Como o varejo pode fazer uma originação de crédito segura?
A originação de crédito é uma estratégia importante dentro da bancarização do varejo. Descubra como ela funciona e quais são os caminhos para iniciá-la dentro do seu ecossistema!
14/08/2025

A originação de crédito é uma estratégia importante dentro da bancarização do varejo. Descubra como ela funciona e quais são os caminhos para iniciá-la dentro do seu ecossistema!
14/08/2025

Nos últimos anos, o varejo brasileiro tem intensificado seu papel de originação de crédito, como forma de financiar as compras realizadas dentro do seu ecossistema.
Esse movimento está apoiado na bancarização, que é o processo de constituição de uma infraestrutura de instituição financeira dentro das empresas.
Assim, os varejistas que não possuem origem no mercado financeiro, conseguem impulsionar seu papel enquanto agente de crédito direto ao consumidor. Com isso, passa a ser possível incluir a oferta de crediário, cartão private label, entre outras soluções de Buy Now Pay Later (BNPL).
Contudo, o fato dessas empresas não pertencerem ao setor financeiro, faz com que elas precisem lidar com alguns desafios, caso decidam começar a conceder crédito.
Afinal, à medida em que as operações de crédito ganham escalabilidade, também aumenta a responsabilidade, pois é necessário que os varejistas estruturem uma jornada de crédito que seja segura, eficiente e alinhada às regulamentações do Banco Central (BC).
Neste sentido, a originação de crédito passa a ser um processo fundamental dentro dessa estrutura da bancarização do varejo, pois ela é a porta de entrada para todo esse ecossistema.
Logo, se ela é feita “de qualquer jeito”, e sem critérios estabelecidos, pode gerar diversos prejuízos financeiros e inúmeros problemas jurídicos aos varejistas.
Portanto, entender como funciona a estruturação dessa etapa, e conhecer quais são as boas práticas que garantem a segurança, é crucial para os varejistas que desejam utilizar o crédito como motor de crescimento.
Se este é o seu caso, seja bem-vindo a este artigo completo. Você vai descobrir os caminhos para realizar uma originação de crédito segura e sustentável. Siga a leitura e acompanhe conosco até o fim!
Primeiramente, antes de conhecermos quais são esses caminhos, é importante que você entenda melhor o que é uma originação de crédito.
De modo geral, ela é o “ponto de partida” do processo de concessão de crédito, no qual, a empresa faz a identificação, análise e formalização da oferta de financiamento ao cliente.
Em outras palavras, se trata do momento em que o consumidor é avaliado, para caso seja aprovado, poder acessar uma linha de crédito disponibilizada pela empresa.
No caso do varejo, isso pode ocorrer por meio de um crediário loja, cartão private label, ou financiamento direto, via crédito CDC.
Para tal, esse processo consiste na coleta das informações do solicitante, na análise do seu histórico de crédito, e posteriormente, na verificação da sua capacidade de pagamento.
Na prática, esse procedimento é crucial tanto para empresas que não pertencem ao mercado financeiro, quanto para os bancos e instituições financeiras tradicionais.
Afinal, a originação de crédito é essencial para minimizar os riscos dos credores, e assegurar que o crédito seja concedido de maneira sustentável.
Além disso, no caso do varejo, esse processo também ajuda a aumentar a assertividade das concessões, garantindo uma jornada mais fluida ao cliente.
A soma desses fatores é fundamental para fidelizar os consumidores e aumentar a rentabilidade das operações de crédito.
Diferentemente do que muitas pessoas possam imaginar, a originação de crédito remonta às antigas civilizações.
Porém, o crédito como conhecemos surgiu e se desenvolveu a partir da Revolução Industrial, entre os séculos XIX e XX, quando a força de trabalho mostrava estabilidade salarial.
Na época, isso abriu portas para que os trabalhadores tomassem dinheiro emprestado de forma planejada, para realizar investimentos ou adquirir algum bem.
Foi aí que os grandes bancos passaram a entrar em ação, ocupando um papel central na concessão dos empréstimos e linhas de crédito.
Com o passar dos anos e o avanço da tecnologia, especialmente a partir do século XXI, muita coisa mudou, e passou a tornar esse processo mais seguro e eficiente.
