ITP: entenda o que é e qual seu impacto na bancarização!
Entenda melhor o que é ITP – Iniciador de Transação de Pagamento, e descubra como ele pode impactar diretamente sua estratégia de bancarização!
22/01/2026

Entenda melhor o que é ITP – Iniciador de Transação de Pagamento, e descubra como ele pode impactar diretamente sua estratégia de bancarização!
22/01/2026

O avanço da bancarização e do crédito digital tem colocado diferentes estruturas e agentes em evidência, como é o caso do ITP, que ocupa uma posição central nesta revolução.
Também conhecido como Iniciador de Transação de Pagamento, ele é muito mais do que um novo agente regulado pelo Banco Central (BC).
Esse participante representa uma mudança estrutural na forma como os pagamentos são iniciados, dados são compartilhados e relações financeiras são construídas.
Ao atuar como um intermediário entre o usuário e sua instituição bancária, o Iniciador de Transação de Pagamento permite que os pagamentos online ocorram de forma mais segura e eficiente.
Isso ocorre, pois o ITP autentica todas as transações, reduzindo de maneira substancial os riscos de fraudes. Consequentemente, ele proporciona maior tranquilidade para os consumidores e vendedores.
No contexto do varejo bancarizado, isso faz toda a diferença, afinal, milhões de consumidores ainda circulam entre o varejo, o dinheiro e o crédito sem, de fato, estarem plenamente integrados ao sistema financeiro tradicional.
É justamente nesse “meio do caminho” que o ITP atua, conectando quem vende, quem compra e quem concede crédito de forma mais eficiente.
Logo, é fundamental que os varejistas entendam como essa figura pode reduzir fricções no checkout e ampliar o acesso a meios de pagamento.
Além disso, se bem utilizado, o Iniciador de Transação de Pagamento também abre novas camadas de dados transacionais e viabiliza estratégias mais inteligentes de crédito.
É sobre isso que falaremos neste artigo. Siga a leitura conosco e descubra, na prática, como funciona o ITP e qual seu impacto direto na bancarização no varejo!
Primeiramente, antes de entrarmos nessas questões mais práticas, é crucial que você se familiarize melhor com o que é ITP.
Também chamado de Iniciador de Transação de Pagamento, ele é a instituição autorizada a iniciar pagamentos em nome do usuário, a partir do acesso às suas informações financeiras, mas sem deter os recursos e sem ser o banco onde o dinheiro está.
Em outras palavras, o seu propósito é efetuar pagamentos diretamente (da conta do usuário para a conta do credor), eliminando intermediários.
Na prática, ela funciona como uma camada de orquestração entre o consumidor, o varejo e as instituições financeiras.
É o ITP quem conecta sistemas, dispara a ordem de pagamento e garante que a transação aconteça de maneira fluida, segura e regulada, principalmente em ambientes como Pix via Open Finance e Open Banking.
Esse ponto é fundamental, pois esse agente não movimenta dinheiro, não concede crédito e não guarda saldo.
O seu papel é iniciar a transação, com consentimento do usuário, conectando quem paga a quem recebe. Para isso, o ITP utiliza uma infraestrutura financeira moderna e interoperável.
Para os varejistas bancarizados, isso representa uma mudança estrutural. Historicamente, a experiência de pagamento sempre foi dominada por intermediários focados somente em liquidar a transação.
Isso muda com o Iniciador de Transação de Pagamento, que permite que os pagamentos sejam iniciados diretamente no ambiente do varejista.
Assim, o varejista consegue reduzir fricções e obter maior controle do fluxo. Isso abre espaço para checkouts mais inteligentes, menor dependência de cartões e novos modelos de integração entre pagamento e crédito.
Em suma, o ITP não é somente um novo agente do sistema financeiro, mas sim, uma peça-chave na construção de um varejo mais bancarizado, mais eficiente e mais “dono” da sua própria jornada financeira.
Agora que você já entendeu o que é o ITP, fica mais fácil de compreender como ela funciona na prática.
No entanto, para que isso seja possível, é necessário sair da rotina regulatória e olhar para aquilo que efetivamente interessa ao varejo: o que muda no checkout e como o pagamento ocorre de ponta a ponta.
Abaixo, trouxemos um breve passo a passo aplicado à uma operação de Pix, para que você possa entender como isso ocorre. Observe:
No momento do checkout, o cliente seleciona uma forma de pagamento que utiliza a iniciação via ITP, como é o caso do Pix no contexto do Open Finance.
Essa escolha acontece dentro do próprio ambiente do varejista, sem necessidade de redirecionamentos longos ou quebra de experiência.
Aqui já existe um ganho claro para os varejistas: menos fricção, mais conversão e maior controle em toda a jornada de pagamento.
