Cartão de Loja: como o varejo lucra com crédito próprio?
Conheça como os varejistas podem lucrar com a oferta do cartão de loja e descubra qual é a estrutura mais adequada para gerar eficiência tributária!
20/05/2026

Conheça como os varejistas podem lucrar com a oferta do cartão de loja e descubra qual é a estrutura mais adequada para gerar eficiência tributária!
20/05/2026

O cartão de loja deixou de ser apenas uma ferramenta de parcelamento para se tornar uma das principais estratégias de monetização dentro do varejo moderno.
Durante muito tempo, esse meio de pagamento foi associado à fidelização e aumento das vendas a prazo.
Contudo, à medida que o crédito passou a ser mais estratégico dentro da rentabilidade das empresas, os varejistas passaram a enxergar esse instrumento de uma maneira diferente.
Hoje, grandes varejistas como Lojas Renner, C&A, Riachuelo e Lojas Quero-Quero já utilizam o cartão de loja como uma estratégia mais ampla de bancarização no varejo. E os motivos para esse movimento são muito claros.
Por meio do cartão próprio, o varejista consegue controlar melhor a jornada de compra, acessar dados de comportamento de consumo e estruturar operações financeiras integradas ao seu ecossistema.
Na prática, o crédito deixa de ser somente um apoio à venda e passa a atuar como uma nova frente de crescimento dentro da empresa.
Além de aumentar o ticket médio acima de 40% em alguns casos, o cartão próprio amplia o poder de compra do cliente via crédito, o que reflete diretamente no Lifetime Value (LTV).
Porém, ao mesmo tempo, muitos varejistas passaram a perceber algo importante: quando o crédito é operado no próprio balanço financeiro, ele limita o crescimento.
Afinal, os lojistas passam a ter que lidar com ineficiências tributárias, que reduzem a capacidade de escala da operação.
É nesse contexto que estratégias como a securitização ganham espaço. É justamente sobre isso que falaremos neste artigo.
Acompanhe conosco, entenda quais receitas o cartão de loja pode gerar ao varejo e por que as empresas estão transformando operações de crédito próprio em uma estratégia financeira estruturada!
Primeiramente, antes de entrarmos nesses detalhes mais técnicos, é importante relembrarmos rapidamente o que é um cartão de loja.
Também conhecido como cartão private label, ele é um tipo de cartão emitido pelo próprio varejista dentro do seu ecossistema de consumo.
Pelo fato de não ter vínculo com nenhuma bandeira de cartão, ele não pode ser utilizado em locais que não pertençam a rede que o disponibilizou.
Por isso, ele faz parte de um arranjo de pagamento fechado, permitindo que os clientes tenham condições especiais de pagamentos, como parcelamento, descontos e promoções.
Devido à essa particularidade, o cartão private label passou a se popularizar cada vez mais no varejo, sendo um dos instrumentos mais relevantes no contexto da fidelização.
Afinal, por ser vinculado exclusivamente ao varejista responsável pela operação, esse cartão pode ser utilizado em lojas, aplicativos, marketplaces, sites ou parceiros ligados ao ecossistema da empresa.
É o caso, por exemplo, do Cartão Renner, que pode ser utilizado na Camicado, Ashua e Youcom, que compõem o ecossistema da Lojas Renner.
Embora o cartão de loja tenha como princípio estimular as vendas e fidelização, o seu papel mudou muito nos últimos anos.
Ao passo que o varejo passou a investir em bancarização e serviços financeiros próprios, este meio de pagamento ocupou um lugar cada vez mais estratégico.
Atualmente, ele serve como uma ferramenta de relacionamento, monetização e geração de dados sobre comportamento de consumo.
É justamente por conta disso que grandes varejistas passaram a estruturar operações próprias de crédito dentro dos respectivos ecossistemas financeiros.
Na prática, o cartão de loja permite que o varejista tenha:
Além disso, dependendo da estrutura adotada, o cartão de loja pode ampliar as oportunidades de receita por meio de juros, serviços agregados, programas de fidelidade e produtos financeiros integrados à jornada do consumidor.
Esses ganhos estratégicos explicam porquê este instrumento tem sido protagonista nas estratégias financeiras do varejo.
Agora que você já está melhor familiarizado com o conceito de cartão de loja, fica mais fácil compreender como ele funciona na prática.
