5 razões para seu varejo ter um braço financeiro!

O braço financeiro vem se tornando uma peça fundamental na estratégia financeira dos varejistas brasileiros. Descubra como ele funciona e por que você também deve criá-lo!

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Nos últimos anos, o varejo brasileiro tem passado por uma verdadeira revolução, apoiada, principalmente, pela oferta de crédito via braço financeiro.

Essa transformação no ecossistema organizacional dos varejistas está ligada ao movimento da bancarização, que tem permitido que as empresas fora do mercado financeiro, incluam a oferta de crédito para seus clientes.

A título de curiosidade, o volume de concessões de crédito totalizou R$ 6,42 trilhões em 2024, com um crescimento de 10,9% em relação a 2023, segundo o Banco Central (BC).

Várias razões ajudam a explicar esse aumento na concessão de crédito. E uma delas, é a descentralização do mercado de crédito.

Esse cenário se aplica ao contexto atual do varejo, que deixou de ser somente um ponto de venda para se tornar um verdadeiro ecossistema de soluções. E o crédito está no centro dessa transformação.

Nos últimos anos, cada vez mais as grandes varejistas brasileiras estão criando seus próprios braços financeiros para oferecer os mais diversos serviços financeiros, como crediário e cartão private label.

Graças ao avanço da tecnologia, varejistas de todos os portes e segmentos podem utilizar assumir o papel que historicamente era restrito apenas aos bancos tradicionais.

Essa estratégia não representa apenas uma nova fonte de receita. Ela também melhora o relacionamento com o cliente, aumenta a recorrência de compra e proporciona um diferencial extremamente competitivo. Além disso, existem diversos outros motivos para um varejista iniciar a oferta de crédito em seu ecossistema.

Siga a leitura conosco, descubra 5 razões estratégicas para você estruturar um braço financeiro em seu varejo, e entenda como essa essa estrutura pode ser um motor de crescimento em sua empresa!

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O que é um braço financeiro?

Primeiramente, antes de conhecermos todos os diferenciais e vantagens que essa estratégia pode trazer ao varejo, é importante que você entenda o que é um braço financeiro.

Em suma, ele é uma estrutura criada por uma empresa que não tem origem no setor financeiro, como varejistas, indústrias, marketplaces, concessionárias de automóveis, entre outras, com o intuito de oferecer serviços bancários ou de crédito aos seus clientes e fornecedores.

Ou seja, por meio dessa estrutura, basicamente qualquer empresa pode aumentar sua liquidez, receber todas as suas vendas à vista, e contar com uma tributação mais adequada à sua realidade. Falaremos melhor em outro tópico como isso funciona.

No contexto do varejo, essa estratégia consiste na criação de uma operação 100% dedicada a cuidar de produtos financeiros como:

Na prática, o braço financeiro é a parte do varejo que assume a função de banco, desenvolvendo e estruturando soluções financeiras que estejam alinhadas à atividade core.

Para tal, a implantação desse serviço pode ser feita por meio de uma fintech própria, através de uma plataforma de Banking as a Service (BaaS) ou uma estrutura de securitização. Nos próximos itens, você vai entender melhor como funciona esse processo.


Como funciona um braço financeiro?

Agora que você entendeu melhor o que é um braço financeiro, fica mais fácil de compreender como ele funciona na prática.

Conforme citamos anteriormente, essa estrutura nada mais é do que uma extensão estratégica do varejo, concebida para oferecer produtos e serviços financeiros a todo o ecossistema.

Desse modo, o varejista não precisa depender dos grandes bancos e instituições financeiras, pois ele poderá atuar como um provedor direto ou indireto de crédito.

Assim, ao assumir o controle total das operações, o varejista consegue aumentar a sua margem de lucro e ampliar as suas fontes de receitas.

Na prática, o braço financeiro pode assumir diferentes formatos dentro do contexto do varejista. São eles:

Sociedade de Crédito Direto (SCD)

A Sociedade de Crédito Direto (SCD) é uma instituição financeira regulada pelo Banco Central (BC) e pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), especializada em estruturar operações de concessão de crédito.

O principal objetivo da SCD é fornecer empréstimo de forma direta para os tomadores, sem que um banco tradicional precise intermediar a operação. 

