Arranjo de Pagamento: o que é e como funciona

O arranjo de pagamento é um conjunto de regras, procedimentos e participantes que viabilizam uma transação eletrônica. Entenda melhor como ele funciona!

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Você já ouviu falar em arranjo de pagamento? Essa estrutura ocupa um papel extremamente importante no contexto da bancarização empresarial.

Esse conjunto de regras é responsável por estabelecer como uma transação de pagamento, que não envolve dinheiro físico, deve acontecer.

Além disso, esse processo também é necessário para assegurar que todas as “peças” da estratégia comercial (varejista, instituições financeiras e cliente) se integrem à operação de crédito.

Mais do que um termo regulatório, esse modelo define como o dinheiro circula, quem são os responsáveis em cada etapa da operação e quais obrigações regulatórias devem ser cumpridas.

Logo, entender esse conceito virou um pré-requisito para empresas que já atuam (ou pretendem atuar) com estratégias de Embedded Finance.

Essa estrutura passou a ganhar ainda mais espaço nos últimos anos, à medida que o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) foi evoluindo.

Por meio dessa evolução, estruturas como o Pix, carteiras digitais, adquirentes e fintechs de crédito passaram a disputar espaço em um ecossistema cada vez mais complexo, regulado e interconectado.

Além do mais, a crescente descentralização do mercado de crédito também tem permitido a atuação de diferentes players, como é o caso dos varejistas.

Nós sabemos que esse é um tema que está em alta, e ficamos felizes que você, enquanto varejista, tem buscado aprender os caminhos para potencializar ainda mais suas estratégias de bancarização. E nós estamos aqui para te ajudar.

Neste artigo, você vai entender o que é um arranjo de pagamento, como ele funciona na prática, quais são seus principais participantes e por que ele é tão relevante para o varejo financeiro. Portanto, siga a leitura conosco até o fim e acompanhe!

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O que é um arranjo de pagamento?

Primeiramente, antes de entrarmos nessas questões mais técnicas, é importante que você saiba melhor o que é um arranjo de pagamento.

Segundo definição do Banco Central (BC), ele é o “conjunto de regras e procedimentos que disciplina a prestação de determinado serviço de pagamento ao público”.

Em outras palavras, ele é o conjunto de regras, procedimentos e participantes que viabilizam uma transação de pagamento eletrônica.

Isso vale desde o momento em que o cliente inicia o pagamento, até ocorrer a liquidação final dos recursos entre as partes envolvidas.

Na prática, é o arranjo que define como o dinheiro circula, quem participa da transação, quais são as responsabilidades de cada agente e como as informações financeiras e operacionais são tratadas ao longo desse fluxo.

Ele funciona como a “infraestrutura lógica” por trás de meios de pagamento como cartões de crédito, débito ou private label, transferências instantâneas, carteiras digitais e outros instrumentos eletrônicos.

Regulamentado no Brasil por meio da Lei nº 12.865/2013, o arranjo de pagamento não é uma empresa específica, mas sim um modelo organizacional e regulatório.

Isso significa, que dentro de um mesmo arranjo, podem atuar diversos participantes, como:

  • Emissores;
  • Credenciadores;
  • Instituidores;
  • Usuários finais.

Assim, é possível garantir que todos esses participantes operem sob regras previamente estabelecidas, a fim de garantir segurança, interoperabilidade e previsibilidade nas transações.

Além disso, do ponto de vista regulatório, os arranjos de pagamento existem para padronizar o funcionamento do sistema de pagamentos, reduzir riscos sistêmicos e garantir que o consumidor final tenha uma experiência de pagamento segura e transparente.

Já pelo lado do varejo financeiro, esse conjunto de regras é fundamental para viabilizar modelos como Embedded Finance e soluções de crédito integradas.

Em síntese, sempre que um pagamento eletrônico acontece, haverá um arranjo de pagamento operando nos “bastidores da operação”.


Como funciona um arranjo de pagamento?

Como mencionamos anteriormente, todas as vezes que um pagamento eletrônico for efetuado, haverá um arranjo de pagamento atuando nos “bastidores”.

Ter esse entendimento é essencial para que você entenda melhor como funciona esse conjunto de regras e procedimentos.

Na prática, esse arranjo é responsável por organizar a relação entre diferentes agentes para que uma transação eletrônica aconteça de forma segura, padronizada e regulada.