Mas porquê trouxemos este contexto histórico? O primeiro motivo é para que você veja que essa prática não é recente, embora tenha se popularizado por meio da bancarização.
E o segundo principal motivo, é para você observar que ela é um processo estruturado, que vai desde a prospecção do cliente até a concessão efetiva do crédito.
Trazendo para a realidade do varejo, isso faz toda a diferença, principalmente quando ocorrem concessões de crédito com capital próprio.
Esses fluxos não podem abrir mão da análise de risco, mas precisam ser ágeis, seguros e digitais, para não prejudicar a experiência dos clientes.
Em suma, para que a originação de crédito ocorra, o processo é dividido em algumas etapas principais. São elas:
O processo começa quando o varejo identifica que um cliente tem potencial para tomar crédito, seja para realizar uma compra ou pagar uma dívida, por meio de um empréstimo pessoal.
Esse onboarding do cliente pode ocorrer tanto na loja física, quanto no e-commerce ou varejo digital integrado, por meio de aplicativos e redes sociais.
Posteriormente, ocorre a etapa da coleta e validação de dados cadastrais e financeiros do cliente, como CPF, endereço, renda e comprovantes.
Normalmente, essas validações ocorrem de forma automática, a fim de prevenir a ocorrência de fraudes ou inconsistências nas informações.
Com os dados validados do cliente em mãos, o varejista consegue partir para a etapa da análise de crédito, na qual, é avaliada a capacidade real que o cliente tem de arcar com compromissos financeiros.
O objetivo desta análise é avaliar o histórico financeiro de quem deseja tomar crédito e determinar o risco de ocorrer inadimplência.
Por meio da análise de crédito, o varejista consegue verificar o score de crédito, histórico de pagamento, renda disponível, entre outros indicadores relevantes.
Para tal, o varejista pode utilizar o apoio de um bureau de crédito, porém, graças ao desenvolvimento e aperfeiçoamento da Inteligência Artificial (IA) e do machine learning, é possível utilizar modelos preditivos para aumentar a assertividade da análise.
Com base na análise de crédito, o varejista poderá definir se o cliente está ou não apto a tomar crédito.
Para isso, é possível usar o apoio de uma ferramenta conhecida como motor de crédito. Ele é um sistema usado por empresas que concedem crédito para que elas consigam avaliar se o cliente está apto a receber crédito e em quais condições: valor máximo, prazo de pagamento, taxa de juros, entre outras regras.
O motor de crédito utiliza diversas informações, como dados financeiros, histórico de crédito, renda, dívidas, entre outros fatores relevantes.
Assim, essas informações são utilizadas para calcular a pontuação do crédito e determinar os riscos envolvidos em um novo financiamento.
É importante pontuar que essa etapa de decisão e definição das condições precisa estar alinhada à política de crédito do varejista.
Na sequência, a próxima etapa da originação de crédito consiste na formalização e contratação.
Ou seja, caso a concessão seja aprovada, o contrato é gerado de forma automática, com termos e condições claros.
Para isso, o varejista pode utilizar uma Cédula de Crédito Bancário (CCB), um título de crédito emitido por uma empresa ou instituição que concede crédito, contra uma pessoa física ou jurídica.
A CCB funciona como uma “confissão de dívida”, sendo o documento que formaliza a obrigação de pagamento resultante em uma operação de crédito.
Caso o cliente aceite a proposta, ele pode assinar a CCB de forma eletrônica ou digital, conforme o canal utilizado pelo varejista.
Por fim, a originação de crédito finaliza no momento em que o financiamento é liberado para o cliente.
Todavia, o trabalho do varejo ainda continua, pois é necessário acompanhar e monitorar o comportamento da carteira de crédito.
Neste sentido, é importante ter uma gestão eficaz de crédito e cobrança, para gerenciar os pagamentos, identificar atrasos e aplicar estratégias de cobrança, caso seja necessário.
Em suma, para que a originação de crédito tenha sucesso, é preciso que haja uma efetiva integração entre tecnologia, análise de risco e experiência do cliente.
Por esses e outros fatores, é fundamental que o processo ocorra de forma fluida e segura, pois assim, maiores serão as chances do crédito gerar essa receita adicional.
Como citamos anteriormente, a concessão de crédito ocorre desde os primórdios da sociedade, tendo origem nas antigas civilizações.