Como dito anteriormente, ele está inserido dentro do contexto de um arranjo de pagamento fechado, que tem como característica, ser um ecossistema mais restrito.
Neste caso, é o próprio varejista quem controla a operação e a experiência financeira, sem depender das estruturas tradicionais dos grandes bancos emissores.
Isso inclui todas as etapas da operação do cartão private label, como emissão, definição das regras para concessão de crédito, limites, parcelamentos e relacionamento com os clientes.
Essa é uma das grandes vantagens que o arranjo de pagamento fechado oferece, pois ele permite a criação de jornadas mais integradas, personalizadas e alinhadas ao comportamento de consumo da base de clientes.
Porém, ao mesmo tempo, esse controle também exige que o varejista assuma outras responsabilidades que são igualmente importantes.
Isso inclui a gestão de inadimplência, análise de crédito, cobrança, controle regulatório e organização da carteira de recebíveis gerada das vendas a prazo.
Outro ponto importante é que operações de cartão private label precisam seguir regras regulatórias relacionadas ao mercado financeiro e aos arranjos de pagamento supervisionados pelo Banco Central (BC).
Historicamente, parte das operações com cartão de loja era estruturada diretamente no balanço financeiro do varejo ou através de administradoras de cartão tradicionais.
Todavia, à medida que os varejistas passaram a ver o crédito como algo estratégico do ponto de vista da rentabilidade, foi necessário buscar estruturas mais eficientes para realizar essa operação.
Foi nesse contexto que a securitização passou a se popularizar. Por meio dela, é possível separar a operação mercantil da infraestrutura financeira que é responsável pelo crédito.
Com isso, cria-se uma estrutura específica para gerir recebíveis, organizar funding e aumentar a eficiência tributária da operação.
Devido a isso, muitos varejistas têm buscado parceiros especializados em infraestrutura regulatória e tecnologia financeira, a fim de estruturar essas operações de forma segura, escalável e integrada ao seu ecossistema de crédito. Falaremos melhor sobre isso nos itens seguintes.
Quando falamos sobre operação de crédito no varejo, estamos falando de vários meios de pagamento que podem ser ofertados.
Além do parcelamento no cartão de crédito, existem outras modalidades de Crédito Direto ao Consumidor (CDC), como crediário próprio, empréstimo pessoal, cartão private label e cartão co-branded.
Apesar de serem utilizados erroneamente como sinônimos, o cartão de loja e o cartão co-branded possuem estruturas bastante diferentes dentro do varejo.
Na prática ambos os modelos ajudam a fortalecer relacionamento com clientes, estimular recorrência e ampliar operações de crédito.
No entanto, eles funcionam de maneiras distintas e possuem objetivos estratégicos diferentes no ecossistema do varejo.
Por conta disso, é importante que você entenda quais são essas diferenças, pois elas impactam na eficiência e na forma como os produtos financeiros são estruturados.
Como dito anteriormente, o cartão de loja funciona dentro do contexto de arranjo fechado. Ou seja, ele é utilizado prioritariamente dentro do ecossistema do próprio varejista.
Isso vale tanto para as lojas físicas quanto para o e-commerce, aplicativos ou parceiros específicos da operação.
Nessa configuração, o varejista consegue ter maior controle sobre limites, parcelamentos, relacionamento financeiro e regras da operação de crédito.
Além do mais, o cartão de loja costuma ter uma integração mais próxima, sendo uma excelente ferramenta de fidelização.
Se o cartão private label está inserido em um contexto de arranjo de pagamento fechado, o cartão co-branded está dentro de um arranjo de pagamento aberto.
Ou seja, ele combina a identidade da marca do varejista com a instituição financeira, fintech de crédito ou bandeira tradicional de cartão.
Isso permite que o cliente utilize o cartão não apenas dentro do ecossistema da loja, mas também, em outros estabelecimentos que aceitam a respectiva bandeira de cartão (Visa, Mastercard, Elo, American Express, entre outras).
Por conta dessas características, o cartão co-branded oferece vantagens para todas as partes, pois ele dá uma maior liberdade para os clientes comprarem nos locais de sua preferência. Isso amplia o seu alcance e conveniência.
Contudo, por pertencer a um arranjo aberto, o varejista possui menos autonomia operacional na comparação ao cartão de loja.
E o motivo para isso é bem simples: parte relevante da operação financeira continua concentrada na instituição financeira parceira, responsável pela operação do cartão.