Na sequência, após confirmar a opção, o cliente concede o consentimento para a iniciação do pagamento, conforme as regras do Open Finance.
Por sua vez, o ITP utiliza esse consentimento para se conectar à instituição financeira onde o cliente já possui uma conta ativa.
Esse ponto é central, pois o pagamento só acontece porque existe autorização explícita, padronização técnica e ambiente regulado. Ou seja, não há improviso, nem dependência de soluções proprietárias.
Com o consentimento ativo, o ITP inicia a ordem de pagamento diretamente junto ao banco do cliente, indicando o valor, o destinatário e os dados da transação.
Aqui, novamente, vale o reforço: o Iniciador de Transação de Pagamento não “toca” no dinheiro. Ele apenas inicia a transação, a fim de garantir que a ordem chegue corretamente à instituição financeira responsável por fazer a liquidação.
Posteriormente, a instituição financeira do cliente executa o pagamento via Pix, transferindo os recursos para a conta do varejista.
Assim como ocorre com o Pix Parcelado, tudo acontece em questão de segundos, com rastreabilidade, confirmação em tempo real e baixo custo transacional.
Do ponto de vista operacional, o varejo recebe rápido. Do ponto de vista estratégico, o varejista passa a entender melhor o comportamento de pagamento do cliente, com dados mais estruturados e integráveis às suas estratégias de crédito.
Por fim, após a execução, o ITP confirma o sucesso da transação e o checkout é concluído sem fricções adicionais.
Para o consumidor, a experiência é simples e sem atritos. Para o varejo, o processo é mais eficiente, mais previsível e mais controlável.
Isso vai de encontro à visão compartilhada por Edson Santos, CEO da Colink. Durante o Varejo Finance 2025, ele foi categórico ao afirmar que os clientes não têm mais paciência com a perda de tempo, pois desejam que os pagamentos sejam feitos de forma instantânea.
Ele também pontuou que se o pagamento demora mais do que três segundos, o cliente já fica incomodado. E pontuou que estamos caminhando para o fim do checkout, pois a falta de tempo muda a forma como as pessoas consomem.
Na prática, entender essas mudanças no checkout é essencial ao varejo, pois esse “passo a passo” não é somente um novo jeito de pagar. Ele cria uma base para tomadas de decisões mais inteligentes, como:
Menos dependência do cartão de crédito e de seus custos estruturais;
Maior controle sobre toda a jornada de pagamento;
Integração nativa com dados financeiros via Open Finance;
Base técnica para evoluir pagamentos em parcelamento, crédito e bancarização.
É exatamente nesse ponto que o ITP deixa de ser apenas um mecanismo de pagamento e passa a ser uma infraestrutura estratégica dentro do ecossistema do varejo moderno.
O ITP passou a ser regulamentado pelo BC em 2021, após a publicação da Resolução BCB nº 109/21.
Na ocasião, o órgão máximo financeiro do país estabeleceu o prazo de 30 de agosto de 2021 para que as instituições participantes do Open Finance implementassem os requisitos técnicos e demais procedimentos operacionais para o compartilhamento do serviço de iniciação de transação de pagamento de Pix.
Por meio desse serviço, as instituições autorizadas passaram a poder iniciar pagamentos sem que o usuário tivesse que acessar o aplicativo do banco.
Assim, as fintechs de crédito e demais instituições autorizadas passaram a poder iniciar uma transação Pix dentro de sites, e-commerces, varejo digital ou aplicativos de terceiros.
Isso tornou a jornada de compra mais dinâmica e segura, eliminando a necessidade do cliente ter que copiar/colar códigos.
Na prática, não se trata de uma “nova forma de pagamento”, mas sim, diferentes modelos de uso da iniciação de pagamentos, aplicados a contextos específicos do varejo.
Abaixo, listamos alguns exemplos onde o ITP se materializa. Veja:
Em todos esses exemplos, o ITP atua como infraestrutura invisível, que conecta o varejo ao sistema financeiro de maneira direta, eficiente e orientada a dados.
Para o varejista, o ganho está na possibilidade de reduzir fricções no checkout e integrar canais de aquisição físicos e digitais.
Além disso, ele também consegue criar recorrência e previsibilidade de receita e construir relações financeiras mais profundas com o cliente.
É esse conjunto que transforma o ITP em um vetor real de bancarização, especialmente quando combinada com estratégias de crédito, dados e Embedded Finance.

Quando falamos sobre o ITP, não podemos deixar de citar a sua importância para as diferentes modalidades do Pix, como é o caso do Pix Parcelado.
De maneira geral, ele é uma modalidade de crédito que permite que o consumidor parcele uma compra utilizando Pix, enquanto o varejista recebe o valor integral no momento da venda, sem ter que esperar pela liquidação e sem depender do limite do cartão do cliente.