O crédito como conhecemos se popularizou durante a Revolução Industrial, e desde então, tem estimulado o consumo e movimentando o setor produtivo.
Afinal, é por meio dele que as empresas e pessoas conseguem adquirir bens ou serviços, pagar contas, fazer viagens ou realizar algum tipo de investimento.
Contudo, qualquer erro que ocorra no processo da originação de crédito pode ser extremamente prejudicial, por uma série de fatores.
No caso do varejo, esses erros podem aumentar o custo do crédito e trazer riscos financeiros consideráveis, tanto para quem concede quanto para quem toma o financiamento.
Abaixo, listamos alguns pontos que vão te ajudar a entender por quais razões esse processo é tão importante para os varejistas. Veja:
A inadimplência segue sendo um dos principais desafios a serem superados pelo varejo brasileiro.
De acordo com a plataforma Meu Crediário, o índice de inadimplência no varejo fechou o mês de junho com 9,70%.
Esse percentual representou uma alta após ter permanecido abaixo dos 8% apresentados no início de 2025.
Embora não restem dúvidas de que a bancarização representa um motor de crescimento ao varejo, questões como a alta na inadimplência fazem com que muitos varejistas acabem ficando relutantes em conceder crédito e financiar seus ecossistemas.
Isso pode ser contornado por meio de uma originação de crédito segura, efetiva e bem estruturada.
Quando o varejista define uma política de crédito clara, possui uma análise rigorosa de dados, e utiliza ferramentas antifraude, via Know Your Customer (KYC), é possível identificar de forma mais precisa quais clientes possuem uma capacidade real de pagamento.
Consequentemente, fica mais fácil tomar ações que visem a redução da inadimplência e os prejuízos operacionais.
A partir do momento em que o varejo opta por realizar a originação de crédito, ele consegue ter uma geração de receita financeira recorrente.
Afinal, ele não vai ter lucros somente com a margem de venda dos produtos, pois o crédito próprio gera uma receita adicional com juros, encargos e demais serviços financeiros que compõem uma operação de crédito.
Na prática, isso representa uma estratégia fundamental para as empresas que precisam lidar com margens apertadas, como é o caso do varejo alimentar, que segundo o Varejo Finance Report, possui margem líquida entre 1% e 3%.
Além disso, os varejistas que originam o crédito “dentro de casa” também conseguem diversificar suas fontes de receita.
Ao utilizar uma boa estrutura de originação, é possível gerenciar a carteira internamente ou administrá-la em um veículo de securitização, como Companhia Securitizadora ou FIDC.
O resultado dessa estratégia reflete na otimização da rentabilidade, abrindo portas para a captação de recursos com investidores terceiros.
A originação de crédito também cumpre um papel extremamente importante no que diz respeito à experiência do cliente.
Um estudo realizado pela Salesforce descobriu que 80% dos consumidores julgam que a experiência oferecida por uma empresa é tão importante quanto a oferta dos serviços e produtos disponibilizados.
Além disso, uma outra pesquisa produzida pelo SA+ Ecossistema de Varejo indicou que 78% dos clientes priorizam marcas que oferecem uma boa experiência.
Esses estudos apenas reiteram uma constatação que todos sabemos: quando o cliente tem uma boa experiência com a marca, ele naturalmente vira um “embaixador” dela.
O mesmo ocorre com a concessão de crédito. Se o consumidor passa por uma jornada fluida, segura e personalizada, ele conseguirá perceber o valor que ela tem, e consequentemente, irá fortalecer seu vínculo e aumentar a frequência de compras.
Afinal, quando um cliente entra em uma loja, ou ele quer ver um produto, ou resolver algo. Nada pode interferir nesta jornada, que é a parte mais importante para a experiência do cliente.
Se a jornada é bem conduzida, ela pode ajudar a atrair até mesmo aquele cliente que, eventualmente, não precisa do crédito, pois as decisões humanas não costumam ser racionais.
Ademais, os dados coletados por meio da captação também permitem que o varejista evolua sua estratégia de CRM.
Com isso, é possível oferecer condições mais personalizadas ou novas soluções financeiras no longo prazo. Esses são fatores igualmente importantes para aumentar o ciclo de vida do cliente.
Para além do que citamos acima, a originação de crédito também ajuda a gerar maior eficiência e escalabilidade dentro do varejo.
