Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento: O que é?

Conheça melhor o que é uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento e descubra como ela apoia a bancarização do varejo!

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A Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI) é uma das instituições financeiras que viabiliza o acesso ao crédito e impulsiona o consumo.

Essa estrutura é fundamental para empresas que desejam oferecer crédito próprio ou expandir suas fontes de receita sem ter que depender dos bancos tradicionais.

Não por acaso, essas instituições estão se popularizando cada vez mais no Brasil. Em outubro de 2025, haviam 78 SCFIs autorizadas pelo Banco Central (BC) e habilitadas a operar no país.

Essa instituição financeira destaca-se no mercado financeiro por oferecer soluções de crédito de maneira digital e escalável.

Por consequência, a SCFI é muito importante no contexto da descentralização do crédito. Apenas a título de curiosidade, a chegada e posterior popularização das fintechs no Brasil, trouxe uma competição para os bancos, que reduziu os juros cobrados em empréstimos e a margem das instituições.

Segundo uma pesquisa produzida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) entre 2012 e 2024, o juro dos empréstimos foi reduzido em 2,9 pontos porcentuais (p.p.) e a margem líquida dos bancos tradicionais em 1,3 p.p.

Além disso, em 2024, 25% do mercado de cartões de crédito e mais de 10% dos empréstimos pessoais não consignados foram originados por fintechs.

A onda da “fintechzação” nunca esteve tão em alta, atingindo setores como o varejo, que vem aproveitando as oportunidades que a bancarização oferece.

Mas afinal, o que é uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento? Como ela funciona na prática? Quais são as diferenças entre uma SCFI, uma SCD e uma IP?

Todas essas perguntas serão respondidas neste artigo. Portanto, siga a leitura conosco e descubra como seu negócio pode se beneficiar dessas estruturas para criar sua própria operação financeira!

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Sumário

O que é uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento?

Primeiramente, antes de entrarmos nas questões que são mais técnicas, é importante que você conheça melhor o que é uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento.

Em suma, ela é uma instituição financeira autorizada e regulada pelo BC, e que tem como principal objetivo, conceder empréstimos, financiamentos e outras modalidades de crédito a pessoas físicas e jurídicas, a curto, médio e longo prazo.

Em outras palavras, a SCFI nada mais é do que uma estrutura privada voltada a financiar o consumo, o investimento produtivo, e fornecer crédito para aquisição de bens, serviços e capital de giro.

Um ponto importante, é que essa instituição pode emprestar recursos próprios ou captar no mercado, desde que sejam respeitadas as boas práticas do sistema financeiro.

A sua atuação acontece através de uma plataforma eletrônica, que consegue conectar os investidores (pessoas físicas ou jurídicas) aos tomadores de crédito.

São essas características que fazem com que as SCFIs sejam instituições denominadas como “não bancárias”.

Ou seja, elas não permitem o recebimento de depósito à vista e operam somente com ativos não monetários, como ações, debêntures, entre outros títulos de crédito.

Até por conta disso, é natural que uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento atue como braço financeiro de empresas não financeiras.

Neste caso, indústrias, concessionárias e varejistas podem utilizá-la para oferecer crédito próprio aos seus clientes, estruturar financiamentos e aumentar a rentabilidade do negócio.

Além disso, a SCFI também pode atuar em nichos que não costumam ser atendidos pelos grandes bancos, especialmente em situações que envolvem empréstimos com características mais específicas, como riscos mais elevados ou financiamento de automóveis seminovos.

Entretanto, independentemente de qual seja o objetivo da operação, ela acontecerá dentro de um ambiente regulado e supervisionado pelo BC.

Como funciona uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento?

Agora que você já entendeu melhor o que é uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento, fica mais fácil de ver como ela funciona na prática.

Como dito anteriormente, essa é uma “instituição não bancária”, o que significa que ela não é um banco propriamente dito.

Contudo, ela é uma instituição financeira autorizada pelo BC. Para que possa operar, ela deve estar enquadrada no modelo de Sociedade Anônima (S.A.), registrada com a razão social “Crédito, Financiamento e Investimento”.

Quando a SCFI atua como braço financeiro de um varejo, por exemplo, o seu principal objetivo é financiar o consumo e impulsionar as vendas.

Isso é possível, pois essa instituição concede crédito de maneira direta aos clientes quando eles forem efetuar uma compra.

Na prática, isso quer dizer que a Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento pode conceder empréstimos ou comprar direitos creditórios ligados a diferentes tipos de operação de crédito.

Como isso ocorre?

De modo geral, o funcionamento de uma SCFI é igual ao de outros tipos de instituição financeira, e pode ser dividido em quatro etapas principais, sendo elas:

  • Originação;
  • Análise e concessão de crédito;
  • Gestão dos recursos captados;
  • Relacionamento com os clientes.

Esse processo tem início na originação de crédito, quando a empresa identifica a oportunidade de conceder um financiamento para um cliente ou empresa.

Na sequência, a Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento faz um processo chamado de análise do risco de crédito.

Ele ajuda a avaliar a capacidade que o cliente tem para pagar o empréstimo ou crédito solicitado. Essa avaliação é feita levando em conta os dados financeiros, comportamento de consumo e outras informações disponíveis em bureau de crédito.

Posteriormente, após o cliente ter sido habilitado a tomar o financiamento, o crédito é liberado. E isso pode ocorrer de duas formas distintas: com recursos próprios ou via captação de terceiros, via mercado de capitais.

Neste segundo caso, a captação acontece por meio da emissão de títulos, como Debêntures ou Letras de Câmbio (LCs).