Porém, a SCD não pode realizar captação pública de recursos. Ela só pode utilizar recursos próprios para estruturar as operações de crédito, financiamento ou aquisição de direitos creditórios.

Justamente por conta disso, essa estrutura é uma das mais utilizadas pelos varejistas que buscam montar um braço financeiro.

Todavia, para que isso seja possível, a Sociedade de Crédito Direto deve ser habilitada para realizar a emissão da Cédula de Crédito Bancário (CCB), um documento responsável por formalizar, juntamente ao BC, as operações de crédito.

Dessa forma, a CCB formaliza a operação de crédito de empresas não financeiras, permitindo que cobrem juros sobre vendas parceladas ou outras operações que envolvam juros. 

Assim, a SCD consegue alocar esses recursos para a concessão de crédito e financiamentos com condições mais atrativas, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas, simplificando o acesso ao crédito e outros serviços financeiros.

A SCD atua em ambiente 100% digital, utilizando plataformas estratégicas. Assim, ela consegue reduzir as burocracias e conceder empréstimos e financiamentos com taxas mais atrativas do que as oferecidas pelas instituições financeiras tradicionais.

Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI)

A Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI) também é uma instituição regulamentada pelo BC, e destinada a efetuar operações de empréstimo, financiamento e soluções de investimento a curto, médio ou longo prazo.

Na prática, a SCFI é uma instituição privada autorizada a fornecer crédito para compra de bens e serviços ou capital de giro.

Isso ocorre por meio de uma plataforma eletrônica, responsável por conectar os investidores, que podem ser pessoas físicas ou jurídicas, aos tomadores de crédito.

Na maioria das vezes, as SCFIs não são ligadas a bancos, pois elas atuam como braço financeiro de empresas não originárias do mercado financeiro, como é o caso do varejo.

Neste caso, o principal objetivo da Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento é financiar o consumo e impulsionar as vendas.

Afinal, a SCFI fornece crédito diretamente aos clientes e consumidores quando eles forem efetuar uma compra.

Além da concessão de empréstimos, a SCFI também pode adquirir direitos creditórios que estejam ligados a qualquer operação de crédito.

Banking as a Service (BaaS)

Também existem situações em que o varejista pode integrar soluções por meio de fintechs de crédito parceiras, utilizando modelos de Banking as a Service (BaaS).

Conhecido por “Banco como Serviço”, o BaaS é um modelo de negócio que permite que o varejo ofereça serviços digitais e financeiros aos seus clientes, sem precisar tirar uma licença bancária completa.

Para isso, o BaaS conecta o varejista às empresas que já oferecem essas soluções, como startups e fintechs. Esse procedimento ocorre por meio de Interface de Programação de Aplicação (API), um protocolo que possibilita a troca de informações entre diferentes plataformas.

No modelo de Banking as a Service, são as APIs que possibilitam que o serviço bancário estruturado por um banco tradicional seja integrado ao sistema utilizado pelo varejista, que pode configurar seu braço financeiro.

Veículos de securitização como braço financeiro

Por fim, também existem varejistas que utilizam a estrutura de veículos de securitização para tornar viável operações de crédito e antecipação de recebíveis.

Neste caso, essas empresas utilizam o apoio de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) ou Securitizadora. Assim, elas conseguem constituir seus próprios braços financeiros.

FIDC

O FIDC é uma estrutura de fundo de investimento regulada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), amplamente utilizada para financiar operações de crédito, que tem como investidores os cotistas, que podem ser você, o seu negócio, e também, investidores do mercado de capitais.

De modo geral, o FIDC nasce para comprar direitos creditórios, que são o direito que uma empresa tem de receber alguma dívida.

No caso do varejo, os direitos creditórios podem ser duplicatas, recebíveis do cartão de crédito ou cartão private label, entre outras dívidas financeiras, tais como CCB ou notas comerciais.

Na prática, esse fundo é um condomínio de cotas, que não tem um dono específico, cujo principal objetivo é conectar essas cotas com investidores, que compram e integralizam o seu capital.

Porém, para que o FIDC exista, é necessário a atuação de alguns participantes. São eles: gestora de recursos, administrador fiduciário e custodiante.

