Veículo de securitização: tire todas as suas dúvidas!

Descubra como funciona um veículo de securitização e saiba como escolher a melhor estrutura de financiamento para suas operações de crédito!

imagem Veículo de securitização: tire todas as suas dúvidas!

A evolução do mercado de crédito permitiu a criação de estruturas cada vez mais sofisticadas para viabilizar operações seguras e eficientes, como é o caso do veículo de securitização.

Esse instrumento jurídico é fundamental para às empresas que buscam transformar recebíveis em ativos negociáveis no mercado secundário.

Ao securitizar seus recebíveis, indústrias, varejistas e marketplaces conseguem estruturar operações de crédito usando seu próprio capital.

Assim, essas empresas conseguem acessar capital de maneira estruturada e escalável, enquanto os investidores dispõem de novas oportunidades para obter rendimento e rentabilidade.

De modo geral, essa é base “por trás” da securitização, uma operação que tem se popularizado cada vez mais entre as empresas não financeiras.

Entretanto, para que esse movimento seja possível, não basta apenas a figura da empresa cedente e do investidor disposto a aportar capital na operação.

Também é necessário a atuação do veículo de securitização, responsável por fazer a “ponte” entre as contas a receber da empresa e o mercado de capitais.

Apesar disso, essa estrutura ainda gera muitas dúvidas: afinal, como ela funciona na prática? Quais são os principais veículos de securitização existentes no Brasil?

Como eles contribuem para intermediar operações realizadas fora do mercado financeiro tradicional? Essas estruturas são realmente seguras?

Essas e outras perguntas serão respondidas de forma objetiva neste artigo, que vai esclarecer tudo o que você precisa saber sobre veículo de securitização.

Portanto, se você busca estruturar uma operação de crédito de forma rentável e segura, siga a leitura conosco até o fim e tire todas as suas dúvidas!

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Antes de mais nada: o que é securitização?

Primeiramente, antes de entendermos todas as particularidades que envolvem um veículo de securitização, é importante recapitularmos o que é securitização.

Em suma, ela é um processo que transforma os direitos creditórios de uma empresa (recebíveis que ela tem a receber), em títulos que podem ser “vendidos” no mercado de capitais.

Ou seja, a empresa faz uma antecipação dos créditos que teria a receber futuramente, como contas a receber, parcelas de crediário, contratos de financiamento, duplicatas, CCB Bancária, entre outros recebíveis, e transforma esses créditos em capital imediato.

Desse modo, qualquer empresa consegue “transferir” seus direitos creditórios a um veículo de securitização, conforme veremos em itens a seguir.

Esses veículos serão os responsáveis por emitir títulos lastreados nesses ativos, como Certificado de Recebíveis (CR) e debêntures.

Por sua vez, esses instrumentos poderão ser comercializados no mercado secundário, permitindo que investidores institucionais aportem capital e comprem essas dívidas.

Na prática, a securitização oferece diversas vantagens, mas a principal delas, é o fato da empresa obter liquidez imediata sem precisar fazer um empréstimo bancário tradicional.

Ademais, as empresas também podem financiar uma operação usando os ativos que já possuem, pois a securitização possibilita que o dono da operação de crédito seja um investidor.

Isso significa que ele não necessariamente precisa buscar capital de terceiros. Assim, ao usar o próprio capital, ele consegue lucrar com a operação de securitizar seus recebíveis.

O que é um veículo de securitização?

Porém, para que essa operação seja possível, é necessário a atuação de um participante em especial: o veículo de securitização.

Ele nada mais é do que uma estrutura jurídica e financeira concebida para isolar os ativos de uma empresa e convertê-los em títulos negociáveis no mercado de capitais.

Esse veículo possui toda a infraestrutura exigida pelos órgãos reguladores do mercado financeiro para intermediar a securitização.

Na prática, podemos dizer que essa estrutura é uma espécie de “cofre”, no qual, são depositados os créditos ou recebíveis que serão usados como lastro em uma operação.

