não é um mero achismo.
A constatação está no desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), que apesentou um crescimento de 0,4% no segundo trimestre de 2025 ante o primeiro trimestre do mesmo ano.
Esse crescimento foi impulsionado, principalmente, pelo consumo das famílias, que mostrou expansão de 0,5% no período, segundo dados recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Sempre que um consumidor parcela uma compra ou uma empresa obtém um financiamento, naturalmente o dinheiro está em movimento.
Esse “ciclo vicioso”, que é sustentado pelas instituições financeiras, gera renda, produção e empregos.
Apenas a título de curiosidade, uma outra pesquisa produzida pelo BC revelou que o estoque total de crédito no Brasil ultrapassou R$ 5,7 trilhões em 2025. Esse número representa quase 55% do PIB nacional.
Embora o crédito privado esteja ganhando cada vez mais espaço, uma parcela expressiva desse montante é movimentada pelos bancos comerciais, IFs e fintechs de crédito.
Todas essas entidades impulsionam de forma direta o consumo das famílias e os investimentos das empresas, pois quanto mais eficiente for o sistema financeiro, mais forte será a economia real.
Gestão de risco e sustentabilidade do sistema
Além disso, outro papel essencial cumprido pela Instituição Financeira dentro do mercado de crédito, diz respeito à gestão de risco e sustentabilidade do sistema.
Como essas entidades usam modelos de análise de crédito, inteligência de dados e histórico de pagamentos para avaliar a real capacidade de quem solicita crédito, é possível mitigar os riscos em novas concessões.
Esse processo consegue garantir que o dinheiro que foi emprestado retorne ao SFN, reduzindo os índices de inadimplência e mantendo a estabilidade do mercado financeiro.
Ademais, o avanço do Open Finance e do Open Banking também contribuem de forma direta para que essa análise seja feita de forma ainda mais precisa.
Isso ocorre, pois uma Instituição Financeira consegue acessar de forma direta os dados e informações de diferentes fontes para criar modelos personalizados de crédito, beneficiando tanto os consumidores quanto às empresas.
Viabiliza novos modelos de crédito
Por fim, mas não menos importante: as instituições financeiras também ajudam a viabilizar novos e inovadores modelos de crédito e funding.
Historicamente, o crédito dependia quase que 100% dos grandes bancos tradicionais. Entretanto, o panorama mudou consideravelmente.
Graças à evolução da regulação e da tecnologia financeira, as IFs se transformaram em plataformas de infraestrutura capazes de viabilizar modelos de crédito mais flexíveis, escaláveis e integrados ao core business de cada empresa.
Esses novos formatos não apenas tornaram mais democrático o acesso ao capital. Eles também possibilitam que qualquer empresa crie sua própria operação financeira, com autonomia e personalização.
Neste sentido, dois modelos em especial ajudam na criação desses modelos inovadores: o FIDC e a Securitizadora. Abaixo, entenda melhor como cada um deles funciona:
FIDC
O Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) é uma estrutura de fundo regulamentada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), muito usada para financiar operações de crédito que tem os cotistas como investidores.
Esse cotistas podem ser você, seu negócio ou, até mesmo, investidores do mercado de capitais.
O FIDC é uma estrutura que nasce para comprar direitos creditórios, que nada mais são, do que o direito de receber uma dívida, como duplicatas, recebíveis do cartão de crédito ou cartão private label, entre outras dívidas financeiras, como a CCB e nota comercial.
Na prática, o FIDC funciona como um “condomínio de cotas”, sem um dono específico. O seu principal objetivo é conectar essas cotas com investidores interessados em valorizar seu capital.
Por trás desse processo, há sempre a presença de uma Instituição Financeira ou DTVM que estrutura, administra e faz a custódia do fundo, garantindo a segurança e conformidade regulatória.
Ao utilizar essa estrutura, a empresa que originou crédito consegue acessar capital de mercado e reduzir sua dependência bancária.
Consequentemente, essa estratégia ajuda a aumentar a margem de lucro, pois o funding vem de investidores (que podem ser os próprios donos do negócio), e não dos empréstimos diretos.
Securitizadora
Por sua vez, a Securitizadora também é um braço essencial dentro desse ecossistema. Ela é um CNPJ no regime de Sociedade Anônima (S.A.) criada para comprar recebíveis (boletos, aluguéis, parcelas de cartão/crediário) com o capital dos seus investidores.
