SCD: como funciona e quando vale a pena abrir uma

Conheça melhor o que é uma SCD e entenda como ela pode ajudar a bancarizar as operações de crédito em sua empresa!

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O que é SCD? Se você tem considerado fortalecer suas operações de crédito e criar novas fontes de receita, provavelmente já se deparou com essa sigla.

A Sociedade de Crédito Direto é uma instituição financeira autorizada pelo Banco Central (BC) que permite que as empresas concedam crédito utilizando capital próprio, sem a necessidade de atuar como um banco tradicional.

Esse modelo passou a ganhar cada vez mais espaço entre empresas que desejam:

  • Criar um braço financeiro próprio;

  • Aumentar a autonomia sobre as operações de crédito;

  • Reduzir a dependência de instituições financeiras terceiras.

Não por acaso, o número de Sociedades de Crédito Direto também cresceu significativamente no Brasil.

Em 2019, eram 3 SCDs autorizadas pelo BC a operar. Atualmente, há cerca de 140 instituições com autorização de funcionamento nesta categoria, segundo dados do BC.

Mas esse crescimento também levanta uma dúvida importante: quando realmente vale a pena abrir uma SCD?

Embora esse modelo permite estruturar operações de crédito de forma regulada, ele também possui limitações relevantes.

Uma SCD não pode captar depósitos do público nem emprestar recursos de terceiros, além de estar sujeita às exigências regulatórias estabelecidas pela Resolução Conjunta nº 16/2025.

Naturalmente, isso influencia na forma como uma operação deve ser estruturada.

Portanto, antes de decidir por abrir essa instituição financeira, é fundamental compreender quais atividades ela pode exercer, quais são suas restrições e em quais cenários esse modelo realmente faz sentido.

É sobre isso que falaremos neste guia completo sobre SCD. Siga a leitura conosco e descubra quando vale a pena montar essa estrutura e por que muitas empresas combinam uma Sociedade de Crédito Direto com uma Securitizadora para construir operações de crédito mais robustas e eficientes!

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Sumário

O que é uma SCD?

Primeiramente, antes de entrarmos nos detalhes mais práticos, vamos responder à pergunta central desse artigo: afinal, o que é uma SCD?

A Sociedade de Crédito Direto é uma instituição financeira autorizada pelo Banco Central (BC) e regulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), criada para conceder operações de crédito utilizando exclusivamente capital próprio.

O CMN instituiu esse modelo por meio da Resolução nº 4.656/2018. Na época, a norma estabeleceu um novo marco regulatório para empresas interessadas em atuar no mercado de crédito de forma mais moderna e alinhada às transformações do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Em suma, a principal função de uma SCD é conceder empréstimos, financiamentos e outras operações de crédito diretamente aos seus clientes, sem a necessidade de intermediação de um banco tradicional.

Além disso, essa instituição financeira também pode emitir Cédulas de Crédito Bancário (CCBs).

Esse documento formaliza juridicamente a operação de crédito e representa um dos principais instrumentos utilizados nesse mercado.

A CCB permite que as empresas não financeiras estruturem operações de crédito de forma organizada, padronizada e em conformidade com as exigências regulatórias do BC.

Entretanto, é importante destacar que uma SCD não funciona como um banco comercial.

Embora seja uma instituição financeira, ela possui um escopo de atuação específico e está sujeita a uma série de limitações regulatórias. Entre elas, destacam-se:

  • A impossibilidade de captar depósitos do público;
  • E a obrigação de conceder crédito utilizando apenas recursos próprios.

Essas características fazem com que a Sociedade de Crédito Direto seja especialmente indicada para empresas que desejam estruturar uma operação de crédito própria.

Afinal, essa instituição financeira permite um maior controle sobre a concessão de financiamentos, oferecendo uma infraestrutura financeira alinhada às necessidades do negócio.

Como funciona uma SCD?

Agora que você já entendeu melhor o que é uma SCD, fica mais fácil de compreender como essa estrutura funciona na prática.

Em síntese, a Sociedade de Crédito Direto atua como uma instituição financeira autorizada pelo BC para conceder operações de crédito utilizando exclusivamente capital próprio.

Essa modalidade foi criada justamente para que empresas que desejam operar crédito em ambiente digital possam obter a licença necessária, tornando-se uma das principais opções adotadas pelas fintechs de crédito no Brasil.

Para tal, elas precisam atender os requisitos que se aplicam às fintechs (Resoluções 4.656, 4.657 e 4.970 do Conselho Monetário Nacional).

Porém, no que tange ao seu funcionamento, sempre que uma empresa optar por financiar seus clientes por meio de uma SCD, obrigatoriamente os recursos utilizados nas operações devem pertencer à própria instituição.

Ou seja, diferentemente de um banco comercial, ela não pode captar depósitos do público para emprestar esse dinheiro posteriormente.

Por conta dessa particularidade, a Sociedade de Crédito Direto possui uma estrutura regulatória mais simples quando comparada a outras licenças do SFN, justamente porque ela não administra recursos de terceiros.

Na prática, o funcionamento de uma SCD pode ser resumido em quatro etapas:

  1. A empresa origina uma operação de crédito junto ao cliente;
  2. A operação é formalizada por meio da documentação adequada, como a emissão de uma CCB Bancária, quando aplicável;
  3. A SCD realiza a concessão do crédito utilizando recursos próprios;
  4. A operação passa a ser acompanhada até sua liquidação, incluindo a gestão dos pagamentos e da carteira de crédito.

Embora esse fluxo pareça simples, ele exige uma infraestrutura tecnológica e regulatória que seja capaz de suportar toda a operação, desde a análise de crédito até a formalização das operações e o acompanhamento da carteira.

Os dois principais modelos de atuação de uma SCD

Além disso, outro ponto importante é que uma SCD pode ser utilizada em diferentes modelos de negócio, como ressalta Ronaldo Oliveira, CEO da GIRO.TECH:

“A gente tem as SCDs, de fato, que são empresas que nasceram para conceder crédito com seu próprio capital. Muitas vezes a empresa cria uma SCD, mas também cria um veículo de securitização. São duas estruturas que andam lado a lado. Essa empresa, de fato, está atuando no mercado de crédito.” Ronaldo Oliveira, CEO GIRO.TECH.

Na prática, isso significa que uma empresa pode utilizar uma SCD para operar sua própria carteira de crédito ou incorporá-la a uma estrutura financeira mais ampla, na qual a concessão de crédito é integrada a outros mecanismos de financiamento, como a securitização de recebíveis.

É justamente esse segundo modelo que vem sendo adotado por muitos varejistas e empresas que desejam bancarizar sua operação sem abrir mão de uma estrutura escalável.

Mais adiante, veremos por que a combinação entre uma Sociedade de Crédito Direto e uma Companhia Securitizadora se tornou uma das arquiteturas mais utilizadas dentro do mercado de crédito.

Quando faz sentido abrir uma SCD?

Embora a Sociedade de Crédito Direto seja uma das principais licenças para empresas que desejam atuar no mercado de crédito, ela não atende a todos os momentos do negócio.

De modo geral, a abertura de uma SCD faz sentido quando a empresa já validou sua estratégia de crédito e deseja assumir maior autonomia sobre sua operação financeira.

Assim, ela deixa de depender exclusivamente de instituições terceiras para oferecer soluções financeiras aos seus clientes.

Esse costuma ser o próximo passo para varejistas, indústrias, marketplaces e fintechs que enxergam o crédito não apenas como uma forma de aumentar as vendas, mas sim, como uma unidade estratégica capaz de gerar novas receitas e fortalecer o relacionamento com seus clientes.

Quando uma empresa estrutura uma Sociedade de Crédito Direto, ela passa a ter maior controle sobre toda a jornada financeira.

Isso envolve desde a análise de crédito até a definição das políticas comerciais, permitindo o desenvolvimento de produtos personalizados para seu próprio ecossistema.

No contexto do varejo, as empresas costumam escolher essa estrutura quando desejam:

  • Oferecer Crédito Direto ao Consumidor;
  • Controlar toda a jornada financeira;
  • Monetizar o risco da operação;
  • Criar produtos financeiros personalizados, como CDC Digital, empréstimo pessoal e cartões private label.