O lastro é igualmente importante nessa configuração, pois serve como garantia da existência e também da validade do recebível.

Esse isolamento patrimonial é crucial, pois ele assegura que os recursos destinados aos investidores não serão “misturados” com as finanças da empresa que originou os créditos.

Com isso, é possível reduzir os riscos e aumentar a segurança jurídica da operação de securitização.

Em suma, o principal objetivo dessa estrutura jurídica é converter os recebíveis em ativos negociáveis e repassar os pagamentos aos investidores que aportaram capital.

Todavia, é importante pontuar, que o veículo de securitização não está habilitado a fazer nenhuma concessão de crédito.

Ou seja, essa estrutura jurídica somente pode comprar os direitos creditórios que já existem, e transformá-los em ativos negociáveis.

Em outras palavras, o seu principal papel é atuar como uma “ponte” entre os originadores de crédito e investidores do mercado de capitais.


 

Como funciona um veículo de securitização?

Agora que você já está mais familiarizado com o que é um veículo de securitização, fica mais fácil de compreender como ele funciona.

Na prática, esse funcionamento pode ser entendido como o processo pelo qual os créditos originados por uma empresa são convertidos em títulos de investimento.

Essa lógica é bastante simples de ser entendida: uma empresa precisa de recursos imediatos para expandir projetos ou financiar operações de crédito.

Porém, ela não precisa recorrer a um banco e partir para uma linha de crédito tradicional. Ao invés disso, ela utiliza seus recebíveis futuros como garantia para captar recursos no mercado com taxas e condições mais atrativas.

De modo geral, podemos dividir esse processo em algumas etapas, sendo elas:

Originação dos créditos

A securitização tem início no momento em que a empresa faz a originação de crédito que, no caso, são os seus recebíveis futuros.

Eles podem envolver parcelas do cartão de crédito ou cartão private label, parcelas de boletos ou crediário próprio, duplicatas, contratos de aluguel ou financiamento, CCB, entre outros direitos creditórios.

Cessão para o veículo de securitização

Na sequência, os recebíveis são transferidos para o veículo de securitização, o que ajuda a garantir o isolamento patrimonial.

Essa “segregação” é importante para assegurar que se, eventualmente, a empresa que cedeu os créditos venha a ter dificuldades financeiras, isso não afetará os ativos que estão protegidos dentro da estrutura jurídica.

Estruturação da operação

Posteriormente, o veículo de securitização faz a organização e emissão dos títulos, que podem ser:

É durante a estruturação da operação que são estabelecidos os prazos, rentabilidade, riscos e garantias que estarão atreladas.

Além disso, é nesse processo que entram alguns participantes essenciais, como administrador fiduciário, custodiante e gestor (no caso do FIDC), conforme veremos adiante, em outro tópico.

Captação de recursos

A partir do momento em que os títulos são emitidos, eles passam a ser disponibilizados pelo veículo de securitização ao mercado de capitais.

Ou seja, eles passam a ficar à disposição dos investidores, que podem tanto ser institucionais, quanto individuais.

Fluxo de pagamento

Por fim, a securitização acaba no fluxo de pagamento, quando os clientes da empresa pagam suas parcelas oriundas das vendas a prazo.

Assim, os recursos são direcionados ao veículo de securitização, responsável por administrá-los e repassar os pagamentos dos valores aos investidores, já descontando taxas e outros custos operacionais.

Todos esses mecanismos ajudam a criar um elo entre as empresas que buscam liquidez e os investidores que estão atrás de boas oportunidades.

Ademais, esse processo também ajuda a promover mais transparência, segurança e eficiência tributária, afinal, o risco da operação passa a ficar limitado somente ao veículo de securitização, e não mais ao balanço da empresa cedente.

Quais são os tipos de veículos de securitização?

Chegamos a um dos principais tópicos deste artigo. Afinal, não basta que você aprenda somente a parte teórica do que é um veículo de securitização.