No entanto, essa captação de recursos públicos ocorre de forma limitada e específica. Falaremos melhor sobre isso mais adiante, em outro tópico.

De toda forma, essa possibilidade de captar via mercado é uma das grandes vantagens da SCFI, que consegue expandir sua carteira de crédito de maneira mais sustentável.

Por fim, a Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento mantém o contato ativo e o relacionamento com a base de clientes.

Assim, é possível fazer a gestão de crédito e cobrança, a fim de garantir os pagamentos dos fluxos financeiros e evitar que ocorram inadimplências.

Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento digital ou presencial

Ademais, ainda em relação à atuação da SCFI, ela pode ocorrer tanto de maneira digital, quanto presencial.

Em relação às plataformas eletrônicas, elas costumam utilizar dados dos clientes e tecnologia para aprimorar a gestão do risco de crédito.

É o caso, por exemplo, das tecnologias para análise de crédito, Know Your Customer (KYC) e cobrança digital.

Além disso, as SCFIs também conseguem automatizar processos e customizar as ofertas de crédito de acordo com o perfil do tomador.

Desse modo, essa instituição consegue atender os mais diferentes nichos específicos existentes.

Isso vale tanto para os varejistas que desejam financiar seus clientes, quanto para as empresas que precisam de soluções financeiras próprias para potencializar seu ecossistema.

Quer um exemplo? Imagine uma grande rede varejista que precisa financiar as compras dos seus clientes.

Neste caso, o varejo pode firmar uma parceria com uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento para oferecer Crédito Direto ao Consumidor (CDC) para seus clientes.

Ou, então, ele pode constituir a sua própria SCFI e utilizá-la como braço financeiro para financiar as compras do seu ecossistema.

Isso é possível pelo fato da SCFI ser uma instituição de crédito completa, que consegue atuar tanto na concessão, quanto na gestão de operações de crédito estruturadas.

O que uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento faz na prática?

Como dito anteriormente, o principal objetivo de uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento é oferecer crédito e financiar o consumo e o investimento produtivo.

Na prática, isso quer dizer que ela atua de forma direta na concessão de recursos para pessoas físicas e jurídicas.

Assim, é possível ampliar o acesso ao crédito e serviços financeiros para além dos grandes bancos tradicionais, que historicamente, eram os únicos responsáveis por fazer a “roda da economia” girar.

Esse é o pilar principal da bancarização empresarial, que é um processo de constituição de uma infraestrutura de instituição financeira dentro das empresas.

Isso passa diretamente pela atuação da Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento, que desempenha uma série de atividades. Destacamos 4 principais delas abaixo. Veja:

Financiamento de bens e serviços

As SCFIs são amplamente conhecidas por conta da sua atuação no financiamento de bens de consumo duráveis, como automóveis, eletrodomésticos, maquinários e equipamentos.

Todavia, a atuação dessa instituição financeira vai muito além, pois ela também pode financiar outros serviços, como viagens, cursos, e até mesmo, procedimentos estéticos ou de saúde.

Na prática, essa gama de financiamentos possibilita que os consumidores acessem produtos que possuem maior valor agregado com pagamento parcelado.

Em contrapartida, as empresas conseguem aumentar as suas vendas, ampliar suas receitas e fidelizar os clientes.

Essa é uma relação de ganha-ganha, na qual o cliente aumenta seu poder de compra e o varejista expande o seu faturamento por meio de uma instituição financeira própria ou parceira.

Crédito Direto ao Consumidor (CDC)

Além do financiamento dos bens e serviços, a Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento também intermedia outras operações de crédito comuns.

É o caso, por exemplo, do Crédito Direto ao Consumidor (CDC), um tipo de financiamento autorizado pelo BC, e cujo principal objetivo, é facilitar o processo de uma compra, para que o cliente pague de forma parcelada.

Nesse modelo, a instituição faz uma concessão de crédito diretamente ao cliente final, dispensando a intermediação de outros agentes financeiros.

Além da SCFI, o crédito CDC pode ser disponibilizado por bancos, cooperativas de crédito, fintechs de crédito ou de forma direta pelo varejista, por meio da emissão de uma Cédula de Crédito Bancário (CCB).

O Crédito Direto ao Consumidor é uma modalidade muito mais ágil e flexível, permitindo que a empresa dona da operação defina as políticas de crédito, taxas, prazos e demais condições para pagamento.

Ademais, o CDC também é uma ferramenta extremamente poderosa para fidelizar clientes e monetizar dados, pois ele permite que o dono da operação conheça melhor o comportamento financeiro dos clientes e ofereça soluções mais personalizadas.

Quando falamos do varejo, essa modalidade permite a concessão do CDC Lojista, que permite que o varejista crie seu “crédito próprio”.

Assim, ele consegue fortalecer o relacionamento com o consumidor e aumentar a margem de lucro das vendas financiadas.

Arrendamento mercantil

Além disso, a Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento também pode realizar uma outra atividade bastante importante: o arrendamento mercantil, ou leasing.

Essa é uma forma de financiamento na qual a instituição adquire um bem e o “aluga” para o cliente durante um prazo determinado, com a opção de compra ao término do contrato.

O arrendamento mercantil é muito utilizado por empresas que necessitam de ativos que possuem um alto valor, como veículos, máquinas ou equipamentos, mas que não podem, ou querem, imobilizar seu capital.

Assim, o cliente consegue utilizar o bem e preservar o seu fluxo de caixa. Em contrapartida, a SCFI obtém receita com a operação e mantém controle sobre o ativo durante todo o período em que o contrato estiver em vigência.

Aplicações financeiras

Uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento também realiza outras atividades importantes, como as relacionadas a investimentos.