“Então hoje esse modelo de originação e distribuição de crédito é utilizado para fazer o CDC na loja. O cliente vai comprar na loja, você pode vender parcelado, vai vender pelo valor à vista e vai financiar via uma CCB. A mesma coisa pode ser feita para empréstimo pessoal. Você pode fazer a emissão de um cartão private label e também um cartão bandeirado.” Ronaldo Oliveira, CEO GIRO.TECH.

Por outro lado, abrir uma Sociedade de Crédito Direto também significa assumir responsabilidades regulatórias, operacionais e de governança mais robustas.

Dessa forma, essa licença costuma ser recomendada para empresas que já atingiram um determinado nível de maturidade em suas operações de crédito e pretendem ampliar sua autonomia dentro do SFN.

O que uma SCD pode fazer?

Se você é entusiasta do mercado de crédito ou pretende se tornar um novo player, provavelmente já percebeu que existem diferentes tipos de instituições financeiras, cada uma com um conjunto específico de atribuições.

Enquanto algumas possuem um escopo de atuação mais amplo, como é o caso da Sociedade de Crédito Financiamento e Investimento, outras são especializadas em determinadas atividades. É exatamente o que acontece com a Sociedade de Crédito Direto.

Por ser uma instituição financeira voltada à concessão de crédito, a SCD possui um conjunto de atividades autorizadas pelo BC que, embora seja mais específico do que o de outras instituições, atende às principais necessidades de empresas que desejam estruturar uma operação de crédito própria.

Entre as principais atividades que uma SCD pode realizar, destacam-se:

  • Estruturar operações de crédito;
  • Realizar análise de crédito para terceiros;
  • Prestar serviços de cobrança para terceiros;
  • Compartilhar informações, em ambiente digital e seguro, relacionadas às suas próprias operações de crédito;
  • Emitir instrumentos de pagamento pós-pago, como cartão de crédito;
  • Emitir moeda eletrônica;
  • Atuar como iniciadora de transação de pagamento (ITP).

Apesar de todas essas atividades serem relevantes, algumas delas possuem papel central para empresas que desejam originar e distribuir crédito e produtos financeiros. A seguir, explicamos as principais:

Estruturar operações de crédito

Quando uma empresa, seja da indústria, do agronegócio, do varejo ou de qualquer outro segmento, decide financiar seu próprio ecossistema utilizando capital próprio, naturalmente ela busca estruturar operações de crédito que estejam alinhadas à estratégia do seu negócio.

Nesse contexto, é comum que organizações interessadas na bancarização empresarial enxerguem a Sociedade de Crédito Direto como uma alternativa para trazer suas operações financeiras “para dentro de casa”.

E isso faz todo sentido, afinal, a SCD permite que a empresa conceda empréstimos e financiamentos diretamente à sua base de clientes, sem depender da intermediação de um banco tradicional.

Na prática, a empresa realiza normalmente a venda dos seus produtos ou serviços, enquanto a Sociedade de Crédito Direto disponibiliza os recursos necessários para financiar aquela operação.

Posteriormente, o cliente devolve esse valor em parcelas acrescidas de juros.

Com esse modelo, além de receber pela venda realizada, a empresa também passa a capturar parte da receita proveniente dos juros da operação de crédito, criando uma nova fonte de rentabilidade para o negócio.

Esse é, inclusive, um dos principais motivos que levam tantas empresas a criar seu próprio braço financeiro.

Contudo, as possibilidades não param por aí.

Além de conceder crédito, a Sociedade de Crédito Direto também pode comprar e vender determinados direitos creditórios decorrentes das próprias operações, como notas promissórias do credor de origem.

Dessa forma, quando o devedor realiza o pagamento, o valor é recebido pela SCD.

Da mesma forma, esses títulos também podem ser negociados com outro credor, transferindo a ele o direito de receber os pagamentos futuros.

Emitir instrumentos de pagamento pós-pago

Outra atividade importante autorizada para uma Sociedade de Crédito Direto é a emissão de instrumentos de pagamento pós-pago, como o cartão de crédito.

Essa é uma das aplicações mais relevantes dessa licença, principalmente para empresas que desejam fortalecer seu relacionamento com os clientes e ampliar as possibilidades de financiamento dentro do próprio ecossistema.

De acordo com dados disponibilizados pelo BC, os meios eletrônicos movimentaram aproximadamente R$ 4,34 trilhões em 2025.

Segundo o Varejo Finance Report 2026, estudo realizado pela GIRO.TECH e que analisa como grandes varejistas utilizam produtos financeiros para impulsionar suas operações, o cartão de crédito respondeu por cerca de 35% a 45% do consumo, sendo que aproximadamente 40% a 50% das vendas totais passaram pelo parcelamento. 

Esses números ajudam a explicar porque o cartão de crédito continua sendo um pilar central da jornada de compra no país.

Afinal, grande parte do volume transacionado pelo Pix em 2025 (4,34 trilhões) esteve concentrado em transferências entre pessoas (P2P) e outras naturezas não diretamente ligadas ao consumo no varejo.

Ao isolar o Pix voltado ao varejo (P2B), os números revelam que o cartão de crédito permanece como principal instrumento de financiamento do consumo, especialmente para compras de maior valor e parceladas:

Qual foi a participação dos Meios de Pagamento em 2025?

Graças ao cartão de crédito, os consumidores conseguem parcelar compras e postergar pagamentos, enquanto as empresas passam a oferecer melhores condições de pagamento aos clientes.

“O cartão de crédito construiu sua posição dominante no consumo exatamente sobre essa base (parcelamento). E nenhum outro instrumento conseguiu, até hoje, replicar isso em escala”. Edson Santos, Co-Fundador da Colink.

Por esse motivo, a emissão de cartões representa uma das principais aplicações práticas de uma Sociedade de Crédito Direto.

Através dela, varejistas, indústrias e outros segmentos conseguem oferecer soluções financeiras mais alinhadas ao perfil dos seus clientes.

Emitir moeda eletrônica

Além das operações de crédito e da emissão de instrumentos pós-pagos, a Sociedade de Crédito Direto também pode emitir moeda eletrônica.

Esse é um tema que costuma gerar dúvidas, principalmente porque muitas pessoas associam o termo às criptomoedas.

Na realidade, a moeda eletrônica prevista na regulamentação do Banco Central não possui relação com ativos digitais como Bitcoin ou Ethereum.

Na realidade, ela está ligada aos instrumentos de pagamento pré-pagos, nos quais o usuário realiza previamente um depósito para utilizar aquele saldo posteriormente.

Um exemplo bastante conhecido são os cartões de benefícios, como Vale-Refeição (VR) e Vale-Alimentação (VA).

Nesse modelo, o valor é depositado antecipadamente e passa a ficar disponível para utilização pelo cliente conforme as regras estabelecidas para aquele instrumento de pagamento.

Embora funcione de maneira diferente das operações tradicionais de crédito, a emissão de moeda eletrônica amplia as possibilidades de atuação da SCD e permite que empresas ofereçam soluções financeiras ainda mais completas aos seus clientes.

Como o varejo pode criar seu próprio banco?

Uma SCD pode oferecer serviços de pagamento?

Conforme vimos no tópico acima, a Sociedade de Crédito Direto possui um conjunto de atividades que é bem definido pelo Banco Central.

Ainda assim, uma dúvida bastante comum entre empresas que estudam esse modelo é se uma SCD também pode oferecer serviços de pagamento.

A resposta simples e direta é SIM.

Além das operações de crédito, da emissão de instrumentos pós-pagos, da emissão de moeda eletrônica e das demais atividades previstas em sua regulamentação, a Sociedade de Crédito Direto também pode prestar outros serviços autorizados pelo BC e pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP).

Entre essas possibilidades está, por exemplo, a atuação como intermediária na comercialização de seguros vinculados às próprias operações de crédito, utilizando plataformas digitais.

Ademais, a SCD também pode realizar serviços de análise de crédito e cobrança para terceiros, o que amplia ainda mais sua atuação dentro do ecossistema financeiro.

Porém, é importante destacar que o fato de oferecer determinados serviços de pagamento não transforma uma Sociedade de Crédito Direto automaticamente em uma Instituição de Pagamento (IP).

