3 estratégias para gerar eficiência tributária no CDC Lojista

O CDC Lojista é uma operação de crédito em que um varejista financia a compra de um cliente diretamente na loja. Entenda como ela funciona e descubra como gerar eficiência tributária!

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O CDC Lojista é uma modalidade de crédito muito popular no varejo, tanto pela sua flexibilidade, quanto pela possibilidade dos comércios ampliarem o acesso ao financiamento direto aos clientes.

Não à toa, a oferta do crédito facilitado no ponto de venda se tornou uma estratégia essencial para fortalecer e impulsionar as vendas no cenário do varejo de móveis.

Um levantamento produzido pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) Brasil descobriu um dado interessante.

Em março de 2025, 42% dos consumidores brasileiros mantinham prestações de compras no cartão de crédito, cartão private label ou crediário a pagar.

Esse percentual corresponde a 68,7 milhões de pessoas que possuíam algum tipo de compra parcelada.

Na prática, oferecer crédito direto no ponto de venda traz diversos benefícios estratégicos aos lojistas.

Contudo, quando falamos sobre CDC Lojista, é comum alguns varejistas manterem a atenção apenas em indicadores como taxa de juros, inadimplência e ticket médio.

Apesar disso, existe um fator silencioso que também impacta diretamente a rentabilidade desta operação: a eficiência tributária.

Em um cenário no qual a competitividade está cada vez mais em alta, e as margens cada vez mais apertadas, entender a estrutura fiscal das operações de crédito é fundamental.

Afinal, é isso que separa as empresas que apenas vendem daquelas que realmente constroem um ecossistema financeiro sustentável.

Porém, ainda é comum muitos varejistas pagarem mais impostos do que deveriam, simplesmente por não conhecer as alternativas existentes, como é o caso da securitização.

Pensando nisso, nós criamos este artigo completo, para te apresentar 3 estratégias práticas que vão te ajudar a gerar maior eficiência tributária no CDC Lojista. Siga a leitura e acompanhe conosco!

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O que é CDC Lojista?

Primeiramente, antes de entendermos quais são essas estratégias, é importante que você conheça melhor o que é o CDC Lojista.

Também chamado de Crédito Direto ao Consumidor, ele é uma modalidade de financiamento na qual o próprio varejista oferece crédito aos clientes no momento de uma compra.

Por meio dela, os lojistas e varejistas podem comprar bens ou adquirir serviços de forma parcelada.

Na prática, é como se a própria loja virasse o “banco” que financia a operação, permitindo que a venda ocorra em parcelas, que serão pagas mensalmente pelo consumidor.

Até por conta disso, os consumidores podem utilizar o crédito direto no ponto de venda tanto em compras de ticket médio elevado quanto nas de ticket mais baixo.

Historicamente, apenas os bancos e instituições financeiras tradicionais conseguiam intermediar este tipo de operação, como parte do escopo de serviços.

Contudo, as operações de CDC têm crescido de forma exponencial no varejo, apoiadas pelo avanço da bancarização, pela digitalização dos meios de pagamento e pelo fato dos varejistas estarem buscando novas fontes de receita financeira.

Afinal, além de aumentar as vendas e a fidelização, o CDC Lojista também permite que o varejista capture os juros que, anteriormente, ficavam com os bancos.

Ademais, essa modalidade de financiamento é extremamente flexível, e permite que os consumidores tenham menos burocracia e mais facilidade para realizar uma compra.


Como funciona o CDC Lojista?

Agora que você entendeu o que é o CDC Lojista, fica mais fácil de compreender como ele funciona. Na prática, a dinâmica dessa operação é muito parecida com a de um empréstimo tradicional.

Esse processo tem início no ponto de venda, que pode ser físico ou digital, quando o cliente escolhe o produto e faz a solicitação do parcelamento.

Porém, para que ele tenha acesso ao financiamento, deverá preencher alguns requisitos mínimos.

Normalmente, eles costumam ser a comprovação de uma renda mínima e apresentação de documentos pessoais, como RG ou CPF, bem como um comprovante de residência atualizado.

A partir daí, o cliente é submetido a uma análise de crédito, procedimento crucial para garantir a segurança do varejista que está intermediando a operação.

