Bancarização no varejo: como criar novas receitas?

Entenda o que é bancarização, como ela funciona e por que grandes varejistas estão estruturando operações de crédito para crescer!

imagem Bancarização no varejo: como criar novas receitas?

Nos últimos anos, a bancarização deixou de ser uma estratégia que ficava restrita somente aos bancos e instituições financeiras tradicionais.

Hoje, empresas dos mais diversos ramos e segmentos vêm incorporando produtos e serviços financeiros às suas operações.

Além de ser uma forma de ampliar receitas, esse movimento também fortalece o relacionamento com os clientes e cria novas oportunidades de crescimento.

Essa estratégia se consolidou impulsionada pela evolução do mercado financeiro brasileiro. Soluções como Pix, Open Finance, Embedded Finance e crédito digital tornaram possível que varejistas, marketplaces, indústrias e plataformas digitais passassem a oferecer experiências financeiras diretamente dentro dos seus ecossistemas.

Os resultados dessa transformação são observados na prática. Grandes varejistas brasileiros, como Magalu, Riachuelo, Casas Bahia e Pernambucanas vêm consolidando operações financeiras próprias como parte da estratégia do negócio.

Desse modo, o crédito e os produtos financeiros não servem somente para facilitar a jornada de compra. Eles também aumentam a recorrência, fidelização e geração de receita.

É justamente nesse contexto que a bancarização ganha relevância. Afinal, ela não se resume à oferta de produtos financeiros.

Essa estratégia representa a construção de uma infraestrutura capaz de permitir que empresas originem operações de crédito e desenvolvam atividades tradicionalmente associadas às instituições financeiras, sempre respeitando o modelo regulatório aplicável a cada operação.

Ao longo deste artigo, você entenderá o que é bancarização, como ela funciona na prática, quais são seus principais benefícios para o varejo e de que forma esse movimento vem transformando o mercado de crédito e a oferta de serviços financeiros no Brasil.

Siga a leitura até o fim e entenda como essa estratégia pode ajudar a alavancar as operações financeiras em seu negócio!

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Sumário

O que significa bancarização no varejo hoje?

Primeiramente, antes de explorarmos as aplicações práticas desse conceito, é importante responder à pergunta central deste artigo: afinal, o que é bancarização?

Durante muito tempo, a bancarização esteve associada principalmente à inclusão financeira da população, permitindo que pessoas sem relacionamento com instituições financeiras passassem a acessar contas, crédito, meios de pagamento e outros serviços bancários.

Embora essa definição continue correta, ela já não representa toda a dimensão que esse movimento adquiriu nos últimos anos.

Com o avanço da tecnologia e a evolução do mercado financeiro, esse conceito passou a abranger também a capacidade que as empresas têm de incorporar uma infraestrutura financeira às suas operações.

Ou seja, isso significa que organizações que não têm seu core business ligado ao mercado financeiro, passaram a poder oferecer produtos e serviços tradicionalmente associados a bancos e instituições financeiras, como:

  • Abertura de contas bancárias;
  • Acesso a crédito;
  • Empréstimos e investimentos;
  • Cartões private label;
  • Contas de pagamento;
  • Soluções integradas de cobrança;
  • Entre outros produtos financeiros.

Essa transformação foi impulsionada por movimentos como o Open Finance, o Embedded Finance e a digitalização do crédito, que reduziram as barreiras tecnológicas e ampliaram o acesso a estruturas financeiras que originalmente eram restritas às grandes instituições e bancos.

Muito além da oferta de produtos financeiros

Entretanto, é importante destacar que a bancarização não significa apenas disponibilizar novos produtos financeiros aos clientes.

O verdadeiro diferencial desse movimento está na construção de uma operação que seja capaz de originar crédito, estruturar recebíveis e integrar serviços financeiros à toda estratégia do negócio.

Em outras palavras, a empresa deixa de atuar somente como um canal de vendas e passa a utilizar o crédito como ferramenta para fortalecer o relacionamento com os clientes, aumentar a recorrência das compras e criar novas fontes de receita.

Esse movimento ajuda a explicar por que a bancarização tem ganhado espaço em setores como varejo, e-commerce, marketplaces, indústrias e empresas de serviços.

Afinal, ao passo que o crédito e os pagamentos se tornam parte da jornada de compra, eles deixam de ser apenas um meio para financiar o consumo, e passam a funcionar como um ativo estratégico para o crescimento da operação.

Por que o varejo está investindo em bancarização?

Nos últimos anos, a bancarização deixou de ser uma iniciativa restrita às grandes redes varejistas e passou a fazer parte da estratégia de crescimento de empresas dos mais diversos portes. Essa mudança não aconteceu por acaso.

Historicamente, o varejo sempre concentrou seus esforços na comercialização de produtos e serviços.

Entretanto, esse é um setor extremamente volátil e efêmero, que além de sofrer com a forte concorrência, também precisa lidar com a pressão sobre as margens financeiras reduzidas, pressionadas por custos e tributação elevada.

Segundo o Varejo Finance Report 2026, estudo produzido pela GIRO.TECH, e que analisa como grandes varejistas utilizam produtos financeiros para impulsionar suas operações, o varejo de moda possui margem líquida entre 5% e 10%, enquanto o varejo de supermercados e atacarejo operam com margens entre 1% e 3%.

Margens líquidas no Varejo em 2025

Esse panorama histórico fez com que muitos varejistas passassem a buscar novas formas de aumentar sua rentabilidade e fortalecer o relacionamento com os clientes.

Foi nesse contexto que os produtos financeiros ganharam protagonismo. Ao incorporar crédito, meios de pagamento e outras soluções financeiras ao seu ecossistema, o varejo passou a enxergar novas oportunidades de crescimento que vão muito além da venda tradicional.

Novas fontes de receita financeira

Uma das principais razões que explicam o avanço da bancarização no varejo está relacionada à diversificação das receitas.

A partir do momento em que uma empresa passa a oferecer produtos financeiros, ela deixa de depender exclusivamente da margem obtida na venda de mercadorias.

Isso acontece porque operações como crediário loja, empréstimo pessoal e cartão private label também podem gerar receitas financeiras ao longo do relacionamento com os clientes.