Esse veículo de securitização compra os direitos sobre os recebíveis de uma empresa e emite títulos lastreados, para garantir a existência e validade do recebível.
A CVM recomenda a estruturação de uma Securitizadora como subsidiária integral de uma Securitizadora já regulada pela CVM. Desse modo, é possível obter a mesma eficiência tributária que um FIDC proporciona.
Com isso, é possível emitir títulos, como debêntures ou Certificado de Recebíveis (CR), que são a forma como o dono da operação vai captar os recursos para alocar dentro desta estrutura.
Dessa maneira, é possível comprar um recebível no mercado pelo seu montante a vencer, com deságio. Quando o devedor pagar o montante total, o valor do deságio será a receita da Securitizadora, que será direcionada ao investidor.
Além de emitir e vender esses títulos aos investidores, esse veículo de securitização também fica responsável por administrar e gerir os recebíveis, repassando os valores a quem adquiriu os créditos.
As Securitizadoras ajudam a integrar empresas não financeiras ao mercado de capitais, permitindo que elas criem novas fontes de financiamento fora do sistema bancário tradicional.
Assim, essas organizações conseguem obter maior controle e autonomia sobre o próprio fluxo de caixa.
BaaS e CaaS
Além do FIDC e da Securitizadora, também existem duas estruturas que são igualmente importantes dentro do contexto da Instituição Financeira: o BaaS e o CaaS.
O Banking as a Service é um modelo de negócio no qual uma empresa não financeira (e-commerce, varejo, indústrias e fintechs) consegue oferecer serviços digitais e bancários à sua base de clientes, mas sem a necessidade de ter que tirar uma licença bancária completa. Isso ocorre via APIs e infraestrutura regulada de instituições financeiras.
Dessa forma, empresas de qualquer setor podem oferecer produtos bancários sob sua própria marca, como contas digitais, Pix, transferências, empréstimos pessoais, entre outros serviços.
No caso do Credit as a Service, ele é uma “vertente especializada” do BaaS, voltada exclusivamente para operações de crédito.
A sua atuação possibilita que uma empresa monte sua própria estrutura de concessão de crédito, com análise, aprovação e cobrança integradas de forma digital e personalizada.
Assim, um varejista consegue oferecer crédito CDC no ponto de venda, e sem precisar de um banco tradicional para realizar o financiamento.
Essa estratégia permite a criação de operações de crédito personalizadas e alinhadas ao perfil de risco e comportamento de compra do cliente, gerando maior fidelização e rentabilidade.
Tanto o BaaS quanto o CaaS são exemplos de Embedded Finance, um modelo de negócio no qual uma empresa passa a incorporar produtos financeiros e de crédito de forma integrada, direta e fluida na jornada de compra de um cliente.
Ao eliminar as barreiras que existiam entre as empresas não financeiras e o sistema financeiro esses modelos de instituições financeiras nos mostram uma coisa: elas não se resumem apenas a emprestar dinheiro.
Elas são verdadeiras plataformas de liquidez e inovação, que permitem a geração de novas receitas, fidelização de clientes e um crescimento sustentável.
Como o varejo pode se conectar a uma Instituição Financeira?
Quando falamos sobre Instituição Financeira e operações de crédito estruturadas, é impossível não citar o varejo.
Afinal, esse setor é um dos que mais se beneficia das vendas a prazo, muito utilizadas para impulsionar vendas e fidelizar clientes.
Graças à evolução tecnológica, os varejistas passaram a assumir o papel que, historicamente, era ocupado pelos bancos tradicionais. Ou seja, eles próprios estão concedendo crédito de forma direta aos clientes, eliminando esses intermediários.
Porém, você pode estar se perguntando: “legal, mas vocês não disseram que a IF é a responsável por atuar como intermediária entre pessoas que poupam dinheiro e aquelas que precisam de recursos? Então, como um varejista pode conceder crédito usando seu capital próprio?”.
Essa é uma dúvida muito comum. Mas a resposta para ela está em um conceito em especial: fintechzação.
O conceito de fintechzação é muito simples: toda empresa pode ser uma fintech, mesmo que o seu core business não seja a prestação de serviços financeiros.
A fintechzação está diretamente ligada a dois outros conceitos que citamos anteriormente: BaaS e CaaS.
Ou seja, o varejista pode se conectar a uma Instituição Financeira e oferecer soluções financeiras próprias. Essa integração ocorre através de parcerias estratégicas e tecnológicas.