A gestora de recursos é responsável por analisar quais direitos creditórios serão comprados, enquanto o administrador fiduciário fica responsável pela parte jurídica da operação. Já o custodiante, faz toda a custódia das cotas do fundo.

Securitizadora

Já a Securitizadora é um CNPJ no regime de Sociedade Anônima (S/A), criado exclusivamente para comprar recebíveis, que podem ser boletos, aluguéis, parcelas do cartão de crédito ou cartão private label, com capital dos seus investidores.

Esse veículo de securitização adquire os direitos sobre os recebíveis de uma empresa e realiza a emissão de títulos lastreados. O lastro serve como garantia da existência e também da validade do recebível.

O modelo recomendado pela CVM é a estruturação de uma nova Companhia Securitizadora a partir de uma Securitizadora regulada pela CVM, como por exemplo, a GTS Securitizadora pois, dessa forma, é possível alcançar a mesma eficiência tributária proporcionada por um FIDC.

Assim, o varejista consegue realizar a emissão de títulos, como debêntures, Certificado de Recebíveis (CR), Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) ou Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), que são a forma como o dono da operação vai captar recursos para colocar dentro desta estrutura.

A partir disso, é possível comprar um recebível no mercado pelo seu montante a vencer, com um deságio. Neste caso, quando o devedor pagar o montante total, o valor do deságio será a receita da Securitizadora, que será direcionada ao investidor.

Ou seja, além de emitir e vender esses títulos a investidores, esse veículo de securitização também é responsável por administrar, gerir os recebíveis e repassar os valores a quem adquiriu os créditos.

Todas essas estruturas são exemplos de braço financeiro no varejo. Elas auxiliam nas operações de crédito comuns, na oferta de seguros ou assistências, na antecipação de valores a fornecedores, por meio do risco sacado, entre outros.

Quais são as diferenças entre FIDC e Securitizadora?

 

O que é preciso para montar um braço financeiro?

Agora que você já conheceu um pouco melhor essas estruturas, pode estar se perguntando: o que é preciso para montar um braço financeiro em meu varejo?

Bom, o primeiro passo é realizar um bom planejamento estratégico. Afinal, a concessão de crédito não pode ser encarada como uma simples “métrica de vaidade”. Ela precisa ser estruturada para trazer resultados realmente efetivos ao varejista.

Na sequência, você precisa definir qual será o modelo de operação utilizado. Ou seja, se o seu varejo vai criar uma instituição financeira própria, como SCD ou SCFI, ou operarem parceria com fintechs de crédito que oferecem soluções de BaaS e Credit as a Service (CaaS).

Quais as desvantagens de montar a própria SCD ou SCFI?

Aqui, vale um adendo importante: embora a SCD e a SCFI sejam duas instituições reguladas pelo BC, não é recomendável que o varejista monte por conta própria essa estrutura, pois esse processo traz algumas desvantagens.

A primeira delas são os custos de abertura, bastante elevados para empresas que não têm origem no mercado financeiro.

Isso é necessário para que o varejo consiga tirar as licenças regulatórias exigidas pelo BC e CVM. Além disso, também existem custos de manutenção, importantes para manter ativa a estrutura da SCD ou SCFI e garantir o cumprimento das obrigações legais.

Entretanto, as desvantagens não se resumem aos custos, pois o processo de abertura de uma instituição financeira própria regulada pelo BC, é extremamente burocrático, pelo fato do órgão fazer muitas validações.

Por isso, se você busca montar seu próprio braço financeiro, o melhor caminho é utilizar a estrutura de uma fintech white label já regulamentada pelo BC e pela CVM.

Além de fornecer toda a tecnologia financeira necessária, essa instituição também é habilitada a fornecer um modelo de CaaS juntamente com a licença bancária de uma SCD como serviço.

No modelo de negócio white label, o varejista consegue usar a infraestrutura da fintech sob a sua própria marca. Assim, é possível conceder crédito e escalar a operação de maneira mais ágil, menor investimento, e de forma integrada às lojas físicas e ao varejo digital.

Ademais, é importante ressaltar, que independentemente de qual seja o modelo escolhido, é crucial ter processos bem estruturados de análise de crédito, prevenção a fraudes, cobrança e, sobretudo, experiência do cliente.