Cada participante tem um papel bem definido dentro desse ecossistema, e o funcionamento eficiente do arranjo depende justamente dessa separação clara de responsabilidades.

De forma simplificada, o arranjo estabelece as “regras do jogo”, enquanto as instituições participantes exercem os papéis necessários para que o pagamento seja autorizado, processado, liquidado e, disponibilizado ao recebedor.

Assim como ocorre com qualquer operação de crédito estruturada, o arranjo de pagamento depende da atuação de diferentes participantes.

Abaixo, detalhamos melhor quais são os principais agentes que fazem esse sistema funcionar. Veja:

Instituidor de arranjo

O instituidor de arranjo é a entidade responsável por criar, organizar e manter as regras associadas ao arranjo de pagamento.

Ele define os padrões operacionais, técnicos e comerciais que todos os demais participantes devem seguir para operar dentro daquele arranjo.

Entre suas principais atribuições estão a definição do modelo de liquidação, das regras de interoperabilidade, dos requisitos de participação, das responsabilidades de cada agente e dos mecanismos de governança corporativa e compliance.

Ou seja, é o instituidor de arranjo que garante que essa “engrenagem” funcione de forma coerente, segura e previsível, mesmo com múltiplos participantes atuando de forma simultânea.

Além disso, o instituidor de arranjo também cumpre um papel essencial na gestão de riscos, pois determina regras para prevenção a fraudes, continuidade operacional e resolução de conflitos entre participantes.

No Brasil, esses arranjos são supervisionados pelo BC, o que ressalta ainda mais a importância de uma governança corporativa sólida e aderente às regulações vigentes.

Ademais, vale destacar que o instituidor de arranjo não necessariamente executa as transações financeiras.

Ele é o responsável por orquestrar o ecossistema, assegurando que o fluxo de pagamentos ocorra de acordo com as regras estabelecidas.

Um exemplo comum é a bandeira do cartão de crédito (Visa, Mastercard, Elo, American Express) que atuam como responsáveis pelo arranjo para seus respectivos cartões.

Instituição de pagamento

A Instituição de Pagamento (IP) é uma pessoa jurídica autorizada pelo BC para prestar serviços relacionados à movimentação de recursos, no âmbito de um arranjo de pagamento, mas sem poder intermediar operações que são típicas das instituições financeiras, como por exemplo, concessão de crédito com recursos próprios captados do público.

Na prática, a IP deve fazer parte de um arranjo, pois é ele o responsável por definir as regras necessárias para o seu funcionamento.

Assim, a Instituição de Pagamento pode viabilizar serviços de compra, venda e movimentação de recursos, mas sem poder oferecer empréstimos ou financiamentos.

Até por conta disso, é a IP quem atua de forma mais visível dentro da operação do arranjo, ofertando serviços de pagamento ao usuário final, como:

  • Emissor de moeda eletrônica;
  • Emissor de instrumento de pagamento pós-pago;
  • Credenciamento;
  • Iniciação de Transação de Pagamentos (ITP).

Em todos esses casos, a função é a mesma dentro do arranjo de pagamento: conectar a experiência do usuário (consumidor, varejista ou marketplace) à infraestrutura do sistema de pagamentos.

Embora não possa captar depósitos para emprestar recursos, a IP cumpre um papel essencial ao operacionalizar os fluxos financeiros, garantir a autenticação das transações, gerenciar liquidações e assegurar a conformidade com as regras do arranjo e da regulação.

Na prática, startups e fintechs, adquirentes, subadquirentes e plataformas de pagamento costumam operar como instituições de pagamento dentro de um ou mais arranjos, viabilizando modelos modernos como Embedded Finance, split de pagamentos e soluções financeiras integradas ao varejo.

É o caso, por exemplo, do Mercado Pago, Stone, Cielo, PicPay, PagSeguro, Asaas, PayPal, Google Play e Apple Play.

Instituições financeiras

Por fim, também existem as instituições financeiras, que atuam como a base do sistema financeiro tradicional dentro dos arranjos de pagamento.

Elas são responsáveis, principalmente, pela liquidação financeira final, pela custódia de recursos e pela integração com o Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Na prática, bancos comerciais ou múltiplos, cooperativas de crédito, Sociedade de Crédito Direto (SCD), Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI), Sociedade de Empréstimo entre Pessoas (SEP), CTVM e DTVM são alguns exemplos de instituições financeiras.