Em ambos os casos, o varejo consegue aproveitar a estrutura regulada da IF para operar dentro da lei, com segurança, compliance e acesso a funding.
Não se trata de “eliminar” o trabalho da Instituição Financeira, mas sim, trazê-la para “dentro” do ecossistema do varejista.
Como isso funciona?
Isso funciona da seguinte forma: a IF fornece toda a infraestrutura bancária, como por exemplo, as licenças obrigatórias, integração com o BC, gestão de risco e liquidação financeira.
O varejista não precisará se preocupar com as questões tecnológicas e regulatórias. Ele terá apenas que manter o relacionamento com sua base de clientes e oferecer os produtos financeiros sob a sua própria marca, nos seus canais de aquisição.
Essa integração cria uma relação em que cada parte mantém o foco naquilo que faz de melhor: a instituição cuida dos “bastidores” operacionais e regulatórios, enquanto o varejo entrega experiência, proximidade e dados de consumo, afinal, ninguém conhece melhor quem são os seus clientes do que os próprios varejistas.
Para que ocorra essa conexão, existem alguns caminhos possíveis:
Parceria direta com uma Instituição Financeira regulada: ideal para varejistas que desejam criar soluções personalizadas, como cartões co-branded, carteiras digitais ou linhas de crédito exclusivas;
Integração via plataforma de crédito: a conexão é feita via APIs, permitindo que o varejista crie sua própria conta digital ou financie crédito sem ter que se tornar uma Instituição Financeira;
Criação de um braço financeiro: estrutura criada pelo varejista com o objetivo de oferecer serviços de crédito aos seus clientes. Pode ser um FIDC ou Securitizadora criada para cuidar 100% da oferta e gestão dos produtos financeiros.
Por meio dessa integração, o varejista deixa de ser apenas um canal de venda e passa a se tornar um ecossistema financeiro completo, com potencial de gerar receita financeira recorrente e fidelizar clientes.
Por essas e outras razões, as instituições financeiras e o varejo caminham lado a lado, formando parcerias que transforam dados em crédito e relacionamento em valor.
Quais são os benefícios do varejo ser parceiro de uma Instituição Financeira?
Nos últimos anos, o varejo passou a ser cada vez mais protagonista, deixando de ser somente um ponto de venda de produtos para se transformar em um verdadeiro ecossistema de serviços e relacionamento.
Neste “novo varejo”, os produtos financeiros assumem um papel central na estratégia, pois geram valor, fidelizam clientes e ampliam as margens de rentabilidade.
Por natureza, a atividade core de um varejo não é a concessão de crédito. Essa é uma atividade secundária, e que deve servir para agregar valor.
Apesar disso, os varejistas não precisam tirar uma licença bancária junto ao BC para atuar como banco. Existe um caminho bem mais simples, e ele passa pela parceria com uma Instituição Financeira.
Uma IF consegue oferecer toda a estrutura regulatória e tecnologia necessária para que o varejista opere como um player financeiro.
Como não poderia deixar de ser diferente, essa parceria abre portas para uma transformação completa no modelo de negócio.
Abaixo, listamos 5 benefícios estratégicos que o varejo consegue alcançar ao se conectar a uma Instituição Financeira. Veja:
Expansão de receitas por meio da Instituição Financeira
Sem dúvidas, um dos principais benefícios que o varejo ganha ao se integrar à uma IF é a possibilidade de expandir receitas, indo muito além da margem dos produtos vendidos.
É possível monetizar diversos serviços financeiros, como financiamento direto ou crédito CDC, seguros e consórcios.
Além disso, também é possível oferecer carteiras digitais e outras soluções de pagamentos, como por exemplo, o cartão white label.
Um ótimo case de sucesso que ajuda a ilustrar isso, é o Grupo Pão de Açúcar, que gera receita recorrente com a utilização do Cartão Pão de Açúcar Itaucred.
Produzido em parceria com o Itaú, esse cartão oferece cashback e uma série de outros benefícios nas compras feitas nas lojas do grupo.
Cada transação ou compra feita com o cartão gera uma participação na receita financeira para o varejista, que consegue manter o cliente consumindo dentro do seu próprio ecossistema.
Neste caso, o Grupo Pão de Açúcar utiliza a parceria de uma Instituição Financeira para atuar como um banco e financiar seus clientes. Assim, é possível capturar margens financeiras que, anteriormente, ficavam somente com terceiros.