Em outras palavras, o varejista deixa de monetizar apenas o produto vendido e passa a participar de toda a jornada financeira associada ao consumo.

Relacionamento e fidelização dos clientes

Outro benefício importante está relacionado à construção de relacionamentos de longo prazo.

Ao contrário de uma compra pontual, os produtos financeiros criam interações recorrentes entre o varejista e o consumidor.

Afinal, sempre que um cliente acompanha parcelas, utiliza um limite de crédito ou realiza novas operações financeiras dentro do mesmo ecossistema, existe uma oportunidade adicional de relacionamento.

Esse processo tende a aumentar a frequência de contato com a marca e fortalecer a fidelização ao longo do tempo.

Dados e inteligência financeira

Além disso, a bancarização também permite que os varejistas ampliem sua capacidade de compreender o comportamento dos clientes.

E a razão para isso é muito simples: além das informações relacionadas ao consumo, também passam a existir dados ligados à utilização do crédito, hábitos de pagamento e relacionamento financeiro.

Quando esses dados são utilizados de forma estratégica, eles contribuem para que o varejista construa ofertas mais personalizadas, políticas de crédito mais eficientes e ofereça melhores experiências para os consumidores.

Durante o evento Crédito Digital 2026, Alex Marques, Diretor Comercial da Data System, destacou uma provocação que ajuda a ilustrar esse cenário.

Segundo o executivo, o varejista que usa dados para oferecer crédito vende mais e melhor. Para reforçar essa tese, ele trouxe o exemplo do crediário.

“Dentro da minha base eu tenho, obviamente, clientes que operam com crediário e clientes que não operam com crediário. Quando analisamos apenas os que utilizam o crediário próprio, ele acaba representando, em média, 40%. Embora existam exceções (outliers) em que o crediário ultrapassa 50% ou 55%, e outros lojistas que ainda estão em fase de tração, a média geral se mantém em 40%”, Alex Marques, Diretor Comercial da Data System.

Na prática, isso significa que as empresas que conseguem conectar informações de consumo, relacionamento e comportamento financeiro possuem condições mais favoráveis para estruturar operações de crédito sustentáveis e escaláveis.

Embedded Finance e integração financeira

Por fim, a bancarização no varejo também acompanha uma tendência que vem ganhando força em todo o mercado: a integração entre produtos financeiros e a jornada de compra.

Modelos de Embedded Finance (finanças incorporadas) permitem que crédito, pagamentos e serviços financeiros sejam oferecidos diretamente no momento em que o cliente precisa deles.

Isso reduz atritos, melhora a experiência de compra e cria novas oportunidades de monetização para as empresas que ofertam crédito e meios de pagamento.

Segundo projeções, o mercado brasileiro de Embedded Finance deve crescer 6,7% ao ano entre 2026 e 2030, alcançando aproximadamente US$ 18,3 bilhões em 2030.

Esse crescimento será impulsionado principalmente por Pix, Open Finance, infraestrutura baseada em APIs e expansão do crédito embarcado para setores como varejo, saúde, logística e educação.

É justamente essa combinação entre tecnologia, dados, relacionamento e receitas financeiras que explica por que a bancarização deixou de ser apenas uma tendência e passou a ocupar um papel estratégico dentro do varejo moderno.


Quais produtos financeiros um varejista pode oferecer?

Uma das maiores vantagens da bancarização no varejo é que ela permite que os varejistas incorporem diferentes produtos financeiros às suas operações, conforme o perfil do público, sua estratégia comercial e o nível de maturidade da operação de crédito.

Na prática, isso significa que não existe um único modelo de bancarização.

Cada empresa pode estruturar um ecossistema financeiro próprio, combinando soluções que gerem mais valor para seus clientes e contribuam para o crescimento sustentável do negócio.

A seguir, conheça alguns dos principais produtos financeiros que vêm sendo incorporados pelo varejo em suas operações:

Cartão Private Label

O cartão private label continua sendo uma das principais portas de entrada para operações de crédito no varejo.

Emitido com a marca da própria empresa, ele permite financiar compras, estimular a recorrência dos clientes e fortalecer programas de fidelização.

Além disso, o histórico de utilização desse produto cria uma base importante para análise de comportamento e concessão de novas modalidades de crédito.

Não à toa, o cartão private label tem se consolidado como um dos maiores motores de conversão e rentabilidade no varejo.

No 4T/25, a Lojas Quero-Quero teve destaque absoluto, com 54,2% das vendas via cartão próprio, evidenciando um modelo altamente integrado entre crédito e varejo.

Entre os varejistas de moda, a Riachuelo (31,1%), Lojas Renner (28,7%), C&A (27,8%) e a Pernambucanas (21%) operam com alto nível de penetração, mas possuem maior disciplina na originação do crédito, priorizando a rentabilidade de longo prazo.

Em sua análise no Varejo Finance Report 2026, Thiago Furbino, Fundador da TL.MF. destacou que o cartão private label representa uma alavanca estrutural de rentabilidade no varejo:

“Além de aumentar o ticket médio (em alguns casos acima de 40%) ao ampliar o poder de compra via crédito, seu principal ganho está na captura de valor ao longo da jornada do cliente (Lifetime Value – LTV)”. Thiago Furbino, TL.MF Consultoria.

Ainda de acordo com o executivo, nos cenários de crédito restrito, o cartão de loja se torna ainda mais crítico, pois permite que o varejista sustente vendas ao financiar o próprio cliente, desde que com disciplina em risco, fraude e cobrança.

Empréstimo pessoal

Outra estratégia que tem ganhado espaço dentro da bancarização no varejo é a oferta de empréstimo pessoal para clientes que já possuem relacionamento com a empresa.

Nesse modelo, o varejista passa a utilizar o conhecimento que possui sobre seu ecossistema para disponibilizar crédito de forma mais personalizada, ampliando as oportunidades de relacionamento e geração de receitas financeiras.

Até por conta disso, grandes redes varejistas brasileiras oferecem empréstimo pessoal aos seus clientes, como é o caso da Magalu, Lojas Renner, Riachuelo, Casas Bahia e C&A.