Neste caso, além de conceder crédito, essa instituição financeira também pode fazer aplicações de recursos próprios em instrumentos financeiros de renda fixa ou variável, desde que sejam respeitadas as regras estabelecidas pelo BC.

Essas aplicações são utilizadas, principalmente, para equilibrar liquidez, rentabilidade e segurança.

A captação de recursos ocorre por meio de títulos públicos, Certificado de Depósito Bancário (CDB), debêntures, Letras de Câmbio (LCs), Letras Financeiras (LFs) e depósitos a prazo com garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Além disso, recentemente, as SCFIs foram autorizadas a emitir Letras de Crédito Imobiliário (LCIs). Neste caso, a aplicação desses recursos tem foco principalmente na concessão de empréstimos e financiamento.

Porém, aqui vale um adendo: as SCFIs não podem ter conta corrente ou depósito à vista. Isso acaba restringindo a gama de serviços de investimento que elas podem oferecer.

Ou seja, essa instituição financeira pode aplicar seu capital e recursos captados em instrumentos financeiros que são permitidos pela regulação do BC, mas desde que a finalidade seja gestão de liquidez e sustentação de suas operações de crédito.

Todavia, a Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento não tem permissão para operar de forma mais ampla na gestão de portfólio próprio nos mercados mais complexos, ou na gestão de recursos de terceiros, ao contrário do que ocorre com um banco de investimento.

Participação em operações de crédito estruturadas

Ademais, as SCFIs também possuem autorização para participar de operações de crédito estruturadas.

Em outras palavras, elas podem investir em veículos de securitização, como Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) e Securitizadora, ou até mesmo, em notas comerciais e debêntures de outras instituições e empresas.

O objetivo dessas participações é a diversificação das fontes de retorno, que possibilitam a geração de receita financeira fora da carteira de crédito tradicional.

No caso dos FIDCs, a SCFI pode aportar recursos, sendo uma cotista do fundo. Ou seja, ela adquire alguma cota e, com isso, passa a financiar indiretamente as operações de crédito deste fundo.

Em relação à Securitizadora, a Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento pode originar créditos que, posteriormente, podem ser cedidos a este veículo de securitização, que utilizará esses créditos como lastro na emissão de títulos, como Certificado de Recebíveis (CR) e debêntures.

De modo geral, essa possibilidade de participação em operações de crédito estruturadas está alinhada com o escopo de atuação das SCFIs.

É justamente isso que dissemos anteriormente, pois além do crédito CDC, essa instituição financeira pode participar de operações de crédito mais estruturadas e complexas.

Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento para emissão e administração de cartões de crédito

Por fim, é importante salientar, que as atribuições de uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento não param por aí.

Também existem algumas instituições que possuem autorização para emitir e administrar cartões de crédito. Ou seja, elas conseguem atuar de maneira muito semelhante às emissoras tradicionais.

Na prática, isso quer dizer, que algumas SCFIs podem emitir cartão private label ou cartão co-branded, criando um ecossistema financeiro próprio dentro da sua base de clientes.

Quando falamos sobre o cartão private label, estamos falando de um instrumento que vai muito além de um simples meio de pagamento.

Esse “cartão de loja” não tem vínculo com as tradicionais bandeiras de cartão, podendo ser usado de forma exclusiva para compras na rede de lojas que o disponibilizou.

Assim, ele permite que os clientes e consumidores tenham acesso a condições especiais de pagamentos, como descontos, promoções e parcelamentos.

Por essas e outras razões, o cartão private label se torna uma ferramenta extremamente estratégica de relacionamento e recorrência de compra.

Para o varejo, essa estratégia representa dados e insights valiosos sobre o comportamento de consumo, além de uma nova fonte de receita oriundas dos juros.

O que é um cartão private label bancarizado?

Em suma, a Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento atua como uma completa plataforma de crédito e financiamento.

Ao oferecer diversas oportunidades de operação e financiamento, ela se torna uma estrutura crucial para as empresas que buscam criar um ecossistema financeiro próprio, fortalecer o relacionamento com clientes e obter novas fontes de receita.

Como a Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento se financia?

Embora a Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento possa realizar essa série de atividades, a sua principal função é conceder crédito.

Ou seja, ela deve ser capaz de garantir fontes sustentáveis e diversificadas de funding para suportar a sua carteira.

Aqui, vale um adendo: como dito anteriormente, uma SCFI pode captar recursos públicos, mas de forma limitada e específica, ao contrário dos bancos tradicionais, que podem captar recursos através dos depósitos à vista e a prazo.

No caso da SCFI, ela se financia exclusivamente por meios privados e estruturados, por meio da securitização no mercado de capitais.

Neste sentido, podemos destacar algumas principais formas de financiamento usadas pelas Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento. São elas:

Capital Próprio

Naturalmente, o capital próprio é a principal fonte de recursos quando uma SCFI é estruturada.

Aqui, os recursos são aportados pelos sócios ou acionistas, por meio de capital social, reservas ou lucros retidos, que são utilizados como uma espécie de “colchão patrimonial” da SCFI.

O capital próprio dos acionistas e donos da operação será utilizado para que essa instituição financeira realize seus primeiros financiamentos e constitua sua carteira de crédito.

Na sequência, essa carteira poderá ser usada como uma base para a realização de operações de crédito mais estruturadas.

Essa estratégia proporciona algumas vantagens, pois reduz a necessidade de caixa, aumenta a confiança do mercado e permite crescimento inicial sem depender exclusivamente de dívida.