Fidelização e aumento do Lifetime Value (LTV)
Quando o varejista oferece produtos financeiros sob a sua própria marca, naturalmente, ele cria um vínculo emocional e afetivo com sua base de clientes.
Afinal, sempre que o consumidor utilizar o cartão de loja, receber cashback na sua conta digital, ou financiar compras de forma direta com o varejista, ele passa a enxergar a marca como parte do seu dia a dia financeiro.
O resultado dessa “equação” é um aumento direto no Lifetime Value (LTV), o valor total que o cliente gera durante o seu relacionamento. Quanto mais vezes ele utilizar os produtos financeiros, maior será a frequência e o ticket médio das compras.
Quem trabalha com varejo sabe como isso é extremamente relevante, pois fidelizar clientes não é uma missão nada fácil.
Segundo um levantamento produzido pela Spot Metrics, cerca de 85% dos consumidores não voltam a comprar no período de um ano pelo fato da experiência ter sido pouco memorável.
Entre as ações que o varejista pode tomar para resolver esse problema, está o investimento em serviços financeiros próprios.
Alguns outros estudos de mercado mostram que os clientes que utilizam serviços financeiros de uma marca compram até 3x mais e permanecem 2x mais tempo ativos do que aqueles clientes que não têm nenhum vínculo financeiro.
Quando o varejista se tornar parceiro de uma Instituição Financeira, ele consegue transformar sua base de clientes em uma comunidade financeira própria, com dados mais assertivos, recorrência de compra e alto poder de relacionamento.
Maior eficiência operacional
As instituições financeiras trazem para o varejo algo que seria praticamente impossível construir do “zero”, internamente: infraestrutura, compliance e liquidação financeira em escala.
Por meio delas, o varejista consegue obter acesso a sistemas de risco e análise de crédito com inteligência de dados, o que é importante para mitigar e reduzir os riscos de fraudes.
Além disso, como as IFs são reguladas pelo BC, o varejista consegue abrir caminho para obter acesso a funding estruturado, via securitização de recebíveis.
No contexto do varejo, a securitização é muito usada para financiamento utilizando apenas capital próprio.
Porém, nada impede que o varejista utilize o apoio de uma Instituição Financeira para constituir um veículo de securitização e captar no mercado de investidores.
Se essa for a estratégia utilizada, é possível operar crédito com custo de capital mais baixo e muito mais segurança jurídica.
Afinal, o varejista não vai financiar seu cliente usando 100% do seu capital próprio. Ele poderá usar funding do mercado e “dividir” o risco de crédito.
Quando o crédito é estruturado em parceria com uma Instituição Financeira, o varejista consegue obter maior eficiência, liquidez e previsibilidade.
A soma desses três fatores é fundamental para que o crédito seja escalado de maneira segura e sustentável a longo prazo.
Digitalização da experiência de compra
Além disso, a integração financeira também permite que ocorra uma digitalização da experiência de compra dentro do varejo.
Através das APIs fornecidas pelas instituições financeiras, o varejista consegue oferecer crédito, pagamentos, seguros e investimentos dentro do seu próprio aplicativo ou site, sem que o cliente tenha que ser redirecionado para fora dos canais de aquisição da marca.
Essa comodidade cria uma jornada fluida e sem atritos, pois o cliente consegue comprar, pagar, receber cashback e consultar saldo unicamente em um mesmo lugar. E quanto mais integrada for essa jornada, maior será o engajamento e, por consequência, a taxa de conversão.
Um exemplo clássico é a Riachuelo, que utiliza a infraestrutura bancária da Midway Financeira, a Instituição Financeira do próprio grupo, para oferecer cartão, crédito pessoal e conta digital dentro do mesmo aplicativo.
Desse modo, a Riachuelo “transformou” seu aplicativo de moda em uma plataforma financeira completa, com milhões de clientes ativos.
Maior controle sobre dados e inteligência de crédito
Quando o varejista atua em parceria com uma Instituição Financeira, ele também consegue obter um maior controle sobre dados e inteligência de crédito.
Isso ocorre, pois ele passa a ter acesso a dados financeiros valiosos sobre o comportamento do cliente, especialmente pelo fato das IFs poderem acessar o Sistema de Informações de Créditos.