Afinal, cada modelo possui objetivos, atribuições e limitações regulatórias próprias, embora existam atividades que possam coexistir dentro da mesma estrutura regulatória.

Em muitas dessas operações, a emissão de CCB continua sendo o instrumento responsável por formalizar juridicamente a operação de crédito, garantindo segurança para todas as partes envolvidas.

O que uma SCD não pode fazer? 

Embora a Sociedade de Crédito Direto ofereça uma série de possibilidades para empresas que desejam estruturar operações de crédito, ela também possui algumas limitações importantes definidas pelo BC.

Aqui, é importante ressaltar, que essas restrições não existem por acaso.

Na prática, elas fazem parte da própria proposta da SCD: oferecer uma licença regulatória mais simples do que outras instituições financeiras, justamente porque ela não administra recursos de terceiros.

Em outras palavras, como a Sociedade de Crédito Direto assume menos riscos para o SFN, ela também possui um escopo de atuação mais específico.

Entre as principais limitações de uma SCD estão:

  • Captar depósitos do público;
  • Emprestar dinheiro de terceiros;
  • Operar como banco múltiplo;
  • Captar recursos como um banco comercial.

A seguir, explicamos melhor cada uma dessas restrições. Veja:

Captar depósitos do público

A principal limitação de uma Sociedade de Crédito Direto é que ela não pode captar depósitos do público, como ocorre com bancos comerciais.

Isso significa que uma SCD não pode receber dinheiro de correntistas e investidores para utilizar esses recursos na concessão de crédito.

Ou seja, todo o capital utilizado nas operações de crédito deve pertencer à própria instituição, sendo integralizado pelos seus sócios ou acionistas.

É justamente essa característica que diferencia a SCD de modelos mais robustos, como a Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI), que possui mecanismos regulatórios para ampliar sua capacidade de financiamento.

Emprestar dinheiro de terceiros

Como consequência da restrição anterior, uma Sociedade de Crédito Direto também não pode emprestar recursos pertencentes a terceiros.

Em outras palavras, todas as operações precisam ser financiadas exclusivamente com capital próprio.

Essa é, inclusive, a principal razão pela qual a SCD possui uma regulamentação mais leve do que a SCFI, por exemplo.

E a razão para isso é simples: como ela não administra recursos captados no mercado, o risco sistêmico para o BC é menor.

Consequentemente, o órgão regulador permite que empresas tenham acesso a uma licença mais simples para atuar no mercado de crédito.

“Tem muitas empresas que se tornaram bancos que acabaram abrindo uma SCFI, que possui uma regulação bem mais pesada, especialmente após a Nova Regulação de BaaS. A SCD veio para trazer uma camada intermediária, por meio de uma licença um pouco mais leve, que não pode tudo que uma SCFI de fato pode fazer, mas que ajudou a trazer essa revolução, com novos players entrando no mercado”. Ronaldo Oliveira, CEO GIRO.TECH.

Contudo, conforme a carteira de crédito cresce, também aumenta a necessidade de capital próprio disponível para financiar as operações.

Para contornar essa situação, as empresas podem tomar dois caminhos. O primeiro deles é migrar de uma SCD para uma SCFI.

Foi o que fez recentemente a 99Pay, que agora pode ampliar as formas de captação de recursos para financiar suas operações de crédito.

Com isso, a fintech da 99 poderá emitir títulos de crédito, como por exemplo, as Letras de Câmbio. Isso amplia suas fontes de funding e reduz a dependência de capital próprio para financiar sua carteira de crédito.

O outro caminho é combinar uma Sociedade de Crédito Direto com uma Securitizadora, criando uma estrutura capaz de financiar o crescimento da carteira sem que a SCD deixe de cumprir sua função regulatória. Esse modelo será explicado mais adiante neste guia.

Operar como banco múltiplo

Outra limitação importante é que uma Sociedade de Crédito Direto não pode atuar como um banco múltiplo.

Embora a licença permita oferecer diversos serviços financeiros, como concessão de crédito, emissão de instrumentos de pagamento pós-pagos, emissão de moeda eletrônica e participação em sistemas de pagamento, como o Sistema de Pagamentos Instantâneos (Pix) e o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), ainda sim, ela não reúne todas as atribuições disponíveis para um banco tradicional.

Por conta disso, as empresas que desejam oferecer um portfólio mais amplo de produtos financeiros normalmente precisam combinar diferentes licenças regulatórias ou, dependendo da estratégia, evoluir para estruturas mais robustas, como é o caso da SCFI.

A nova regulamentação do BaaS reforçou essa diferenciação

Nos últimos anos, o mercado de Banking as a Service (BaaS) evoluiu rapidamente, permitindo que empresas oferecessem contas digitais, cartões, Pix Parcelado e outros serviços financeiros por meio de parceiros regulados.

Para acompanhar essa evolução, o Banco Central publicou, em novembro de 2025, a Resolução Conjunta nº 16/2025, que estabeleceu regras mais claras para esse modelo de atuação.

Entre os principais objetivos da Nova Regulação de BaaS está a definição das responsabilidades de cada participante da operação.

Isso reforça a separação entre quem fornece infraestrutura tecnológica (prestador de BaaS) e quem, de fato, responde pela atividade financeira perante o regulador (tomador de BaaS).

Na prática, essa regulamentação reforçou um conceito importante: não existe uma única licença capaz de oferecer todos os serviços financeiros.

Apesar da SCD poder exercer diversas atividades previstas em sua regulamentação, ela continua limitada ao escopo definido pelo BC.

Ou seja, caso a empresa opte por oferecer uma estrutura financeira mais ampla, será necessário combinar diferentes licenças ou instituições dentro da arquitetura da operação.

Porém, isso também implica em diversas outras obrigações, como ressalta Giancarllo Melito, Advogado do Barcellos Tucunduva:

“A Nova Regulação de BaaS reforça um princípio básico: quem concede crédito deve ser uma instituição financeira autorizada pelo Banco Central. Operações mais complexas, que envolvem crédito estruturado, custódia de recursos, múltiplos produtos financeiros ou maior exposição a risco, exigem volumes muito maiores de capital social e patrimônio líquido. Além disso, não basta aportar o capital: ele precisa ser mantido de forma permanente, o que afeta diretamente o planejamento financeiro da empresa”. Giancarllo Melito, Advogado Barcellos Tucunduva.

Esse movimento acompanha a própria evolução da bancarização empresarial. Para os varejistas, essa mudança reforça a necessidade de avaliar com cuidado se faz sentido assumir esse nível de compromisso regulatório ou se é mais estratégico operar em parceria com instituições já autorizadas e capitalizadas.

Como alternativa, em vez de buscar uma licença “completa”, essas empresas podem estruturar seus braços financeiros combinando modelos como SCD, IP, SCFI e Companhia Securitizadora ou FIDC, conforme seus objetivos e com o estágio de maturidade da operação.

Como funciona a Nova Regulação de BaaS?

Captar recursos como um banco comercial

Por fim, também é importante entender que uma Sociedade de Crédito Direto não possui o mesmo modelo de negócios de um banco comercial.

Os bancos tradicionais financiam grande parte das suas operações captando recursos no mercado para, posteriormente, emprestá-los aos seus clientes.

Por outro lado, a Sociedade de Crédito Direto foi criada para operar exclusivamente com recursos próprios. Segundo Ronaldo Oliveira, CEO da GIRO.TECH:

“O fato dela não poder captar dinheiro no mercado torna ela uma instituição financeira mais leve. A SCD acaba virando um player intermediário, que formaliza um contrato de crédito e pode vender esse contrato para um veículo de securitização, onde de fato estará o capital que financia a operação.” 

É justamente por essa razão que muitas operações modernas utilizam a SCD em conjunto com um FIDC ou Securitizadora.

Assim, enquanto a SCD fica responsável pela originação e formalização das operações de crédito, o veículo de securitização atua como fonte de financiamento da carteira, permitindo que a operação cresça sem perder a conformidade regulatória.

Quais são as principais limitações de uma SCD?

A Sociedade de Crédito Direto representa um importante avanço para empresas que desejam estruturar uma operação de crédito própria.