Existe uma razão que explica esse movimento: ninguém conhece seu cliente tão bem quanto os próprios varejistas.

Por isso, ao assumir o controle da oferta de crédito, o varejista passa a ter processos de análise mais coerentes e condições mais atrativas do que uma instituição financeira tradicional.

Esses são benefícios que o cliente valoriza e, portanto, tornam mais competitiva a oferta do empréstimo pessoal.

Contudo, esse tipo de operação exige uma política de crédito bem definida, processos de análise de risco e uma estrutura adequada para formalização dos contratos, como é o caso da Cédula de Crédito Bancário (CCB).

CDC Digital

O Crédito Direto ao Consumidor (CDC) também se consolidou como uma das modalidades mais utilizadas por empresas que desejam financiar vendas de maior valor agregado.

Na prática, o CDC Digital é a evolução do carnê tradicional, o popular crediário que, historicamente, era oferecido pelas redes varejistas brasileiras.

Nesta modalidade, a operação é feita de forma totalmente online, utilizando a infraestrutura de plataformas digitais de bancos, cooperativas financeiras, ou fintechs de crédito.

Ao contrário do parcelamento convencional, o CDC Digital formaliza uma operação de crédito específica para a compra realizada, permitindo condições de pagamento personalizadas e maior previsibilidade para a gestão da carteira.

Além disso, ele também é uma modalidade amplamente utilizada em operações estruturadas de crédito e mercado de capitais.

Quando falamos sobre CDC, vale a pena pontuar o case da Magalu, que encerrou 2025 com um marco importante: no 4º trimestre, a carteira de CDC alcançou R$ 1,8 bilhão.

Em números gerais, isso representou um crescimento de 15% em relação a dezembro de 2024. O crescimento foi impulsionado pelo desenvolvimento de novos modelos proprietários de análise de crédito e de dados.

Ainda em relação à Magalu, existe uma oportunidade importante que pode ser capturada na frente digital. No 3T/25, as vendas financiadas por meios de pagamento próprios (que incluem os cartões Magalu e o CDC) representavam cerca de 40% das vendas nas lojas físicas, mas apenas 9% no e-commerce

Por isso, um dos objetivos da empresa é levar a experiência do CDC Digital para dentro do aplicativo e site, integrando o crédito de forma nativa na jornada de compra digital do consumidor, a fim de converter mais vendas.

Case Magalu

 

Pix Crédito e Pix Parcelado

A evolução do Pix também abriu espaço para novas modalidades de financiamento integradas à jornada de compra.

Neste sentido, tanto o Pix Crédito quanto o Pix Parcelado permitem que o consumidor tenha acesso ao crédito utilizando um meio de pagamento já incorporado ao seu dia a dia.

O Pix Parcelado é uma modalidade de crédito que permite que o consumidor parcele uma compra usando Pix, enquanto o varejista recebe o valor integral na hora da venda.

Já o Pix Crédito é uma modalidade de pagamento que une a praticidade do Pix com uma fonte de financiamento vinculada ao usuário, geralmente o limite do seu cartão de crédito.

Devido a conveniência dessas modalidades, é natural que algumas pessoas acreditem que o Pix Parcelado pode competir com o cartão de crédito.

Embora concorde com essa tese, o Co-Fundador da Colink, Edson Santos, destaca que o Pix Parcelado vai capturar um público diferente:

“O Pix Parcelado pode competir, mas não vai substituir o cartão de crédito no curto e médio prazo. O que vai acontecer é uma disputa por território. O cartão perderá gradualmente as compras de menor valor e menor complexidade financeira. O Pix Parcelado, especialmente via fintechs, vai capturar um público que o cartão nunca serviu bem”. Edson Santos, Co-Fundador da Colink.

De toda forma, tanto o Pix Parcelado quanto o Pix Crédito estão alinhados à bancarização do varejo, pois representam uma ótima oportunidade de:

  • Ampliar conversão;
  • Reduzir fricções no checkout;
  • Fortalecer estratégias de Embedded Finance, mantendo uma experiência de pagamento simples e intuitiva.

Soluções integradas de pagamento

A bancarização no varejo também permite que empresas incorporem meios de pagamento diretamente nos seus canais de venda.

Contas de pagamento, cobranças digitais, boletos, links de pagamento e outras soluções de Payments as a Service (PaaS) ajudam a simplificar a experiência dos clientes e tornam a jornada de compra mais fluida.

Além do mais, quando integrados às operações de crédito, esses serviços contribuem para que o varejista construa um relacionamento financeiro contínuo com sua base de clientes.

Embora cada uma dessas soluções tenha características específicas, todas compartilham um mesmo objetivo: transformar os serviços financeiros em uma extensão da estratégia de crescimento da empresa.

Mais do que ampliar o portfólio de produtos, a bancarização permite que os varejistas criem um ecossistema financeiro integrado.

Com isso, o crédito, os pagamentos e o relacionamento trabalham de forma complementar para fortalecer a operação e gerar novas oportunidades de negócio.

Como funciona uma estratégia de bancarização?

Até aqui, falamos muito do “lado teórico” da bancarização. Obviamente, entender o conceito é extremamente necessário, mas isso não é o suficiente.

Na prática, a experiência do consumidor até parece algo simples, contudo, existe uma infraestrutura financeira bastante robusta por trás de uma estratégia de bancarização.

Afinal, sempre que uma empresa opta por oferecer produtos financeiros aos seus clientes, ela precisa seguir um rígido compliance.

Isso inclui uma série de processos regulatórios, tecnológicos e operacionais capazes de garantir a segurança e a conformidade das operações.

Ou seja, a bancarização não acontece somente com a disponibilização de um cartão private label ou de uma linha de crédito.

Essa estratégia exige uma estrutura que seja capaz de originar operações, formalizar contratos, realizar análises de risco, acompanhar os recebíveis e administrar toda a jornada financeira do cliente.

É justamente a integração entre esses elementos que permite que o varejista transforme produtos financeiros em uma estratégia de crescimento sustentável.

A originação das operações de crédito

O primeiro passo de uma estratégia de bancarização consiste na originação da operação de crédito.