Na prática, isso significa, que quem paga, pode parcelar, porém, quem recebe, já recebe o valor de maneira integral, no ato do pagamento.
Esse processo ocorre nos bastidores, com uma instituição financeira aprovando o crédito e depositando o valor total para o varejo, de forma imediata.
Assim, é a própria instituição financeira que assume a responsabilidade de cobrar as parcelas do consumidor.
Neste contexto, o Pix Parcelado nada mais é do que uma evolução na maneira como o crédito é originado, distribuído e operacionalizado no varejo.
No entanto, para que esse modelo funcione de maneira fluida, escalável e regulada, o ITP se torna uma peça central da engrenagem.
Isso ocorre, porque o Pix Parcelado necessita de dois elementos fundamentais. São eles:
O ITP atua exatamente nesse ponto, pois inicia a transação de pagamento a partir do consentimento do usuário e conectando o checkout do varejista às instituições financeiras envolvidas.
Além disso, ele também possibilita que o Pix seja iniciado diretamente no ambiente de compra do varejista, enquanto a camada de crédito opera em paralelo.
Com isso, é possível avaliar risco, limite e condições de parcelamento. O resultado é uma jornada contínua, sem redirecionamentos excessivos e sem ruptura entre a decisão de compra e a execução do pagamento.
Dessa forma, o Pix Parcelado deixa de ser uma alternativa ao cartão de crédito e passa a ser uma infraestrutura de crédito embutida, com custos potencialmente menores, maior controle da jornada e acesso a dados mais ricos sobre o comportamento financeiro do cliente.
Ademais, o ITP também cria a base necessária para escalar o Pix Parcelado com segurança regulatória, previsibilidade operacional e integração com o Open Finance.
A soma desses fatores ajuda a transformar o Pix Parcelado em um vetor real de bancarização, principalmente para consumidores que estão fora do sistema tradicional de crédito.
Assim como ocorre com qualquer serviço/transação/operação efetuada no mercado de crédito, é importante pontuar, que a atuação como ITP não é aberta a qualquer empresa.
Essa é uma atividade regulada pelo Banco Central, dentro do escopo do Open Finance, com requisitos claros sobre autorização, governança, segurança da informação e gestão de riscos.
Abaixo, listamos quais são os principais tipos de instituições que podem atuar como Iniciador de Transação de Pagamento, bem como o que o BC exige de cada uma delas. Confira:
A Instituição de Pagamento (IP) é uma pessoa jurídica autorizada pelo BC para prestar serviços que envolvem a movimentação de recursos no âmbito de um arranjo de pagamento, mas sem poder intermediar operações que são típicas de instituições financeiras, como é o caso da concessão de crédito com recursos próprios captados do público.
De modo geral, um arranjo de pagamento nada mais é do que um conjunto de regras e procedimentos que determinam a forma como uma transação financeira é efetuada.
Isso quer dizer, que a Instituição de Pagamento, obrigatoriamente, precisa fazer parte de um arranjo, pois ele é o responsável por definir as regras para o seu funcionamento.
Assim, a Instituição de Pagamento consegue viabilizar serviços de compra, venda e movimentação de recursos, mas sem poder ofertar financiamentos ou empréstimos.
Por conta dessas características, e por ter experiência em meios de pagamento, integração com o Pix e infraestrutura transacional, as Instituições de Pagamento estão entre os principais “candidatos naturais” a atuar como ITP.
Todavia, para que uma IP possa atuar como Iniciador de Transação de Pagamento, ela precisa de uma autorização específica do BC, além de cumprir requisitos adicionais ligados ao Open Finance, como:
Governança de consentimento do usuário;
Padrões de segurança cibernética;
APIs compatíveis com os modelos regulatórios.
Alguns exemplos de mercado incluem IPs que já operam carteiras digitais, soluções de checkout e plataformas de pagamento integradas ao Pix. É o caso, por exemplo, do PagSeguro, Mercado Pago, Stone, Pagar.me e Cielo.
Os bancos são instituições financeiras regulamentadas pelo BC, e responsáveis por lidar com dinheiro e prestar serviços financeiros para pessoas, empresas e governos.
De modo geral, um banco serve para guardar dinheiro, por meio de contas correntes e poupança, emprestar dinheiro, através de empréstimos e financiamentos, e facilitar pagamentos, via transferências, cartões, boletos e Pix.
Além disso, um banco também serve para que clientes físicos e jurídicos invistam dinheiro, por meio de aplicações financeiras, entre outros serviços financeiros adicionais.
Neste sentido, os bancos também podem atuar como ITP, contanto que estejam devidamente habilitados no Open Finance.
Assim, a iniciação de pagamentos passa a ser uma função adicional dentro do seu portfólio de serviços, se integrando diretamente à conta do cliente, e permitindo jornadas mais fluídas e menos dependentes de cartões.