Emissão de Letras de Câmbio (LCs)

Outra forma de financiamento da Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento ocorre por meio da emissão das Letras de Câmbio (LCs).

Elas são um título de crédito regulado pelo BC, sendo um título de dívida privada, que representa uma promessa de pagamento, acrescida de juros, em uma data futura.

Na prática, ela é bem parecida com uma Cédula de Crédito Bancário (CCB), sendo lastreada por operações de crédito, como CDC ou financiamento.

Neste caso, a SCFI emite a LC no mercado, normalmente com o apoio de uma Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM).

Posteriormente, esse título de crédito é oferecido aos investidores de renda fixa, já contendo uma rentabilidade definida (pré fixada, pós-fixada ou híbrida).

Quando um investidor adquire essa Letra de Câmbio, ele entrega o seu dinheiro a Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento, que se compromete a devolver esse montante acrescido de juros no vencimento do título.

Esses recursos que foram captados entram no caixa da SCFI, e servem para financiar novas operações, como por exemplo, crediário próprio, no caso do varejo.

Além disso, é importante pontuar, que a Letra de Câmbio é um título de crédito que possui ampla aceitação no mercado de renda fixa, tendo um custo mais atrativo do que outras formas de captação no mercado.

Essa possibilidade permite que o varejista organize os prazos de captação conforme seu planejamento financeiro.

Empréstimos Interfinanceiros 

Uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento também se financia através de empréstimos interfinanceiros.

Eles são linhas de crédito de curto a médio prazo contratadas junto a outras instituições financeiras, como bancos ou cooperativas de crédito.

Na prática, esses empréstimos interfinanceiros funcionam da seguinte forma: a SCFI negocia linhas de empréstimo com prazos, garantias e taxas definidas, utilizando essas linhas para financiamento da carteira ou cumprimento de necessidades temporárias de liquidez.

De modo geral, os empréstimos interfinanceiros também proporcionam algumas vantagens, especialmente no que diz respeito à alavancagem de curto prazo.

Além disso, essa linha de crédito possui maior rapidez de contratação e possibilidade de negociar condições mais vantajosas, especialmente se houver relacionamento bancário forte.

Nota Comercial

Uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento também consegue se financiar por meio da emissão de nota comercial.

A nota comercial é um título de dívida de curto prazo, geralmente com vencimento entre 30 e 360 dias.

Através dela, a SCFI consegue remunerar com juros o investidor que foi responsável por aportar capital na operação.

Até por conta disso, as empresas que não têm origem no mercado financeiro conseguem utilizar uma nota comercial para captar recursos junto a investidores no mercado de capitais.

Em suma, a nota comercial também representa uma promessa de pagamento, usada para financiar capital de giro ou outras atividades operacionais.

Ademais, é importante salientar que esse título de crédito pode ser emitido por S.A.s, como Securitizadoras e SCFIs.

Desse modo, é possível efetuar uma operação mais simples e com menos exigências regulatórias do que as realizadas por meio das debêntures.

Todavia, diferentemente do que ocorre com as debêntures, as notas comerciais não possuem isenção do Imposto de Renda (IR).

Debêntures

Já que citamos sobre as debêntures, é importante explicarmos melhor sobre ela, que também pode ser usada por uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento para captação de recursos.

As debêntures são muito parecidas com as notas comerciais, porém, elas são títulos de dívida de médio a longo prazo, geralmente acima de 1 ano.

Esses valores mobiliários representam uma dívida de médio ou longo prazo de uma empresa, que faz a emissão para captar recursos junto a investidores do mercado de capitais.

Na prática, quem adquire uma debênture está emprestando dinheiro para que essa empresa rode um novo projeto ou financie uma operação de crédito.

Por consequência, o investidor que compra esse valor mobiliário garante o direito de crédito, que deverá ser pago pela empresa que fez a emissão da debênture.

No caso da SCFI, essa instituição financeira pode utilizar os recursos que foram captados através da debêntures para financiar projetos que foram previamente definidos.

Ademais, também é válido ressaltar que as debêntures têm isenção fiscal do IR para pessoas físicas. Esse é um atrativo para os investidores que buscam ativos de crédito privado que possuem incentivos fiscais.

Como funciona a tributação de uma debênture?

 

Veículos de Securitização

Por fim, uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento também pode se financiar vendendo seus recebíveis para um veículo de securitização.

O veículo de securitização é uma estrutura jurídica criada para isolar os ativos financeiros de uma empresa e convertê-los em títulos negociáveis no mercado de capitais.

Na prática, essa estrutura possui toda a infraestrutura exigida pelos órgãos reguladores do mercado financeiro para realizar operações de securitização.

No mercado, existem dois tipos de veículos de securitização muito comuns, e que são usados para essa prática: o FIDC e a Securitizadora.

FIDC

O FIDC é uma estrutura de fundo regulamentada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e muito usada para o financiamento de operações de crédito que tem os cotistas como investidores, que podem ser você, seu negócio, ou investidores do mercado de capitais

Em suma, o FIDC nasce para comprar direitos creditórios, que são o direito que uma empresa tem de receber uma dívida.

Essas dívidas podem ser duplicatas, recebíveis do cartão de crédito, cartão private label, entre outras dívidas financeiras, como nota comercial ou CCB.

O principal objetivo do FIDC é conectar os cotistas aos investidores interessados em valorizar o seu capital.

Nos “bastidores” desse processo sempre há a presença de uma instituição financeira ou DTVM que faz a estruturação, administração ou custódia do fundo, a fim de garantir a segurança e conformidade regulatória.

Uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento pode ceder seus direitos creditórios para um FIDC.