Nesse momento, a empresa identifica a necessidade do cliente, realiza a análise das informações disponíveis e define as condições da operação, como limite, prazo, taxa de juros e quantidade de parcelas.

Essa avaliação pode utilizar diferentes fontes de informação, como dados cadastrais, histórico de relacionamento e comportamento de compra, além de informações provenientes dos bureaus de crédito e do Open Finance, quando aplicável.

Lembre-se: quanto mais eficiente for esse processo, maior tende a ser a qualidade da carteira formada ao longo do tempo.

A formalização da operação

Depois que o crédito é aprovado, também é necessário formalizar juridicamente a operação de CDC. Para isso, é utilizado um documento específico: a Cédula de Crédito Bancário (CCB).

Na prática, a CCB funciona como o instrumento jurídico que formaliza a obrigação de pagamento entre as partes, conferindo maior segurança para toda a operação de crédito.

Por ser um título extrajudicial, a CCB também garante à instituição financeira que realizou a operação, o direito de cobrar o pagamento do tomador sem a necessidade de precisar passar por um processo para reconhecer a existência da dívida.

Ou seja, além de documentar as condições acordadas, a Cédula de Crédito Bancário também fortalece a governança da carteira de crédito e facilita processos posteriores de cobrança, recuperação de crédito e estruturação financeira.

Ao longo dos últimos anos, a CCB se consolidou como um dos principais instrumentos utilizados nas operações modernas de crédito, justamente pela segurança jurídica que proporciona.

A importância da CCB para a operação

Sempre que uma operação é formalizada por meio da CCB, a empresa passa a contar com um título executivo extrajudicial.

Isso significa que, em eventual cenário de inadimplência, não é necessário ingressar com uma ação para comprovar a existência da dívida antes de iniciar sua cobrança judicial.

Essa característica contribui para reduzir a insegurança jurídica das operações e fortalece toda a estrutura da carteira de crédito.

Templates gratuitos de CCB para utilizar como base

A infraestrutura financeira da bancarização

Entretanto, a bancarização não termina na concessão de crédito. Após a operação ser formalizada, começa uma nova etapa, que por sua vez, está relacionada ao acompanhamento da carteira e à administração dos ativos financeiros que foram gerados.

Nesse processo, entram atividades como:

  • Gestão dos recebíveis;
  • Acompanhamento da inadimplência;
  • Gestão de crédito e cobrança;
  • Recuperação de crédito;
  • Monitoramento de indicadores;
  • Estruturação de operações no mercado de capitais, quando aplicável.

É justamente essa infraestrutura robusta que permite transformar operações isoladas de crédito em uma estratégia financeira contínua e escalável.

Afinal, quando a carteira cresce, todos esses processos passam a ter um papel cada vez mais relevante para garantir eficiência operacional, previsibilidade financeira e sustentabilidade do negócio.

Muito além da tecnologia

Embora a tecnologia seja um elemento indispensável dentro desse processo, ela representa somente uma parte da estrutura necessária para viabilizar a bancarização.

Na prática, para que uma operação de crédito seja realmente eficiente, ela depende da integração entre tecnologia, governança, compliance, instrumentos jurídicos, gestão de risco e infraestrutura regulatória.

É essa combinação que permite que os varejistas desenvolvam operações de crédito cada vez mais robustas, mantendo segurança, conformidade e capacidade de crescimento no longo prazo.

Bancarização não significa abrir uma instituição financeira

Quando falamos sobre bancarização, um dos equívocos mais comuns que existem é imaginar que toda empresa precisa se transformar em banco ou obter autorização do Banco Central (BC) para oferecer produtos financeiros.

Graças à evolução do mercado financeiro brasileiro, esse não é o único caminho existente.

O Embedded Finance permitiu o surgimento de diferentes modelos operacionais. Com isso, as empresas passaram a poder incorporar serviços financeiros aos seus ecossistemas conforme seus objetivos, nível de maturidade e estratégia de negócio.

Naturalmente, em alguns casos, até faz sentido desenvolver uma infraestrutura financeira própria.

Porém, na maior parte das vezes, a alternativa mais eficiente consiste em utilizar modelos regulatórios já existentes para disponibilizar operações de crédito de forma segura e integrada.

Isso explica porque a bancarização no varejo pode ser implementada por diferentes caminhos.

Portanto, você não deve se preocupar apenas em escolher um modelo específico. Também é importante compreender qual estrutura faz mais sentido para a realidade da sua empresa.

Para tal, é necessário levar em consideração aspectos como governança, investimento, escalabilidade, autonomia e responsabilidades regulatórias.

Tomador de serviços de BaaS x Correspondente Bancário: quais as diferenças?

Como vimos no tópico anterior, a bancarização no varejo pode ser implementada seguindo diferentes caminhos.

Eles dependem exclusivamente dos objetivos do varejista e de como ele pretende incorporar os serviços financeiros dentro do seu ecossistema.

Nesse contexto, surgem dois modelos que são bastante conhecidos no mercado: o Banking as a Service (BaaS) e o Correspondente Bancário (Corban).

Embora ambos permitam que empresas ofereçam produtos financeiros aos seus clientes, existem diferenças importantes na forma como cada operação é estruturada, bem como em qual é o papel desempenhado pela empresa dentro da operação de crédito.

No modelo tradicional de BaaS, a empresa atua como tomadora de uma infraestrutura tecnológica disponibilizada por uma instituição financeira parceira.

Nesse formato, a instituição regulada fornece serviços como abertura de contas, emissão de cartões, processamento de pagamentos e outras funcionalidades financeiras por meio de APIs.

Com isso, o varejista consegue incorporar todos esses produtos financeiros à jornada do cliente, sempre que ele precisar.

Contudo, a lógica é diferente no modelo de corban. Nesse caso, a empresa atua como representante de uma instituição financeira autorizada, intermediando operações de crédito dentro de um modelo regulatório previsto pelo BC.

Isso significa que o varejista consegue participar diretamente da jornada de originação das operações.

Assim, é possível oferecer crédito aos clientes do seu ecossistema através de uma estrutura regulatória já estabelecida para formalização dos contratos.