Alguns exemplos incluem Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Nubank, que participam ativamente do Open Finance e desenvolvem desenvolvem soluções de iniciação de pagamentos conectadas às suas contas.
As instituições financeiras são empresas especializadas em intermediar o dinheiro entre poupadores e aqueles que precisam fazer empréstimos, além de custodiar (guardar) esse dinheiro.
Ou seja, uma instituição financeira é autorizada a administrar, intermediar ou operar recursos financeiros, sendo as responsáveis por fazer com que o dinheiro circule nos mais diferentes segmentos da economia.
Isso ocorre, pois são essas instituições que conectam quem possui recursos disponíveis, como investidores e depositantes, a quem necessita do crédito, como pessoas físicas e jurídicas.
Essa “conexão” pode acontecer de diferentes formas, via captação, empréstimos, investimentos, saques, pagamentos ou guarda desse dinheiro.
Além dos bancos, outras instituições financeiras autorizadas pelo BC, como cooperativas de crédito, Sociedade de Crédito Direto (SCD) e Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI) também podem atuar como ITP, desde que cumpram integralmente os requisitos regulatórios.
Aqui, é importante salientar, que o BC não diferencia uma instituição financeira pelo porte, mas sim, pela capacidade técnica, compliance e governança corporativa às regras do Open Finance, independentemente do modelo de negócio.
Alguns exemplos incluem cooperativas como Sicredi e Sicoob, além de instituições de crédito que operam em modelos digitais e B2B, integrando pagamentos, crédito e Open Finance.
Por fim, as startups e fintechs também se enquadram dentro deste grande ecossistema orquestrado pelo Banco Central.
As startups são empresas de tecnologia, que nascem para desenvolver um modelo de negócios escalável e inovador. De modo geral, elas operam com capital próprio, em um modelo de negócio conhecido como “bootstrapping”.
Contudo, elas costumam ter um alto potencial de crescimento, e na maioria das ocasiões, buscam investimentos externos para expandir seu escopo de negócios.
Por outro lado, as fintechs também são startups, mas elas atuam no setor financeiro, oferecendo soluções tecnológicas para melhorar e automatizar produtos e serviços financeiros.
Isso inclui diferentes operações de crédito, como pagamentos digitais, empréstimos online, gestão de investimentos, entre outros. O principal objetivo das fintechs é desburocratizar e tornar os serviços financeiros mais acessíveis e eficientes.
Tanto as startups, quanto as fintechs, podem operar como ITP, mas não de forma informal. Para que isso seja possível, elas devem obter autorização do BC, aderir ao Open Finance e cumprir exigências rigorosas de segurança, LGPD e governança corporativa.
É nesse grupo que surgem muitas das inovações em checkout, Pix, Embedded Finance e Pix Parcelado, todos focados em resolver dores específicas do varejo.
Alguns exemplos incluem fintechs que operam soluções de Open Finance, iniciação de pagamentos e infraestrutura financeira para empresas, na maioria das vezes, atuando como uma camada invisível dentro do ecossistema do varejista.
Quando falamos sobre ITP, não dá para ignorar a nova regulamentação do Banking as a Service (BaaS).
Lançada em conjunto pelo BC e pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a Resolução Conjunta nº 16/2025 foi lançada em novembro de 2025.
O seu objetivo foi regulamentar o BaaS, definindo responsabilidades claras, governança e transparência, com a instituição provedora sendo a responsável por controles (PLD/CFT) e identificação visível ao cliente.
O intuito dessa nova regulamentação é mitigar riscos e proporcionar maior segurança jurídica ao modelo, possibilitando que empresas não financeiras ofertem serviços por meio de parcerias com instituições reguladas.
Essa nova regulação de BaaS não surge como uma resposta pontual a problemas recentes. Ela é parte de um movimento estrutural do Banco Central, que começou com a abertura do mercado e agora avança para um estágio de maior exigência regulatória e supervisão.
Depois de mais de uma década estimulando concorrência, com o marco dos meios de pagamento, a criação das IPs, o Pix e as SCDs, o BC passa a elevar a régua de segurança, especialmente em modelos que possuem como base a terceirização, como é o caso do BaaS e do ITP.
Neste contexto, a principal mudança para os ITPs está na clareza de papéis e responsabilidades.
Afinal, a nova regulação de BaaS reforça que a iniciação de pagamentos é uma atividade regulada, e que a responsabilidade final por consentimento, segurança, prevenção à fraude (PLD/CFT) e conformidade permanece sempre com a instituição financeira autorizada pelo BC, mesmo quando há tomadores de BaaS envolvidos.