Para aumentar ainda mais a segurança dessa análise, o varejista pode usar o apoio de um bureau de crédito.

O bureau de crédito é uma empresa especializada em coletar, armazenar, processar e fornecer informações sobre o histórico de crédito de pessoas físicas e jurídicas.

Assim, o varejista consegue mitigar eventuais riscos de inadimplência por parte do cliente que solicitou o financiamento.

Após ter realizado a análise do perfil, o varejista também estabelece outros critérios de concessão, como prazos de pagamentos, valores das parcelas, taxas e juros.

Essa é uma das grandes vantagens que o CDC Lojista oferece, pois ele possibilita que a oferta de crédito esteja alinhada com as estratégias do varejista.

Formalização via CCB

Uma vez que as condições estejam devidamente ajustadas, o lojista formaliza o contrato do CDC, por meio de uma Cédula de Crédito Bancário (CCB).

A CCB é um documento que estabelece a obrigação de pagamento de uma transação de financiamento realizada por uma empresa, banco ou outra entidade financeira.

Esse é um título de crédito extrajudicial, que garante à entidade que intermediou a operação, o direito de cobrar o pagamento sem ter que passar por um processo para reconhecer a existência da dívida.

Devido a essa segurança jurídica, instituições também utilizam a CCB Bancária em operações de securitização.

Desse modo, o varejista consegue criar um ativo financeiro poderoso, que pode ser antecipado, vendido ou estruturado em operações dentro do mercado de capitais.

É justamente essa possibilidade que diferencia o CDC Lojista de outras modalidades, pois ele transforma o crédito em uma ferramenta estratégica.

Por meio dele, o varejista consegue gerar novas fontes de receita, potencializar seu fluxo de caixa e estruturar crédito via securitização, por meio de um FIDC ou Securitizadora.

Ademais, a depender da forma com que a operação for estruturada, o varejista também consegue obter maior flexibilidade na gestão tributária, reduzindo o impacto tributário sobre suas receitas.

Nos próximos tópicos você irá entender melhor como é possível capturar todo o potencial estratégico que esse modelo oferece.

Templates gratuitos de CCB para utilizar como base

Quando o CDC Lojista é utilizado?

Embora seja usado para efetuar compras de ticket baixo, médio ou elevado, os clientes solicitam mais o CDC Lojista quando optam por adquirir bens ou serviços de valores mais elevados.

É o caso, por exemplo, de móveis, eletrodomésticos, automóveis, ou materiais de construção.

Na maior parte das vezes, os consumidores acabam não tendo condições de pagar a compra à vista.

Assim, o parcelamento se torna a opção ideal para que o varejista não “perca” a venda.

A partir do momento em que contrata esse financiamento, o solicitante deverá pagar todos os meses os valores devidos, até quitar integralmente a dívida.

Um exemplo clássico de CDC Lojista é o tradicional crediário, uma modalidade de crédito extremamente popular no Brasil.

Essa operação começou a se popularizar no país na década de 1950, apesar das suas origens remontam às práticas de venda a prazo mais antigas, especialmente em outros lugares do mundo.

Entretanto, foi durante os anos 60 e 70 que o crediário passou a ser amplamente utilizado nas lojas de eletrodomésticos, móveis e outros bens de consumo.

Por meio do crediário, os varejistas concedem crédito para que os consumidores comprem parcelado diretamente no ponto de venda, sem o intermédio de um banco tradicional.

Essa flexibilidade e personalização são alguns dos motivos pelos quais o crediário é tão popular no Brasil, especialmente nas classes C, D e E que têm menos acesso a outras fontes de crédito.

Buy Now Pay Later

Além do crediário, o Buy Now Pay Later (BNPL) também é um exemplo de utilização do CDC Lojista.

Também chamado de “Compre Agora e Pague Depois”, o BNPL é muito parecido com o crediário, pois ele permite que o consumidor compre um serviço imediatamente sem ter que pagar o valor à vista.

Por conta disso, ele também se torna uma alternativa ao cartão de crédito tradicional, sendo muito utilizado no varejo digital.

De acordo com um estudo recente produzido pela consultoria GMattos, em março de 2025, o BNPL ultrapassou a marca de 50% de aceitação no e-commerce.