Bancarização no varejo: qual modelo faz mais sentido?

O objetivo do tomador de serviços de BaaS e do corban é o mesmo: incorporar serviços financeiros à estratégia da empresa e ampliar as possibilidades de relacionamento com os clientes.

Porém, quando o foco está na oferta de operações de crédito dentro do próprio ecossistema, o modelo de correspondente bancário costuma apresentar maior aderência às necessidades do varejo.

E o motivo é muito simples: ele foi desenvolvido para permitir que empresas ampliem sua atuação na distribuição de crédito utilizando uma estrutura regulatória consolidada, mas sem precisar assumir o mesmo nível de governança operacional, transparência regulatória e integração exigidos das estruturas de BaaS após a evolução recente da regulamentação

Nova Regulação de BaaS

Após o BC publicar a Resolução Conjunta nº 16/2025, o modelo de BaaS passou a exigir níveis ainda maiores de governança, transparência e integração entre o tomador e a instituição prestadora dos serviços.

Na prática, isso significa que as empresas que optam por esse modelo precisam compartilhar informações relacionadas à operação, aos clientes e aos processos internos para que a instituição regulada consiga exercer controles, realizar auditorias periódicas e cumprir suas obrigações regulatórias.

A nova regulação não torna o BaaS uma alternativa pior, dentro do contexto da bancarização. Na realidade, essa atualização fortalece o modelo ao elevar o nível de segurança e governança das operações.

Contudo, ela também faz com que o varejista assuma uma participação mais ativa em processos como qualificação de clientes, KYC, prevenção à fraude e organização das informações da operação, o que naturalmente aumenta a complexidade da estrutura necessária para operar nesse formato.

Por essa razão, quando o objetivo principal do varejista é estruturar uma operação de crédito para atender o próprio ecossistema de clientes, muitas empresas acabam encontrando no correspondente bancário um caminho mais aderente às suas necessidades.

Afinal, esse modelo permite a distribuição de crédito utilizando uma estrutura regulatória já consolidada, sem exigir o mesmo nível de envolvimento operacional e de governança característico das operações de BaaS.

Apesar disso, vale reforçar o que dissemos anteriormente: a escolha entre um modelo e outro depende estritamente de três fatores cruciais:

  • Estratégia do negócio;
  • Quais produtos financeiros serão oferecidos;
  • Nível de autonomia que o varejista pretende alcançar dentro da sua operação.
Quais as diferenças entre Tomador de BaaS x Corban

Quais desafios existem na bancarização do varejo?

A partir do momento em que a bancarização avança e passa a fazer parte de uma estratégia real de crescimento das empresas, também aumentam os desafios relacionados à estruturação e gestão das operações financeiras.

Embora a tecnologia para crédito tenha eliminado várias barreiras de entrada, incorporar serviços financeiros ao ecossistema da empresa não é algo tão simples.

Afinal, isso exige planejamento, governança e uma infraestrutura que seja capaz de sustentar a operação no médio e longo prazo.

Por essas razões, é importante pontuar que a bancarização não depende somente da decisão de oferecer crédito aos clientes.

Esse movimento também demanda que o varejo esteja preparado para:

  • Administrar riscos;
  • Atender às exigências regulatórias;
  • Garantir que toda a operação funcione de forma segura, eficiente e escalável.

A seguir, conheça alguns dos principais desafios que são enfrentados pelas empresas que decidem seguir por esse caminho:

Compliance 

De início, o primeiro grande desafio está relacionado ao compliance.

Quando um varejista incorpora serviços financeiros ao seu ecossistema, ele passa a ter que lidar com uma série de exigências relacionadas à prevenção de fraudes (KYC), identificação de clientes, proteção de dados e Prevenção à Lavagem de Dinheiro (PLD).

Além de atender às normas estabelecidas pelos órgãos reguladores, esses controles ajudam a aumentar a segurança da operação e fortalecem a confiança dos clientes ao longo do relacionamento.

Por essa razão, o compliance deixou de ser somente uma obrigação regulatória e passou a representar um dos pilares centrais para o crescimento sustentável das operações financeiras.

Tecnologia

A tecnologia também é um aspecto indispensável dentro da estratégia de bancarização no varejo. E não poderia ser diferente, pois o Retail Banking envolve diferentes processos operacionais, como:

  • Análise de crédito;
  • Formalização contratual;
  • Integração com instituições financeiras;
  • Gestão da carteira;
  • Cobrança e acompanhamento dos recebíveis.

Sem uma plataforma de crédito que seja capaz de conectar todas essas etapas, a tendência é que a operação se torne cada vez mais complexa à medida que ela escala.

Portanto, investir em tecnologia não significa apenas automatizar tarefas, mas sim, construir uma estrutura que consiga acompanhar a evolução do negócio com eficiência e segurança.

Funding

Além disso, outro desafio que costuma surgir à medida que a bancarização amadurece está relacionado ao funding.

Nos primeiros momentos, muitas empresas conseguem financiar suas operações utilizando exclusivamente os seus recursos próprios.

Entretanto, conforme a carteira cresce, também aumenta a necessidade de capital para continuar originando novas operações de crédito.

Nesse contexto, estratégias como a securitização, e outras estruturas do mercado de capitais, como Securitizadora e FIDC, passam a desempenhar um papel importante.

Por meio da securitização, os varejistas podem converter seus direitos creditórios em títulos que podem ser negociados no mercado de capitais.

Com isso, é possível expandir a carteira de forma mais sustentável e com maior eficiência financeira.

Recuperação de crédito

Naturalmente, toda operação de crédito convive com algum nível de inadimplência, ainda mais se considerarmos o contexto em que o Brasil está inserido.

Um estudo produzido pela Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo em parceria com a FIA Business School projeta um dado preocupante.

A taxa de inadimplência no segmento de Recursos Livres (modalidade que inclui cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal) deve alcançar média de 7,15% em junho de 2026.

Ademais, a análise técnica do levantamento também aponta para um cenário de maior pressão financeira.

Devido ao aumento recente nos atrasos de pagamento, há maior probabilidade do índice se aproximar do limite superior da projeção, que é estimado em 7,48%.