Todas elas desempenham funções que são essenciais, como manter contas de liquidação, oferecer infraestrutura de compensação e garantir que os recursos efetivamente transitem entre as partes após a transação eletrônica ser concluída.

Além disso, as instituições financeiras também são fundamentais para a gestão de liquidez, mitigação de riscos sistêmicos e aderência às normas prudenciais.

Dentro de um arranjo de pagamento, é comum que as instituições financeiras atuem em conjunto com as IPs, complementando capacidades operacionais e regulatórias que viabilizam a escala e a segurança do sistema.

Assim, esse modelo híbrido, que integra instituições financeiras e instituições de pagamento, permite que o arranjo combine inovação, eficiência operacional e solidez regulatória, sustentando o crescimento dos meios de pagamento digitais no Brasil.

Quais são os Tipos de IF no Banco Central?

Qual é a regulamentação do Banco Central para os arranjos de pagamento?

A regulamentação dos arranjos de pagamento no Brasil “ganhou corpo” no Brasil a partir da década de 2010.

Na ocasião, ele foi uma resposta do BC para o crescimento acelerado dos meios eletrônicos de pagamento e à necessidade de aumentar a concorrência, a eficiência e a segurança do sistema financeiro.

Naquela época, o mercado de crédito era concentrado e pouco padronizado, o que acabava limitando a inovação e ampliava os riscos operacionais.

O marco inicial dessa evolução foi a já citada Lei nº 12.865/2013, que estabeleceu as bases do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) para arranjos e instituições de pagamento.

Por meio dessa lei, o BC passou a ter a competência para regular, autorizar e supervisionar esses agentes, separando claramente o papel das instituições de pagamento das instituições financeiras tradicionais.

A partir desse marco legal, o BC editou novas normas infralegais que detalham o funcionamento do setor. Entre elas, podemos destacar as Circulares e Resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN), que definem:

  • Critérios de autorização;
  • Requisitos de capital;
  • Regras de governança corporativa;
  • Gestão de riscos, prevenção à lavagem de dinheiro e proteção ao usuário final.

Atualmente, os arranjos de pagamento devem operar de forma compatível com princípios como interoperabilidade, transparência, segurança e eficiência, além de observar regras específicas conforme seu porte, capital mínimo de acordo com as atividades realizadas, relevância sistêmica e modelo operacional.

Ademais, enquanto regulador, o BC também adota uma abordagem proporcional, ajustando o nível de exigência ao risco representado por cada participante.

Esse arcabouço regulatório foi fundamental para viabilizar o surgimento de fintechs, novos modelos de negócio, como Banking as a Service (BaaS) e Credit as a Service (CaaS), além de inovações como pagamentos instantâneos (Pix/Pix Parcelado), mantendo ao mesmo tempo a estabilidade e a confiança no SPB.

Para que serve um arranjo de pagamento?

Como citamos anteriormente, o arranjo de pagamento é o conjunto de regras, procedimentos e participantes que viabilizam uma transação de pagamento eletrônica.

Ou seja, ele serve para organizar, padronizar e viabilizar a circulação de recursos financeiros em transações eletrônicas, a fim de assegurar que diferentes participantes consigam operar de maneira integrada, segura e eficiente.

Sem a sua participação, cada pagamento exigiria acordos individuais, fluxos proprietários e regras próprias, o que tornaria o sistema fragmentado, pouco escalável e altamente arriscado.

Na prática, o arranjo de pagamento também cria uma linguagem comum entre emissores, credenciadores, instituições de pagamento e instituições financeiras.

Com isso, ele permite que o dinheiro “flutua” com maior previsibilidade, do pagador até o recebedor. Em qualquer operação de crédito, isso é essencial para assegurar aspectos como interoperabilidade, rastreabilidade das transações, gestão de riscos e proteção do usuário final.

Bancarização e inclusão financeira

No entanto, o papel de um arranjo de pagamento fica ainda mais relevante quando falamos sobre a bancarização.

Se você já acompanha o nosso blog, está familiarizado com esse conceito, que nada mais é, do que o processo de constituição de uma infraestrutura de instituição financeira dentro das empresas.

Isso permite que as empresas sem origem no mercado financeiro, tenham condições de financiar operações de crédito dentro dos seus respectivos ecossistemas, assim como outras atividades que são típicas dos bancos tradicionais.