Por isso, é importante que o varejista utilize dados como histórico de compras e comportamento de pagamento para estruturar a sua esteira de crédito.

Por que os varejistas estão montando seu braço financeiro?

Se você já acompanha nossos conteúdos aqui no blog, está ligado nas tendências de Retail Banking que costumamos citar em nossos artigos.

Também conhecido como bancarização do varejo, o Retail Banking é o processo pelo qual os varejistas passam a oferecer produtos financeiros aos seus clientes.

Assim, o varejo passou a assumir as funções que, historicamente, eram realizadas apenas pelos grandes bancos e instituições financeiras tradicionais.

Esse movimento tem acontecido pois os varejistas perceberam que o crédito deixou de ser somente um meio de pagamento e passou a ser uma alavanca estratégica para o crescimento, fidelização e aumento da rentabilidade.

De acordo com o Varejo Finance Report, a margem de lucro no varejo sofre variações de acordo com seu porte ou segmento de atuação.

Enquanto o varejo alimentar possui uma margem líquida entre 1% e 3%, o varejo de moda tem uma margem líquida entre 5% e 10%.

Por outro lado, o varejo de eletroeletrônicos possui uma margem líquida entre 2% e 6%, ao passo que o varejo farmacêutico possui margem líquida entre 3% e 8%. Por fim, o varejo online tem margem líquida entre 0% e 5%.

Em suma, as margens no varejo brasileiro tendem a ser mais baixas devido a alta carga tributária e demais custos operacionais elevados.

Essa é uma das razões pelas quais o varejo tem buscado otimizar a margem de lucro por meio de um braço financeiro próprio.

Geração de novas fontes de receita

Todavia, quando falamos sobre varejistas que buscam estruturar uma operação de crédito, não falamos apenas pela busca por maior eficiência tributária.

Afinal, outro fator importante que o braço financeiro oferece, é o potencial de geração de novas fontes de receita.

Por meio dele, o varejista não lucra somente com a venda de produtos. Também é possível destravar receitas vindas dos juros, tarifas, intercâmbio de cartões e comissões de outros serviços agregados, como seguros e assistências.

Todos esses fatores também ajudam a melhorar a margem de lucro e reduzir a dependência de promoções ou campanhas agressivas para atrair novos consumidores.

Decisões mais assertivas

Além disso, os varejistas que possuem um braço financeiro próprio deixam de depender exclusivamente dos bancos e instituições financeiras tradicionais.

Essa liberdade permite um maior controle sobre toda a jornada financeira do cliente, desde a concessão até o recebimento dos valores.

Isso é possível, pois o varejo possui uma arma poderosa em mãos: dados ricos sobre o comportamento de compra dos seus clientes.

Todas essas informações podem ser utilizadas para a tomada de decisões de crédito mais assertivas e seguras, o que é importante para reduzir a inadimplência e aumentar a conversão.

Assim, com uma política de crédito bem segmentada, é possível disponibilizar mais crédito, e consequentemente, efetuar mais vendas e obter maior rentabilidade.

Ademais, graças ao avanço da tecnologia financeira e das soluções de CaaS e Lending as a Service (LaaS), varejistas de qualquer porte ou segmento podem criar seu braço financeiro e lançar seus próprios cartões de loja, oferecer crédito digital ou realizar antecipação de recebíveis sem ter que virar um banco tradicional.

Essa descentralização do mercado de crédito é um dos principais motores da bancarização do varejo, e ajudam a explicar porquê este setor passou a utilizar o crédito como uma alavanca estratégica de crescimento.

Exemplos de varejistas que têm um braço financeiro

Nos últimos anos, vem aumentando cada vez mais o número de varejistas que têm investido na criação de um braço financeiro próprio.

É o caso de algumas gigantes varejistas, como Magalu, C&A, Lojas Renner, Riachuelo, Carrefour e Casas Bahia, que foram objeto de estudo no Varejo Finance Report, um relatório exclusivo que analisa os resultados dos produtos financeiros no varejo brasileiro.