Esse cenário exige que as empresas estruturem processos eficientes de recuperação de crédito, pois isso também faz parte da estratégia de bancarização.

Contudo, não basta apenas cobrar clientes inadimplentes. Recuperar crédito significa:

  • Acompanhar o comportamento da carteira;
  • Segmentar perfis de risco;
  • Definir estratégias de negociação;
  • Preservar a qualidade dos ativos financeiros ao longo do tempo.

Quanto mais estruturada for essa etapa, maior tende a ser a previsibilidade da operação e a capacidade de crescimento da carteira.

Bancarização exige gestão durante todo o ciclo do crédito

Ter esses processos de recuperação bem definidos é um desafio pois uma operação financeira não termina no momento da concessão de crédito.

Ela continua existindo ao longo de todo o ciclo de vida do contrato, passando pelo acompanhamento dos pagamentos, monitoramento da inadimplência, renegociação (quando necessário) e recuperação dos valores em atraso.

Essa visão 360º graus é que diferencia as operações de crédito maduras daquelas que concentram seus esforços somente na concessão do financiamento.

Regulação

Por fim, mas igualmente importante: também existe o desafio regulatório.

Durante muito tempo, as restrições regulatórias foram um fator limitante para a bancarização, principalmente pela burocracia que envolve as atividades do mercado financeiro e também, pelos altos custos necessários para a constituição de uma infraestrutura capaz de atender às exigências.

Embora esse cenário tenha mudado significativamente, em grande parte graças ao trabalho do Banco Central (BC) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), principais órgãos reguladores do sistema financeiro, o mercado financeiro brasileiro continua em constante evolução.

Novas normas regulatórias surgem com frequência para acompanhar os avanços tecnológicos, a evolução dos meios de pagamento e as mudanças nas operações de crédito.

Desse modo, manter conformidade com a legislação e acompanhar as mudanças regulatórias é algo fundamental para garantir segurança jurídica e estabilidade operacional.

Afinal, mais do que cumprir exigências legais, compreender o ambiente regulatório também permite que as empresas desenvolvam suas estratégias de bancarização com muito mais previsibilidade e confiança.

Bancarização e mercado de capitais: qual a relação?

Em um primeiro momento, pode parecer que bancarização e mercado de capitais pertencem a universos completamente diferentes.

Afinal, quando falamos sobre bancarização, é comum pensarmos em operações de crédito, contas digitais, cartões e meios de pagamento.

Por outro lado, o mercado de capitais costuma ser bastante associado à captação de recursos, investidores e valores mobiliários.

Contudo, essas duas estruturas estão muito mais conectadas do que você imagina. E é isso que torna essa estratégia especialmente relevante.

De modo geral, toda operação de crédito originada por uma empresa gera um ativo financeiro, conhecido como direito creditório.

Os direitos creditórios são todos os créditos que uma organização tem a receber, originados nas vendas a prazo de produtos e serviços.

Todas as vezes que um varejista financia uma venda, concede um empréstimo pessoal ou oferece qualquer modalidade de crédito CDC ao seu cliente, ele passa a ter um valor a receber ao longo do tempo.

Esses recebíveis representam ativos financeiros que podem ser organizados, monitorados e, dependendo da estratégia adotada pela empresa, utilizados em estruturas mais sofisticadas de financiamento, dentro do mercado de capitais.

Da operação de crédito ao mercado de capitais

Ao passo que a carteira de crédito escala, também aumenta a necessidade do varejista estruturar mecanismos que consigam sustentar essa expansão.

É nessa hora que o mercado de capitais passa a exercer um papel estratégico dentro deste processo.

Por meio de estruturas como Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e Companhias Securitizadoras, é possível organizar esses direitos creditórios dentro de veículos financeiros regulados, permitindo que eles sejam utilizados em operações de captação de recursos junto ao mercado, através da emissão e venda de títulos de crédito (cotas FIDC, debêntures e Certificado de Recebíveis).

Em outras palavras, os recebíveis gerados pela operação de crédito deixam de representar apenas valores que serão recebidos futuramente e passam a compor uma estratégia financeira mais ampla, conectando a originação de crédito ao mercado de capitais.

Naturalmente, isso exige governança, documentação adequada e instrumentos jurídicos que garantam segurança para toda a operação.

É justamente por esse motivo que documentos como a CCB Bancária desempenham um papel tão importante dentro desse processo.

Afinal, a CCB serve para formalizar as operações de crédito e fortalecem a qualidade dos ativos financeiros que poderão compor uma carteira.

Além disso, a CCB também pode ser utilizada como lastro em operações de securitização, que vale ressaltar, não precisa obrigatoriamente ser realizada diretamente no mercado de capitais.

Embora essa seja uma possibilidade, o próprio dono da operação pode usar seu capital próprio para financiar suas operações. Com isso, ele consegue capturar 100% do lucro da securitização.

Bancarização vai além da concessão de crédito

Essas razões ajudam a explicar porque a bancarização no varejo deixou de ser somente uma forma de ampliar o acesso a produtos financeiros.

Ela passou a permitir que os varejistas desenvolvessem operações de crédito cada vez mais estruturadas, capazes de gerar ativos financeiros recorrentes e criar novas possibilidades de crescimento.

Nesse cenário, o mercado de capitais deixa de ser uma realidade exclusiva dos grandes bancos e passa a integrar a estratégia de empresas que desejam:

  • Profissionalizar suas operações financeiras;
  • Fortalecer sua governança;
  • Construir um modelo de crédito preparado para crescer de forma sustentável.

Bancarização também é uma estratégia de eficiência financeira

Como você observou nos tópicos anteriores, a bancarização permite que empresas incorporem operações de crédito à sua estratégia de crescimento.

Entretanto, existe um aspecto que costuma receber pouca atenção quando esse tema é discutido: a eficiência financeira proporcionada por uma estrutura adequada para operar crédito.

Na prática, não basta apenas conceder financiamento aos clientes. A forma como essa operação é estruturada também influencia diretamente sua eficiência econômica e tributária.