Por sua vez, esse fundo fará a emissão de cotas (com diferentes níveis de risco/retorno) que serão adquiridas por investidores.

Os recursos captados com a emissão dessas cotas vai para a SCFI, que consegue diversificar suas fontes de funding, que vem de investidores (que podem ser os próprios donos do negócio), e não dos empréstimos diretos.

Securitizadora

Por outro lado, a Securitizadora é um CNPJ criado no regime de S.A. – Sociedade Anônima, cujo objetivo é comprar recebíveis com o capital dos seus investidores.

A Securitizadora compra os direitos sobre os recebíveis de uma empresa e emite títulos lastreados, a fim de assegurar a existência e validade do recebível.

A CVM recomenda a estruturação de uma Securitizadora como uma subsidiária integral a partir de uma Securitizadora já regulada pela CVM. Assim, é possível alcançar a mesma eficiência tributária de um FIDC.

Uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento pode vender seus recebíveis para este veículo de securitização, que por sua vez, fará a emissão de CR ou debêntures.

Esses valores mobiliários são a forma como a SCFI vai captar os recursos no mercado de capitais para alocar dentro desta estrutura.

Assim, é possível comprar um recebível pelo seu montante a vencer, com deságio. Quando o devedor pagar o montante total, o valor do deságio será a receita da Securitizadora, que será direcionada ao investidor.

A Securitizadora não faz apenas a emissão e venda dos títulos aos investidores. Ela também é responsável por administrar e gerir os recebíveis, repassando os valores para quem adquiriu os créditos.

Independentemente de qual seja o veículo de securitização utilizado pela Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento, os ganhos acabam sendo os mesmos.

Afinal, a partir do momento em que transforma seus créditos em títulos negociáveis no mercado de capitais, a SCFI obtém capital para novos financiamentos.

Quais são as diferenças entre FIDC e Securitizadora?

 

Qual é o papel da Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento na bancarização do varejo?

Se você já acompanha os conteúdos aqui em nosso blog, está familiarizado com um conceito em especial: a bancarização.

Em nosso contexto, a bancarização é o processo de constituir uma infraestrutura de instituição financeira dentro das empresas.

Com isso, qualquer organização que não tem origem no mercado financeiro, pode financiar operações de crédito no seu ecossistema.

Além do mais, essas empresas também conseguem realizar diversas outras atividades que são desenvolvidas por um banco ou instituição financeira tradicional.

Um setor que vem aproveitando muito essas oportunidades, é o varejo, que nos últimos anos, tem criado suas próprias estruturas de crédito para financiar seus ecossistemas.

Neste contexto, a Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento possui um papel extremamente estratégico para o Retail Banking.

Afinal, essa instituição financeira possibilita que os varejistas criem seu braço financeiro dentro de um ambiente 100% regulado pelo BC.

Ao funcionar como o braço financeiro do varejista, a SCFI consegue oferecer financiamento, crédito CDC, cartões private label, entre outras soluções de pagamento sob a sua própria marca.

Além de transformar o crédito em ferramenta de fidelização e aumento de receita, essa estratégia também amplia o acesso de clientes a serviços financeiros personalizados.

Ademais, quando o varejo passa a utilizar uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento, ele deixa de depender exclusivamente dos bancos tradicionais.

Afinal, ele passa a capturar valor ao longo de toda a jornada financeira do cliente, da compra até o pós-venda.

Ao bancarizar sua base de clientes, o varejista consegue integrar consumo, crédito e relacionamento dentro de um único ecossistema.

Todos esses fatores representam um diferencial extremamente competitivo dentro de um mercado tão disputado quanto o varejo.

Quais são os desafios de utilizar uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento no varejo?

Apesar de oferecer diversos ganhos e oportunidades ao varejo, existem alguns desafios relevantes de gestão e implantação da Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento.

Esses desafios são inerentes às empresas que não nasceram como instituições financeiras, como é o caso do varejo, indústrias e marketplaces.

Logo, é importante que você conheça melhor quais são esses desafios, e o que deve ser levado em conta caso opte por bancarizar seu negócio utilizando essa instituição financeira. Veja:

Complexidade regulatória da Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento

A Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento é uma instituição financeira regulamentada pelo Banco Central (BC).

Consequentemente, para que ela possa operar, é necessário cumprir e atender diversas exigências legais, operacionais e de compliance.

Em suma, o conceito de instituição financeira é bastante amplo, e abrange diversos modelos de negócios, cada qual, com suas diferentes regulamentações e níveis hierárquicos.

O BC estabelece 5 níveis hierárquicos, que são essenciais para determinar o nível de autorização, complexidade e escopo de atuação.

As SCFIs estão enquadradas no nível 2 – Crédito Especializado. Essas instituições financeiras podem conceder crédito, financiar e estruturar operações, contudo, não podem captar depósitos à vista.

Por ser uma das principais licenças, existem regras de capital mínimo, compliance, auditoria, controles internos, governança corporativa e prestação de informações periódicas.

Para o varejo, essas diligências exigem uma estrutura jurídica e técnica especializada, além de outros investimentos contínuos para adequar reguladoramente a operação.

Estruturação operacional e tecnológica

Outro desafio inerente à implantação da Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento, diz respeito à estruturação operacional e tecnológica.

Afinal, a montagem de uma SCFI demanda infraestrutura tecnológica robusta, que seja capaz de sustentar toda a jornada de crédito, da originação à análise de crédito, até a gestão de crédito e cobrança.

Além do mais, também é necessário integrar sistemas financeiros, plataformas de crédito e demais ferramentas de Know Your Customer (KYC).

Todos esses itens são extremamente necessários para garantir a transparência, segurança, escalabilidade e eficiência das operações de crédito.