Também é importante que você saiba quais são os tipos existentes dessa estrutura, pois esse conhecimento será determinante quando você for escolher o melhor veículo para o seu negócio.

Se você já acompanha o nosso blog, sabe bem que falamos muito sobre duas dessas estruturas: o FIDC e a Securitizadora.

Esses dois veículos de securitização são os mais populares do mercado, no entanto, existem outros que também merecem sua atenção.

Abaixo, detalhamos de forma prática e objetiva, como cada uma dessas estruturas funciona. Confira:

FIDC

O Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) possui uma dualidade bastante particular, pois ele funciona tanto como um veículo de securitização, quanto um fundo de investimentos.

Essa estrutura de fundo é regulamentada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e é utilizada para financiar operações de crédito que têm como investidores os cotistas.

Os cotistas do FIDC podem ser você, seu negócio ou investidores terceiros, oriundos do mercado de capitais.

Em suma, o FIDC é concebido para comprar os direitos creditórios, que como dito anteriormente, são o direito que uma empresa tem de receber uma dívida.

Condomínio de cotas

A melhor forma de entender como um FIDC funciona é pensando que ele funciona como um “condomínio de cotas”, sem um dono específico.

O objetivo desse condomínio é conectar as cotas com investidores que estejam dispostos a comprá-las e integralizar seu capital.

Neste sentido, existem três tipos de cotas FIDC: sênior, subordinada e mezanino. Cada uma delas possui um diferente grau de risco.

A cota sênior tem a prioridade para receber os juros, além de conter uma remuneração pré-fixada. Os donos dessas cotas garantem rendimento fixo, desde que não haja inadimplência.

Por sua vez, a cota mezanino é “intermediária”, pois os seus cotistas recebem os rendimentos após o cota sênior, tendo prioridade sobre a subordinada.

Já a cota subordinada, é a que assume o maior risco na operação. Contudo, ela detém o maior potencial de ganho, pelo fato de não ter rentabilidade prefixada.

Todos os donos das cotas conseguem obter acesso aos direitos creditórios da empresa cedente. Quando há o pagamento dos títulos, o capital é integralizado ao patrimônio do FIDC.

Com isso, esses recursos podem ser tanto distribuídos aos investidores, quanto usados para a aquisição de novos títulos de crédito.

Todavia, para que o FIDC seja estruturado, é preciso a atuação de três figuras: gestora de recursos, administrador fiduciário e custodiante.

A gestora de recursos é responsável por analisar os direitos creditórios que serão comprados, ao passo que o administrador fiduciário é encarregado de lidar com as questões jurídicas. Já o custodiante, faz a guarda das cotas.

Quais são os participantes de um FIDC?

 

Securitizadora

Além do FIDC, o outro veículo de securitização mais comum utilizado nas operações de crédito estruturadas, é a Securitizadora.

A Securitizadora é um CNPJ criado no regime de Sociedade Anônima (S.A.), com um único propósito: comprar recebíveis com capital aportado pelos seus próprios investidores.

Essa estrutura compra os recebíveis da empresa cedente e emite títulos lastreados, para garantir a validade e qualidade do recebível.

Em relação a esse veículo de securitização, a CVM propõe o seguinte modelo de negócio: a estruturação de uma nova Securitizadora como subsidiária integral a partir de uma Securitizadora regulada pela própria CVM.

Ao utilizar essa configuração, é possível obter o mesmo nível de eficiência tributária que é alcançado dentro de um FIDC.

Desse modo, a Securitizadora passa a estar habilitada a emitir debêntures e CRs, alguns dos instrumentos usados para captar recursos que serão alocados dentro desse veículo.

Com isso, o investidor pode comprar um recebível pelo seu montante a vencer, com deságio. Quando o devedor pagar o total desse montante, a própria Securitizadora faz a conversão do deságio em receita para o investidor.

Isso significa que, além de fazer a emissão e venda dos títulos aos investidores, esse veículo também administra e repassa os valores a quem adquiriu algum direito creditório.