Isso acontece porque empresas comerciais não foram constituídas para concentrar receitas provenientes de operações de crédito dentro do próprio CNPJ.

Dependendo da estrutura adotada, parte significativa da receita financeira obtida com juros pode ser consumida pela carga tributária incidente sobre a operação.

É justamente nesse contexto que estruturas como FIDCs e Securitizadoras passam a desempenhar um papel estratégico.

Ambas as estruturas permitem que as operações de crédito sejam organizadas em veículos financeiros desenvolvidos especificamente para esse tipo de atividade.

Pelo lado do consumidor, isso não altera em nada a sua experiência na contratação do crédito. O que realmente muda é a forma como a operação é estruturada nos bastidores.

A visão de quem estrutura operações de crédito

Recentemente, Ronaldo Oliveira, CEO da GIRO.TECH, chamou atenção para esse tema ao comentar que muitos varejistas ainda concentram suas operações de crédito dentro do próprio CNPJ da empresa, sem considerar os impactos que isso pode gerar sobre a eficiência da operação.

Segundo ele, quando o crédito é estruturado utilizando veículos financeiros adequados, como FIDCs e Companhias Securitizadoras, a operação passa a contar com uma estrutura mais eficiente sob os pontos de vista regulatório, tributário e financeiro, preservando a experiência do cliente e fortalecendo a capacidade de expansão da carteira.

Dentro de um FIDC ou Securitizadora, a carga tributária sobre os juros cai de 50% para cerca de 15% no resgate. Isso gera um ganho que vai direto para a última linha do balanço, mas sem alterar a jornada do cliente na ponta.

“O desafio não é apenas vender mais, mas sim, como financiar essa venda com eficiência. Uma vez bancarizado, o varejista pode expandir sua oferta de crédito pessoal para o cliente final, conceder Consignado Privado aos seus colaboradores e oferecer antecipação de recebíveis aos fornecedores. A empresa passa a gerar novas fontes de receita de forma estruturada”. Ronaldo Oliveira, CEO GIRO.TECH.

Como funciona o Crediário Bancarizado?

Como avaliar se a sua empresa está pronta para a bancarização?

Conforme observamos ao longo deste artigo, a bancarização deixou de ser uma tendência restrita às grandes instituições financeiras e passou a representar uma oportunidade estratégica para empresas que desejam fortalecer suas operações de crédito.

Entretanto, isso não significa que todas as empresas estejam preparadas para iniciar esse movimento de forma imediata.

Embora a tecnologia tenha reduzido muitas barreiras de entrada, estruturar uma operação financeira exige planejamento, organização e uma análise criteriosa sobre a maturidade do negócio.

Neste sentido, antes de considerar investir na bancarização, é importante avaliar alguns aspectos que influenciam diretamente a sustentabilidade da operação:

Saúde financeira

O primeiro ponto que você deve avaliar é a saúde financeira da empresa.

Antes de incorporar produtos financeiros ao seu varejo, é fundamental verificar se o seu negócio possui condições de cumprir suas obrigações de curto e médio prazo, mantendo equilíbrio financeiro durante todo o processo de implantação da operação.

Para isso, vale acompanhar indicadores como liquidez corrente, nível de endividamento, geração de caixa e capacidade de investimento.

Além disso, também é importante analisar a rentabilidade da empresa e sua capacidade de absorver investimentos relacionados à tecnologia, governança e estruturação da operação de crédito.

Afinal, a bancarização deve fortalecer o negócio e não comprometer sua estabilidade financeira.

Fluxo de caixa

Outro aspecto que merece atenção é o fluxo de caixa.

E o motivo para isso é muito simples: sempre que um varejista decide operar com capital próprio, ela passa a financiar parte das operações de crédito até que os pagamentos realizados pelos clientes retornem ao caixa da organização.

Desse modo, manter um fluxo de caixa saudável é essencial para garantir continuidade às concessões de crédito sem comprometer as demais atividades do negócio.

Esse planejamento financeiro se torna ainda mais relevante quando a carteira de crédito cresce, principalmente para varejistas que pretendem escalar suas operações de maneira sustentável.

Maturidade da operação de crédito

Além disso, também é importante avaliar se a sua empresa já possui processos minimamente estruturados para administrar uma operação de crédito.

A originação de crédito representa apenas o início da jornada. Afinal, depois que o cliente faz a contratação, é necessário que o varejista:

  • Acompanhe pagamentos;
  • Monitore indicadores de inadimplência;
  • Realize cobranças quando necessário;
  • Recupere créditos em atraso;
  • Administre toda a carteira de recebíveis.

Quanto mais organizada estiver essa operação, maiores serão as condições de crescimento no longo prazo.

Por esse motivo, a bancarização costuma gerar melhores resultados quando faz parte de uma estratégia mais ampla de gestão do crédito.

Gestão organizacional

Por fim, a gestão organizacional continua sendo um dos fatores mais importantes para o sucesso da bancarização.

Mais do que apenas implantar uma nova solução tecnológica, o varejista também precisa:

  • Definir objetivos claros;
  • Estabelecer políticas de crédito;
  • Estruturar processos internos;
  • Criar mecanismos de acompanhamento da operação.

Ademais, o varejista também deve olhar com carinho para a sua política de crédito, que deve ser capaz de aumentar a conversão sem perder o controle da inadimplência.

No webinar “Política de crédito no varejo: como ser eficiente?”, o Jorge Azevedo, especialista em estratégias de crédito e varejo, trouxe um insight extremamente relevante.

Toda política de crédito precisa de um instrumento analítico: uma regra, score de crédito ou modelo preditivo que decide quem aprovar, e quem não aprovar.

Porém, existe um ponto que muita gente ainda ignora. Toda análise carrega dois tipos de erro:

  • Aprovar quem vai virar inadimplente;
  • Recusar quem seria um bom pagador.

Quando o varejista “aperta” demais a aprovação, até é possível melhorar o risco, mas aumentam as chances de perder um cliente bom.

Em contrapartida, quando o varejista “afrouxa” demais, ocorre o contrário: ele ganha a conversão, mas compromete a carteira.