É fácil de compreender como isso ocorre: por meio da automatização, o varejista consegue automatizar toda a sua esteira de crédito.
Ou seja, é possível digitalizar desde a entrada de dados até a contratação e posterior liberação do financiamento, com total segurança, rastreabilidade e compliance.
Por meio de tecnologias como KYC, biometria, análise preditiva e integração com birôs de crédito, é possível ganhar mais velocidade e padronizar as operações.
Desse modo, o varejista consegue ter mais capacidade para escalar o crédito sem comprometer a segurança ou infringir as regras e boas práticas do mercado.
Por fim, mas não menos importante: lembre-se que a originação de crédito é ponto de partida de tudo o que conversamos anteriormente.
Ou seja, o varejo pode utilizar como uma base sólida para diferentes estratégias avançadas de crédito.
É o caso, por exemplo, da securitização, um processo que converte créditos em títulos que podem ser negociados no mercado financeiro.
Através desta operação, investidores do mercado de capitais podem comprar as dívidas de forma antecipada.
Com isso, o varejista não precisa esperar até o limite do prazo para acessar os valores aos quais tem direito.
Neste caso, o varejo pode securitizar qualquer ativo financeiro, como contas a receber, parcelas de crediário ou cartão white label, entre outros.
Assim, é possível transferir esses recebíveis a um veículo de securitização, que pode ser uma Securitizadora ou FIDC.
Essa composição abre portas para oportunidades interessantes ao varejo, que pode financiar a sua cadeia de fornecedores, liberar recursos para investir em novas operações de crédito ou financiar capital de giro.
Mas não é só isso: por meio da securitização, o próprio varejista que está fazendo a originação de crédito pode atuar como investidor.
Ou seja, ele não precisa obrigatoriamente buscar recursos com investidores do mercado de capitais.
Ao utilizar apenas seu próprio capital, ele consegue lucrar com a securitização dos recebíveis do seu negócio. Porém, isso passa por uma boa base de originação de crédito.
Por essas razões, esse processo não é uma mera etapa operacional: ele é um ativo extremamente estratégico para os varejistas que desejam transformar os financiamentos aos clientes em margem recorrente, previsibilidade de caixa e um diferencial competitivo que seja, de fato, sustentável a longo prazo.
O varejo tem uma coisa que os bancos, startups e fintechs vão ter que “ralar” para conquistar: uma base de clientes que conhecem e confiam na marca e estão constantemente se relacionando com o seu negócio.
Quando o varejista opta por fazer a originação de crédito “dentro de casa”, ele passa a ter total visibilidade sobre toda a jornada do consumidor, desde a simulação até o comportamento de pagamento.
Isso representa um diferencial extremamente competitivo, e reitera o poder que os dados têm no varejo, que poderá usar suas bases ricas para alimentar estratégias de CRM, fazer campanhas personalizadas de marketing e desenvolver novas soluções de Crédito Direto ao Consumidor (CDC).
Ademais, por meio da inteligência de dados, o varejista consegue identificar padrões e tendências de consumo, ajustar políticas de concessão e prever sinais de inadimplência de forma mais ágil e autônoma.
Se você chegou até aqui na leitura, conseguiu entender melhor como a originação de crédito é uma estratégia que abre diversas possibilidades para os varejistas.
Ela está diretamente alinhada ao fenômeno do Retail Banking, um processo que permite que os varejistas ofereçam serviços financeiros aos seus clientes.
Ao assumir funções que historicamente eram realizadas de forma exclusiva por instituições financeiras tradicionais, o varejo consegue conquistar vantagens que vão muito mais além da concessão de crédito ao consumidor.
Essa jornada representa uma verdadeira “virada de chave”, pois o varejo deixa de ser apenas um local de vendas para se tornar um verdadeiro “banco” que financia todo seu ecossistema.
Ou seja, a empresa deixa de depender exclusivamente das margens dos produtos e consegue rentabilizar o seu relacionamento com os clientes.
Neste sentido, abre-se portas para que o varejo crie diferentes tipos de produtos de crédito. Abaixo, listamos 3 dessas possibilidades. Confira:
A primeira dessas oportunidades é o cartão private label, também chamado popularmente de “cartão de loja”.