No entanto, isso não significa que qualquer organização esteja preparada para obter essa licença regulatória juntamente ao BC.

E o motivo não se resume às restrições regulatórias que citamos anteriormente, mas sim, pelo fato de que abrir e operar uma SCD também exige o cumprimento de uma série de requisitos relacionados à estrutura financeira, governança e conformidade regulatória.

Na prática, essas exigências existem para garantir que a instituição possua capacidade financeira e operacional para conceder crédito de forma segura, protegendo tanto o Sistema Financeiro Nacional quanto os próprios clientes.

Entre as principais limitações de uma Sociedade de Crédito Direto estão:

  • Necessidade de operar com capital próprio;
  • Atender aos requisitos mínimos de patrimônio estabelecidos pelo Banco Central;
  • Obter autorização para funcionamento;
  • Impossibilidade de captar depósitos do público.

A seguir, explicamos cada uma dessas limitações:

Capital próprio

Uma das principais características da Sociedade de Crédito Direto é que todas as operações de crédito devem ser realizadas com recursos próprios.

Isso significa que a instituição não pode captar dinheiro de clientes ou investidores para financiar sua carteira de crédito.

Todo o capital utilizado nas operações precisa pertencer à própria empresa, sendo integralizado por seus sócios ou acionistas.

Embora essa característica reduza o risco sistêmico e permita uma regulamentação mais simples, ela também exige um planejamento financeiro mais cuidadoso.

Ou seja, quanto maior for o volume de crédito concedido, maior tende a ser a necessidade de capital para sustentar o crescimento da operação.

Por esse motivo, empresas que pretendem escalar suas carteiras costumam combinar a SCD com outras estruturas financeiras, como Companhias Securitizadoras ou FIDCs.

Assim, é possível ampliar a capacidade de funding sem comprometer o modelo regulatório existente.

Capital mínimo

Além do capital utilizado para conceder crédito, a Sociedade de Crédito Direto também precisa atender aos requisitos patrimoniais estabelecidos pelo Banco Central.

Nos últimos anos, essas exigências passaram por atualizações para acompanhar o crescimento das novas instituições financeiras.

Atualmente, após a Nova Regulação de BaaS, a exigência de capital mínimo varia de acordo com o porte, o nível de complexidade e o escopo das operações desenvolvidas pela instituição.

No caso da SCD, anteriormente, ela tinha necessidade de capital mínimo de R$ 1 milhão.

Porém, com a nova regra, essa lógica mudou completamente, pois esse capital pode chegar a quase R$ 20 milhões, a depender das atividades efetivamente exercidas pela instituição financeira.

Para permitir uma adaptação gradual do mercado, o Banco Central definiu um cronograma de transição para os novos níveis de capital regulatório:

  • Até junho de 2026 permaneceram os requisitos antigos;
  • Entre julho e dezembro de 2026: 25% do novo capital mínimo;
  • Até junho de 2027: 50% do capital mínimo;
  • Até dezembro de 2027: 75% do capital mínimo;
  • A partir de janeiro de 2028: 100% do capital mínimo.

Até lá, as empresas podem planejar seus aportes e fortalecer sua governança de maneira sustentável.

Autorização do Banco Central

Além disso, outro ponto importante é que uma Sociedade de Crédito Direto não pode iniciar suas atividades imediatamente após sua constituição.

Antes de operar, a instituição precisa obter autorização formal do Banco Central, demonstrando que atende aos requisitos regulatórios exigidos para esse tipo de licença.

Esse processo envolve uma análise detalhada, que leva em consideração itens como:

  • Estrutura societária;
  • Capacidade financeira dos controladores;
  • Mecanismos de governança;
  • Política de gerenciamento de riscos;
  • Controles internos;
  • Prevenção à Lavagem de Dinheiro (PLD);
  • Infraestrutura tecnológica que sustentará as operações.

Embora esse processo demande tempo e planejamento, ele também contribui para aumentar a segurança e a credibilidade das instituições que são autorizadas a atuar no mercado de crédito.

Impossibilidade de captar depósitos

Por fim, outra limitação importante é que uma Sociedade de Crédito Direto não pode captar depósitos do público, como fazem os bancos comerciais.

Na prática, isso significa que a instituição não pode utilizar recursos de correntistas ou investidores para conceder empréstimos e financiamentos.

Essa característica está diretamente relacionada ao modelo de funcionamento da SCD.

Afinal, como a instituição opera exclusivamente com recursos próprios, o BC adota uma regulamentação proporcional ao risco assumido pela operação.

Ao mesmo tempo, essa limitação também faz com que muitas empresas busquem estruturas complementares para financiar o crescimento de suas carteiras de crédito, tema que abordaremos mais adiante ao explicar por que tantas operações utilizam uma Sociedade de Crédito Direto em conjunto com um veículo de securitização, como por exemplo, uma Companhia Securitizadora.

Apesar dessas limitações, por que tantas empresas estão abrindo uma SCD?

À primeira vista, pode parecer que todas essas exigências tornam a abertura de uma Sociedade de Crédito Direto um processo complexo.

E, de fato, nada disso ocorre por acaso. Obter uma licença regulada pelo Banco Central exige planejamento, capital e uma estrutura de governança compatível com a atividade financeira.

Isso vai de encontro à Nova Regulação de BaaS, que não surgiu de forma repentina, mas sim, como resultado de um movimento contínuo do BC que começou ainda em 2013, com o marco regulatório dos meios de pagamento.

Segundo Giancarllo Melito, Advogado do Barcellos Tucunduva, o objetivo naquele momento era reduzir as barreiras de entrada, estimular a concorrência e ampliar a oferta de produtos financeiros.

Contudo, com o amadurecimento do mercado, e a consequente “explosão” de novas fintechs, o BC passou a entender que já havia concorrência suficiente para “subir a régua”:

“O Banco Central trocou o foco do ‘estimular a entrada’ para o ‘garantir a solidez’. A pergunta agora não é mais quem consegue entrar, mas quem tem estrutura para ficar”. Giancarllo Melito, Advogado Barcellos Tucunduva.

Ainda assim, mesmo com essas novas exigências regulatórias, cada vez mais varejistas, indústrias, marketplaces e empresas de serviços têm optado por esse modelo para estruturar seus próprios braços financeiros.

O motivo é simples: para empresas que já validaram sua estratégia de crédito, os benefícios proporcionados por uma SCD costumam superar essas limitações.

Afinal, ao trazer a operação financeira para dentro do próprio ecossistema, torna-se possível:

  • Controlar toda a jornada do crédito;
  • Desenvolver produtos financeiros personalizados;
  • Capturar parte do spread de crédito;
  • Criar novas fontes de receita para o negócio.

É justamente esse movimento que explica por que tantas empresas vêm investindo na bancarização de seus negócios, assunto que veremos no próximo tópico.

Por que os varejistas estão criando SCDs?

Durante muito tempo, oferecer crédito era uma estratégia restrita aos grandes bancos e a alguns poucos varejistas que possuíam estrutura suficiente para operar produtos financeiros próprios.

Mas, nos últimos anos, esse cenário mudou de forma significativa.

Com a evolução da agenda regulatória do Banco Central, o avanço do Embedded Finance e o surgimento de modelos como a Sociedade de Crédito Direto (SCD), empresas de diferentes segmentos passaram a enxergar o crédito não apenas como uma forma de facilitar vendas, mas também, como uma nova unidade de negócios capaz de gerar receita, fortalecer o relacionamento com os clientes e aumentar a competitividade.

Na prática, a criação de uma SCD permite que o varejista assuma maior controle sobre sua operação financeira, reduzindo a dependência de instituições bancárias tradicionais e desenvolvendo soluções de crédito alinhadas às características do seu próprio ecossistema.

Essa mudança explica por que tantas empresas vêm investindo em tecnologia para originar e distribuir soluções financeiras aos seus clientes.

Captura do spread de crédito

De início, um dos principais motivos que levam varejistas a criar uma Sociedade de Crédito Direto é a possibilidade de capturar parte da receita gerada pelas operações, naquilo que é chamado de spread de crédito.