Por isso, o segredo para construir uma política eficiente não está em negar mais crédito, mas sim, em aumentar o poder preditivo do modelo.

Esse insight reforça que a bancarização obrigatoriamente precisa estar integrada ao planejamento estratégico da empresa.

Afinal, quando esse movimento acontece de forma estruturada, os produtos financeiros deixam de ser uma nova fonte de receita e passam a contribuir diretamente para o crescimento sustentável do negócio.

Ao avaliar todos esses aspectos com atenção, o varejista consegue identificar seu nível de maturidade e compreender quais etapas ainda precisam ser desenvolvidas antes de incorporar uma estratégia de bancarização.

Checklist: sua empresa está pronta para a bancarização?

Antes de iniciar esse processo, não deixe de responder às seguintes perguntas:

  • Minha empresa possui saúde financeira para sustentar uma operação de crédito?
  • O fluxo de caixa comporta operações financiadas com capital próprio?
  • Existem processos estruturados para gestão da carteira e recuperação de crédito?
  • Minha política de crédito está bem definida?
  • A bancarização faz parte da estratégia de crescimento do meu negócio?

Quanto mais respostas positivas você obtiver, maiores tendem a ser as condições para desenvolver uma operação financeira sustentável.

Como a GIRO.TECH ajuda empresas a se bancarizarem?

A bancarização vai muito além da oferta de produtos financeiros. Na prática, ela exige uma infraestrutura capaz de formalizar operações de crédito, garantir segurança jurídica, atender às exigências regulatórias e acompanhar toda a gestão da carteira ao longo do tempo.

Todavia, construir essa estrutura do zero costuma ser um processo complexo para empresas que não têm seu core business no mercado financeiro.

É justamente nesse cenário que contar com um parceiro especializado faz toda a diferença.

A GIRO.TECH é uma instituição financeira regulada pelo BC que desenvolveu uma plataforma para permitir que empresas incorporem operações de crédito ao seu ecossistema de forma estruturada, segura e escalável.

Por meio do modelo de corban, habilitamos empresas para atuar na originação e distribuição de crédito utilizando uma estrutura regulatória já consolidada.

Com isso, nós conseguimos reduzir significativamente a complexidade operacional envolvida nesse processo.

Tecnologia, regulação e plataforma de crédito

Sempre que uma operação de crédito é realizada, ela precisa ser formalizada de maneira adequada.

Nesse processo, temos o apoio da Giro SCD, nossa Sociedade de Crédito Direto regulamentada pelo BC. Também utilizamos a CCB como instrumento jurídico para registrar a obrigação de pagamento entre as partes.

Além de conferir maior segurança jurídica à operação, a CCB fortalece a governança da carteira e contribui para processos de cobrança, recuperação de crédito e estruturação financeira.

Caso a sua estratégia financeira não se resuma a bancarização, também é possível utilizar a securitização para organizar esses direitos creditórios em estruturas como FIDCs e Securitizadoras.

Assim, é possível conectar suas operações de crédito ao mercado de capitais de forma eficiente e alinhada às necessidades do seu negócio.

Todo esse processo acontece preservando a experiência do cliente na ponta.

Enquanto sua empresa concentra os esforços na construção do relacionamento com sua base de consumidores, a GIRO.TECH fornece o suporte regulatório, tecnológico e operacional necessário para estruturar uma operação de crédito preparada para crescer com segurança, governança e eficiência.

Bancarização como estratégia de crescimento

A capacidade de incorporar produtos financeiros na jornada do cliente deixou de representar apenas um diferencial competitivo.

Segundo Ronaldo Oliveira, CEO da GIRO.TECH, cada vez mais, ela vem se consolidando como uma estratégia para empresas que desejam:

  • Diversificar receitas;
  • Fortalecer o relacionamento com seus clientes;
  • Desenvolver operações de crédito mais maduras.

Por esse motivo, mais do que disponibilizar a tecnologia para crédito que simplesmente funciona, o nosso objetivo é ajudar empresas a construir uma operação financeira que seja capaz de acompanhar seu crescimento de forma sustentável.

Portanto, se a sua empresa deseja transformar o crédito em uma vantagem competitiva, a GIRO.TECH está preparada para caminhar ao seu lado nessa evolução.

Em vez de assumir toda a complexidade regulatória para estruturar uma instituição financeira própria, sua empresa passa a atuar como correspondente bancário em nossa plataforma de originação e distribuição de crédito, criando novas receitas financeiras e mantendo o foco no que realmente importa: o crescimento do seu negócio.

Como funciona a operação de Bancarização da Giro SCD?

Conclusão

Por fim, ao concluir a leitura deste artigo, esperamos que tenha ficado claro que a bancarização vai muito além da simples oferta de produtos financeiros.

Na prática, ela representa a incorporação de uma infraestrutura que seja capaz de permitir que as empresas originem operações de crédito, fortaleçam o relacionamento com seus clientes e desenvolvam novas fontes de receita de forma sustentável.

Porém, esse movimento envolve muito mais do que apenas ter uma tecnologia para crédito. Ele também depende de uma estrutura que integre:

  • Regulação;
  • Governança;
  • Formalização das operações;
  • Gestão da carteira;
  • Acesso a mecanismos que consigam sustentar o crescimento da operação ao longo do tempo.

Apesar disso, as empresas interessadas em bancarizar seus negócios não precisam, necessariamente, constituir uma instituição financeira própria para participar desse mercado.

Com o parceiro certo e uma estrutura regulatória adequada, é possível desenvolver operações de crédito de forma segura, eficiente e alinhada às exigências do mercado financeiro.

É isso que fazemos aqui na GIRO.TECH. Como instituição financeira regulada pelo BC, fornecemos a tecnologia, infraestrutura regulatória e o suporte necessários para que empresas estruturem operações de crédito por meio do modelo de corban, conectando seus negócios a uma estratégia financeira preparada para crescer.

Portanto, se a sua empresa deseja entender melhor como incorporar o crédito ao seu ecossistema de forma estruturada, conheça as nossas soluções.

Entre em contato com nossos especialistas, marque uma reunião gratuita e descubra como podemos transformar o seu crédito em resultado e apoiar essa jornada!

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