Outro ponto relevante é o fim da tolerância com “estruturas opacas”. Ou seja, modelos como contas bolsão mantidas por entidades não reguladas, “BaaS do BaaS” e custódia indireta de recursos foram explicitamente vedados, a fim de elevar o nível de exigência para ITPs integradas a esses arranjos.
Além disso, a nova regulação também vem acompanhada de uma supervisão mais rígida.
Isso quer dizer, que não basta a instituição financeira cumprir a norma. Ela também deve ser capaz de demonstrar governança real, controles de terceiros, KYC robusto e capital mínimo compatível com as atividades exercidas.
Em síntese, a nova regulação do BaaS organiza o mercado dos ITPs, reduzindo riscos sistêmicos e criando um ambiente mais seguro para que o varejo possa escalar suas estratégias de bancarização, com menos improviso e maior infraestrutura a longo prazo.
Após tudo o que dissemos anteriormente, você pode estar se perguntando: mas afinal, é seguro eu utilizar um ITP?
Essa dúvida é muito comum, e extremamente relevante, especialmente neste contexto das mudanças regulatórias no BaaS.
A resposta para essa dúvida é simples e direta: SIM, é seguro utilizar um ITP. Mas claro, desde que ele esteja inserido dentro de um arranjo regulado, aderente às normas do BC e estruturado sobre boas práticas de governança corporativa, segurança e transparência.
Todas essas questões vão de encontro com o que discutimos anteriormente. A iniciação de pagamentos via ITP tem origem dentro do Open Finance, após um consentimento explícito do usuário, padrões técnicos definidos e responsabilidades claras.
A partir da nova regulação do BaaS, o BC reforça ainda mais esse ambiente regulatório, reduzindo improvisos e fortalecendo a maturidade do ecossistema.
Na prática, o varejista não assume nenhum risco regulatório ao utilizar um ITP, pois esse risco permanece com a instituição financeira autorizada pelo BC, e responsável por conduzir a operação, gerenciando a segurança da informação, garantindo a conformidade e prevenindo fraudes.
Para o varejista, isso significa previsibilidade, escala e confiança para evoluir seus meios de pagamentos e demais estratégias de bancarização.
Por isso, mais do que seguro, o uso de ITPs bem estruturados passa a ser uma vantagem competitiva, especialmente no contexto do varejo, no qual os dados e experiência do cliente fazem total diferença.
Apesar do ITP ser, em um primeiro momento, muito associado à iniciação de pagamentos, esse não é o seu papel mais estratégico dentro do varejo.
Pelo contrário, esse “valor escondido” está em algo muito maior: a infraestrutura capaz de conectar consumo, dados, originação de crédito e funding.
Na prática, o Iniciador de Transação de Pagamento fica responsável por organizar o momento mais valioso da jornada financeira: a intenção de pagamento.
É justamente nesse momento que o varejista consegue capturar os dados transacionais do cliente, o contexto de compra, recorrência, ticket médio e comportamento financeiro do consumidor.
Todos esses elementos são fundamentais para que o varejista faça uma originação de crédito mais eficiente e menos dependente de modelos genéricos.
Pelo fato de iniciar o pagamento de forma direta no checkout, o ITP possibilita que o crédito seja operado de forma embutida, sem que haja atritos na experiência de compra.
Isso vale para qualquer estratégia de Embedded Lending, seja ela Pix Parcelado, parcelamentos híbridos ou qualquer outra solução de crédito próprio, como cartão private label ou CDC Lojista, que passam a ser oferecidos no momento exato da decisão de compra, com menor atrito e maior taxa de conversão.
Para o varejista, isso significa melhor qualidade na originação de crédito, com risco mais bem precificado.
Consequentemente, esse mesmo fluxo estruturado também impacta o funding, pois quando os meios de pagamento são iniciados de maneira padronizada, regulada e rastreável, os recebíveis gerados se tornam mais previsíveis, auditáveis e elegíveis para estruturas mais sofisticadas no mercado de capitais.
É aqui que entram os veículos de securitização, como é o caso do Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) e da Securitizadora.
Essas duas estruturas são autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a realizar a securitização, um processo que transforma os direitos creditórios de uma empresa (recebíveis que ela tem a receber, como parcelas de crediário/cartão, duplicatas, Cédula de Crédito Bancário (CCB), em títulos que podem ser comercializados no mercado de capitais.
Tanto o FIDC quanto a Securitizadora são as estruturas jurídicas e financeiras criadas para isolar os ativos de uma empresa e transformá-los nos títulos negociáveis no mercado de capitais.
Ambos os veículos de securitização dispõem de toda a infraestrutura necessária e exigida pela CVM para realizar as atividades que envolvem a securitização de recebíveis.
Neste sentido, um varejista que opera com um ITP bem integrado consegue organizar seus fluxos de crédito e pagamento de forma compatível com essas estruturas.