A seguir, mostramos um pouco sobre como é o braço financeiro de cada uma dessas empresas. Veja:

Magalu

O MagaluPay é o braço financeiro da Magalu, que oferece uma solução de serviços financeiros integrada ao ecossistema da rede varejista.

A plataforma oferece serviços como CDC Digital integrado ao checkout, conta digital para os sellers, antecipação de recebíveis, entre outros produtos financeiros.

Desde meados de 2020 o MagaluPay atua como instituição de pagamentos, integrando produtos como crediário digital, venda de seguros e o cartão Magalu.

Toda essa atuação ajudou a ampliar a sua base para mais de 10 milhões de clientes ativos. Atualmente, o MagaluPay é uma peça chave no ecossistema de negócios da varejista, contribuindo com o aumento da margem e novas receitas oriundas dos produtos financeiros e crédito, que corresponde a mais de 20% do faturamento total da Magalu.

A empresa vem investindo fortemente em Embedded Finance, fidelização por meio de soluções digitais e iniciativas como o CDC digital.

Esses fatores têm posicionado a Magalu como uma varejista que pensa e age como banco.

Case Magalu

 

C&A

O C&A Pay é o braço financeiro desenvolvido pela C&A, e que oferece aos clientes um cartão de crédito virtual para compras nas lojas físicas, site e aplicativo da marca.

Esse serviço financeiro digital foi lançado em 2021, e atualmente, é operado pela C&A Pay Sociedade de Crédito Direto S.A., uma fintech autorizada pelo BC.

O C&A Pay foi responsável por 24,3% do total de vendas da C&A no 4T24. Isso significa, que a cada R$ 100 vendidos, R$ 24 foram por meio do Cartão C&A, o cartão private label da marca. Além disso, o C&A Pay emitiu 7 milhões de cartões digitais.

No total acumulado, as receitas oriundas dos serviços financeiros, como juros cobrados no cartão de loja, somaram R$ 441 milhões em 2024, representando cerca de 5,8% da receita total da companhia. Foi um salto de 23,7% no comparativo a 2023.

Além de ampliar o ticket médio das vendas, o crédito também fideliza e impulsiona resultados.

Essa estratégia da C&A reitera como o varejo consegue se beneficiar quando realiza operações de crédito próprias dentro do seu ecossistema.

Riachuelo

A Riachuelo também possui o seu próprio braço financeiro: é a Midway, instituição financeira do Grupo Guararapes, controlador da Riachuelo.

A Midway foi criada em 2008, e oferece uma plataforma completa de serviços financeiros integrados ao varejo, com foco principal em soluções digitais.

Entre essas soluções, é possível destacar a conta digital gratuita, cartões de crédito, empréstimos pessoais, seguros e assistência, entre outras operações.

No ano de 2019, a Midway iniciou a sua transformação em banco digital, adotando uma infraestrutura 100% em nuvem. Posteriormente, em 2021, a instituição de pagamento lançou a sua conta digital, que alcançou 1 milhão de aberturas nos primeiros cinco meses de operação.

Atualmente, a Midway é a maior emissora de cartões private label do Brasil e uma das principais emissoras de cartões co-branded no país, contando com mais de 31 milhões de clientes.

Em 2024, a Riachuelo teve um faturamento de R$ 9,63 bilhões, dos quais, 23,9% vieram das receitas financeiras. A Midway foi responsável por 73% do lucro total da varejista no ano.

Lojas Renner

A Realize Soluções Financeiras é o braço financeiro do grupo Renner. Essa instituição financeira foi criada para oferecer soluções financeiras integradas ao ecossistema da empresa.

Fundada em 2017, a Realize Soluções Financeiras atua como uma companhia de crédito, financiamento e investimento autorizada pelo BC.

Entre as soluções oferecidas pela companhia de crédito, estão o Cartão Renner, o Meu Cartão, empréstimo pessoal e seguros.

As Lojas Renner fecharam o ano de 2024 com R$ 14,43 bilhões em faturamento. Nos últimos 5 anos, o crescimento acumulado foi de 91,6%, um dos maiores entre as grandes varejistas brasileiras.

A Realize Soluções Financeiras representou 1,3% desse faturamento. Apesar disso, ela tem ajudado a diversificar as fontes de receita da operação.