Quais são as diferenças entre FIDC e Securitizadora?

 

Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs)

Como dissemos anteriormente, o FIDC e a Securitizadora são os dois veículos de securitização mais populares nas operações de crédito estruturado.

Contudo, também existem outras estruturas, como é o caso dos Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs).

Os FIIs são uma espécie de “investimento coletivo” que reúne recursos de vários investidores interessados em aplicar e investir em ativos imobiliários.

Embora o intuito principal de um FII seja investir em imóveis físicos, como shoppings e prédios comerciais, esse fundo também pode comprar CRIs e Letras de Crédito Imobiliárias (LCIs), ambos instrumentos lastreados em recebíveis do setor imobiliário.

Neste caso, o FII não está propriamente securitizando os ativos em si, mas sim, investindo em títulos que foram oriundos de uma securitização.

Esse mecanismo possibilita que esse fundo participe de forma indireta do mercado de securitização imobiliária.

Fundo de Investimento nas Cadeias Agroindustriais (Fiagro)

Por sua vez, o Fundo de Investimento nas Cadeias Agroindustriais (Fiagro) é mais recente, tendo sido criado no ano de 2021.

O Fiagro é um veículo de securitização inspirado no FII, porém, o seu intuito é investir em ativos que compõem a cadeia do agronegócio.

Para tal, recebe aportes de investidores e faz a destinação dos recursos para o financiamento de atividades agroindustriais.

Neste sentido, o Fiagro pode atuar de três formas: compra de recebíveis, ativos físicos, como terras e imóveis rurais, e ativos financeiros, como CRAs e cotas de FIDCs.

Por conta disso, ele acaba funcionando com as mesmas regras de um FIDC, mas tendo foco mais específico nos ativos do setor agrícola.

Fundo de Investimento em Cotas de Fundos de Investimento (FICs)

Por fim, também há a existência do Fundo de Investimento em Cotas de Fundos de Investimento (FICs).

Embora tenha um nome um tanto quanto confuso, o FIC funciona de forma muito simples: ele é um fundo criado para investir em cotas de outros fundos.

Ou seja, um FIC pode comprar cotas de diversos fundos, como FIIs, Fiagros e FIDCs.

Na prática, ele não é um veículo de securitização, mas sim, uma maneira do investidor acessar, de forma diversificada, o mercado de FIDCs.

Assim, os investidores conseguem fortalecer o portfólio e diminuir riscos, obtendo acesso a diferentes classes de ativos sem precisar conhecer a fundo a estrutura individual de cada operação.

Neste caso, o FIC pode ter em sua carteira cotas de um FIDC de varejo, de um FII de títulos imobiliários e também de um Fiagro.

Essa é uma boa estratégia para que o investidor tenha exposição indireta a operações de securitização em diversos setores da economia.

Em suma, enquanto a Companhia Securitizadora e o FIDC são os veículos de securitização que efetivamente transformam os direitos creditórios em títulos negociáveis, as estruturas de FIIs, Fiagros e FICs podem investir nesses títulos, participando do mercado de crédito de maneira indireta.

Quais são as vantagens de utilizar um veículo de securitização?

Quando falamos sobre securitização, ainda é muito comum algumas pessoas pensarem que ela serve apenas para que uma empresa faça uma antecipação de recebíveis.

Entretanto, essa operação proporciona diversos benefícios às empresas que fazem parte do regime do lucro real.

A partir do momento em que utiliza um veículo de securitização e monta uma operação de crédito dentro dessa estrutura, a empresa consegue gerar maior eficiência financeira, segurança jurídica e, também, acessar novas fontes de capital.

Consequentemente, os efeitos são os melhores possíveis, pois a empresa consegue melhorar sua estrutura de capital e ampliar a confiança dos investidores.