Conhecido popularmente como SCR, ele é uma base de dados gerenciada pelo BC, e que centraliza informações detalhadas sobre operações de crédito acima de R$ 200, e contratadas por qualquer pessoa física ou jurídica do Brasil.
Porém, o acesso à essa plataforma só pode ser feito por uma Instituição Financeira autorizada e mediante consentimento do cliente.
Ao obter uma visão centralizada e ampliada, o varejista consegue avaliar de maneira mais assertiva a real capacidade de pagamento que o solicitante de crédito possui.
Assim, é possível calcular modelos de risco personalizados, ajustar taxas e limites ao perfil de consumo e criar ofertas segmentadas, tendo como base o histórico de compras que o cliente já possui.
O varejista também consegue antecipar tendências de inadimplência e ajustar sua política de crédito de acordo com os dados financeiros e de consumo dos clientes.
Ele pode utilizar uma análise de dados para identificar quem são os clientes que já têm alto potencial de recompra.
Com isso, é possível aumentar os limites de crédito de maneira responsável, o que é fundamental para estimular novas compras sem aumentar o risco.
Fortalecimento da marca e diferenciação competitiva
Por fim, mas não menos importante: a partir do momento em que o varejista fecha uma parceria com uma Instituição Financeira, e passa a oferecer produtos financeiros sob sua própria marca, ele obtém um diferencial competitivo extremamente relevante.
O setor do varejo é extremamente efêmero, e está constantemente se transformando, para conseguir atender às expectativas do mercado.
Apesar disso, não é tão fácil encontrar esse diferencial competitivo. Porém, em muitas ocasiões, o “pulo do gato” está na experiência e nos serviços que integram a jornada de compra.
E isso passa pelo crédito, pois o varejo assumir o crédito, é o futuro. Ele pode reduzir margem nas vendas e ganhar no financeiro, com uma oferta melhor para o cliente.
E o cliente também está no centro dessa transformação, pois quando ele associa a marca do varejo a soluções que trazem comodidade para sua vida financeira, ocorre um aumento do “valor percebido”.
O resultado disso é a construção de uma marca indispensável no dia a dia e na rotina de consumo do cliente.
Ou seja, quando o varejo se torna um player financeiro e deixe de competir somente pelo preço, ele passa a competir pelo valor percebido e pela confiança, que são os verdadeiros motores de fidelização neste “novo mercado”.
Em síntese, são esses os benefícios que o varejista consegue obter ao ter uma Instituição Financeira como parceira.
Além de se tornar protagonista no mercado financeiro, ele consegue gerar novas fontes de receita, fortalecer o relacionamento com o cliente e aumentar a competitividade do negócio.
Essa estratégia é o passo crucial para quem quer deixar de vender somente produtos e começar a vender soluções financeiras que agreguem valor à marca.
Exemplos de Instituição Financeira no varejo
A integração entre o varejo e instituições financeiras é um movimento cada vez mais consolidado no Brasil, sobretudo, a partir da última década.
Embora o CDC Lojista seja algo histórico presente em grandes redes brasileiras, foi nos últimos anos que muitas varejistas passaram a enxergar o crédito como um ativo estratégico.
Afinal, por tudo aquilo que dissemos anteriormente, o crédito consegue ser capaz de gerar novas receitas, fidelizar consumidores e aumentar o valor do relacionamento com o cliente.
Justamente por conta disso, vem sendo cada vez mais comum essas empresas investirem em estruturas próprias ou parcerias com alguma Instituição Financeira para oferecer serviços de crédito ou bancários dentro do seu ecossistema.
Abaixo, listamos 4 principais cases que corroboram tudo isso que falamos, e que vão te ajudar a entender como o varejo tem se tornado cada vez mais protagonista no mercado financeiro:
MagaluPay
Nós falamos muito sobre o MagaluPay no Varejo Finance Report, um estudo exclusivo que analisou a integração entre produtos financeiros e o desempenho de algumas das principais redes varejistas brasileiras.
Criado em 2020 pela Magalu, o MagaluPay é uma instituição de pagamento que integra soluções financeiras como crediário digital, venda de seguros e o cartão Magalu.
O MagaluPay foi criado para funcionar como uma conta digital integrada ao SuperApp Magalu, permitindo que os clientes realizem pagamentos, transferências por Pix, compras online e recebam benefícios exclusivos dentro do ecossistema da Magalu.
Essa Instituição Financeira também oferece outros serviços, como o CDC Digital integrado ao checkout, conta digital para os vendedores e antecipação de recebíveis.