Isso ocorre por meio do Cartão Renner e do Meu Cartão, que contém uma base de clientes sólida, e ajudam a aumentar o ticket médio e melhorar a experiência de compra. Essa estratégia é uma ótima forma de gerar recorrência e fidelização.

Casas Bahia

Por sua vez, o banQi é uma instituição de pagamento controlada pela Casas Bahia, e voltada para oferecer serviços financeiros acessíveis e práticos.

O braço financeiro da Casas Bahia oferece diversas soluções de pagamentos, como conta digital gratuita, cartão pré-pago, empréstimo pessoal, pagamento de boletos, entre outras.

Em 2024, a carteira ativa de crediário atingiu R$ 6,2 bilhões, com crescimento de 15% no comparativo a 2023. A inadimplência acima dos 90 dias caiu para 8%, com uma melhora de 1,4 ponto porcentual.

O EBITDA ajustado do 4T24 foi de R$ 640 milhões, quadruplicando em relação ao mesmo período de 2023. A margem EBITDA ajustada atingiu 8%, refletindo ganhos de eficiência operacional.

Além disso, o Grupo Casas Bahia também deu início à sua operação de FIDC, com capital inicial de R$ 300 milhões, buscando otimizar o financiamento do crediário.

Carrefour

Por fim, o Banco Carrefour é o braço financeiro do Grupo Carrefour Brasil, e atua como um banco múltiplo autorizado pelo BC desde 2020.

A instituição financeira oferece soluções de crédito acessíveis e inovadoras, integradas ao ecossistema de varejo do grupo, que inclui as marcas Carrefour, Atacadão e Sam’s Club.

Entre as soluções oferecidas pelo Banco Carrefour, estão cartões de crédito, empréstimos pessoais, seguros e conta digital.

Em 2024, o Banco Carrefour alcançou um lucro líquido de R$ 380 milhões, com aumento de 19% em comparação ao ano de 2023. O faturamento financeiro da instituição totalizou R$ 68,8 bilhões, com crescimento de 14,4%.

Todos esses resultados financeiros apresentados por cada uma dessas redes varejistas reitera aquilo que sempre falamos: quando o varejo bancariza suas operações de crédito, ele estará impulsionando o seu ecossistema. E o melhor caminho para isso, é ter um braço financeiro próprio.

Por que seu varejo deve ter um braço financeiro?

Se mesmo após apresentarmos esses insights, você ainda assim tiver dúvidas se deve ou não ter um braço financeiro em seu varejo, não pule a leitura deste tópico.

A seguir, listamos 5 razões pelas quais você deve considerar investir nessa solução em seu negócio. Veja:

Aumenta o ticket médio e a recorrência nas vendas

A partir do momento em que monta um braço financeiro próprio, o varejista consegue realizar a oferta de crédito de forma direta ao cliente.

E isso pode ocorrer de diversas maneiras, via crediário próprio, cartão private label ou limites dentro do aplicativo da loja.

Todas essas estratégias ajudam a estimular o consumidor a realizar compras com maior valor, pois ele passa a ter acesso facilitado a meios de pagamento flexíveis.

Além disso, os clientes que possuem acesso a crédito próprio tendem a comprar com mais recorrência, aumentando a taxa de recompra e reduzindo o custo de aquisição de novos consumidores.

O crédito também pode ser utilizado como uma alavanca promocional pelo varejista, que poderá oferecer condições personalizadas para quem utiliza os serviços financeiros “da casa”.

A soma desse conjunto de benefícios fideliza o cliente, pois conecta o consumo à experiência financeira e amplia o valor percebido da marca.

Afinal, ao invés de ser somente um local para o compra, o varejo consegue se tornar um parceiro financeiro na jornada de consumo dos clientes.

Gera uma nova fonte de receita

Além dos produtos financeiros, o varejista que mantém um braço financeiro também consegue gerar uma nova fonte de receita por meio dos juros, taxas de parcelamento, seguros e produtos financeiros. 

Como essas novas fontes de receita não dependem da venda direta dos produtos físicos, essa estratégia é uma ótima forma de aumentar as margens apertadas no varejo tradicional.