Abaixo, listamos 5 principais vantagens que seu negócio consegue aproveitar ao utilizar a estrutura de um veículo de securitização. Observe:

Acesso a funding mais barato

Sem dúvidas, um dos principais benefícios que essa estrutura oferece, é a possibilidade da empresa captar recursos com custos mais competitivos do que os praticados nos empréstimos bancários tradicionais.

Afinal, quando uma empresa precisa recorrer ao sistema bancário, as taxas de juros costumam embutir o spread de crédito.

Esse indicador inclui as despesas administrativas, custos tributários e margem de lucro da instituição financeira que liberou os recursos.

Porém, se a empresa utiliza um veículo de securitização, é possível obter acesso a funding mais barato, por meio da securitização.

Isso é possível, pois os recebíveis da empresa vão servir de lastro para reduzir o risco da operação.

Por consequência, a taxa de remuneração exigida pelos investidores também tende a ser menor, reduzindo o custo de capital e tornando-o mais atrativo.

Isolamento de risco

Como dissemos anteriormente, o veículo de securitização consegue assegurar que haja o isolamento patrimonial, que é um dos grandes pilares da securitização.

Ou seja, os ativos transferidos são separados do balanço financeiro da empresa originadora, e passam a ser geridos pelo FIDC ou Securitizadora.

Na prática, esse isolamento de risco é muito importante, pois garante que os recursos dos investidores seguirão protegidos, mesmo que a empresa cedente apresente algum problema financeiro.

Isso ajuda a reduzir a percepção de risco do investidor, pois os pagamentos futuros vão depender unicamente da performance dos créditos que foram cedidos.

Aqui, vale um adendo: lembre-se de que os investidores podem ser tanto os donos da operação, quanto terceiros do mercado de capitais.

Diversificação de investidores

Embora a securitização permita que os financiadores da operação sejam os próprios donos e sócios da empresa, os veículos permitem que haja essa diversificação no perfil de investidor.

Ou seja, essa estratégia abre portas para que diferentes pessoas físicas e jurídicas aportem capital na estrutura de securitização.

Isso ajuda a reduzir a dependência de apenas uma única fonte de crédito e também proporciona maior liquidez para toda a operação.

Além disso, essa diversificação também é importante para diminuir o risco de concentração. Assim, diferentes perfis de investidores podem participar de uma operação de FIDC, por exemplo.

Afinal, aqueles que possuem perfil mais conservador poderão comprar cotas seniores, enquanto os que têm perfil mais ousado poderão adquirir cotas subordinadas.

Na prática, essa diversificação fortalece toda a operação e amplia a liquidez dos títulos que foram emitidos.

Expansão da capacidade de crédito

A partir do momento em que utiliza essa estratégia e conta com o apoio de um veículo de securitização, a empresa consegue liberar espaço no balanço para originar novos créditos.

Na prática, isso se traduz em expansão da capacidade de crédito, permitindo que a empresa escale operações de forma mais segura e eficiente.

Afinal, quanto maior for o número de créditos originados, maior será a capacidade da empresa ampliar as vendas e oferecer melhores soluções financeiras aos clientes.

No caso do varejo, por exemplo, essa estratégia pode significar a criação de um braço financeiro próprio, que permite a oferta de crediário loja, empréstimo pessoal ou cartão private label com funding próprio.

O resultado desse modelo de negócio é um incremento nas receitas financeiras, fidelização de clientes e um diferencial competitivo em relação aos concorrentes que dependem exclusivamente das linhas bancárias.

Eficiência tributária

Por fim, mas igualmente relevante: ao montar essa operação mais estruturada, a empresa consegue obter índices muito mais relevantes de eficiência tributária.

Desde que a Lei da Securitização entrou em vigência, o mercado de crédito passou a oferecer muito mais proteção jurídica e transparência aos envolvidos.

O modelo proposto pela CVM é que todas as empresas enquadradas no lucro real utilizem um veículo de securitização para captar recursos e financiar a operação.