Além do mais, ele já é o terceiro meio de pagamento mais usado no comércio eletrônico, com 50,8%.

Em números totais, o BNPL fica atrás somente do cartão de crédito e do Pix, que possuem 100% de aceitação no e-commerce.

Esses dois exemplos ajudam a ilustrar alguns cenários nos quais o CDC Lojista é utilizado no contexto do varejo.

Em ambos os casos, os varejistas sempre ficarão responsáveis por determinar as condições para a concessão do financiamento.

A partir do momento em que opera o crédito “dentro de casa”, o lojista consegue capturar o spread de crédito das operações.

Ou seja, ele consegue obter a diferença entre o custo do capital e o rendimento das parcelas recebidas.

Essa estratégia ajuda a rentabilizar o crédito e transformá-lo em uma alavanca estratégica de crescimento.

Todavia, embora ajude o varejista a vender mais, aumentar a sua rentabilidade e fidelização de clientes, o CDC Lojista traz consigo alguns desafios.

É o caso da tributação. Nos próximos tópicos você irá entender melhor como isso funciona.

Principais impactos tributários no CDC Lojista

A partir do momento em que estrutura uma operação de CDC Lojista, o varejista também precisa lidar com algumas questões “críticas”.

Uma das situações mais sensíveis, e que por vezes acaba sendo negligenciada, é o impacto tributário.

Afinal, ao contrário do que ocorre em uma simples venda a prazo, o Crédito Direto ao Consumidor demanda outras receitas financeiras, custos de captação, e até a uma eventual cessão dos direitos creditórios.

Cada uma dessas questões necessita de um tratamento fiscal específico. Logo, qualquer erro de planejamento pode comprometer a rentabilidade da operação.

Abaixo, listamos três pontos de atenção tributária que o varejista deve ficar de olho ao decidir rodar uma operação de CDC Lojista. Veja:

Incidência de tributos sobre receitas financeiras

De início, é importante pontuar que sempre que o varejista oferece crédito CDC ao cliente, as parcelas recebidas ao longo do tempo não representam somente o valor da venda do produto ou serviço.

Elas também incluem uma receita financeira, que são os juros embutidos na operação. É aí que surge o primeiro desafio.

Essa receita de juros tem incidência de uma série de tributos, como o IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e ICMS.

A base de cálculo desses tributos varia de acordo com o regime tributário adotado pela empresa (Lucro Real, Lucro Presumido ou Simples Nacional), além do formato da operação.

Ou seja, se o crédito for operado pelo lojista diretamente no seu balanço, essa receita acaba sendo “incorporada” às demais receitas operacionais.

Consequentemente, isso acaba aumentando a incidência da carga tributária efetiva que deverá ser paga pelo varejista.

Questões contábeis e fiscais na estruturação da operação

Outro desafio que demanda atenção diz respeito às questões contábeis e fiscais na estruturação da operação do CDC Lojista.

Nessa modalidade, o crédito que é concedido ao consumidor acaba gerando um ativo no balanço do varejista, no caso, o contas a receber.

Dependendo da estrutura, isso pode dar origem a passivos relacionados à captação de recursos ou à securitização de recebíveis.

Neste caso, a maneira como esses lançamentos são contabilizados e, sobretudo, como as receitas e despesas financeiras são reconhecidas, acaba influenciando de forma direta a base de cálculo dos tributos.

Por isso, qualquer contabilização incorreta pode gerar distorções no resultado fiscal, levando a autuações ou recolhimentos indevidos dos tributos.

Risco de bitributação ou enquadramentos inadequados

Além disso, outro risco que os varejistas enfrentam ao implantar o CDC Lojista sem um suporte especializado, diz respeito ao enquadramento tributário inadequado.

Afinal, quando a operação ocorre sem uma estrutura adequada, a chance da empresa vir a pagar mais tributos do que realmente deveria, é muito grande.

Isso é mais comum do que parece, e acontece quando o varejista faz uma concessão de crédito “dentro do CNPJ da loja”.

Neste caso, o Fisco pode interpretar as receitas financeiras como parte do core business da empresa.