Historicamente, essa foi uma das razões que fizeram com que o cartão co-branded ganhasse espaço no varejo, que não precisava manter uma infraestrutura própria.
Contudo, à medida que estratégias de Embedded Finance e monetização de recebíveis se tornaram relevantes, muitos varejistas passaram a olhar com carinho para os modelos private label, que permite:
Por todos esses fatores, a escolha entre cartão de loja e co-branded depende, sumariamente, do nível de autonomia financeira que o varejista deseja construir dentro da sua operação.
Como frisamos anteriormente, o cartão de loja foi, durante muito tempo, visto somente como uma ferramenta que facilitava parcelamentos e estimulava as vendas.
Porém, a partir do momento em que o Retail Banking passou a ocupar um papel estratégico dentro do varejo, houve uma mudança de mentalidade por parte dos varejistas, que passaram a utilizar esse instrumento como uma estrutura de monetização e relacionamento financeiro com clientes.
Na prática, o cartão private label pode gerar diversas fontes de receita dentro da operação, principalmente quando ele é integrado a uma estratégia de bancarização mais estruturada.
A seguir, destacamos algumas dessas principais fontes de receitas. Veja:
Os juros são uma das receitas mais tradicionais do cartão de loja, pois estão diretamente relacionados à própria operação de crédito.
Isso ocorre justamente pelo princípio básico do parcelamento. Na maioria das vezes, uma compra a prazo ou um financiamento gera receitas financeiras ligadas aos juros que são cobrados dentro da carteira.
Acontece que, durante muito tempo, grande parte dessas operações eram realizadas de maneira pouco eficiente do ponto de vista financeiro e tributário.
Por isso, muitos varejistas passaram a estruturar operações bancarizadas e securitizadas para organizar melhor essas receitas e transformar o crédito em uma frente mais estratégica de rentabilidade.
Através da securitização de recebíveis, é possível segregar as receitas de serviço da operação financeira do crédito, criando uma estrutura muito mais eficiente do ponto de vista tributário (15% de imposto sobre a receita de juros, somente no resgate), e do ponto de vista operacional.
Em itens a seguir, vamos explicar melhor como funciona esse tipo de estrutura jurídica no cartão de loja.
Mas, de toda forma, é importante que você saiba que o cartão private label pode funcionar não apenas como meio de pagamento, mas também, como uma operação financeira 100% integrada ao crescimento da empresa.
Outra fonte importante de receita no cartão de loja está nos serviços agregados que são vinculados à essa operação.
Tem sido cada vez mais comum os varejistas incluírem produtos complementares dentro do seu ecossistema financeiro.
Isso inclui a oferta de seguros, assistências, programas de benefícios e serviços relacionados à experiência do cliente.
Por meio desse modelo de oferta de serviços agregados, o varejo consegue ampliar a monetização da base sem precisar depender exclusivamente da margem de venda mercantil.
Ademais, os serviços financeiros agregados costumam aumentar a recorrência e fortalecer o relacionamento entre os clientes e a marca do varejista.
Porém, aqui vale um adendo trazido por Fábio Chamon, Head de Parcerias da MAPFRE, durante sua participação no evento Crédito Digital 2026.
Segundo o executivo, a oferta de seguros deve ser pensada e personalizada para o cliente. É importante que você tenha isso em mente, caso deseje começar a oferecer esse tipo de produto para sua base.
Além disso, o cartão de loja também ajuda a aumentar a recorrência dentro da operação do varejo.
É fácil de entender porquê isso ocorre. Quando o cliente passa a ter um cartão exclusivo da loja em que ele é “fã”, o seu relacionamento com a marca será contínuo.
Afinal, ele vai usar o private label em compras futuras, parcelamentos e diferentes jornadas de consumo dentro de todo o ecossistema.
É o que ocorre, por exemplo, com a Riachuelo. A Midway, braço financeiro da varejista, possui 34 milhões de clientes cadastrados, dos quais 6 milhões possuem cartões ativos (1 milhão de cartões bandeirados e 5 milhões de private label).
Ao longo do ano, cerca de 80 milhões de visitas passam pelas lojas da rede, com um ticket médio que chega a R$ 200.
O case da Riachuelo ajuda a reforçar o fato de que o cartão de loja permite que o varejista construa um vínculo financeiro mais recorrente com sua base de clientes.