Assim, fica mais fácil para que o varejista faça uma cessão de direitos creditórios, diversifique seu funding e, consequentemente, reduza o custo de capital.
Na prática, o ITP não é o funding, mas sim, a infraestrutura tecnológica e regulatória que viabiliza uma originação de crédito mais inteligente e um acesso mais eficiente ao mercado.
Afinal, ele consegue conectar o varejo à próxima camada do sistema financeiro, na qual o crédito, os dados e o capital convergem, atuando de maneira integrada e escalável.
Se você já acompanha os nossos conteúdos aqui no blog, sabe bem que a bancarização não ocorre por “decreto” ou adesão a um produto financeiro específico.
Pelo contrário. Em nosso contexto, a bancarização, nada mais é, do que o processo de constituição de uma infraestrutura de instituição financeira dentro das empresas.
É permitir que as organizações que não têm origem no mercado financeiro, consigam financiar operações de crédito dentro do seu ecossistema, além de outras atividades tipicamente desenvolvidas por um banco ou instituição financeira tradicional.
No caso do varejo, ela ocorre quando os meios de pagamento, o crédito e os dados passam a operar de maneira integrada, dentro da jornada de consumo.
Neste sentido, o ITP ajuda a acelerar esse processo, justamente porque atua exatamente no ponto de convergência entre todos esses elementos.
Afinal, ao iniciar os pagamentos de maneira regulada, consentida e conectada ao Open Finance, ele consegue transformar o checkout em uma porta de entrada do sistema financeiro, principalmente para os clientes que não têm cartão de crédito ou que operam à margem do crédito tradicional.
Na prática, mais do que oferecer somente a eficiência operacional, o ITP consegue criar a confiança, fluidez e acesso, três pilares cruciais para que o varejo tenha sucesso na sua estratégia de bancarização.
Mas, não é só isso. O Iniciador de Transação de Pagamento também acelera o Retail Banking de várias outras formas. São elas:
A experiência é um fator central para o sucesso da bancarização no varejo. Quanto mais simples, rápida, fluida e sem atritos é a jornada, maior será a propensão do consumidor em adotar os meios digitais e financeiros.
Não à toa, grandes varejistas brasileiros não abrem mão de oferecer uma experiência sem ruídos na oferta de crédito aos clientes.
É o caso, por exemplo, da Magalu, que tinha um desafio principal: transformar o crediário tradicional em algo bancarizado.
De acordo com João Balogh, Head de Produtos Financeiros da Magalu, a empresa queria trazer uma experiência com menos atrito dentro da jornada do cliente, para que ele tivesse aquela sensação de conveniência.
Em sua participação no Varejo Finance 2025, ele foi categórico em dizer que a Magalu foca muito na jornada do cliente na oferta do CDC Digital.
Segundo ele, algumas pesquisas de mercado indicam que uma má experiência de compra faz com que o abandono de carrinho chegue a 88%.
Por isso, todo o investimento que a Magalu faz na experiência do cliente não é opcional, mas sim obrigatório para evitar essas perdas.
O ITP ajuda a reduzir qualquer fricção no checkout, evitando redirecionamentos desnecessários e conectando o pagamento diretamente à conta do cliente.
O resultado é uma experiência mais natural, que aproxima o consumidor do sistema financeiro sem exigir conhecimento técnico ou esforço adicional.
Além disso, vale ressaltar, que a iniciação de pagamentos via ITP ocorre dentro de um ambiente regulado, com consentimento explícito do usuário, autenticação forte e integração direta com instituições financeiras.
Esse procedimento robusto e estruturado ajuda a reduzir intermediários, elimina etapas manuais e diminui pontos de vulnerabilidade na jornada de compra.
Para o varejo, menos fraude significa menos perdas, menos disputas e maior previsibilidade de fluxo. Já para o sistema financeiro, isso significa maior confiança e tranquilidade para conceder crédito.
Essa combinação cria um ambiente mais fortalecido e saudável para a criação de estratégias de bancarização mais efetivas e sustentáveis.
O e-commerce brasileiro faturou mais de R$ 200 bilhões em 2025, apresentando um crescimento superior a 10% no comparativo a 2024, e impulsionado, principalmente, pela personalização por Inteligência Artificial (IA), que aumentou vendas e fidelização com elementos de Machine Learning e Big Data, que possibilitam uma análise mais preditiva.
Para 2026, a previsão é ultrapassar os R$ 258 bilhões, de acordo com um estudo produzido pela edrone.
Entretanto, apesar desse crescimento, o e-commerce também precisa enfrentar alguns desafios, sendo o principal deles, o abandono de carrinho.
Segundo um levantamento produzido pela Yampi, quase 70% dos carrinhos de compras são abandonados na etapa do checkout, quando o cliente preenche os dados para a entrega dos produtos.