O resultado dessa “mistura nas finanças” é uma bitributação em cima de todos esses valores.

E o motivo para isso é muito simples: a depender da forma que o crédito é registrado, o mesmo fluxo de receita pode ser tributado tanto como venda de mercadoria, quanto como operação financeira.

Além disso, também há situações nas quais o modelo também é enquadrado de maneira errada perante o Banco Central (BC) ou a Receita Federal.

Quando isso ocorre, o varejista passa a ter grandes chances de ter que lidar com multas, ajustes contábeis e contingências fiscais.

Em suma, o CDC Lojista é uma poderosa ferramenta de rentabilidade e crescimento para o varejo, desde que haja cuidado com os impactos tributários.

Do contrário, essa operação pode acabar se tornando uma fonte de passivos ocultos, que acabará sendo onerosa ao balanço financeiro da empresa.

A boa notícia é que com a estruturação correta e a aplicação de estratégias inteligentes, é possível transformar esses desafios em oportunidades reais de eficiência tributária, como veremos a seguir.

Como gerar eficiência tributária no CDC Lojista?

Como você observou no item acima, assim como ocorre com outras operações de crédito, também existem impactos tributários que envolvem o CDC Lojista.

Neste sentido, é fundamental que você descubra as estratégias para transformar a estrutura fiscal em uma aliada da rentabilidade para o seu negócio.

Afinal, operar crédito dentro do varejo não se resume somente à concessão ao cliente, mas sim, à construção de um ecossistema financeiro.

O futuro do varejo é o crédito, mas ele deve ser capaz de gerar lucro, preservar o caixa e garantir que seja operado com toda a segurança regulatória.

Além disso, é importante pontuar, que a eficiência tributária não é apenas sobre pagar menos impostos, mas sim, de pagá-los da forma correta, dentro de uma estrutura mais vantajosa e sólida do ponto de vista jurídico.

Naturalmente, isso demanda algumas decisões de estrutura, governança corporativa e gestão integrada.

Abaixo, listamos três estratégias essenciais que vão te ajudar a gerar eficiência tributária e construir um modelo de CDC Lojista seguro e inteligente. Confira:

Estruturação através de um veículo de securitização

Uma das maneiras mais eficazes de gerar eficiência tributária no CDC Lojista é investir na estruturação através de um veículo de securitização.

Ou seja, o varejista pode optar por montar essa operação utilizando duas estruturas existentes: FIDC ou Securitizadora.

FIDC

O Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) é uma estrutura de fundo de investimento regulada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e muito utilizada para financiar operações de crédito.

Essas operações de crédito têm como investidores os cotistas, que podem ser você, sua empresa, ou investidores do mercado de capitais.

O FIDC nasce para comprar direitos creditórios, que são o direito que o varejista tem de receber alguma dívida.

Pode ser uma duplicata, recebíveis do cartão de crédito ou cartão white label, CCB, notas comerciais, entre outras dívidas financeiras, como é o caso do CDC Lojista.

Na prática, o FIDC é uma espécie de “condomínio de cotas”, sem um dono específico.

O principal intuito dessa estrutura é conectar títulos de crédito com investidores interessados em comprar as cotas do fundo e integralizar seu capital.

No entanto, para que o FIDC possa existir, é preciso a atuação de alguns participantes. São eles:

  • Administrador Fiduciário;
  • Gestora de recursos;
  • Custodiante.

O administrador fiduciário é responsável por cuidar de toda a parte jurídica da operação, enquanto a gestora de recursos faz a análise de quais direitos creditórios serão comprados. Já o custodiante, faz toda a custódia e guarda das cotas do FIDC.

O fluxo operacional do FIDC funciona da seguinte forma: a empresa cede os direitos creditórios ao fundo, que os compra com deságio e administra com capital dos investidores.

Os recebimentos da carteira são direcionados ao fundo, que paga os cotistas de acordo com a sua participação e prioridade de pagamento.

Assim, é possível segregar o risco da operação do varejista originador, proporcionando maior transparência e segurança aos investidores.

Securitizadora

Por outro lado, a Securitizadora é um CNPJ no regime de Sociedade Anônima (S.A), que é criado com um único objetivo: comprar recebíveis com o capital dos seus investidores.