Diferentemente do que ocorre com a margem sobre o estoque, normalmente impactada por promoções e sazonalidade, a receita oriunda dos serviços financeiros costuma ser mais estável e previsível.

Mas, não é só isso. Os modelos de escalabilidade via carteira de crédito própria, FIDC ou Securitizadora também ajudam a ampliar o potencial de rentabilidade com menor dependência do estoque rotativo.

Desse modo, o varejista consegue construir uma base sólida de receitas recorrentes, que contribuem diretamente para a sustentabilidade do negócio no longo prazo.

Mais eficiência tributária

O braço financeiro próprio também traz impactos positivos diretos sobre o fluxo de caixa do varejista.

Por meio de um veículo de securitização, é possível antecipar recebíveis de maneira mais eficiente, com menos intermediação e taxas mais competitivas do que as oferecidas pelos bancos tradicionais.

Essa eficiência tributária ocorre porque, ao operar com uma Securitizadora, por exemplo, o varejista pode acessar alíquotas diferenciadas e benefícios fiscais que não estariam disponíveis na estrutura tradicional de venda de produtos e bens de consumo.

A CVM 60 trouxe mais clareza sobre a tributação de PIS e COFINS, descartando as inseguranças jurídicas que esse veículo de securitização tinha.

Neste modelo proposto pela CVM, a Securitizadora não irá gerar lucro. Como ela não terá impostos incidentes na sua receita de juros, a única tributação existente é a do investidor sobre seu ganho de capital no resgate.

Assim, a Securitizadora acompanha a tabela regressiva de renda fixa, podendo chegar à alíquota mínima de 15%, seguindo exatamente a mesma tributação aplicada a um FIDC.

Os rendimentos dos FIDCs e das Securitizadoras são tributados como aplicações de renda fixa, com o Imposto de Renda (IR) sendo retido diretamente na fonte, variando de acordo com o período total de aplicação dos recursos no fundo. Desse modo, o varejista consegue ter maior controle sobre a apuração de tributos e geração de crédito fiscal.

Ou seja, o braço financeiro não ajuda apenas a melhorar a performance das operações de crédito. Ele também cria oportunidades para uma gestão tributária mais eficiente e estratégica, o que é fundamental para aumentar a margem de lucro líquida.

Diferenças entre FIDC e Securitizadora
 

Aprofunda o relacionamento com o cliente

A oferta de crédito é uma das formas mais eficazes do varejista criar vínculo e confiança com o consumidor.

Afinal, um cliente que utiliza um crediário loja tende a retornar à loja mais vezes, consultar o aplicativo ou site e acessar ofertas personalizadas.

Assim, além de acompanhar o comportamento de compra e personalizar ofertas, o varejista também incentiva o uso dos seus canais próprios com mais frequência. Toda essa recorrência ajuda a aprofundar a relação e fortalecer a fidelidade do cliente à marca.

Além disso, o braço financeiro também gera dados valiosos ao varejista, pois o comportamento de crédito ajuda a revelar tendências e padrões de compra, níveis de risco e preferências.

Essa gama de dados e informações podem ser utilizadas como estratégias de marketing para personalizar campanhas, ajustar ofertas e desenvolver novos produtos.

Todas essas informações da operação financeira ajudam a tornar o CRM mais robusto, com dados financeiros integrados à jornada de consumo.

Por fim, a oferta de crédito ajuda a criar barreiras de saída. Afinal, ao se acostumar com os benefícios do ecossistema do varejista, o cliente tem menos propensão em migrar para a concorrência.

Braço financeiro como diferencial competitivo

Ademais, é sempre importante ressaltarmos o diferencial competitivo que a oferta de crédito traz ao varejista.

Graças ao braço financeiro, o varejo deixa de ser somente um ponto de venda para se transformar em plataforma completa de soluções financeiras.

Isso permite o lançamento de outros produtos financeiros, como seguros, contas digitais, empréstimos e até mesmo, serviços de investimento.

Toda essa movimentação possibilitada pela bancarização empresarial posiciona o varejo no mesmo nível de inovação dos marketplaces e bancos digitais, com o diferencial competitivo de já possuir uma base de clientes ativa e recorrente.