Esse movimento é um dos pilares da bancarização do varejo, e mostra, na prática, por que tantas empresas passaram a investir em operações próprias de crédito.
Para além da recorrência, o cartão private label é um dos grandes exemplos de fidelização no varejo, especialmente quando integrado a:
Em todos esses casos, essa solução de pagamento contribui diretamente para o aumento da retenção e frequência de compra.
É o que ocorre, por exemplo, com a Studio Z, que oferece duas modalidades: o Cartão Ouze Visa, aceito em todo o Brasil; e o STZ Shop, válido apenas para compras no site ou lojas Studio Z.
Em sua participação no evento Crédito Digital 2026, Waldemar de Oliveira, Diretor de TI da Studio Z, compartilhou o case da empresa.
O cliente que possui um cartão private label usa ele 14 vezes por ano para comprar roupa, e compra seis vezes mais, com um ticket médio 40% acima dos outros meios de pagamento.
Esse case reforça o poder de fidelização que o cartão de loja tem, pois como a operação ocorre dentro do próprio ecossistema do varejo, a empresa passa a ter mais controle sobre comportamento de consumo, preferências e jornada financeira do cliente.
Na prática, isso transforma o cartão em uma ferramenta estratégica de relacionamento, e não apenas em um instrumento de pagamento.
Por fim, o cartão de loja também consegue reduzir a dependência das taxas que são cobradas pelos meios tradicionais de pagamento.
No mercado de cartões, o Merchant Discount Rate (MDR) representa a famosa “taxa da maquininha”, que é paga pelos varejistas nas transações realizadas via adquirentes e bandeiras tradicionais.
Ou seja, cada transação realizada com o cartão private label reduz custos com MDR, mantém a operação girando e melhora a margem consolidada.
Esses diferenciais estratégicos ajudam a reduzir a dependência de terceiros, melhorar a eficiência operacional e aumentar a captura de valor dentro da jornada financeira do cliente.
No varejo moderno, o cartão de loja representa um dos principais canais de apoio às estratégias de bancarização.
Afinal, o seu papel não se resume a ser uma ferramenta de parcelamento e estimulo às vendas. Quando bem estruturado, ele conecta crédito, dados, relacionamento e monetização dentro da mesma estrutura.
Por conta desses fatores, o cartão private label deixou de ser apenas um meio de pagamento, para atuar como uma estratégia de crescimento financeiro para os varejistas.
A seguir, apresentamos algumas razões que corroboram para explicar porquê o cartão próprio virou estratégico no varejo:
Sem dúvidas, um dos principais motivos para a popularização do private label, é a possibilidade do varejista ter maior controle sobre a jornada do cliente.
Afinal, quando a operação financeira ocorre dentro do próprio ecossistema do varejo, a empresa consegue integrar pagamentos, crédito, benefícios e relacionamento em uma experiência muito mais fluida.
Isso reduz a dependência de intermediários e permite que o varejista crie jornadas personalizadas e alinhadas ao perfil de consumo da sua base.
Na prática, o pagamento deixa de ser apenas a etapa final da compra e passa a fazer parte da experiência construída pela marca.
O acesso aos dados gerados pela operação financeira foi outro fator que transformou o cartão private label em uma ferramenta estratégica para o varejo.
A partir do momento que o varejista passa a ter uma visão mais profunda sobre comportamento de compra, frequência de consumo, perfil financeiro e relacionamento dos clientes com a marca, ele experimenta uma “virada de chave”.
Afinal, todas essas informações ajudam a empresa a construir campanhas mais eficientes, personalizar ofertas e desenvolver estratégias de crédito mais inteligentes.
Em um cenário cada vez mais orientado por dados, isso se tornou uma vantagem competitiva extremamente relevante.
Esse ponto foi reforçado por Alex Marques, Diretor Comercial da Data System, durante sua participação no evento Crédito Digital 2026.
Na ocasião, ele ressaltou que o varejista que utiliza dados para oferecer crédito vende mais e melhor.
E aproveitou para deixar um conselho, que também vale para a operação de cartão de loja: o varejista deve criar conveniência para o consumidor, conectar digitalmente crédito e produtos e ter uma jornada de concessão de crédito até o pós-venda.
Assim, é possível utilizar os dados gerados em favor de estratégias mais inteligentes de consumo.