No modelo tradicional, os bancos e instituições financeiras são responsáveis por conceder o financiamento e, consequentemente, recebem a remuneração proveniente dos juros que são cobrados dos clientes.

Contudo, quando o varejista passa a operar sua própria estrutura de crédito, parte desse valor deixa de ser destinado a terceiros e passa a permanecer dentro do próprio ecossistema da empresa.

Isso transforma o crédito em uma nova fonte de receita, complementando o resultado obtido com a venda de produtos e serviços.

Controle da jornada financeira

Outro benefício importante que a SCD proporciona está no controle sobre toda a jornada financeira do cliente.

Em vez de depender exclusivamente das condições oferecidas por bancos parceiros, a empresa passa a definir suas próprias:

  • Políticas de crédito;
  • Modelos de parcelamento;
  • Taxas e juros;
  • Campanhas comerciais;
  • Critérios de aprovação.

Isso permite que o varejista desenvolva soluções muito mais aderentes ao perfil dos consumidores, integrando o crédito à estratégia comercial da companhia.

Como consequência, o crédito deixa de ser apenas um meio de pagamento e passa a fazer parte da experiência de compra.

Desenvolvimento de produtos financeiros próprios

Além disso, a Sociedade de Crédito Direto também permite que empresas do varejo desenvolvam produtos financeiros personalizados para o seu público.

Dependendo da estratégia adotada, é possível estruturar modalidades como:

  • CDC Digital;
  • Crediário próprio;
  • Cartão Private Label;
  • Cartão bandeirado;
  • BNPL (Buy Now, Pay Later);
  • Empréstimo pessoal para clientes.

Todas essas soluções ampliam as possibilidades de relacionamento com o consumidor e fortalecem o posicionamento do varejista dentro do seu próprio ecossistema financeiro.

“O diferencial não é apenas oferecer crédito, mas controlar o modelo utilizado. Soluções como cartão private label, crediário próprio e crédito embutido permitem maior controle sobre margem, relacionamento com o cliente e monetização de toda a base”. Diego Motta, Head Comercial da GIRO.TECH.

Maior autonomia e competitividade

Ademais, também existe um outro fator que impulsiona esse movimento. Estamos falando da busca por autonomia e competitividade.

A partir do momento em que estrutura seu próprio braço financeiro, o varejista passa a ter maior controle sobre prazos, regras de concessão, políticas de risco e evolução dos seus produtos financeiros.

De acordo com Ronaldo Oliveira, CEO da GIRO.TECH, esse é justamente o momento em que muitas empresas decidem evoluir para uma SCD: quando já validaram sua estratégia de crédito e desejam aprofundar sua autonomia financeira.

“Esse escalonamento dá previsibilidade para empresas que planejam evoluir para uma SCD, permitindo estruturar o aporte e os controles regulatórios de forma gradual e sustentável”. Ronaldo Oliveira, CEO GIRO.TECH.

Assim, mais do que conceder crédito, o objetivo passa a ser construir um ecossistema financeiro que seja capaz de apoiar o crescimento sustentável do negócio.

“Geralmente quem abre uma SCD é porque quer conceder crédito. Essa é a principal função da licença. Ela resolve muito bem para empresas que querem formalizar contratos de crédito utilizando capital próprio.” Ronaldo Oliveira, CEO GIRO.TECH.

Essa possibilidade permitiu que empresas que antes dependiam exclusivamente do sistema bancário passassem a estruturar operações financeiras próprias, criando produtos personalizados e aproximando ainda mais o crédito da estratégia de crescimento do negócio.

No entanto, para que todas essas operações aconteçam de forma regular perante o Banco Central, é necessário formalizar juridicamente cada concessão de crédito.

É justamente nesse momento que entra a Cédula de Crédito Bancário (CCB), documento responsável por dar validade jurídica às operações que são realizadas pela Sociedade de Crédito Direto.

Como a CCB entra na operação?

Como vimos nos tópicos anteriores, a Sociedade de Crédito Direto permite que empresas criem sua própria operação de crédito, oferecendo produtos financeiros diretamente aos seus clientes.

Mas existe uma pergunta importante:

Como essas operações são formalizadas perante o Banco Central?

A resposta está na Cédula de Crédito Bancário (CCB).

A CCB é o instrumento jurídico utilizado para formalizar operações de crédito realizadas por instituições financeiras, como as Sociedades de Crédito Direto.

É essa “confissão de dívida” que estabelece os direitos e as obrigações entre credor e devedor, dando validade jurídica à concessão do crédito e permitindo a cobrança dos encargos previstos em contrato.

Na prática, sempre que uma empresa utiliza uma SCD para conceder crédito aos seus clientes, a CCB funciona como o documento responsável por formalizar essa operação.

É justamente por isso que ela está presente em diversas operações de crédito que são estruturadas pelo varejo. A seguir, veja alguns dos principais exemplos:

Crediário próprio ou CDC Digital

O crediário próprio é, historicamente, uma das modalidades de crédito mais tradicionais do varejo brasileiro.

Nos últimos anos, esse modelo também evoluiu para formatos totalmente digitais, como é o caso do CDC Digital.

Essa evolução permitiu que consumidores realizem compras parceladas diretamente na loja, sem depender das linhas de financiamento que são oferecidas pelos bancos tradicionais.

Apesar das vantagens que essa operação proporciona, principalmente aos varejistas que têm empresas de pequeno e médio porte, quando feita diretamente no CNPJ do varejista, ela gera pouca eficiência tributária.

O motivo para isso, é que os varejistas não conseguem fazer a cobrança de juros nas vendas parceladas do mesmo modo que os bancos financeiros costumam fazer.

Ao estruturar essa operação por meio de uma Sociedade de Crédito Direto, o crédito passa a ser concedido por uma instituição financeira autorizada pelo Banco Central.

Nesse cenário, a CCB formaliza juridicamente a operação, permitindo que a SCD estabeleça as condições do financiamento, como prazo, juros, parcelas e demais encargos previstos no contrato.

Além de trazer maior segurança jurídica para todas as partes envolvidas, esse modelo também permite estruturar operações muito mais eficientes, dando ao varejista maior autonomia para desenvolver seu próprio crediário e transformar o crédito em uma nova fonte de receita.

Como funciona o Crediário Bancarizado?

Cartão Private Label

Outro exemplo bastante comum é o cartão private label, conhecido popularmente como cartão de loja.

Esse modelo é emitido diretamente pelo varejista e pode oferecer condições exclusivas de pagamento, programas de fidelidade e limites de crédito personalizados para seus clientes.

Esse comportamento pode ser observado na prática. De acordo com o Varejo Finance Report 2026, estudo realizado pela GIRO.TECH e que analisa como grandes varejistas utilizam produtos financeiros para impulsionar suas operações, na Lojas Renner, os cartões próprios registraram um ticket médio de R$ 298 em 2025, cerca de 40% acima do ticket médio total da companhia.

Esses números reforçam o papel da Realize como ferramenta de fidelização. Na prática, os clientes da financeira costumam gastar, em média, três vezes mais com o grupo Renner do que os demais clientes.

Para Thiago Furbino, Fundador da TL.MF. Curadoria e Estratégia, o private label se torna ainda mais crítico em cenários de crédito restrito, ao permitir que o varejista sustente vendas ao financiar o próprio cliente.

Contudo, isso só é possível desde que ocorra com disciplina em risco, fraude e cobrança. É justamente esses fatores que merecem um ponto de atenção.

Afinal, quando essa operação é estruturada de forma tradicional, utilizando apenas o CNPJ da administradora de cartões, a eficiência operacional e tributária costuma ser menor.

Ao utilizar uma SCD para estruturar essa operação, o crédito passa a ser concedido pela instituição financeira, enquanto a CCB formaliza juridicamente cada operação realizada pelos clientes.

Essa estrutura oferece maior segurança jurídica, amplia a autonomia do varejista sobre sua política de crédito e permite desenvolver produtos financeiros muito mais aderentes às características do seu público.

Como funciona a tributação no Cartão Private Label

Empréstimo pessoal

Além do financiamento de compras, uma Sociedade de Crédito Direto também pode ser utilizada em operações de empréstimo pessoal.