Esse veículo de securitização compra os direitos sobre os recebíveis de uma empresa e faz a emissão de títulos lastreados, para assegurar a validade deles.

O modelo recomendado pela CVM é que a Securitizadora seja estruturada como uma subsidiária integral a partir de uma Securitizadora já regulada pela CVM, pois assim, é possível obter a mesma eficiência tributária que um FIDC.

Depois, a empresa poderá fazer a emissão de títulos, como Certificado de Recebíveis (CR) ou debêntures, utilizadas para a captação de recursos que serão aportados dentro desta estrutura.

A partir desse momento, é possível fazer a compra de um recebível no mercado, com o seu valor no prazo e com deságio.

Quando o devedor fizer o pagamento do montante total, o valor do deságio será a receita da Companhia Securitizadora, que será direcionada ao investidor.

Além de fazer a emissão e venda dos títulos aos investidores, a Securitizadora também fica encarregada de administrar e gerenciar os recebíveis e repassar os valores para quem comprou os créditos.

Como o veículo de securitização gera eficiência no CDC Lojista?

É fácil de compreender como o FIDC e a Securitizadora geram eficiência na operação do CDC Lojista.

Em ambas as configurações, o varejista deixa de operar as receitas financeiras dentro do seu próprio CNPJ.

Ao isolá-las e centralizá-las dentro de uma estrutura adequada, ele consegue obter um tratamento fiscal diferenciado.

Isso permite separar a atividade comercial da atividade financeira, reduzindo a carga tributária sobre juros e ganhos de crédito.

Ademais, a estrutura do veículo de securitização também oferece outras vantagens adicionais, sendo elas:

  • Possibilidade de captar recursos no mercado de capitais;
  • Melhora o controle sobre a performance dos recebíveis;
  • Amplia a governança sobre as operações de crédito.

A tabela abaixo ajuda a ilustrar melhor como o varejista consegue obter toda essa eficiência tributária em uma operação de crediário próprio, que é bastante similar a do CDC Lojista:

Crediário Bancarizado no Varejo

Enquadramento adequado da operação de crédito

Além da necessidade de gerar eficiência tributária, também existe o desafio de garantir o enquadramento jurídico e regulatório correto da operação de CDC Lojista.

Não é incomum conhecermos casos de varejistas que começam a conceder crédito sem levar em conta as normas regulatórias que são aplicáveis.

Isso acaba sendo um grande contratempo, pois além de gerar bitributação, também pode trazer problemas de compliance ou contingências com o Fisco.

Portanto, antes de começar qualquer operação de crédito, é fundamental definir corretamente quem é o originador de crédito, quem assume o risco e de qual forma o fluxo financeiro será estruturado.

Esses fatores fazem toda a diferença para que a operação seja estruturada de maneira mais vantajosa do ponto de vista tributário, além de evitar interpretações equivocadas por parte dos órgãos reguladores.

Neste sentido, é muito comum que o varejista crie um braço financeiro próprio, para fazer a oferta de serviços bancários ou de crédito aos clientes.

Por meio dessa estrutura, é possível aumentar a liquidez, receber as vendas à vista e obter uma tributação mais adequada.

Assim, o varejista consegue garantir o melhor enquadramento para cada tipo de receita, seja ela de venda ou financeira.

Esse tratamento tributário individualizado evita a sobreposição de tributos e preserva a margem líquida da operação.

Gestão integrada entre jurídico, fiscal e contábil

Ademais, sem uma gestão integrada, o varejista não consegue obter eficiência tributária.

Assim como ocorre com outras operações de crédito, o CDC Lojista é composto por vários fluxos contábeis, fiscais, jurídicos e operacionais.

Caso essas áreas não estejam devidamente alinhadas, aumentam exponencialmente as chances de ocorrer riscos de inconsistência.

Aqui, um erro muito comum cometido pelos varejistas, é tratar o crédito como sendo uma extensão da área comercial, sem integrá-lo ao planejamento tributário da empresa.

Essa falta de sinergia pode trazer uma série de problemas, como reconhecimento incorreto das receitas financeiras e recolhimento indevido de tributos.

Portanto, a medida mais adequada para o varejista obter essa recuperação tributária, é adotar um modelo de governança integrada.