Ao estabelecer regras claras e supervisionadas pelo BC, os arranjos de pagamento permitem que varejistas, indústrias e marketplaces ofereçam serviços financeiros sem precisar se tornar efetivamente um banco.

Desse modo, além desses modelos de negócios conseguirem aumentar suas fontes de receita e monetizar suas bases de clientes, milhões de pessoas e empresas passam a ter acesso a meios de pagamento digitais, contas de pagamento e soluções financeiras que, historicamente, eram restritas a uma parcela menor da população.

Consequentemente, essa inclusão financeira também impulsiona a inovação, pois viabiliza modelos como Embedded Lending, que incluem os serviços financeiros ligados à oferta de crédito, na experiência do cliente.

Isso amplia a oferta de produtos e serviços financeiros e aumenta a concorrência entre os players que participam do mercado de crédito.

Em suma, por essas e outras razões, o arranjo de pagamento é um pilar estrutural para a concessão de crédito digital.

Afinal, esse conjunto de regras ajuda a conectar eficiência operacional, inovação e bancarização em um único ecossistema regulado e escalável.

Quais estruturas compõem um arranjo de pagamento?

Um arranjo de pagamento é sustentado por uma arquitetura que é composta por diferentes estruturas, que possuem funções específicas e se complementam entre si.

Apenas a título de curiosidade, alguns dados disponibilizados pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) mostrou que o uso de cartões de crédito, débito e pré-pago alcançou 12,1 bilhões de transações no 3º trimestre de 2025, com cerca de 5,5 bilhões em crédito e 4,2 bilhões em débito especificamente no período.

Uma operação de cartão de crédito é uma das mais complexas que existem, pois demanda a participação de muitos agentes específicos, como indica o post abaixo:

 

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Essa divisão de papéis é o que permite que milhões de transações ocorram diariamente de forma segura, escalável e regulada.

Portanto, entender essas estruturas que compõem um arranjo de pagamento é essencial para compreender como o dinheiro se movimenta no ecossistema de pagamentos.

Abaixo, listamos melhor quais são e como funcionam essas estruturas. Observe:

Bandeiras

As bandeiras são as responsáveis por estabelecer as regras operacionais, técnicas e interoperabilidade que conectam os emissores e adquirentes dentre de um arranjo.

É importante pontuar que essas estruturas não podem conceder crédito e nem capturar os clientes finais.

O seu objetivo é assegurar que a transação siga um padrão comum, independentemente de onde ela teve início.

Além de estabelecer as normas, as bandeiras também operam as redes de autorização e compensação, a fim de permitir que uma compra feita em um estabelecimento seja validada pelo emissor correto.

Entre as principais bandeiras de cartões que operam no Brasil, destacam-se:

  • Visa;
  • Mastercard;
  • Elo;
  • American Express;
  • Hipercard.

Todas elas atuam como infra estruturas globais de conexão dentro deste grande ecossistema de cartões.

Emissores

Por sua vez, os emissores (ou bancos emissores) são as instituições financeiras ou de pagamento que ficam responsáveis por oferecer o instrumento de pagamento ao usuário final, como cartões, contas ou credenciais digitais.

Fica a cargo dessas estruturas a análise do risco da transação, além de verificar saldo ou limite disponível, para autorizar ou negar o pagamento.

Além disso, os emissores também são os responsáveis por manter relacionamento direto com o cliente, ficando encarregados por fazer o faturamento, cobrança, atendimento e, em muitos casos, pela concessão de crédito associada ao meio de pagamento.

Ademais, os emissores também fornecem toda a infraestrutura de liquidação, custódia de recursos e integração com o SFN.

Na prática, os emissores atuam fazendo a “ponte” entre o dinheiro do cliente e a compra realizada, assegurando estabilidade, liquidez e aderência às normas prudenciais, sendo os garantidores do pagamento ao comerciante.

No Brasil, além dos bancos tradicionais (Caixa Econômica, Nubank, Bradesco, Banco do Brasil, Itaú), que se habilitam como arranjo de pagamento junto às bandeiras, também podem cumprir esse papel as cooperativas de crédito (Sicredi/Sicoob), as SCFIs e SCDs.

Adquirentes

Também chamadas de credenciadoras, as adquirentes ocupam um papel central dentro da estrutura de um arranjo de pagamento.