Assim como ocorre com o desafio da complexidade regulatória, esse processo de estruturação acaba sendo mais completo para empresas que não tem um “core financeiro” interno.

Gestão de risco de crédito e capital

Embora possa realizar diversas atividades, a concessão de crédito é a função principal realizada por uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento.

Independentemente se essa concessão ocorrer com recursos próprios ou captados, a SCFI irá assumir o risco direto de inadimplência e liquidez.

Portanto, é crucial que essa instituição financeira tenha uma ótima e estruturada gestão de risco de crédito e capital.

Logo, é fundamental desenvolver modelos de crédito, políticas de garantias, monitoramento de carteira e boas práticas de gerenciamento de capital.

A inexperiência ou ausência de expertise nessa área podem comprometer a rentabilidade e sustentabilidade da operação.

Por isso, é crucial que o varejista conte com o auxílio de parceiros estratégicos e tecnológicos de risco.

Cultura financeira dentro do varejo

Por fim, esse não chega a ser um desafio técnico, mas é igualmente importante. Estamos falando do ajuste cultural.

Embora o varejo seja um setor que, historicamente concede crédito (através do crediário), ainda assim, existem varejistas que não têm essa cultura financeira dentro do escopo do negócio.

Se este é o seu caso, é necessário adotar uma mentalidade de instituição financeira, que tenha foco em margem de banco, rentabilidade de carteira e gestão de risco.

Esses itens são igualmente importantes que o volume de vendas, pois o jogo mudou. O varejo assumir o crédito é o futuro.

Os varejistas que já bancarizaram sua operação, conseguem reduzir margem no varejo e ganhar no financeiro, com uma oferta melhor para o cliente.

Porém, isso exige capacitação das equipes, revisão de processos internos e criação de métricas e indicadores de desempenho (KPIs) voltados à performance de crédito.

Nada disso é fácil. Mas, a grande pergunta que fica é: se não começar agora, vai começar quando?

Cada dia que passa vai ficar mais difícil, a concorrência vai estar mais experiente e terá menos espaço para os varejistas experimentarem.

A operação de uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento é um movimento estratégico e de alta complexidade.

Naturalmente, esse processo demanda a criação de uma estrutura tecnológica e maturidade na gestão de risco.

Entretanto, quando é bem executada, essa estrutura possibilita que o varejista assuma o protagonismo financeiro da sua operação, capturando valor ao longo de toda a jornada do cliente, e construindo um verdadeiro “banco” dentro do seu ecossistema.

SCFI, SCD e IP: quais são as diferenças entre essas instituições financeiras?

Como dissemos anteriormente, o conceito de instituição financeira é muito amplo, abrangendo diversos modelos de negócios.

Entre eles, destacam-se a Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento e mais duas instituições em especial:

  • Sociedade de Crédito Direto (SCD);
  • Instituição de Pagamento (IP).

Essas três estruturas são diferentes, tanto em propósito, quanto em relação a abrangência de serviços e fontes de recursos.

Neste sentido, é fundamental que você compreenda quais são as diferenças entre esses modelos, pois isso é crucial para definir qual dessas estruturas é a mais adequada ao seu negócio.

Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento 

Como dissemos ao longo desse texto, a SCFI é uma instituição financeira tradicional, autorizada pelo BC por meio da Resolução CMN nº 2.309/1996.

A Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento pode emprestar recursos próprios e de terceiros, além de poder captar dinheiro público, por meio da emissão de Letras de Câmbio, debêntures, notas comerciais, entre outros instrumentos financeiros.

Na prática, a SCFI pode oferecer crédito CDC, financiamento de bens e serviços, arrendamento mercantil, emissão de cartões de crédito, entre outras aplicações financeiras e operações de investimento.

Essa instituição financeira está enquadrada no nível hierárquico 2 do BC, tendo uma estrutura mais robusta e com maior autonomia operacional.

No entanto, essa regulamentação também obriga uma maior complexidade regulatória, o que também aumenta os custos de implantação.

Sociedade de Crédito Direto (SCD)

Por sua vez, a Sociedade de Crédito Direto (SCD) também é uma instituição financeira regulada pelo BC e pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), por meio da Resolução CMN nº 4.656/2018.

A SCD está enquadrada no nível hierárquico 3 do BC, sendo uma instituição financeira 100% digital, especializada em estruturar operações de concessão de crédito.

O objetivo principal da SCD é fornecer empréstimos diretamente aos tomadores, sem que um banco tradicional tenha que intermediar a operação.

Contudo, diferentemente do que ocorre com a Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento, a Sociedade de Crédito Direto só pode emprestar, financiar ou comprar direitos creditórios usando recursos próprios. Ou seja, ela não pode captar recursos de terceiros e nem emitir valores mobiliários.

Para financiar uma operação de crédito, a SCD pode fazer a emissão de CCB, documento responsável por formalizar essa operação junto ao BC.

Assim, a CCB é usada para formalizar a operação de crédito do varejista, que poderá cobrar juros nas vendas parceladas ou outras operações que envolvam juros.

Além disso, a SCD também aloca esses recursos para conceder crédito com condições mais atrativas, tanto para pessoas físicas, quanto para pessoas jurídicas.

Por atuar em um ambiente 100% digital, essa instituição financeira reduz as burocracias, concedendo financiamentos mais atrativos do que os oferecidos pelos bancos tradicionais.

Ademais, uma Sociedade de Crédito Direto também pode securitizar seus recebíveis por meio de um veículo de securitização, e também, prestar serviços de análise de crédito, cobrança e distribuição de seguros que estejam relacionados às suas operações.