Com isso, é possível assegurar que o jurídico, fiscal e contábil atuem de maneira coordenada desde o momento em que a operação é estruturada.

Além de garantir a segurança nas concessões, o varejista também consegue ter consistência na apuração dos tributos e maior previsibilidade sobre o resultado financeiro.

E não para por aí, pois essa gestão integrada também elimina os ruídos na comunicação com os os órgãos reguladores e investidores.

Ou seja, para que o varejista obtenha eficiência tributária na operação do CDC Lojista, ele deve profissionalizar a sua estrutura de crédito.

Afinal, uma estrutura financeira bem desenhada, com o enquadramento jurídico correto e uma gestão integrada, permitem que o varejista reduza custos fiscais e crie uma base sólida para expandir suas operações de crédito com escalabilidade e segurança.

Quais são os benefícios de buscar eficiência tributária no CDC Lojista?

A busca pela eficiência tributária no CDC Lojista não deve ser encarada somente como uma questão técnica.

É necessário que o varejista encare esse objetivo como uma decisão estratégica, pois ela tem potencial para gerar valor dentro do ecossistema de negócio.

Afinal, a partir do momento em que o crédito é bem estruturado, o resultado não fica restrito à economia fiscal.

Ele também representa maior competitividade, previsibilidade e, acima de tudo, capacidade para o varejista crescer de maneira sustentável.

Para que você entenda melhor como isso ocorre na prática, nós listamos 4 benefícios que essa abordagem pode gerar, não apenas no CDC Lojista, mas também, em outras operações de crédito. Confira:

Redução da carga fiscal

Sem dúvidas, o benefício mais perceptível, é na redução da carga fiscal sobre as receitas financeiras e os resultados do crédito.

Quando o varejista estrutura o CDC dentro de uma estrutura adequada, ele evita sobreposição de tributos e aproveita regimes específicos mais vantajosos, aplicáveis aos veículos de securitização.

O varejista, enquanto investidor de um FIDC ou Securitizadora, só será tributado em 15%, sempre quando efetuar o resgate da operação.

Assim, ele consegue eliminar o pagamento de PIS/COFINS, IRPJ e CSLL, tributos que costumam onerar bastante o fluxo de caixa dos varejistas.

Não à toa, o varejo é um dos setores que mais paga tributos no país (por volta de 50%). Isso, consequentemente, reduz a margem de lucro.

De acordo com o estudo Varejo Finance Report, o varejo de eletroeletrônicos e móveis possui uma margem líquida entre 2% e 6%.

Isso ajuda a explicar o porquê do CDC Lojista estar cada vez mais popular neste segmento varejista.

Além da oferta desse produto de crédito, quando o varejista isola essa operação em uma estrutura adequada, ele consegue reduzir as alíquotas tributárias.

E isso ocorre justamente pelo fato das receitas comerciais estarem separadas das receitas financeiras.

O resultado dessa equação é um modelo de negócio mais limpo, eficiente e sustentável, com menor desembolso fiscal e mais caixa disponível para reinvestimento.

Maior previsibilidade nos resultados

Outro benefício relevante que a eficiência tributária traz ao CDC Lojista, diz respeito à previsibilidade financeira e tributária.

Afinal, quando essa operação é estruturada da maneira correta, o varejista passa a ter maior clareza sobre quanto paga de tributos.

Assim, é possível evitar surpresas em relações à fiscalizações, contingências ou autuações.

Na prática, a previsibilidade nos resultados é fundamental para que os gestores e diretores consigam planejar de forma mais precisa o fluxo de caixa, as metas de rentabilidade e demais estratégias para expansão do crédito.

Em um ambiente tão volátil e imprevisível quanto é o varejo, essa estabilidade tributária se torna um diferencial extremamente competitivo para o crescimento do negócio.

Competitividade para oferecer melhores condições de crédito

Além disso, o menor impacto tributário no CDC Lojista abre a possibilidade para que o varejista seja mais competitivo.

Ou seja, a partir do momento em que ele obtém eficiência fiscal, também consegue liberar margem para oferecer melhores condições de crédito aos clientes.