Menos fricção gera maior conversão. Ao facilitar o pagamento e integrar crédito e parcelamento no momento da compra, o ITP atua diretamente sobre indicadores-chave do varejo digital, como taxa de conversão, ticket médio e recorrência.
Além disso, ao reduzir a dependência do cartão, naturalmente o varejo amplia seu alcance para consumidores que não possuem limite disponível ou sequer acesso a crédito tradicional.
Por fim, mas igualmente importante: um dos impactos mais relevantes do ITP está justamente na inclusão financeira desses consumidores que têm acesso limitado ao crédito tradicional.
Um levantamento produzido pela TransUnion estimou que aproximadamente 46 milhões de brasileiros sejam “invisíveis” ou sub atendidos pelo sistema de crédito formal. Isso significa que essas pessoas não conseguem acessar crédito de qualidade no mercado organizado.
Por incrível que pareça, esse cenário não se deve à falta de capacidade financeira, mas sim, à falta de histórico, de registro e elementos que possibilitem reduzir a incerteza por parte dos credores.
Aqui, entra um dos principais diferenciais que os varejistas dispõem: o conhecimento sobre quem são os seus clientes, afinal, ninguém conhece melhor quem é o seu público do que o próprio varejista.
Assim, ao utilizar os dados dos clientes para personalizar ofertas e conceder crédito a quem tem o perfil mais adequado, o varejista também consegue permitir que os pagamentos sejam iniciados diretamente a partir da conta bancária do cliente e integrados a soluções como o Pix Parcelado.
Desse modo, é possível oferecer acesso a consumo e crédito para aqueles perfis que historicamente são excluídos do sistema financeiro tradicional.
Nesse modelo, o varejo deixa de ser apenas um Ponto de Venda (PDV) e passa a ser um agente ativo de bancarização, conectando milhões de consumidores ao sistema financeiro por meio de uma experiência simples, segura e integrada.
Quando falamos sobre como o varejo pode criar um ITP, não estamos falando necessariamente de abrir uma nova empresa regulada ou assumir risco financeiro.
Na prática, trata-se de decidir como o varejista quer se posicionar dentro do seu ecossistema de pagamentos, crédito e dados.
Com a evolução do Open Finance e a nova regulação de BaaS, o varejo passa a ter três caminhos possíveis: operar como distribuidor, atuar como tomador de serviços de BaaS ou, em modelos mais avançados, estruturar uma instituição autorizada.
A escolha do melhor caminho a ser tomado depende do apetite regulatório, estratégia de longo prazo e maturidade operacional.
De toda forma, independentemente do modelo que você for escolher, é fundamental tomar alguns cuidados e decisões neste processo. São eles:
O primeiro passo é entender que o varejo não precisa ser a instituição financeira autorizada para criar uma experiência de ITP.
Na maioria dos casos, o caminho mais eficiente é atuar como parceiro ou tomador de serviços de BaaS, enquanto a instituição regulada assume a responsabilidade perante o Banco Central.
Essa separação, reforçada pela nova regulação, protege o varejo de riscos regulatórios e permite a manutenção do foco na experiência e na estratégia comercial.
Se você optar por atuar como um tomador de serviços de BaaS, a escolha do parceiro certo é um dos pontos mais críticos e importantes neste processo.
Enquanto varejista, você deve priorizar instituições que sejam autorizadas pelo Banco Central, que estejam formalmente integradas ao Open Finance e que possuam governança corporativa, capital social mínimo e histórico de compliance.
Os modelos improvisados, com pouca transparência ou estruturas opacas, tendem a não se sustentar dentro deste novo ambiente regulatório.
Um ITP bem estruturado exige gestão de consentimento, aderência à LGPD, controles de segurança cibernética e processos claros de prevenção a fraudes.
Além disso, o varejo também deve entender quem acessa os dados, como eles são utilizados pela instituição financeira e como contribuem para a estratégia de crédito, personalização e bancarização.
A criação de um ITP faz sentido quando ele está conectado a algo maior. Por isso, enquanto varejista, você não pode deixar de responder a seguinte pergunta: como essa infraestrutura vai melhorar a originação de crédito, viabilizar soluções de pagamento (como o Pix Parcelado) e organizar recebíveis para crédito estruturado via FIDC ou Companhia Securitizadora?
É fundamental que haja essa visão, pois sem ela, o Iniciador de Transação de Pagamento deixa de entregar o máximo do seu potencial estratégico.
Por fim, mas igualmente importante: não deixe de considerar o custo necessário para escalar. A nova regulação de BaaS elevou a régua de capital mínimo, controles e supervisão. Esse novo ambiente regulatório favorece modelos sustentáveis e penaliza estruturas frágeis.