Na comparação com a SCFI, a SCD possui menos complexidade regulatória, sendo ideal para os varejistas que desejam conceder crédito com capital próprio, de forma digital e escalável.

Instituição de Pagamento

Já a Instituição de Pagamento, é regulamentada no Brasil desde 2013, quando entrou em vigência a Lei nº 12.865/2013.

Também conhecida como IP, ela é uma pessoa jurídica autorizada pelo BC para prestar serviços referentes à movimentação de recursos, no âmbito de um arranjo de pagamento.

Na prática, um arranjo de pagamento é um conjunto de regras e procedimentos que determinam como uma transição financeira será realizada.

Neste caso, a Instituição de Pagamento precisa fazer parte de um arranjo, pois ele será o responsável por definir as regras do seu funcionamento.

Desse modo, uma IP pode viabilizar serviços de compra, venda e movimentação de recursos, porém, sem poder ofertar financiamentos ou empréstimos.

Isso significa, que a Instituição de Pagamento não pode fazer uma concessão de crédito com recursos próprios e nem captar depósitos do público, ao contrário do que ocorre com a Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento.

Contudo, as IPs são habilitadas a movimentar contas de pagamento, realizar emissão de cartões pré-pagos, processar transações e fazer serviços de adquirência.

Para tal, uma Instituição de Pagamento deve estar enquadrada em alguma dessas modalidades:

  • Emissor de moeda eletrônica;

  • Emissor de instrumento de pagamento pós-pago;

  • Credenciador (adquirente);

  • Iniciador de transação de pagamento (ITP).

Em suma, enquanto a SCFI oferece autonomia para operar crédito e investimento, a SCD aparece como uma versão moderna, ágil e digitalizada desta operação.

Por outro lado, a IP funciona como a “porta de entrada” para os varejistas que desejam digitalizar pagamentos e oferecer experiências financeiras integradas.

Cada uma dessas instituições financeiras possui suas vantagens e limitações, o que nos leva a um questionamento central: como escolher o modelo ideal para o varejo?

Quais são os Tipos de IF no Banco Central?

SCFI, SCD e IP: como escolher o modelo ideal para o varejo?

A escolha entre uma SCFI, SCD e IP é uma decisão estratégica que depende diretamente do nível de maturidade financeira, disponibilidade de capital e objetivos que querem ser alcançados com a bancarização.

Afinal, não existe um “certo ou errado”, pois todos os modelos possuem suas vantagens, ao atender um perfil diferente de operação.

Isso vale para o varejista que está começando a integrar serviços financeiros em seu ecossistema, e também para aquele que deseja entrar mercado de crédito.

Abaixo, listamos alguns critérios principais que vão te ajudar a orientar sua escolha. Confira:

Estrutura regulatória e apetite de complexidade

De início, o primeiro ponto é compreender o grau de regulação que o varejista está disposto a encarar.

Como dissemos anteriormente, a SCFI exige autorização plena do BC, especialmente no que diz respeito ao cumprimento das exigências de compliance, capital mínimo elevado e uma governança corporativa robusta.

Por conta desses aspectos, a Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento é ideal para grandes grupos varejistas, que já tenham operações financeiras consolidadas.

Por outro lado, a Sociedade de Crédito Direto, por ser 100% digital e ter foco na concessão de crédito com recursos próprios, oferece um modelo mais ágil e flexível, com menos burocracia e carga regulatória.

Já a Instituição de Pagamento, acaba sendo a porta de entrada mais simples, pelo fato dela não ser efetivamente um banco, o que reduz a complexidade regulatória e acelera o início da operação.

Objetivo estratégico da operação de crédito

Outro ponto importante para a escolha do modelo ideal, diz respeito ao objetivo estratégico da operação de crédito, ou seja, do propósito da bancarização dentro do ecossistema do varejista.

Caso o foco seja oferecer crédito próprio, financiar vendas e monetizar o crédito, a Sociedade de Crédito Direto é a mais indicada.

Porém, se o objetivo estratégico for ampliar a presença financeira, captar recursos no mercado e operar produtos de investimento, a Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento é uma opção mais completa.

Em contrapartida, caso a estratégia seja controlar a jornada de pagamentos, criar carteiras digitais ou oferecer programas de fidelidade, a IP é a estrutura ideal.

Capacidade de capital e funding

Além disso, a capacidade de capital e funding é outro ponto chave para a escolha entre uma SCD, SCFI ou IP.

Como dissemos anteriormente, a Sociedade de Crédito Direto só pode operar com recursos próprios, sendo indicada para varejistas que têm disponibilidade de capital e buscam escalar uma operação de crédito.

Já a Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento, pelo fato de poder captar recursos no mercado, é um modelo mais recomendado para os varejistas que pretendem expandir sua carteira de crédito e diversificar o funding.

Por fim, a Instituição de Pagamento não pode conceder crédito. Elas só podem movimentar contas de pagamento, realizar emissão de cartões pré-pagos, processar transações e fazer serviços de adquirência.

Grau de digitalização e integração tecnológica

Ademais, o grau de digitalização e integração tecnológica também é outro ponto que você deve considerar ao escolher entre algum desses modelos.

Os varejistas que tem têm ecossistemas ou canais de aquisição digital, conseguem se beneficiar melhor ao utilizar estruturas como IP e SCD.

Afinal, ambas conseguem integrar de maneira mais fácil APIs, dados de clientes e plataformas de pagamento.

Por outro lado, os varejistas que possuem operações mais tradicionais, como crediário físico e financiamento direto, têm a opção de usar uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento.