Este instrumento de pagamento não possui vínculo com as bandeiras tradicionais de cartão de crédito, justamente por ser emitido exclusivamente pelo varejista.
Assim, o cliente pode efetuar compras com este cartão nos estabelecimentos e lojas pertencentes à rede que o emitiu.
Nesta forma de originação de crédito, o varejista permite que os clientes e consumidores tenham acesso a condições personalizadas de pagamentos, promoções e descontos.
Não à toa, o cartão private label vem conquistando espaço entre os principais varejistas brasileiros, como é o caso da C&A, Riachuelo e Lojas Renner.
Segundo insights retirados do Varejo Finance Report, 1 em cada 4 reais vendidos pela C&A em 2024 passou pelo C&A Pay.
O braço financeiro do grupo foi responsável por 24,3% das vendas totais da C&A no 4T24. Isso significa que, a cada R$ 100 vendidos, R$ 24 ocorrerem através do Cartão C&A, o cartão private label da marca. Além disso, o C&A Pay também fez a emissão de 7 milhões de cartões digitais no período.
Outra forma do varejo atuar na originação de crédito ocorre por meio do empréstimo pessoal.
Por meio dessa forma de pagamento, o varejista consegue emprestar dinheiro a um cliente após submetê-lo à uma análise de crédito.
Com isso, se o tomador de crédito for aprovado, ele assina um documento, como por exemplo uma CCB.
Assim, ele se compromete a pagar novamente esses valores, com o acréscimo de juros nas parcelas mensais.
O empréstimo pessoal disponibilizado pelos varejistas não costuma conter muitas burocracias, pelo fato do originador não “cobrar” uma finalidade específica para a qual o dinheiro será liberado.
Desse modo, o empréstimo pessoal pode ser utilizado tanto para que o cliente faça compras na loja, quanto para que ele pague dívidas ou faça uma viagem.
Diversas grandes varejistas do Brasil atuam originando empréstimo pessoal, como é o caso das Casas Bahia, Pernambucanas, Koerich e Marisa.
Por fim, a última dessas soluções é o popular crediário próprio, que pode vir tanto no formato físico tradicional, quanto de forma digital.
Também conhecido por “carnêzinho da felicidade”, o crediário é um tipo de financiamento que permite que os clientes parcelem a compra de produtos e bens de serviço.
Essa originação de crédito é feita pelo próprio varejista, sem a intermediação de um banco ou instituição financeira tradicional.
Com isso, o cliente pode parcelar o valor total da sua compra em várias vezes, fracionando em quantias menores a cada mês.
No varejo online, a oferta do crediário direto dos varejistas aos consumidores tem se popularizado cada vez mais.
De acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria GMattos, essa modalidade atingiu 37,3% das lojas online que foram monitoradas no mês de julho de 2025.
Essa estratégia de BNPL virou uma tendência global, estando no radar de grandes fintechs de crédito e gestoras de investimentos.
Segundo uma reportagem publicada pela revista britânica The Economist, este setor movimentou US$ 342 bilhões em 2024, contra somente US$ 2 bilhões há uma década.
A popularização do BNPL também tem ocorrido no Brasil, especialmente entre os varejistas que buscam fazer a originação de crédito por conta própria e conquistas a independência dos intermediários financeiros.
É o que faz a Magalu, por meio do MagaluPay, que desde 2020, atua como braço financeiro do grupo, oferecendo soluções de Embedded Lending integradas ao ecossistema da rede.
Em 2024, a Magalu lançou sua operação de CDC Digital, um financiamento de compras dentro do SuperApp Magalu.
O cliente pré-aprovado para o carnê digital consegue fazer a compra e o pagamento parcelado pelo carnê no momento do checkout.
Todo esse processo ocorre de forma simples e fluida, com o próprio cliente selecionando as condições de pagamento no próprio SuperApp Magalu.
Como a empresa possui o histórico dos dados de consumo do cliente, ela consegue conceder o financiamento somente para quem possui perfil adequado.
Atualmente, com mais de 10 milhões de clientes ativos, o MagaluPay se tornou uma peça essencial dentro do ecossistema da Magalu, contribuindo para margens maiores e representando mais de 20% do faturamento total com receitas financeiras e de crédito.
Como você observou no item acima, o varejista que opta por fazer a originação de crédito “dentro de casa” consegue aproveitar uma série de vantagens estratégicas.