Atualmente, o MagaluPay tem em sua base, mais de 10 milhões de clientes ativos, e ocupa um lugar central dentro do ecossistema da Magalu.
Além de manter o cliente ativo dentro da sua plataforma financeira, o MagaluPay também ajuda a aumentar a recorrência de compras e oferece insights fundamentais sobre o comportamento de consumo.
Os resultados dessa estratégia estão nos números: além de gerar novas receitas originárias dos produtos financeiros, o MagaluPay corresponde a mais de 20% do faturamento total da Magalu.
Nos últimos anos, essa IP tem investido fortemente em Embedded Lending e fidelização por meio das soluções digitais, como é o caso do CDC Digital.
Com esse movimento, a Magalu deixou de ser somente um varejista de bens de consumo e passou a ser um hub digital completo de produtos financeiros e tecnologia.
C&A Pay
O C&A Pay também é outro case de sucesso na integração entre varejo e finanças. Criado em 2021, ele é o braço financeiro da C&A, e conecta meios de pagamento, crédito e benefícios exclusivos dentro do ecossistema da marca.
A proposta principal do C&A Pay é oferecer uma experiência de compra mais fluida e acessível, para que os clientes usem o aplicativo não somente para comprar produtos, mas também, como uma ferramenta financeira.
O C&A Pay é uma Sociedade de Crédito Direto (SCD), Instituição Financeira regulada e autorizada pelo BC, e que fornece toda a infraestrutura de crédito, cobrança e gestão de risco.
O braço financeiro oferece serviços de empréstimos, financiamentos e um cartão de crédito virtual para compras nas lojas físicas e canais de aquisição digitais da rede.
Neste caso, o neobank da C&A é um ótimo exemplo de integração entre moda, experiência e crédito dentro de um mesmo ecossistema.
Ao estimular o parcelamento de compras, a C&A consegue aumentar o ticket médio e a fidelização entre o público jovem e digital, que deseja conveniência em suas compras.
Não por acaso, esse serviço impactou fortemente os resultados financeiros da C&A em 2024. No 4T24, o cartão private label da varejista respondeu por 24,3% das vendas. Além disso, o C&A Pay emitiu 7 milhões de cartões digitais.
A soma dessas receitas financeiras totalizaram R$ 441 milhões, correspondendo a 5,8% do faturamento total, e crescendo 23,7% no comparativo a 2023.
Mercado Pago
O Mercado Pago é um exemplo clássico de marketplace que evoluiu e se tornou um ecossistema financeiro completo.
Criado em 2003, ele é a plataforma de serviços financeiros e pagamentos do Mercado Livre, tendo sido autorizada pelo BC a atuar como Instituição Financeira em três dos quatro tipos de IPs: emissor de moeda eletrônica, emissor de instrumento de pagamento pós-pago e credenciador.
Basicamente, o Mercado Pago funciona como uma carteira digital e um sistema de pagamentos online e presencial, que permite que pessoas e empresas façam transações de forma segura e prática.
Embora tenha nascido como uma solução de pagamentos do Mercado Livre, ele rapidamente evoluiu, se tornando um dos maiores ecossistemas financeiros digitais da América Latina.
Atualmente, o Mercado Pago opera como um banco digital, oferecendo diversos serviços bancários e financeiros através da sua plataforma tecnológica.
Entre os serviços oferecidos, estão contas gratuitas e rendimento de salto até empréstimo, Pix e cartões.
O resultado dessa estratégia é uma operação que combina e-commerce, fintech e banco digital dentro de um mesmo ecossistema, em mais um exemplo de Embedded Finance no varejo.
No ano de 2024, o lucro líquido dessa Instituição Financeira totalizou R$ 669 milhões no 4T/2024, tendo lucro líquido anual de US$ 1,9 bilhão e um receita líquida total de US$ 8,6 bilhões.
Midway Financeira
Por fim, a Midway Financeira também é um exemplo de Instituição Financeira no varejo. Criada em 2008, ela é uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI) ligada ao grupo Guararapes, controladora da Riachuelo.
Essa iniciativa possibilitou que a empresa controlasse toda a operação de crédito, pagamentos e fidelização da sua base de clientes, tendo base dados próprios e tecnologia.
Esse shadow banking oferece diversos serviços, como cartões de crédito, conta digital gratuita, empréstimos, seguros e assistências.