Nesse modelo, a empresa concede crédito diretamente aos seus clientes, formalizando toda a operação por meio da CCB.

A CCB registra as condições do empréstimo, como valor concedido, prazo de pagamento, taxa de juros e demais obrigações assumidas pelo tomador do crédito.

Posteriormente, esses recebíveis podem ser negociados com outros veículos financeiros, como Companhias Securitizadoras ou FIDCs, permitindo que a operação ganhe escala e novos recursos sejam direcionados para a concessão de crédito.

Esse modelo vem sendo adotado por varejistas que desejam ampliar suas receitas financeiras sem depender exclusivamente das margens obtidas na venda mercantil.

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A CCB é o elo entre a operação de crédito e a securitização

Independentemente da modalidade escolhida (crediário, cartão private label ou empréstimo pessoal), todas essas operações possuem um elemento em comum: a necessidade de formalizar juridicamente o crédito concedido.

É justamente essa função que a Cédula de Crédito Bancário desempenha.

Além de garantir segurança jurídica para credor e devedor, a CCB também cria as condições para que esses recebíveis possam ser posteriormente cedidos a uma Companhia Securitizadora ou a um FIDC.

Assim, essa estratégia permite que novas operações sejam financiadas sem que a SCD precise ampliar continuamente seu capital próprio.

É exatamente por esse motivo que, na prática, uma Sociedade de Crédito Direto costuma atuar em conjunto com uma Companhia Securitizadora. Vamos explicar melhor como isso ocorre no próximo tópico.

 
 
 
 
 
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Por que uma SCD normalmente trabalha junto de uma Companhia Securitizadora?

Ao longo deste artigo vimos que a SCD permite que empresas concedam crédito utilizando capital próprio e formalizem essas operações por meio da Cédula de Crédito Bancário (CCB).

No entanto, ao passo que a operação cresce, surge um desafio natural.

Quanto maior for a carteira de crédito, maior também será o volume de recursos comprometidos nas operações já concedidas.

Além do mais, como a SCD utiliza exclusivamente capital próprio para emprestar dinheiro, chega um momento em que manter todos esses recebíveis em seu balanço pode limitar a capacidade de continuar expandindo a operação.

É justamente nesse contexto que a Companhia Securitizadora passa a exercer um papel estratégico.

Na prática, essas duas estruturas não competem entre si. Pelo contrário: elas desempenham funções diferentes e complementares dentro da mesma operação de crédito.

“A gente tem as SCDs de fato, que nasceram para conceder crédito com seu próprio capital, mas muitas empresas criam uma SCD e também um veículo de securitização. São duas estruturas que andam lado a lado.” Ronaldo Oliveira, CEO da GIRO.TECH.

Enquanto a Sociedade de Crédito Direto é responsável por originar os financiamentos, a Companhia Securitizadora administra os direitos creditórios gerados por essas operações, permitindo que a empresa mantenha sua estratégia de crescimento com muito mais eficiência.

Por esse motivo, é bastante comum que ambas façam parte da mesma arquitetura de bancarização.

A SCD é responsável pela originação do crédito

Toda operação começa, efetivamente, na Sociedade de Crédito Direto.

É ela quem realiza a análise de crédito, aprova a operação, concede o financiamento e formaliza juridicamente a relação entre credor e devedor por meio da Cédula de Crédito Bancário.

Em outras palavras, a SCD é responsável por toda a etapa de originação da operação. É nesse momento que são definidos aspectos como:

  • Valor concedido;
  • Prazo de pagamento;
  • Taxa de juros;
  • Garantias, quando aplicáveis;
  • Cronograma de amortização.

Após a assinatura da CCB, nasce um recebível financeiro que passa a integrar a carteira da instituição.

A Companhia Securitizadora amplia a capacidade operacional da SCD

À medida que novos financiamentos são concedidos, a carteira de direitos creditórios cresce de maneira contínua.

Porém, existe um problema importante: se todos esses recebíveis permanecerem registrados na própria SCD até o vencimento dos contratos, parte relevante do capital da operação continuará comprometida durante todo esse período.

A Companhia Securitizadora atua justamente para complementar esse modelo.

Por meio da cessão de recebíveis originados pela SCD, esses ativos deixam de compor o balanço da instituição financeira e passam a ser administrados pela Securitizadora.

Essa estratégia permite que o varejista recicle o capital empregado nas operações e mantenha a capacidade de originar novos créditos sem que a empresa precise expandir continuamente sua estrutura patrimonial.

Mais do que uma estratégia financeira, trata-se de uma forma de tornar a operação de crédito mais eficiente e preparada para crescer de maneira sustentável.

SCD e Securitizadora não concorrem entre si

Existe uma percepção equivocada de que uma empresa precisa escolher entre abrir uma Sociedade de Crédito Direto ou utilizar uma Companhia Securitizadora.

Na realidade, essas estruturas possuem objetivos completamente diferentes.

A Sociedade de Crédito Direto é responsável por conceder e administrar o crédito.

Já a Companhia Securitizadora administra os direitos creditórios gerados por essas operações, permitindo que a carteira continue evoluindo de forma estruturada e eficiente.

Por isso, é bastante comum que empresas utilizem ambas de maneira integrada.

Enquanto uma é especializada na concessão do crédito, a outra atua sobre os recebíveis originados por essa operação.

São estruturas complementares dentro da mesma estratégia de bancarização.

“A SCD acaba virando um player intermediário. Ela formaliza o contrato de crédito e pode vender essa operação para um veículo de securitização, que é onde, de fato, a operação será estruturada.” Ronaldo Oliveira, CEO da GIRO.TECH.

Cessao-De-Creditos-SCD

Como funciona essa operação na prática?

De forma simplificada, o fluxo costuma acontecer da seguinte maneira:

  1. O cliente realiza uma compra ou solicita crédito;
  2. A Sociedade de Crédito Direto analisa e concede o financiamento;
  3. A operação é formalizada por meio da Cédula de Crédito Bancário;
  4. Esse contrato passa a integrar a carteira de direitos creditórios da SCD;
  5. Esses recebíveis podem ser cedidos para uma Companhia Securitizadora;
  6. A carteira deixa de permanecer integralmente registrada no balanço da SCD;
  7. A instituição financeira mantém capacidade para continuar concedendo novas operações de crédito.

Esse ciclo permite que a operação continue crescendo de forma muito mais eficiente, sem que a SCD precise concentrar permanentemente todos os recebíveis em seu próprio balanço.

Mais do que eficiência financeira, uma estratégia de crescimento

Embora muitas pessoas ainda associem a securitização apenas à venda de recebíveis, seu papel dentro de uma operação de crédito é muito mais amplo.

Quando integrada à Sociedade de Crédito Direto, a Companhia Securitizadora contribui para:

  • Organizar a gestão da carteira;
  • Aumentar a eficiência operacional;
  • Criar uma estrutura capaz de sustentar o crescimento da operação ao longo do tempo.

Além disso, dependendo do modelo adotado, essa arquitetura também pode proporcionar ganhos tributários relevantes, tornando toda a estrutura ainda mais eficiente.

Todas essas razões ajudam a explicar porque tantas empresas do varejo utilizam essas duas estruturas em conjunto.

Afinal, a SCD permite originar o crédito, enquanto a Companhia Securitizadora permite administrar esses direitos creditórios de forma mais eficiente.

Juntas, elas tornam possível construir uma operação de crédito preparada para crescer de forma sustentável.

A securitização é uma evolução natural da operação

Isso faz todo o sentido, pois à medida que a estratégia de crédito amadurece, é comum que empresas busquem formas de tornar sua operação cada vez mais eficiente.

Nesse contexto, a Companhia Securitizadora deixa de ser apenas uma estrutura complementar e passa a exercer um papel importante dentro da arquitetura financeira do negócio.

Enquanto a Sociedade de Crédito Direto permanece focada na concessão e gestão do crédito, a Securitizadora administra os direitos creditórios gerados por essa operação, permitindo que a empresa continue expandindo sua carteira sem perder eficiência.

Essa atuação conjunta ajuda a explicar por que a SCD e a Companhia Securitizadora são frequentemente utilizadas lado a lado por varejistas que desejam bancarizar suas operações e transformar o crédito em uma unidade estratégica de negócios.