Entretanto, “nem tudo são flores”, pois essa decisão impõe também uma série de desafios operacionais, jurídicos e financeiros.
Sendo assim, para que consiga transformar o crédito em uma alavanca de crescimento sustentável, é necessário que o varejo esteja preparado para lidar com os obstáculos que fazem parte dessa jornada.
Abaixo, listamos os 4 principais desafios que devem ser superados para que o varejo faça uma originação de crédito segura, escalável e eficiente. Veja:
O primeiro cuidado diz respeito à gestão de risco e inadimplência, afinal, o crédito só é rentável quando esses parâmetros estão controlados.
Por isso, o maior desafio que o varejista precisa superar ao decidir fazer a originação de crédito, é desenvolver uma estrutura de avaliação de risco robusta.
Com ela, será possível identificar os perfis de clientes que possuem sinergia com os objetivos da estratégia, ou seja, possuem real capacidade de pagamento.
Para superar esse obstáculo, é necessário utilizar ferramentas de análise de crédito e cruzamento de dados públicos e privados, por meio do auxílio de um bureau de crédito ou consulta SCR.
Além disso, é importante que o varejo estabeleça uma política de crédito interna que seja clara, transparente e alinhada à estratégia de crédito.
Sem esses cuidados, aumentam as chances de ocorrer inadimplência, que infelizmente, irá comprometer toda a margem e trazer sérios problemas para a operação de crédito.
Ademais, é importante que o varejista consiga ter uma gestão efetiva da carteira de crédito, para acompanhar eventuais atrasos e implementar estratégias de gestão e cobrança.
Para que a jornada de originação de crédito ocorra sem atritos, é necessário que todas as “pontas” da operação estejam integradas e funcionando entre si.
Isso inclui os múltiplos pontos de contato com o cliente e a necessidade de fazer a coleta, análise e processo de grandes volumes de dados em tempo real.
Para tal, o varejista precisa utilizar algumas tecnologias especializadas, como plataformas de onboarding digital, sistemas antifraude e um motor de crédito que possa ser integrado aos birôs de crédito.
Neste caso, o desafio é integrar essas tecnologias ao sistema ERP do varejo, para garantir a fluidez, agilidade e segurança nas tomadas de decisões.
Sem que haja essa integração, o processo de originação de crédito será lento, ineficaz e suscetível a erros que vão comprometer não apenas a experiência do cliente, mas também, os resultados da operação.
O mercado de crédito é composto por diversas regras estabelecidas pelos órgãos competentes, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central (BC).
A atuação dessas entidades é necessária para garantir que todos os processos ocorram de forma íntegra, transparente e em total segurança.
Obviamente, isso também implica na originação de crédito, que envolve a manipulação de dados sensíveis e a formalização de contratos financeiros.
Logo, todos esses procedimentos precisam estar em conformidade com as leis vigentes, principalmente no que diz respeito à proteção de dados (LGPD) e prevenção à lavagem de dinheiro (PLD).
Desse modo, o varejo precisa ter cuidado redobrado com a coleta e guarda dos dados, que devem ter consentimento do cliente, e ter cláusulas contratuais transparentes.
Além disso, é mais do que obrigatório estar alinhado às boas práticas do BC e da CVM, para que as operações de crédito ocorram com segurança jurídica.
Os varejistas que negligenciam o compliance podem sofrer com graves sanções e dados reputacionais irreversíveis. Por isso, não deixe de se atentar à essas questões.
Por fim, outro desafio existente na originação de crédito “dentro de casa”, está na capacidade de funding e estrutura de capital do varejista.
Afinal, para que ele possa oferecer crédito com capital próprio, é necessário ter funding suficiente para que a concessão seja sustentável.
Ou seja, é preciso ter caixa ou uma estrutura alternativa que torne viável a execução das operações sem comprometer a saúde e a estabilidade financeira do negócio.
Para isso, o varejista pode criar uma estrutura de capitalização direta, utilizando um veículo de securitização, como Securitizadora ou FIDC.
Assim, caso seja necessário buscar recursos no mercado de capitais, essas estruturas vão ajudar na emissão dos instrumentos financeiros, como debêntures, notas comerciais ou Certificado de Recebíveis (CR).