Assim, é possível personalizar ofertas, reduzir juros, alongar prazos ou criar programas de fidelização.

A soma de todos esses itens transformam o crédito em uma alavanca poderosa de crescimento ao varejo, que deixa de ser apenas um local de vendas e passa a financiar o consumo com rentabilidade.

Além do mais, o varejista também fortalece o relacionamento com sua base de clientes e consegue aumentar o ticket médio das vendas.

Essa é a base do Retail Banking, pois a eficiência tributária cria um círculo virtuoso: menos imposto → mais margem → crédito mais acessível → mais vendas.

Aumento da margem operacional

Por fim, mas não menos importante: a eficiência tributária no CDC Lojista também reflete de forma direta na margem operacional do varejo.

Afinal, ao reduzir a carga fiscal e otimizar sua estrutura contábil, o varejista consegue capturar valores que, anteriormente, eram perdidos com tributos e outros custos financeiros.

Na prática, esse ganho vai diretamente para o resultado, melhorando os indicadores de performance e aumentando o retorno sobre o capital que foi investido.

Assim, por meio desse reposicionamento estratégico, o crédito deixa de ser uma despesa, e passa a ser uma fonte estruturada de rentabilidade.

No cenário atual do varejo, essa é a base para sustentar o crescimento com solidez e inteligência financeira.

Qual é o papel da tecnologia na estruturação do CDC Lojista?

Quando falamos na transformação do CDC Lojista em uma operação escalável, segura e eficiente, não há como deixar de citar a tecnologia.

Afinal, mais do que digitalizar o crediário loja tradicional, as soluções tecnológicas possibilitam que o varejista controle todo o ciclo do crédito, da originação à securitização.

Nos últimos anos, o CDC Digital tem se tornado cada vez mais popular no varejo.

A diferença dessa modalidade para o CDC do lojista, está puramente no seu funcionamento, que ocorre totalmente online.

Neste caso, o varejista utiliza o apoio de plataformas digitais de bancos, cooperativas ou de uma fintech white label, que fornecem toda a infraestrutura tecnológica e regulatória para que a operação possa rodar.

Para que isso ocorra, são usadas Interfaces de Programação de Aplicações (APIs), que são conjuntos de ferramentas e regras que possibilitam a troca de informações entre diferentes plataformas.

São as APIs que garantem a comunicação segura e eficaz entre a fintech e o varejo, que poderá oferecer o CDC Digital em diferentes plataformas e canais de aquisição.

Graças à essa tecnologia, o varejo consegue operar o crediário de maneira 100% digital, por meio de sistemas que fazem a análise de crédito e posterior gestão de crédito e cobrança.

Na prática, isso representa maior agilidade e redução nos riscos de inadimplência ou enquadramento tributário incorreto.

Além do mais, a tecnologia também é fundamental para fortalecer a experiência, jornada de compra e relação do varejista com o cliente.

Quando ocorre a oferta do crédito digital, com aprovação em tempo real e comunicação transparente, o varejista consegue melhorar a experiência de compra.

Ademais, ele também aumenta a conversão e obtém insights valiosos acerca do comportamento financeiro dos clientes.

Essas informações fornecem os insumos para que os varejistas tomem decisões mais inteligentes e assertivas sobre risco, precificação e tributação.

Magalu

Um case muito famoso no varejo, e que ajuda a ilustrar tudo isso que dissemos, é a Magalu, que tem investido fortemente na bancarização empresarial e no Embedded Lending dentro do seu ecossistema.

Historicamente, a Magalu foi uma das pioneiras na oferta do CDC Lojista e do financiamento ao cliente no ponto de venda.

Porém, no ano de 2024, a empresa resolveu inovar, e lançou a sua operação de CDC Digital, um financiamento de compra dentro do SuperApp Magalu.

O cliente pré-aprovado para o carnê digital passa a ter a chance de comprar e pagar parcelado pelo carnê no checkout.

Todo o processo ocorre de maneira fluida, com o cliente podendo selecionar as parcelas e condições dentro do próprio SuperApp Magalu.

Desse modo, a empresa passa a ter conhecimento dos dados e hábitos de compra e consumo do cliente. Assim, é possível conceder crédito apenas para quem possui o perfil adequado.