Quanto custa abrir uma SCD?

Abrir uma Sociedade de Crédito Direto exige um investimento que vai muito além da obtenção da licença junto ao Banco Central.

Além dos custos relacionados à estrutura operacional, tecnologia e governança corporativa, a empresa precisa atender a uma série de requisitos regulatórios para obter a autorização de funcionamento.

Por isso, antes de iniciar esse processo, é importante entender que uma SCD é uma instituição financeira e, como tal, está sujeita à uma série de exigências regulatórias do BC.

Quais são os requisitos para abrir uma SCD?

Além da documentação exigida durante o processo de autorização, a empresa deve cumprir uma série de requisitos, como:

  • Ser constituída como uma Sociedade Anônima (S/A);
  • Operar exclusivamente com capital próprio, sem captação de recursos de terceiros;
  • Comprovar a origem lícita dos recursos aportados na instituição;
  • Respeitar a proibição de alavancagem financeira prevista para esse modelo;
  • Operar integralmente em ambiente digital;
  • Criar uma holding exclusiva para participação na instituição financeira, quando aplicável;
  • Implementar uma estrutura de governança, compliance, gestão de riscos e controles internos compatível com as exigências do Banco Central.

Importante: O Banco Central disponibiliza uma calculadora para você entender o peso da sua operação, caso deseje constituir uma instituição financeira. Acesse e tenha clareza sobre o aporte necessário para o seu modelo de negócio.

Também é preciso considerar o tempo de estruturação

Além disso, outro fator que costuma ser subestimado é o tempo necessário para concluir todo o processo de abertura da SCD.

Após a preparação da estrutura societária e regulatória, a empresa ainda passa pela análise do Banco Central, que avalia aspectos como:

  • Documentação apresentada;
  • Capacidade econômico-financeira dos controladores;
  • Governança da instituição;
  • Aderência às exigências regulatórias.

É importante que você tenha isso em mente, pois dependendo da complexidade do projeto, esse processo pode levar meses até que a autorização definitiva seja concedida.

Mais importante do que o custo é o momento da empresa

Portanto, antes de avaliar apenas o investimento necessário para abrir uma SCD, não deixe de responder uma pergunta essencial:

O seu negócio já atingiu o estágio ideal para operar uma instituição financeira própria?

Empresas que possuem uma estratégia de crédito consolidada e desejam ampliar sua autonomia podem encontrar na SCD um importante passo dentro da sua jornada de bancarização.

Por outro lado, organizações que ainda estão estruturando essa estratégia podem utilizar o apoio de parceiros já regulados.

Além de reduzir o investimento inicial, também é possível acelerar a originação e distribuição de crédito e demais soluções financeiras. É justamente essa comparação que veremos no próximo tópico.

Vale a pena abrir uma SCD?

Depois de entender como funciona uma Sociedade de Crédito Direto, quais são suas limitações e como ela se integra a uma Companhia Securitizadora, surge uma dúvida natural: afinal, realmente vale a pena abrir uma SCD?

A resposta é: depende do momento da sua empresa e da estratégia de crédito que ela pretende construir.

A SCD representa um importante passo na jornada de bancarização, mas não necessariamente é o primeiro passo para todos os negócios.

Por isso, antes de pensar em solicitar uma licença ao Banco Central, vale avaliar se a sua operação já atingiu um nível de maturidade que justifique esse investimento.

Quando faz sentido abrir uma SCD?

De modo geral, a criação de uma Sociedade de Crédito Direto costuma fazer mais sentido para empresas que já possuem uma operação de crédito consolidada e desejam assumir maior controle sobre toda a jornada financeira.

Nesses casos, a licença permite estruturar produtos próprios, formalizar operações de crédito, emitir CCBs, integrar serviços financeiros e reduzir a dependência de terceiros para conduzir a operação.

Como explica Ronaldo Oliveira, CEO da GIRO.TECH: a SCD surgiu justamente para ser uma alternativa mais acessível do que uma instituição financeira tradicional, permitindo que empresas deem seus primeiros passos na bancarização sem enfrentar toda a complexidade de uma SCFI.

Nem toda empresa precisa começar pela licença

Por outro lado, muitas empresas ainda estão validando sua estratégia de crédito.

Nesse estágio, criar uma instituição financeira própria pode significar assumir custos, responsabilidades regulatórias e uma estrutura operacional que ainda não faz sentido para o momento do negócio.

Além disso, dependendo do volume da operação de crédito, não tem valido a pena abrir uma nova SCD, devido ao aumento do capital mínimo previsto pela Nova Regulação de BaaS. 

Para contornar esse problema, o Banco Central abriu espaço para modelos que permitem iniciar uma operação de crédito utilizando uma infraestrutura regulatória já existente, através do serviço de corban.

Este modelo de negócio permite que varejistas ofereçam diferentes linhas de crédito para sua base de clientes, como um “serviço adicional” dentro do ecossistema de negócios.

A estrutura necessária para isso é oferecida por uma fintech especializada, que disponibiliza toda a tecnologia e infraestrutura financeira.

Assim, o varejista consegue atuar como correspondente bancário digital, eliminando a necessidade de criar sua própria instituição financeira.

Além de acelerar a entrada desses players no mercado, essa estratégia também reduz a complexidade da implementação, permitindo o lançamento de produtos de crédito com mais agilidade e menor risco.

Essa possibilidade tornou a bancarização muito mais acessível para varejistas, indústrias e empresas que desejam transformar o crédito em uma nova unidade de negócios.

O mais importante é escolher o momento certo

A abertura de uma SCD não deve ser encarada como um objetivo em si, mas sim, como uma decisão estratégica.

E a razão para isso é muito simples: quando a operação amadurece, a licença pode representar:

  • Mais autonomia;
  • Maior controle sobre os produtos financeiros;
  • Novas oportunidades de crescimento.

Por outro lado, empresas que ainda estão estruturando sua estratégia costumam encontrar resultados mais rápidos utilizando uma infraestrutura já pronta.

Quais são os Tipos de IF no Banco Central?

 

Abrir uma SCD ou utilizar uma estrutura pronta?

Essa é uma “linha tênue”, pois muitas empresas que desejam entrar no mercado de crédito acreditam que precisam, obrigatoriamente, criar uma instituição financeira própria.

Mas, na prática, esse é apenas um dos caminhos possíveis.

Hoje, existem dois modelos bastante utilizados por empresas que desejam bancarizar suas operações: obter uma licença própria junto ao Banco Central ou utilizar a estrutura de uma SCD já regulada.

Quando vale a pena ter uma licença própria?

Para as empresas que desejam construir um braço financeiro robusto, operar produtos próprios e assumir integralmente a gestão da instituição financeira, a SCD se torna um caminho natural.

Afinal, esse modelo oferece maior autonomia, permitindo que a empresa ou varejista desenvolva sua própria estrutura regulatória e conduza a operação de forma independente.

Em contrapartida, a abertura de uma licença própria também exige maior investimento, equipes especializadas, processos de compliance e uma relação direta com o Banco Central.

Dependendo de qual seja o escopo de atuação, pode ser necessário fazer envios diários de prestação de contas para o órgão regulador.

Quando utilizar uma infraestrutura pronta faz mais sentido?

Apesar disso, para muitas empresas, como é o caso dos varejistas, o principal objetivo não é criar uma instituição financeira, mas sim, oferecer crédito aos seus clientes de forma segura, rápida e regulada.

Nesse cenário, utilizar a licença e a tecnologia financeira de uma SCD já regulada costuma ser o caminho mais eficiente.

“O Banco Central vem eliminando algumas burocracias, com o objetivo de facilitar o acesso ao crédito. Hoje as empresas não precisam possuir uma licença própria para conceder crédito. Elas podem utilizar uma infraestrutura especializada para formalizar operações, emitir CCBs e integrar seus produtos financeiros de forma totalmente regulada. A SCD vai estar somente como um prestador de serviço para fazer esse crédito chegar na outra ponta”. Ronaldo Oliveira, CEO GIRO.TECH.

Esse modelo permite que os varejistas concentrem esforços na estratégia comercial e na expansão da operação.