Neste caso, o principal desafio do varejista é escolher o modelo que oferece o melhor equilíbrio entre custo de capital, governança, eficiência tributária e escalabilidade.
Para os varejistas que querem financiar uma operação de crédito com capital próprio, a opção mais recomendada é usar uma Securitizadora.
Essa estrutura é uma alternativa mais vantajosa por ser mais rápida, eficiente e com menor custo.
Ao fazer uma emissão privada, esse veículo de securitização consegue reduzir a burocracia e participantes obrigatórios, trazendo menos custos para a operação de crédito.
Ademais, a Securitizadora permite que o varejista tenha maior liberdade para reduzir taxas e definir condições mais competitivas, o que não seria viável em uma estrutura de FIDC com capital de terceiros.
Assista o vídeo abaixo e entenda melhor por que os varejistas estão optando pelas Securitizadoras ao invés dos FIDCs:
Como você conferiu ao longo deste artigo, a originação de crédito é uma estratégia que traz diversos ganhos na rentabilidade e no aumento das margens no varejo brasileiro.
O motivo para isso é bastante simples: o jogo mudou. O varejo assumir o crédito é o futuro. Se você ainda não bancarizou sua operação, o concorrente já fez. Ele pode reduzir margem no varejo e ganhar no financeiro, com uma oferta melhor para o cliente.
E isso não se resume à receita financeira. É pela sinergia que o braço financeiro próprio tem com o varejo, pois um alimenta o outro.
Afinal, o varejista concede crédito para vender mais e vende para financiar e gerar relacionamento com os clientes.
Contudo, não é fácil começar uma originação de crédito do dia para a noite, especialmente por conta dos desafios que precisam ser superados.
A GIRO.TECH reconhece esses obstáculos. É por isso que estamos prontos para “segurar na sua mão” e te ajudar na montagem da sua estrutura de bancarização!
Nós somos uma plataforma completa de Credit as a Service (CaaS), e fornecemos a tecnologia para crédito que simplesmente funciona.
Com isso, o seu varejo pode estruturar originar crédito usando capital próprio e construir uma infraestrutura completa, robusta e escalável de financiamento ao seu ecossistema.
Para que isso seja possível, utilizamos o apoio da Giro SCD, nossa Sociedade de Crédito Direto (SCD), que possui as licenças regulatórias exigidas pelo BC.
Assim, a GIRO.TECH consegue habilitar seu negócio como nosso correspondente bancário, para que você use nossas APIs para fechar contratos de crédito com sua base de clientes, por meio da emissão de CCB.
Ademais, nós também estruturamos a abertura do seu FIDC ou Securitizadora, para que a sua originação de crédito seja feita de forma segura e em conformidade regulatória.
Com isso, seu varejo poderá captar recursos junto a investidores e rentabilizar ainda mais suas operações de crédito.
Portanto, se você deseja transformar crédito em resultado e ter margem de banco em seu varejo, venha com a GIRO.TECH!
Por fim, após concluir a leitura deste artigo, você pôde entender melhor o que é a originação de crédito e de qual forma o varejo pode fazê-la de forma segura.
Essa jornada vai muito além do simples financiamento ao consumidor, pois ela é o ponto de partida para a transformação do varejo em um verdadeiro ecossistema financeiro.
Afinal, já foi a época em que o varejo era somente um lugar para venda de produtos. O crédito se tornou um motor de crescimento para aumentar margens, fidelizar clientes e trazer novas fontes de receita.
Todavia, para que todo esse potencial seja colocado em prática, é crucial que as etapas sejam construídas com governança, tecnologia e segurança jurídica.
Isso inclui fatores que vão da análise de risco ao onboarding digital, passando por uma gestão eficiente da carteira e pela criação de uma estrutura de funding eficiente.
A originação de crédito não é mais algo exclusivo dos bancos. O futuro já começou, e ele passa pelo varejo assumir o crédito. Quem consegue entender isso, está na frente da concorrência.
Portanto, se você acha que esse é o momento de investir na bancarização empresarial do seu varejo, a GIRO.TECH também está pronta para te ajudar nesta jornada de crédito próprio!
Conte com a nossa tecnologia para crédito que simplesmente funciona e com a nossa experiência em bancarização e securitização para que seu varejo seja o banco que financia seu próprio ecossistema.
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