Neste caso, a empresa pode ter o suporte de uma Securitizadora regulada, que fará a emissão dos títulos e a gestão completa de toda a operação, até que ela seja liquidada.

Por meio desta configuração, é possível reduzir a base de cálculo dos tributos que têm incidência sobre as receitas financeiras.

Afinal, sempre que uma empresa transfere seus direitos creditórios a um veículo especializado, ela deixa de reconhecer essas receitas financeiras como parte do seu balanço.

Essa prática de realizar uma operação de crédito “dentro” do CNPJ da própria empresa é muito recorrente em setores como o varejo.

Contudo, quando isso ocorre, todos esses valores acabam compondo a base de cálculo desses tributos:

  • IRPJ e CSLL: calculados sobre o lucro líquido;
  • PIS e COFINS: sobre a receita financeira bruta.

Quando ocorre a cessão dos direitos creditórios a um veículo de securitização, eles deixam de compor o ativo da empresa, que só precisará reconhecer a receita que foi obtida por meio da cessão,

Como isso ocorre na prática?

Nada melhor do que trazermos um exemplo prático para você conferir como isso é possível.

Pense no seguinte cenário: um varejista que não securitiza seus ativos faz o reconhecimento de R$ 3.000.000,00 em juros no período anual (12 meses). Além disso, ele também precisa pagar a tributação sobre todo esse valor.

No entanto, ele pode ceder esses direitos creditórios, com deságio, ao veículo de securitização, como por exemplo, R$ 2.900.000,00 à vista.

Nesta operação securitizada, o valor que será creditado como receita operacional é esses R$ 2.900.000,00. A carga tributária será incidente sobre esse montante e não mais sobre o total de juros.

Ademais, neste nosso exemplo, os R$ 100.000,00 da receita de juros terá tributado 15% do imposto apenas no resgate no FIDC ou Securitizadora, como mostra a tabela abaixo, com um exemplo real dos benefícios tributários ganhos em uma operação de cartão private label:

Como funciona a tributação no Cartão Private Label

 

Quais os principais cuidados que o varejo deve ter ao estruturar um veículo de securitização?

Já que citamos um exemplo real de operação que ocorre no varejo, é mais do que justo que você saiba quais cuidados deve seguir caso opte por estruturar um veículo de securitização.

Essas boas práticas são importantes para que a operação seja feita de forma segura e transparente e consiga trazer os benefícios esperados.

Sendo assim, o primeiro ponto de atenção diz respeito à qualidade da carteira de recebíveis que será colocada como lastro na operação.

É recomendável que ela não tenha uma alta taxa de inadimplência, pois caso isso ocorra, os investidores perceberão esse nível de risco, o que deixará o funding mais caro.

Portanto, é necessário que você tenha uma boa política de crédito, e também, bons processos de gestão, cobrança e monitoramento da carteira.

Outro cuidado que merece a atenção, é em relação à governança da operação, especialmente se o intuito for montar uma estrutura de FIDC.

Como citamos anteriormente, esse veículo de securitização obrigatoriamente precisa da participação de três agentes (gestor, administrador fiduciário e custodiante).

Caso esse modelo seja o escolhido, é fundamental que você, enquanto varejista dono da operação, assegure que todos esses participantes sejam escolhidos de forma criteriosa, tenham credibilidade no mercado de capitais, e trabalhem atendendo aos interesses do seu negócio e dos eventuais investidores terceiros que aportarem capital.

Essa complexidade regulatória não pode ser deixada de lado, pois cada veículo securitizador possui suas próprias regras estabelecidas pela CVM.

Se você não levar em conta esses fatores regulatórios, poderá comprometer toda a operação e expor a empresa a riscos jurídicos e reputacionais. Por isso, não deixe de buscar auxílio com parceiros especializados que garantam a total conformidade em todas as etapas.

Custos de manutenção do veículo de securitização

Além disso, outro ponto que você precisa validar, é em relação aos custos de manutenção do veículo de securitização, principalmente se você escolher um FIDC.