Sempre tenha em mente a seguinte ideia: a criação de um ITP não deve ser vista como um projeto de curto prazo.
Essa é uma decisão de arquitetura financeira, que precisa suportar crescimento, novos produtos e acompanhar a exposição regulatória ao longo do tempo.
Se você chegou até aqui na leitura, pôde observar que o futuro do varejo passa por controlar toda a jornada financeira do cliente, do pagamento à originação do crédito, do funding à recorrência.
Essas são as premissas principais da bancarização, que como citamos anteriormente, nada mais é, do que constituir uma infraestrutura de instituição financeira dentro do varejo.
O ponto central dessa transformação não é virar banco, mas sim, operar com a lógica de um banco, mantendo o varejista como protagonista, mas sem desviar o olhar do seu core business.
É exatamente aqui que a GIRO.TECH atua. Nós não somos um ITP e nem concedemos o crédito ao seu consumidor final. O nosso papel é fornecer a infraestrutura regulatória e operacional, além da tecnologia para crédito que simplesmente funciona, para que o varejista consiga estruturar sua própria operação de crédito, capturando valor em todo o seu ecossistema.
Para que isso seja possível, fornecemos uma plataforma completa de Credit as a Service (CaaS), que disponibiliza todos os aparatos necessários para que seu varejo construa sua própria infraestrutura de financiamento.
Na estruturação deste processo de bancarização, nós também temos o apoio da Giro SCD, a nossa SCD regulada pelo BC e apta a habilitar seu negócio como nosso corban.
Através das APIs, você consegue formalizar contratos de crédito com sua base de clientes, por meio da emissão de CCB.
Assim, seu varejo passa a estar habilitado para financiar seu ecossistema usando capital próprio.
Ademais, também contamos com o auxílio da GTS Securitizadora e da Monetiza, nossas unidades especializadas na montagem de Securitizadoras e FIDCs, para que seu varejo alcance o máximo de eficiência tributária.
Na prática, nós ajudamos os varejistas a:
Estruturar a originação de crédito dentro da sua própria jornada;
Conectar pagamento, dados e risco de forma integrada;
Organizar recebíveis e contratos de crédito de maneira elegível para securitização;
Acessar funding de forma mais eficiente, reduzindo custo de capital.
Isso permite que o varejo deixe de ganhar apenas na venda e passe a capturar também a margem financeira da operação de crédito, a chamada margem de banco.
Em vez de terceirizar valor para emissores, adquirentes ou intermediários financeiros, o varejista passa a internalizar a inteligência, o controle e a estratégia, operando dentro das regras do BC e preparado para o novo ambiente regulatório de BaaS.
A GIRO.TECH atua como a camada invisível que conecta tudo isso: crédito, funding, securitização e compliance, sem roubar o protagonismo do varejo e sem criar dependência de modelos fechados.
É dessa forma que nós transformamos todo o seu fluxo de pagamento em crédito estruturado e ágil.
Ao concluir a leitura deste artigo, você entendeu que o avanço do ITP representa uma mudança estrutural na forma como o varejo se conecta ao sistema financeiro.
Afinal, ele representa uma nova lógica de integração entre pagamento, dados, crédito e experiência, especialmente em um cenário onde Pix, Open Finance e bancarização caminham juntos.
Ao dialogar diretamente com a nova regulação de BaaS, ele ajuda a criar a infraestrutura necessária para uma originação de crédito mais eficiente, segura e escalável.
Para os varejistas, isso significa mais do que vender: significa controlar toda a jornada financeira do cliente.
Esse movimento também redefine o papel do varejista, que deixa ser apenas um canal de distribuição e passa a operar como ponto de entrada do sistema financeiro.
Com isso, é possível oferecer acesso, experiência e soluções que vão além dos meios de pagamento. É assim que a bancarização ocorre na prática, dentro da jornada de consumo.
Contudo, operar nesse novo cenário exige estrutura, governança, clareza regulatória, integração com funding e visão de longo prazo.
É exatamente por isso que o varejo não precisa, efetivamente, virar um banco. O caminho mais inteligente é contar com uma infraestrutura financeira especializada, capaz de sustentar essa evolução com segurança, eficiência e escala.
A GIRO.TECH atua justamente nesse ponto, fornecendo a base tecnológica e regulatória para que o varejo internalize a estratégia de crédito.
Assim, é possível capturar margem financeira e acessar o mercado de capitais, mas sem deixar de lado o protagonismo na relação com o cliente.
O futuro do varejo é o crédito. E quem entender isso agora estará preparado para bancarizar seus clientes e transformar crédito em vantagem competitiva.
Se isso faz sentido para você, entre em contato com nossos especialistas, agende uma reunião e descubra como ajudamos seu varejo a ter margem de banco!
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