Afinal, toda a infraestrutura regulatória permanece sob responsabilidade do parceiro especializado.

Não existe uma resposta única

Por essas particularidades é que o CEO da GIRO.TECH, Ronaldo Oliveira, é categórico em afirmar que não há uma resposta única entre escolher abrir uma SCD própria ou usar a licença de um parceiro já regulado.

A escolha vai depender diretamente do momento da empresa, do nível de maturidade da operação e dos objetivos estratégicos do negócio.

Ou seja, o passo mais importante é entender em qual etapa da jornada de bancarização a empresa se encontra.

Negócios que estão iniciando sua estratégia de crédito costumam buscar velocidade, menor investimento inicial e simplicidade operacional.

Por outro lado, as empresas que possuem operações mais maduras podem optar por desenvolver sua própria instituição financeira, ampliando a autonomia sobre seus produtos e serviços.

Em ambos os casos, o objetivo é o mesmo: transformar o crédito em uma alavanca de crescimento para o negócio.

Conheça a Giro SCD!

Se você chegou até aqui na leitura, conseguiu compreender que estruturar uma operação de crédito envolve muito mais do que obter uma licença junto ao Banco Central. Também é preciso:

  • Formalizar as operações;

  • Emitir títulos de crédito;

  • Atender às exigências regulatórias;

  • Criar uma jornada efetivamente eficiente para que o crédito se torne uma nova fonte de receita para o negócio.

Foi justamente para simplificar esse processo que surgiu a Giro SCD.

Criada a partir da experiência prática da GIRO.TECH no desenvolvimento de operações de crédito, a nossa Sociedade de Crédito Direto nasceu para eliminar a complexidade que empresas enfrentavam ao depender de diferentes fornecedores e processos pouco integrados.

Por meio da nossa plataforma de tecnologia para originação e distribuição de crédito, permitimos que varejistas e empresas ofereçam produtos financeiros aos seus clientes por meio de um modelo de Correspondente Bancário Digital, sem precisar assumir toda a complexidade regulatória de uma instituição financeira própria.

Neste sentido, a nossa vertical consegue ajudar seu negócio a estruturar operações de crédito CDC, Consignado Privado, empréstimo pessoal, financiamento de veículos, capital de giro e crédito PJ para investimentos.

Na prática, isso significa que sua empresa pode estruturar uma operação de crédito com o apoio de uma:

  • Infraestrutura regulada;
  • Tecnologia integrada;
  • Plataforma desenvolvida para simplificar toda a jornada de originação, formalização e distribuição de crédito.

Ao mesmo tempo, empresas que já possuem uma SCD também podem utilizar a tecnologia da GIRO.TECH para operar sua instituição financeira com mais eficiência, aproveitando uma plataforma desenvolvida especificamente para atender às exigências do mercado regulado.

Independentemente do estágio da sua jornada de crédito, a Giro SCD foi criada para apoiar empresas que desejam transformar o crédito em uma vantagem competitiva, oferecendo uma infraestrutura regulada, escalável e preparada para crescer junto com o seu negócio.

Como funciona a operação feita pela Giro SCD?

A operação realizada pela Giro SCD funciona da seguinte maneira.

Considere que sua empresa efetuou uma venda à prazo para um cliente. A nossa SCD fará a concessão de crédito ao consumidor, para que ele possa pagar.

Posteriormente, o veículo de securitização da sua empresa, seja ele um FIDC ou uma Companhia Securitizadora, irá realizar a compra desse título de crédito, se tornando o novo credor da dívida.

Em outras palavras, após o cliente quitar a dívida, será a sua própria empresa quem receberá os valores, por meio do veículo de securitização.

Graças à estrutura dessa operação, sua empresa consegue ter um grande diferencial estratégico, especialmente no que diz respeito ao desbloqueio de novas receitas vindas dos juros.

Além disso, a tributação nesse modelo de negócio, aliando SCD e veículo de securitização, é muito mais favorável do que no formato tradicional, no qual, a responsabilidade fica apenas com a Sociedade de Crédito Direto.

Assim, além de gerar mais eficiência na originação e distribuição de crédito, o seu negócio consegue criar novas receitas financeiras e manter o foco na sua atividade core.

Como funciona a operação de Bancarização da Giro SCD?

Perguntas frequentes sobre Sociedade de Crédito Direto (SCD)

Mesmo após entender como funciona uma Sociedade de Crédito Direto, é natural que ainda surjam dúvidas sobre sua regulamentação, limitações e aplicações práticas.

A seguir, reunimos as respostas para algumas das perguntas mais comuns sobre as SCDs.

Com isso, você conseguirá compreender quando esse modelo faz sentido e como ele se encaixa em uma estratégia de crédito estruturada.

O que é uma Sociedade de Crédito Direto (SCD)?

A Sociedade de Crédito Direto é uma instituição financeira autorizada pelo Banco Central a conceder empréstimos, financiamentos e outras operações de crédito utilizando exclusivamente capital próprio.

Criada pela Resolução CMN nº 4.656/2018, ela representa uma alternativa para empresas que desejam estruturar uma operação de crédito de forma regulada.

Qual a diferença entre uma SCD e um banco?

A principal diferença está no modelo de atuação. Enquanto os bancos podem captar depósitos do público e utilizar esses recursos em suas operações, a SCD concede crédito apenas com recursos próprios e possui um escopo regulatório mais específico.

Uma SCD pode captar recursos de terceiros?

Não. A regulamentação determina que a Sociedade de Crédito Direto opere exclusivamente com capital próprio, não sendo autorizada a captar depósitos ou realizar atividades típicas das instituições bancárias tradicionais.

Toda empresa que deseja oferecer crédito precisa abrir uma SCD?

Não necessariamente. Dependendo da estratégia e do estágio de maturidade da operação, é possível oferecer produtos de crédito utilizando estruturas reguladas já existentes.

Assim, a empresa consegue validar a sua estratégia antes de decidir pela criação de uma instituição financeira própria.

Vale a pena abrir uma SCD?

Depende dos objetivos da empresa. Para negócios que possuem uma operação de crédito consolidada e desejam ampliar sua autonomia, a licença de SCD, SCFI, IP ou outra instituição financeira pode representar um importante diferencial estratégico.

Já empresas que estão iniciando essa jornada podem encontrar alternativas mais eficientes utilizando uma estrutura já regulada e atuando como correspondente bancário digital. Com isso, é possível gerar novas receitas financeiras de crédito sem a complexidade regulatória

Conclusão

Por fim, ao concluir a leitura deste guia completo sobre SCD, você conseguiu entender que essa instituição financeira deixou de ser apenas uma alternativa regulatória e passou a ocupar um papel estratégico na transformação de empresas que desejam atuar no mercado de crédito.

Isso ocorre, pois a Sociedade de Crédito Direto permite que uma empresa:

  • Origine operações de crédito de forma regulada;
  • Emita Cédulas de Crédito Bancário (CCBs);
  • Integre uma estratégia mais ampla de crescimento, que pode incluir estruturas como Companhias Securitizadoras ou FIDCs para dar escala à operação.

No entanto, abrir uma SCD própria nem sempre é o primeiro passo. Antes disso, é fundamental avaliar a maturidade da operação, os objetivos do negócio e qual modelo faz mais sentido para a realidade da empresa.

Independentemente do caminho escolhido, uma coisa é certa: o crédito deixou de ser apenas uma forma de financiar clientes e passou a representar uma importante alavanca de crescimento, fidelização e geração de novas receitas.

As empresas que compreendem essa transformação e estruturam suas operações de maneira estratégica estão mais preparadas para construir um braço financeiro sólido, sustentável e alinhado às novas oportunidades do mercado.

Portanto, se você deseja gerar maior eficiência em suas operações de crédito, a GIRO.TECH está pronta para te ajudar nessa jornada.

Por meio da Giro SCD, nossa unidade regulada, nós oferecemos a tecnologia para crédito que simplesmente funciona e habilitamos seu negócio para atuar como corban digital.

Assim, sua empresa pode gerar novas receitas com crédito sem ter que lidar com toda a complexidade regulatória.

Entre em contato, agende uma reunião com especialistas, e descubra como ajudamos a transformar seu crédito em resultado!

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