Por “nascer mais robusto”, com a participação de vários participantes obrigatórios, essa estrutura demanda altos custos regulatórios.

Afinal, o processo de criação envolve despesas com auditorias, registros, consultorias, rating e remuneração dos participantes envolvidos.

Neste sentido, é fundamental que você avalie se o volume de recebíveis justifica a criação dessa estrutura, a fim de evitar problemas financeiros futuramente.

Ademais, é importante você saber que a securitização é uma estratégia de longo prazo. Ter esse entendimento é crucial para o alinhamento das suas expectativas.

Afinal, os exemplos que mostramos anteriormente indicam que essa operação não é somente uma forma de levantar caixa.

Quando bem estruturada, a securitização se torna uma ótima ferramenta de gestão financeira, eficiência tributária e fidelização de clientes.

Logo, é mais do que necessário que ela seja pensada para integrar a operação ao seu planejamento e gestão de crédito.

Isso garante que a estrutura seja escalável e esteja pronta para crescer junto ao seu negócio, gerando uma margem financeira contínua e recorrente.

Qual veículo de securitização é mais indicado ao varejo?

Essa é uma pergunta muito comum que costumamos receber aqui na GIRO.TECH. E de início, é importante frisarmos que não existe “bem e mal”, “certo ou errado”.

Tanto o FIDC quanto a Securitizadora são duas ótimas estruturas para quem busca gerar mais eficiência tributária em suas operações de crédito.

Como a grande maioria das operações de crédito no mercado acabam envolvendo investidores terceiros, o FIDC acaba sendo o veículo de securitização mais buscado por bancos, gestores de fundo e, até mesmo, operações de crédito com capital próprio.

Isso ocorre muito pelo desconhecimento que as pessoas têm acerca das vantagens proporcionadas pela Securitizadora.

Sem insegurança jurídica

Após a implantação da Resolução CVM 60, as Securitizadoras passaram a ganhar segurança jurídica e ampliar a eficiência, fortalecendo sua competitividade frente ao FIDC.

Não à toa, esse veículo passou a ser utilizado como estratégia para melhorar a gestão financeira e aumentar a eficácia tributária nas operações de crédito.

Quando falamos especificamente do varejo, na maioria dos casos, as redes varejistas desejam aproveitar essa oportunidade para trazer uma nova fonte de receita “para casa”.

Em muitas situações, esses varejistas não precisam de alavancagem do mercado, pois o intuito é somente utilizar o funding próprio para financiar as operações de crédito dentro desse “ecossistema fechado”.

Neste caso, como os próprios sócios do varejo são os donos e investidores da operação, usar uma estrutura robusta como o FIDC, pode não ser a melhor opção.

Portanto, a Securitizadora de crédito acaba se tornando uma opção mais vantajosa ao varejo. E existem algumas razões para isso.

Ao fazer uma emissão privada, é possível eliminar a burocracia, obrigações e participantes obrigatórios, o que reduz os custos da operação de crédito.

Além disso, quando um varejista utiliza esse veículo de securitização e busca bancarizar operações como cartão private label, empréstimo pessoal ou crediário, ele passa a ter maior liberdade para reduzir taxas e definir condições mais atrativas. Essa estratégia não seria possível em um FIDC financiado pelo capital de terceiros.

Ademais, os custos de estruturação da Securitizadora são mais baixos do que um FIDC, o que proporciona uma estruturação mais rápida e eficiente.

Assista o vídeo abaixo e entenda melhor as razões pelas quais o varejo tem optado por utilizar a Securitizadora como veículo de securitização.


A GIRO.TECH ajuda seu varejo a montar um veículo de securitização!

Estruturar um veículo de securitização é uma tarefa complexa, mas com os parceiros especializados e as tecnologias certas, é possível “passar pelo caminho das pedras” e transformar o crédito em margem financeira e vantagem competitiva.

É exatamente nesse ponto que a GIRO.TECH se posiciona como a parceira ideal do varejo. Afinal, nós conseguimos ajudar seu negócio a montar o veículo mais adequado à sua realidade!