O cartão private label também oferece a oportunidade do varejo obter novas fontes de receitas, por meio da monetização da base de clientes.
Isso acontece porque a operação financeira passa a gerar receitas ligadas a juros, serviços agregados, parcelamentos e diferentes produtos financeiros integrados ao ecossistema da empresa.
Na prática, o varejista deixa de capturar valor apenas na venda mercantil e passa a monetizar também o relacionamento financeiro com sua base de clientes.
Esse é um dos pilares da bancarização, e ajuda a entender as razões pelas quais muitas empresas têm investido em operações de crédito financiadas com capital próprio.
Por fim, mas não menos importante: o cartão de loja também permite que o varejista tenha muito mais autonomia financeira dentro da operação.
E o motivo para isso é muito simples: ao contrário do que ocorre com o cartão de crédito ou co-branded, no private label, o varejo não depende do apoio de terceiros para rodar essa operação.
Isso quebra um paradigma histórico, pois durante muitos anos, grande parte das estratégias de crédito do varejo ficou concentrada nas mãos de bancos, adquirentes e instituições financeiras tradicionais.
Com o avanço da bancarização empresarial, muitos varejistas passaram a estruturar operações financeiras próprias. Na prática, essa estratégia permite que o varejo tenha muito mais:
Dessa forma, fica muito mais viável construir um ecossistema financeiro 100% alinhado aos objetivos da própria operação, o que também amplia a capacidade de evolução da estratégia de crédito à longo prazo.
A partir do momento em que o cartão de loja passou a ocupar um papel mais estratégico dentro do varejo, teve algo que ficou evidente.
Muitas empresas começaram a perceber que a forma como a operação era estruturada impactava diretamente a eficiência tributária, escalabilidade e rentabilidade do negócio.
Afinal, embora o private label ofereça muito mais autonomia ao varejista, essa operação não depende apenas da emissão do cartão em si.
Também é necessário ter toda uma estrutura financeira que fique responsável por operar o crédito que for gerado pelas compras parceladas.
É justamente nesse ponto que surgem diferentes modelos jurídicos utilizados pelo varejo. Cada um deles tem níveis diferentes de eficiência, complexidade e capacidade de crescimento da operação.
A seguir, exploramos melhor quais são os principais tipos de estrutura jurídica que podem ser utilizadas na operação do cartão de loja:
O modelo mais simples, e que durante muito tempo, também foi o mais utilizado, é quando toda a operação do cartão acontece diretamente dentro do próprio CNPJ do varejo.
Nesse cenário, o varejista concede crédito aos clientes, administra a carteira e recebe todas as receitas originadas da operação dentro da própria empresa mercantil.
Apesar dessa estrutura ser mais fácil de implantar, ela costuma gerar importantes limitações ao longo do tempo.
Isso ocorre porque as receitas financeiras da operação acabam sendo tributadas dentro da lógica tributária do varejo, aumentando custos e reduzindo a eficiência financeira da carteira de crédito.
Além disso, o crescimento da operação também fica dependente do balanço financeiro do varejista, o que acaba limitando a escalabilidade da estrutura de crédito.
Outro modelo bastante comum é a criação de uma administradora de cartões específica para a operação do cartão de loja. Neste caso, essa estrutura ficará responsável por:
Ao utilizar essa estrutura, o varejista consegue separar parte da operação financeira da atividade mercantil, criando uma empresa voltada à administração do cartão e dos serviços relacionados à carteira.
Na prática, isso já permite uma organização maior da operação e melhora parte da eficiência tributária ligada às receitas de serviço da administradora.
Além disso, também é possível separar a gestão da carteira, relacionamento financeiro e operação mercantil dentro do ecossistema do varejo.
Contudo, muitos varejistas acabam utilizando a administradora não apenas para gerir o cartão, mas também, para financiar diretamente as operações de crédito.
Quando isso ocorre, existem algumas limitações claras que não podem ser ignoradas, pois, embora a administradora tenha sido criada para operar serviços relacionados ao cartão, ela não tem a mesma eficiência das estruturas financeiras voltadas especificamente para funding e securitização da carteira.
Além do cartão de loja operado diretamente no varejo, e da estrutura via administradora de cartões, também existem os modelos bancarizados integrados às estruturas de securitização.
Esse modelo vem sendo utilizado pelas empresas à medida que as operações de crédito têm ganhado escala.