Neste caso, elas são responsáveis por fazer o credenciamento dos comerciantes e a posterior captura das transações que ocorrem no Ponto de Venda (PDV) físico ou digital.

Elas também fazem a “ponte” entre o estabelecimento comercial e o restante do arranjo, encaminhando a transação para autorização e, posteriormente, para liquidação.

Além do mais, elas são responsáveis por outros aspectos operacionais, como liquidação financeira ao varejista, gestão de riscos e suporte técnico aos meios de aceitação.

As principais adquirentes que atuam liderando o mercado brasileiro são Cielo, Rede (Itaú), Getnet (Santander), Stone, PagSeguro (PagBank), Vero (Banrisul) e Adyen.

Subadquirentes

Por outro lado, as subadquirentes (facilitadoras de pagamento) atuam como intermediários entre os adquirentes e os comerciantes, principalmente em modelos de negócio como marketplaces, varejo digital e e-commerces.

Por meio delas, é possível simplificar a entrada de pequenos vendedores no ecossistema de pagamentos.

Isso é possível, pois a subadquirente concentra credenciamento, repasse de valores e, muitas vezes, split de pagamentos.

Essa estrutura permite escala, rapidez de integração e estruturas mais flexíveis, eliminando a necessidade de cada comerciante ter que se conectar diretamente a um adquirente.

No Brasil, as principais subadquirentes são o Mercado Pago, PagSeguro, Stone, PicPay e iugu.

Comerciante

Por fim, o comerciante é o recebedor final da transação. Ou seja, o varejista, e-commerce, marketplace, indústria, concessionária, posto de combustível ou qualquer outro estabelecimento que aceita instrumentos de pagamento.

Apesar de estar na “ponta” do processo, o comerciante é uma peça fundamental dentro do arranjo de pagamento.

E não teria como ser diferente, pois sua adesão às regras é que assegura a padronização e a segurança das operações de crédito realizadas.

Ao atuarem em conjunto, todas essas estruturas formam a “espinha dorsal” de um arranjo de pagamento, possibilitando que cada agente atue de forma coordenada, mas dentro das suas responsabilidades.

Essa organização é o que garante escala, segurança jurídica e eficiência operacional ao sistema de pagamentos.

Mas, não é só isso: por meio dessa estrutura, é possível viabilizar novos modelos de negócio no varejo e no ecossistema financeiro digital, pois, quanto mais clara é a compreensão desses papéis, mais estratégica se torna a atuação das empresas dentro dos arranjos de pagamento.

Quais são os principais tipos de arranjo de pagamento no Brasil?

De modo geral, os arranjos de pagamento podem ser classificados em dois tipos principais. São eles: arranjos abertos e arranjos fechados.

Essa distinção está diretamente ligada ao nível de interoperabilidade, à quantidade de participantes envolvidos e ao grau de controle sobre as regras do ecossistema.

Entender essa diferença é essencial para empresas que desejam estruturar soluções de pagamento próprias, lançar produtos financeiros ou avaliar modelos proprietários, como é o caso do cartão private label.

Abaixo, explicamos melhor essas diferenças. Confira:

Arranjo de pagamento aberto

O arranjo de pagamento aberto é aquele no qual diversos emissores, adquirentes e instituições financeiras podem participar, com a condição de que sigam as regras estabelecidas pelo instituidor do arranjo.

Ele é caracterizado pela alta interoperabilidade, permitindo que um instrumento de pagamento emitido por uma instituição seja aceito por uma ampla rede de comerciantes credenciados por diferentes adquirentes.

Nesse modelo, o cliente final tem liberdade para utilizar seu meio de pagamento em milhares (ou, até mesmo, milhões) de estabelecimentos, sejam eles físicos ou digitais.

Porém, é fundamental que as regras sejam padronizadas e amplamente difundidas, a fim de garantir escala, concorrência e eficiência operacional.

O Pix entra na categoria de arranjo de pagamento aberto, contudo, ele é regulamentado e operado sob as regras estabelecidas pelo BC.

Ou seja, as instituições financeiras participam do arranjo, mas “não o possuem”.

Outros exemplos clássicos de arranjos de pagamento abertos são os cartões das bandeiras Visa e Mastercard, amplamente utilizados no país.