Em suma, a escolha ideal vai depender diretamente dos objetivos e da visão de futuro do varejo.

Os varejistas que desejam apenas digitalizar pagamentos, podem optar por uma Instituição de Pagamento, modelo essencial para gerenciar pagamentos e recebimentos de maneira eficiente e regulamentada, permitindo a integração com o Pix.

Para os varejistas que desejam conceder crédito apenas com capital próprio, ou securitizando carteiras, a Sociedade de Crédito Direto é a opção ideal, pois ela tem uma estrutura regulatória mais leve e menos burocrática.

Contudo, para os varejistas que desejam captar funding no mercado, ou precisam de uma estrutura financeira mais robusta para financiar um volume maior de operações de crédito, a melhor alternativa é a Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento.

Bancarize suas operações de crédito com a Giro SCD!

Como você observou no tópico acima, tanto a Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento, quanto a SCD e a IP são ótimas estruturas para os varejistas que desejam bancarizar suas operações de crédito.

Entretanto, se você ainda tem dúvidas e não sabe por qual caminho seguir, não tem problema. Em um primeiro momento, você não precisa criar sua própria instituição financeira.

Neste caso, o seu negócio pode utilizar uma solução de Credit as a Service (CaaS).

Também chamado de crédito como serviço, ele é um modelo de financiamento de crédito, no qual, o varejista terceiriza toda a infraestrutura tecnológica, regulatória e operacional necessárias para conceder produtos de crédito.

Desse modo, qualquer varejista pode oferecer empréstimos, financiamentos e outros serviços financeiros, sem ter que virar um agente regulado pelo BC.

Essa é uma ótima solução tanto para os varejistas que estão iniciando uma operação de crédito proprietária, quanto para aqueles que já têm operações grandes, mas que não têm interesse em expandir os produtos.

Se você ficou interessado neste modelo de negócio, e quer implantá-lo no seu varejo, nós te convidamos a conhecer a Giro SCD, a plataforma completa de CasS desenvolvida pela GIRO.TECH!

Como a nossa SCD atua?

A Giro SCD é a nossa Sociedade de Crédito regulamentada, e com todas as licenças exigidas pelo Banco Central.

Isso torna a nossa SCD uma instituição financeira especializada na concessão de crédito através de correspondentes bancários.

Os correspondentes bancários são autorizados a oferecer crédito para pessoas físicas e jurídicas, de acordo com o perfil do cliente e da operação desejada.

Neste sentido, a Giro SCD fornece a infraestrutura completa para operações de crédito consignado, crédito CDC, empréstimo pessoal, financiamento de veículos, entre outras.

As dívidas geradas pela SCD são adquiridas por um FIDC ou Securitizadora, usando o próprio capital do dono da operação.

Isso significa, que o varejista consegue usar seus recursos proprietários para financiar operações de crédito reguladas e com maior eficiência tributária.

Imagine que seu varejo vendeu uma televisão a prazo para um cliente. A Giro SCD fará o financiamento da venda ao cliente, para que ele possa pagar o produto adquirido.

Posteriormente, o seu veículo de securitização fará a compra desse título de crédito, se tornando o novo credor da dívida.

Quando o cliente fechar o pagamento das parcelas, o seu próprio negócio vai receber esses valores, através do veículo de securitização.

Se a operação for realizada com capital próprio, o seu varejo consegue destravar novas receitas originárias dos juros, obtendo maior margem de lucro.

Além disso, a tributação nesse modelo de negócio (SCD + veículo de securitização) é muito mais adequada do que o modelo tradicional, no qual, as responsabilidades fiscais pertencem à Sociedade de Crédito Direto.

Essa estrutura é mais leve e proporciona melhor eficiência tributária, especialmente se a sua estratégia for rodar operações com 100% de capital próprio.

Como funciona a operação de Bancarização da Giro SCD?

 

Conclusão

Ao concluir a leitura deste artigo, você conheceu melhor o que é uma Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento, que ocupa um papel central na bancarização do varejo.

E o motivo para isso é muito claro: a SCFI representa a ponte entre o crédito tradicional e o novo ecossistema financeiro.

Assim, empresas que não nasceram como bancos passam a poder atuar estrategicamente, oferecendo crédito, financiando o consumo e monetizando suas próprias operações.

Além da Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento, a Sociedade de Crédito Direto e a Instituição de Pagamento também são estruturas que se destacam.

Elas também ampliam o leque de possibilidades para os varejistas, que passam a ter novas oportunidades para estruturar funding e conceder crédito ao seus ecossistemas.

Enquanto a IP é a porta de entrada rumo à digitalização financeira, focando em pagamentos e relacionamento, a SCD permite oferecer crédito próprio de maneira ágil e 100% digital, com menos exigências regulatórias.

Já a SCFI possui um modelo mais robusto, que permite a captação de recursos, financiamento de vendas e, até mesmo, investimento em novos produtos financeiros, porém, tem maiores exigências regulatórias.

Ambas as estruturas são ótimas opções, contudo, uma coisa é certa: a implantação desses modelos envolve compliance regulatório, tecnologia e gestão de risco.

Portanto, é fundamental que você tenha o suporte de quem é especialista em transformar capital e prazo em crédito estruturado e ágil.

A GIRO.TECH se destaca por oferecer a tecnologia para crédito que simplesmente funciona, e ajudar os varejistas a terem margem de banco nas operações.

Conte com o suporte da Giro SCD na bancarização do seu varejo e descubra como podemos acelerar o seu crescimento e gerar valor sustentável a longo prazo.

Entre em contato, agende uma reunião com nossos especialistas, e descubra como a GIRO.TECH transforma seu crédito em resultado!

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