Nesse formato, o varejista mantém a operação comercial e o relacionamento com o cliente, enquanto uma estrutura específica fica responsável por organizar o funding e gerir os direitos creditórios (recebíveis) da carteira.
Desse modo, o varejo consegue separar a operação mercantil da operação financeira do crédito. A lógica é a seguinte:
Na estrutura bancarizada, o varejista utiliza um veículo de securitização, como Securitizadora ou Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).
Esse veículo de securitização fará a compra dos recebíveis que forem originados pelo cartão de loja e para estruturar a carteira dentro de uma lógica mais eficiente.
Por meio da estrutura securitizada, o varejista consegue:
Além disso, a bancarização também permite que o varejista tenha maior autonomia sobre as condições de crédito, política de juros e relacionamento financeiro com os clientes.
Como vimos no tópico anterior, a estrutura jurídica utilizada pelo varejista impacta diretamente a eficiência tributária, capacidade de crescimento e organização financeira da operação do cartão de loja. Aqui, surge um questionamento inevitável.
Afinal, qual é o modelo mais eficiente: operar o cartão de loja diretamente no balanço do varejo ou utilizar uma estrutura bancarizada integrada à securitização?
Antes de mais nada, é importante pontuar que os dois modelos permitem operar crédito com capital próprio.
A grande diferença está na eficiência da estrutura construída para sustentar essa operação a médio e longo prazo.
No cartão de loja operado diretamente dentro do próprio CNPJ mercantil, toda a receita gerada pela operação permanece dentro do varejo.
Ou seja, isso significa que as receitas do crédito relacionadas a juros, parcelamentos e encargos financeiros acabam sendo tributados dentro da lógica da atividade mercantil.
Desse modo, a operação private label carrega tributos como ICMS, PIS, COFINS, Imposto de Renda (IR) e Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL).
Além disso, o próprio capital do varejo passa a financiar o crescimento da carteira.
Imagine, por exemplo, um varejista que concede um limite de R$ 300 em um cartão de loja para seus clientes.
Sempre que esse consumidor fizer uma compra parcelada, a empresa passará a carregar aquele financiamento diretamente dentro do próprio balanço.
Quanto mais a operação crescer, maior também passará a ser a necessidade do varejista ter capital próprio para sustentar a carteira.
Em contrapartida, a estrutura bancarizada com securitização consegue resolver esse problema, ao proporcionar mais eficiência e escala.
Nesse formato, o varejista mantém a operação comercial e a administradora de cartões fica responsável por gerir o private label.
Entretanto, as receitas financeiras e os recebíveis da carteira passam a ser direcionados para um veículo de securitização, como uma Securitizadora ou FIDC.
Para ilustrar melhor como essa estrutura funciona, imagine que um cliente fez uma compra de R$ 2.000 no cartão de loja.
Caso ele não pague a fatura, a administradora de cartões vende essa dívida para o veículo de securitização, que pagará os R$ 2.000 para a operação, enquanto a dívida passa a ser gerida dentro da estrutura securitizada.
É essa configuração que torna o modelo bancarizado mais estratégico do que quando a operação ocorre no balanço do varejo.
E isso ocorre por uma razão muito simples: dentro da estrutura securitizada não existe incidência de PIS/COFINS sobre essas receitas financeiras.
Além disso, por meio da securitização, o varejista paga apenas 15% de imposto sobre a receita de juros, e isso ocorre somente no resgate.
Essa estrutura que alia bancarização e securitização consegue criar uma lógica muito mais eficiente para operações de crédito recorrente dentro do varejo.
Ademais, os ganhos estratégicos do modelo bancarizado não se resumem a eficiência tributária. Ele também:
Por isso, para que o cartão de loja efetivamente traga ganhos estratégicos para o varejo, o mais recomendado é que ele seja estruturado via modelos bancarizados integrados à securitização.
Esse modelo tem sido cada vez mais utilizado por grandes varejistas brasileiros, que migraram suas estruturas tradicionais para essa estrutura bancarizada.
Se você chegou até aqui na leitura, pôde entender melhor que o cartão de loja é uma ferramenta que vai muito além do parcelamento e fidelização.
Quando estruturado da maneira correta, ele se transforma em uma operação financeira capaz de gerar novas receitas, aumentar autonomia sobre o crédito e criar uma relação muito mais estratégica entre varejo e cliente.