No ano de 2019, a Midway Financeira criou seu banco digital tendo como base uma infraestrutura 100% em nuvem.
Posteriormente, em 2021, a IF lançou a sua conta digital, que no intervalo de cinco meses, totalizou 1 milhão de aberturas.
Assim, a Riachuelo conseguiu aumentar o controle sobre a política de crédito e risco, além de gerar novas receitas financeiras relevantes para todo o grupo.
Atualmente, a Midway Financeira é a maior emissora de cartões private label do Brasil, além de ser uma das líderes em cartão co-branded, com base de mais de 32 milhões de clientes ativos.
No ano de 2024, o faturamento total da Riachuelo foi de R$ 9,63 bilhões, com 23,9% desse total tendo origem nas receitas financeiras.
De modo geral, a Midway Financeira respondeu por 73% do lucro total da empresa, reforçando seu papel estratégico dentro do ecossistema da Riachuelo e tornando o aplicativo da marca um verdadeiro hub de relacionamento com o cliente.
Todos esses exemplos que citamos acima nos mostram que a integração entre varejo e Instituição Financeira é uma arma extremamente poderosa para o crescimento estratégico dos varejistas.
Afinal, o futuro do varejo é o crédito. E as instituições financeiras são a “ponte” que viabilizam essa transformação com escala, segurança e rentabilidade.
É seguro utilizar uma Instituição Financeira no varejo?
Depois de tudo o que falamos anteriormente, não restam dúvidas de que a parceria com uma Instituição Financeira é extremamente benéfica ao varejo.
Entretanto, você pode estar se perguntando: será que é seguro um varejista utilizar uma IF dentro do seu ecossistema?
A resposta para essa dúvida é uma só: SIM. E esse é justamente um dos grandes diferenciais que essa estratégia oferece.
A partir do momento em que se conecta à uma IF regulada pelo BC, o varejista consegue operar dentro de um ambiente íntegro, transparente, legal e supervisionado, com todas as normas de compliance e proteção de dados exigidas pelo SFN.
Essas boas práticas garantem que o crédito e as transações sigam regras rígidas de governança, auditoria e transparência, proporcionando segurança tanto para a empresa quanto para o consumidor.
Além do mais, neste modelo de negócio, a Instituição Financeira fica responsável por todo o aparato regulatório, da análise de risco à liquidação financeira.
Assim, o varejista não precisa desviar do seu core business, e pode seguir focado apenas no relacionamento com o cliente e no crescimento do negócio.
Por fim, a proteção de dados é outro aspecto importante relacionado à segurança na utilização de uma IF no varejo.
Graças ao avanço do Open Finance e da integração com APIs seguras, o compartilhamento de informações apenas pode ocorrer caso o cliente autorize previamente.
Ademais, todo esse processo ocorre em conformidade com os mais rigorosos padrões de criptografia e autenticação de múltiplos fatores, via Know Your Customer (KYC), o que reforça a credibilidade das operações.
Com isso, o varejista consegue oferecer soluções financeiras próprias com a mesma segurança de um banco, porém, com maior confiança, conformidade e tecnologia de ponta.
Qual é o futuro das Instituições Financeiras no varejo?
Anteriormente, nós dissemos que o futuro do varejo é o crédito. Neste sentido, é natural que esse futuro também passe pelas instituições financeiras.
O panorama para os próximos anos é extremamente animador, e será marcado pela integração total, personalização e digitalização acelerada.
Instituição Financeira como motor de crescimento do Retail Banking
A tendência é de que cada vez mais as empresas varejistas atuem como originadoras de crédito e provedoras de serviços financeiros, sendo responsáveis por transformar o ato de comprar em uma experiência completa.
De acordo com algumas projeções do Grand View Research, o mercado de Retail Banking no Brasil deve ultrapassar US$ 107 bilhões até 2033, com crescimento médio anual de 6,9% entre os anos de 2025 e 2033.
Esse crescimento será impulsionado, principalmente, por dois fatores em especial: a bancarização digital e a expansão do Open Finance, que vão abrir portas para que os varejistas criem, com segurança, soluções financeiras próprias e escaláveis.
Além disso, quando falamos sobre o futuro da Instituição Financeira, existem outros fatores que estão ligados à essa transformação. São eles:
Novas fontes de receita recorrente no varejo, oriundas de juros, tarifas e programas financeiros de fidelidade.