Para a operação de FIDC, nós contamos com o suporte da Monetiza, nossa empresa especializada em gestão e estruturação de FIDCs.

A implantação desse braço financeiro pode ocorrer apenas com recursos próprios da empresa, seus acionistas, ou por meio da captação de recursos no mercado secundário.

Além do mais, nós também usamos o apoio do GTHub, nossa plataforma desenvolvida para conectar a operação de crédito do seu varejo com todas as “peças” que compõem uma infraestrutura de crédito.

O GTHub foi criado para eliminar os atritos na estruturação das operações, especialmente na integração entre a originação do crédito com a bancarização, e a posterior integração com o FIDC.

Desse modo, com uma solução “invisível” para infraestrutura de crédito, a GIRO.TECH consegue otimizar os processos complexos e garantir mais eficiência em toda a jornada de crédito.

O que é o Hub de Integração da Giro.Tech?

 

Securitizadora

Essa é a estrutura que utilizamos para montar um FIDC. Porém, como dissemos anteriormente, a Securitizadora ´é um veículo de securitização mais atrativo para o varejo.

É por isso que nós também conseguimos estruturar essa SPE- Sociedade de Propósito Específico, dentro das exigências estabelecidas pela CVM.

A GTS Securitizadora, nossa unidade regulada pela CVM, consegue criar uma subsidiária integral da nossa Securitizadora, dentro daquele modelo proposto pela CVM.

Assim, sua operação tem toda a segurança jurídica e eficiência tributária, permitindo que seu negócio foque esforços apenas no seu core business.

Também é importante pontuar que as emissões de títulos feitas pela GTS Securitizadora permitem que seu varejo obtenha recursos para rodar novas operações de crédito.

Para isso, nós ajudamos seu negócio na busca por investidores no mercado de capitais, através das debêntures emitidas como títulos de investimento.

Dessa forma, seu negócio poderá emitir esses títulos e vendê-los a investidores, abrindo portas para a captação de recursos de terceiros.

Esse modelo estruturado de veículo de securitização é ágil, leve, com menos custos e proporciona a mesma eficiência tributária do FIDC.

Estrutura de Securitização Giro.Tech

 

Conclusão

Por fim, após concluir a leitura deste artigo, você conseguiu conhecer melhor o que é um veículo de securitização e todos os diferenciais competitivos que ele oferece.

Essa estrutura jurídica é necessária para a realização da securitização, uma das estratégias mais poderosas utilizadas por empresas que buscam acessar o mercado de capitais de maneira mais estruturada, segura e eficiente.

Ao transformar seus direitos creditórios em ativos negociáveis, a empresa consegue captar funding mais barato, isolar riscos e expandir sua capacidade de crédito.

No contexto do varejo, isso faz toda a diferença, pois representa uma “quebra” na lógica tradicional de precisar depender exclusivamente dos empréstimos bancários tradicionais.

Com isso, os varejistas conseguem assumir o protagonismo do mercado, ao originar crédito e fortalecer toda a operação dentro dos seus ecossistemas.

Todavia, a estruturação de um veículo de securitização demanda alguns cuidados, que vão desde a qualidade da carteira até a conformidade regulatória e governança da operação.

Assim, será possível garantir que a securitização se torne um instrumento estratégico a longo prazo, capaz de gerar novas receitas, fidelizar novos clientes e transformar o crédito em resultado.

Por isso, se você está convencido de que chegou a hora de dar esse próximo passo dentro do seu varejo, a GIRO.TECH está pronta para ajudá-lo!

Nós fornecemos a tecnologia para crédito que simplesmente funciona e fornecemos todas as licenças regulatórias para constituir o seu próprio veículo de securitização.

Entre em contato com nossos especialistas, solicite uma reunião gratuita e descubra como nós podemos ajudar seu varejo a ter margem de banco nas operações de crédito!

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