Porém, para que o varejista aproveite todos esses benefícios estratégicos, não basta apenas emitir o cartão private label.
Também é necessário ter uma infraestrutura que seja capaz de sustentar toda a operação com segurança, eficiência tributária e escalabilidade.
É justamente nesse cenário que a GIRO.TECH atua. Nós fornecemos a infraestrutura de crédito completa para bancarizar suas operações de crédito!
Por meio da bancarização, sempre que um cliente comprar usando o cartão, a processadora fará a validação dos dados e o processamento da compra.
Posteriormente, a administradora de cartões e a processadora fazem a emissão da fatura ao cliente.
Essa dívida gerada é vendida pela administradora a uma Companhia Securitizadora ou FIDC, que passa a financiar a operação e se torna o responsável pelos valores pagos pelo cliente.
Nessa operação bancarizada, o veículo de securitização repassa ao varejista o valor da venda, encerrando a transação no âmbito do varejo.
O FIDC ou a Securitizadora é quem realizará as receitas de juros, contando com um regime tributário muito mais adequado.
Por ser o investidor da operação de cartão de loja, o varejista recebe os lucros que foram gerados pela venda.
Ao usar o GTHub (nosso Hub de Integração), e realizar as receitas de juros dentro do FIDC ou Securitizadora, o varejista passa a ter mais eficiência tributária.
E a razão para isso é muito simples: as receitas de juros deixam de ser registradas no CNPJ da administradora de cartões.
Essa estrutura não deve ser usada para financiar operações. Caso isso ocorra, ela acaba sendo tributada como uma empresa de serviços.
Em contrapartida, o FIDC e a Securitizadora são criados com um único intuito: o financiamento. Assim, eles operam sob uma legislação específica que os equipara às regras aplicáveis aos bancos e fundos.
A imagem abaixo ilustra melhor como funciona a infraestrutura para crédito da GIRO.TECH e como ela se aplica à operação do cartão de loja:
Desse modo, a GIRO.TECH consegue simplificar a operação e eliminar a necessidade da administradora de cartões acumular a dívida e fazer o financiamento.
Na prática, isso significa que o varejista consegue separar a operação mercantil da operação financeira do crédito, criando um ecossistema mais robusto para sustentar o cartão private label.
Mais do que entregar a tecnologia para crédito que simplesmente funciona, nós conectamos varejistas, crédito e estrutura financeira dentro do mesmo ecossistema.
Assim, ajudamos empresas a transformar o cartão de loja em uma operação de crédito mais inteligente, escalável e financeiramente eficiente.
Por fim, após concluir a leitura deste artigo, você conseguiu conhecer melhor como o varejo pode lucrar com o cartão de loja.
Quando estruturado da maneira correta, esse meio de pagamento pode atuar como uma operação estratégica de crédito.
Assim, ele ajuda os varejistas a fortalecerem o relacionamento com clientes, monetizar sua base de clientes, ampliarem a autonomia financeira e criarem novas fontes de receita dentro do próprio ecossistema.
Contudo, para que essa operação seja eficiente do ponto de vista tributário, é necessário escolher o tipo de estrutura jurídica adequada.
Enquanto modelos tradicionais, que rodam no próprio balanço do varejo ou em estruturas pouco preparadas, tendem a gerar limitações tributárias, operacionais e de escala, as operações bancarizadas integradas à securitização permitem construir uma lógica muito mais eficiente, organizada e preparada para crescer.
É justamente isso que faz com que o cartão private label deixe de ser somente um meio de pagamento e se transforme em uma frente estratégica de crédito dentro do varejo.
Portanto, se você quer aproveitar todos os benefícios estratégicos e tributários que um cartão de loja bancarizado oferece, conte com a GIRO.TECH no apoio à sua operação.
Com a nossa infraestrutura completa e a tecnologia para crédito que simplesmente funciona, nós ajudamos varejistas a estruturarem operações bancarizadas e 100% alinhadas ao objetivo do seu negócio.
Se você quer construir um ecossistema financeiro mais eficiente dentro do seu varejo, e transformar o cartão de loja em uma operação de crédito escalável e financeiramente inteligente, conte com a GIRO.TECH.
Entre em contato com nossos especialistas, conheça as nossas soluções e descubra como ajudamos o seu varejo a ter margem de banco!
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