Para o varejo, esse futuro significa dois movimentos cruciais: virar um provedor financeiro dentro da sua própria marca, e utilizar os dados e o relacionamento com o cliente para criar ofertas de crédito, fidelização e receita recorrente.
A partir do momento em a Instituição Financeira passa a fazer parte da operação, o varejo passa a ganhar relevância e crescer de forma estratégica neste mercado tão competitivo.
Afinal, os serviços financeiros estarão tão integrados à experiência de compra que o cliente nem vis perceber que está lidando com uma IF.
Quem entender esse futuro agora e se antecipar a essa transformação, estará em vantagem sob a concorrência neste “novo varejo financeiro”.
A GIRO.TECH ajuda seu varejo a atuar como uma Instituição Financeira!
Se você chegou até aqui na leitura deste guia completo, conseguiu conhecer melhor todas as particularidades que compõem uma Instituição Financeira.
Essa entidade abre espaço para diversas oportunidades estratégicas que podem ser aplicadas ao contexto das empresas que não têm origem no mercado financeiro, como é o caso do varejo.
E diferentemente do que você pode imaginar, a transformação do seu varejo em uma operação financeira completa não é um sonho distante. Ela é uma realidade muito viável, segura e rentável.
Para isso, basta que você tenha o apoio do parceiro certo, que te ajude a embarcar nesta jornada da melhor maneira possível.
E a GIRO.TECH está aqui justamente para simplificar os processos e tornar esse movimento simples, rápido e escalável!
Nós fornecemos uma plataforma completa de CaaS, que fornece a tecnologia para crédito que simplesmente funciona, para que seu varejo atue como uma Instituição Financeira e crie sua própria infraestrutura de financiamento.
Neste processo, nós contamos com o auxílio da Giro SCD, a nossa Sociedade de Crédito Direto regulada e com todas as licenças exigidas pelo BC.
Desse modo, nós conseguimos habilitar seu varejo como nosso corban, e através das APIs, você consegue fechar contratos de crédito com seus próprios clientes, via emissão de CCB, podendo financiar seu ecossistema usando capital próprio.
Todo o trabalho regulatório fica com a nossa equipe, pois você não precisa desviar o olhar do seu core business com essa atividade secundária.
Além do mais, a GIRO.TECH também ajuda seu varejo na estruturação do FIDC ou Securitizadora, para que seu negócio obtenha o máximo de eficiência tributária.
É assim que nós transformamos capital e prazo em crédito estruturado e ágil, para que seu varejo atue como Instituição Financeira e tenha margem de banco nas operações de crédito.
Conclusão
Por fim, após concluir a leitura deste guia completo, você entendeu definitivamente o que é uma Instituição Financeira.
Independentemente de qual seja o modelo de negócio, as IFS sempre formaram a base do sistema econômico do país.
Porém, já foi-se o tempo em que essas entidades atuavam apenas como intermediárias de crédito e serviços financeiros. Nos dias atuais, elas são plataforma de conexão, tecnologia e que impulsionam o crescimento.
Como não poderia deixar de ser diferente, essa transformação abriu portas para que diferentes setores, como o varejo, se tornassem protagonista nesse novo cenário.
Graças à essa transformação, qualquer empresa consegue oferecer produtos financeiros próprios, ampliando margens e construindo relacionamentos mais fortes e duradouros com sua base de clientes.
Por meio de estruturas como BaaS, CaaS, FIDCs e Securitizadoras, os varejistas conseguem montar suas próprias estruturas de crédito e operar com a mesma segurança e eficiência de uma Instituição Financeira tradicional.
A diferença está na agilidade, flexibilidade e conhecimento prévio que a marca tem com o cliente, que passa a ter à sua disposição, a possibilidade de obter crédito com condições mais atraentes e personalizadas.
O futuro do varejo é o crédito. E o futuro do crédito e dos serviços financeiros no Brasil será colaborativo e integrado.
Os varejistas que entenderem essa mudança, e souberem usá-la a seu favor, estarão prontos para liderar a próxima geração de crédito.
A GIRO.TECH quer que o seu negócio esteja nessa vanguarda. Por isso, nós queremos ser o parceiro que vai ajudar seu varejo a atuar como uma verdadeira Instituição Financeira!
Nós oferecemos soluções completas de bancarização e securitização para que sua empresa oferte crédito com capital próprio e obtenha margem de banco nas operações.
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