Essa estratégia ajuda a atrair novos públicos, inclusive os desbancarizados e subatendidos, que enxergam nesses produtos uma solução mais acessível para suprir suas demandas financeiras.

Além do mais, a concessão de crédito alinha o varejo às principais tendências do setor, como é o caso do Embedded Finance e Embedded Lending.

Ou seja, a adoção dessas novas estratégias é crucial para posicionar o varejo no centro da economia, onde o futuro do varejo é o crédito.

A GIRO.TECH ajuda seu varejo a criar o próprio braço financeiro!

Conforme você observou ao longo da leitura, a concessão de crédito é uma realidade cada vez mais consolidada no varejo brasileiro.

Afinal, o jogo mudou. E o futuro do varejo passa diretamente pelo crédito. Apesar dessa virada de chave não ser fácil, ela é extremamente necessária, pois a cada dia que passa, vai ficar ainda mais difícil de começar.

O varejista que entender isso agora conseguirá desenvolver uma operação que seja, de fato, lucrativa, escalável e altamente preparada para os desafios deste setor tão efêmero.

Além de não ser fácil, o processo de construção de um braço financeiro próprio também é complexo e burocrático.

Contudo, com a ajuda de parceiros especializados em infraestrutura de crédito e tecnologia, o Retail Banking pode ser uma realidade para os varejistas de qualquer porte ou segmento.

É por isso que a GIRO.TECH existe, e estamos aqui para ajudar seu varejo a dar esse próximo passo estratégico!

Seu varejo com margem de banco!

A nossa missão é tornar o mercado de crédito mais acessível para todos. Para isso, nós fornecemos a tecnologia para crédito que simplesmente funciona, permitindo que os varejistas criem suas próprias operações de crédito e entreguem uma experiência fluida e sem atritos para o cliente final.

Para o processo da bancarização, nós utilizamos o apoio do GT Banker. Ele é um sistema 100% próprio, que consegue automatizar todos os fluxos de integração.

Nós habilitamos seu varejo como nosso corban, e por meio das APIs, você consegue estabelecer contratos de crédito com seus próprios clientes.

Todo o trabalho regulatório fica com a GIRO.TECH, que ficará responsável por estruturar seu braço financeiro, para que você possa conceder crédito com capital próprio.

Além disso, nós ajudamos na montagem do seu veículo de securitização, seja ele uma Securitizadora ou FIDC, para que seu negócio tenha o melhor enquadramento tributário possível.

Assim, seu varejo poderá ter margem de banco em suas operações de crédito e conseguirá aproveitar todas as vantagens que a bancarização e securitização oferecem.

Estrutura de Securitização Giro.Tech

 

Conclusão

Por fim, ao concluir a leitura deste artigo, você conseguiu compreender melhor como o braço financeiro deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade no contexto atual do varejo.

Essa estrutura deixou de ser exclusividade das grandes redes varejistas, e passou a ser uma estratégia viável, escalável e extremamente lucrativa para varejos de todos os portes e segmentos.

Afinal, mais do que apenas facilitar o parcelamento ou oferecer um cartão próprio, essa estrutura possibilita que o varejo transforme o crédito em um motor de crescimento.

Consequentemente, é possível impulsionar o ticket médio, fidelizar clientes, criar novas fontes de receita e ampliar o controle sobre toda a jornada de consumo dentro do ecossistema.

Em um setor cada vez mais competitivo, ter um braço financeiro é o que distingue quem somente vende produtos de quem efetivamente constrói um ecossistema completo de relacionamento e valor com o cliente.

Por meio das ferramentas certas, qualquer varejista pode acessar margens mais altas, gerar eficiência tributária e reduzir a dependência dos bancos tradicionais.

É para isso que a GIRO.TECH existe. E nós estamos prontos para transformar o seu crédito em resultado e impulsionar os resultados do seu negócio!

Nós somos uma plataforma de CaaS, e oferecemos a infraestrutura regulatória e a tecnologia para crédito que simplesmente funciona para que seu varejo tenha margem de banco nas operações de crédito.

Ficou interessado e quer saber como podemos ajudar seu negócio? Entre em contato, agende uma reunião com nossos especialistas, e descubra como é possível bancarizar seu varejo sem perder a simplicidade e os cabelos!

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