Além disso, por meio do novo CDC Digital, a Magalu conseguiu obter tudo aquilo que falamos anteriormente sobre o CDC Lojista: eficiência tributária.

Consequentemente, o resultado disso foi o aumento da margem de lucro dessa operação de crédito tão tradicional.

Clique no banner abaixo e conheça melhor como a Magalu implantou o CDC Digital dentro do seu ecossistema:

Case Magalu

 

Gere eficiência no seu CDC Lojista com a GIRO.TECH!

O exemplo da Magalu é apenas um entre tantos outros cases de sucesso com o CDC Lojista no varejo.

Pequenas, médias e grandes varejistas como Casas Bahia, Pernambucanas, Lojas Renner e Riachuelo também têm investido fortemente nessas soluções.

Afinal, a oferta de crédito direto ao cliente ajuda a aumentar a taxa de conversão, reduz o abandono de carrinho e gera maior fidelização.

Esses são apenas alguns dos benefícios que a bancarização oferece. Se você também quer aproveitar essas vantagens, e gerar mais eficiência tributária em sua operação de CDC Lojista, a GIRO.TECH pode te ajudar nessa missão.

Nós fornecemos toda a infraestrutura regulatória e a tecnologia para crédito que simplesmente funciona, para bancarizar e securitizar as operações de crédito do varejo!

Para a bancarização do seu negócio, nós contamos com o suporte da Giro SCD, nossa Sociedade de Crédito Direto (SCD) regulamentada pelo BC.

A Giro SCD possui todas as licenças necessárias exigidas, e nos autoriza a atuarmos como uma instituição financeira.

Desse modo, nós conseguimos ajudar os varejistas a atuarem como bancos, podendo estruturar diversas operações de crédito usando capital próprio.

Foi o que fizemos com a Magalu, que utilizou a solução de securitização e bancarização desenvolvida pela GIRO.TECH.

O nosso Hub de Integração ajuda a conectar os sistemas de pagamento e processamento do MagaluPay, com os processos necessários para emissão e liquidação do crédito.

Essa “solução invisível” simplifica e otimiza os processos dessa solução complexa, possibilitando que a Magalu foque esforços somente na experiência do cliente e na mitigação de risco.

Assim, por meio da nossa tecnologia para crédito que simplesmente funciona, nós conseguimos unir todas as pontas da operação de CDC Lojista. O resultado é um crediário bancarizado e com maior eficiência tributária e operacional.

Como funciona a operação de Bancarização da Giro SCD?

 

Conclusão

Por fim, após concluir a leitura deste artigo, você conseguiu entender melhor as particularidades que compõem o CDC Lojista.

Essa operação deixou de ser somente uma alternativa para parcelamento de vendas e passou a ser uma das principais ferramentas de rentabilidade e fidelização no varejo moderno.

Se bem estruturada, ela possibilita que o varejista assuma o protagonismo do crédito, capture novas fontes de receita e conquiste maior eficiência tributária.

No entanto, para que isso seja possível, é necessário ter estratégia, governança e tecnologia. Por isso, entender os impactos tributários, escolher a estrutura jurídica correta, e utilizar soluções tecnológicas que automatizam a gestão de crédito, são itens cruciais para garantir a segurança em toda a jornada de crédito.

O resultado dessa estratégia é um modelo de crédito inteligente, previsível, sustentável e escalável, que consegue gerar caixa, atrair investidores e fortalecer a marca a longo prazo.

São essas as razões que têm levado os varejistas a transformarem o CDC Lojista em uma unidade de negócio estratégica, e com resultados financeiros e tributários sólidos.

Portanto, se você quer estruturar uma operação de CDC Digital, ou ter margem de banco em suas outras operações de crédito no varejo, a GIRO.TECH pode ajudar!

Nós somos uma plataforma de Credit as a Service (CaaS), e fornecemos a tecnologia para crédito que simplesmente funciona, para que você estruture diferentes produtos de crédito em seu ecossistema.

Quer saber o que nós podemos fazer pelo seu negócio hoje? Então, não perca tempo!

Entre em contato com nosso time de especialistas, conheça as nossas soluções, e descubra como podemos transformar seu crédito em resultado!

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