Nesses casos, um banco ou fintech faz a emissão do cartão, um adquirente credencia o varejista, e a bandeira conecta toda essa rede sob um único conjunto de regras.

Essa lógica também vale para o cartão white label ou cartão co-branded (cartão bandeirado, que é feito com a marca do varejista e passa em qualquer estabelecimento que aceita a bandeira desse cartão). Ambos os instrumentos de pagamento são amplamente aceitos no mercado.

Além disso, é importante pontuar, que os arranjos abertos são especialmente relevantes para varejistas que:

  • Buscam escala nacional ou internacional;
  • Ampla aceitação em diferentes estabelecimentos;
  • Integração com múltiplos players do sistema financeiro.

Arranjo de pagamento fechado

Por sua vez, o arranjo de pagamento fechado é caracterizado por ser um ecossistema mais restrito, no qual o instituidor controla diretamente quem pode emitir, aceitar e operar o instrumento de pagamento.

Como não poderia deixar de ser, nesse modelo fechado, a interoperabilidade acaba sendo limitada ou inexistente fora do próprio ambiente do arranjo.

O exemplo mais comum é o cartão private label, emitido por um varejista ou grupo econômico e aceito exclusivamente em sua própria rede de lojas ou parceiros específicos.

Nesse caso, o mesmo grupo pode atuar como instituidor do arranjo, emissor do cartão e comerciante, concentrando regras, dados e relacionamento com o cliente.

Os arranjos fechados oferecem maior controle sobre a experiência do usuário, regras comerciais, políticas de crédito e estratégias de fidelização.

Mas, em contrapartida, possuem aceitação mais limitada, o que exige uma estratégia mais cautelosa por parte do varejista, para que esse instrumento realmente gere valor real à sua base de clientes.

Esse tipo de arranjo é muito utilizado por varejistas que desejam:

  • Impulsionar recorrência de compras;
  • Fidelizar seu ecossistema;
  • Oferecer condições e ofertas exclusivas;
  • Aumentar ticket médio;
  • Aprofundar a bancarização da sua base de clientes, sem depender integralmente de estruturas abertas tradicionais.
O que é um cartão private label bancarizado?

 

Quais são as maiores dificuldades do varejo dentro de um arranjo de pagamento?

Embora os arranjos de pagamento sejam fundamentais para as estratégias de bancarização do varejo, a sua operação no dia a dia traz desafios relevantes que vão muito além da simples aceitação dos meios de pagamento.

De início, uma das principais dificuldades está na complexidade operacional e regulatória. Para o varejista, lidar com múltiplos participantes, como adquirentes, subadquirentes, emissores e instituições financeiras, significa enfrentar contratos distintos, regras pouco transparentes e estruturas de custos difíceis de comparar.

Outra dificuldade importante diz respeito a perda no controle dos dados e relacionamento com o cliente. É comum em muitos arranjos de pagamento as informações ficarem fragmentadas em diferentes agentes.

Isso acaba limitando a capacidade do varejo de transformar os meios de pagamento em inteligência de negócio, ofertas personalizadas e estratégias de fidelização mais eficientes.

Gestão do fluxo de caixa 

Além disso, outro ponto crítico diz respeito à gestão do fluxo de caixa. Questões como prazos de liquidação longos, taxas variáveis e a dependência da antecipação de recebíveis acabam afetando diretamente a previsibilidade financeira do varejista, especialmente quando as operações de crédito costumam ocorrer no “balanço” do varejista.

Em arranjos pouco flexíveis, que não permitem estratégias de securitização, o varejo acaba assumindo riscos que não controla em sua totalidade.

Ainda nessa esteira, também há o desafio da inovação dependente de terceiros. Tem sido cada vez mais comum vermos casos de varejistas que desejam lançar produtos financeiros próprios, como cartões private label, crédito CDC, empréstimo pessoal, entre outras soluções integradas, como o Consignado Privado.

Porém, esses varejistas acabam esbarrando nas limitações técnicas, regulatórias e estratégicas impostas pelo arranjo de pagamento no qual estão inseridos. Além de reduzir a autonomia, isso também prejudica a velocidade de execução.

Por fim, mas igualmente importante: a experiência do cliente nem sempre evolui no mesmo ritmo das expectativas do consumidor.

E aqui, muitos varejistas erram. De acordo com um estudo produzido pelo Baymard Institute, até 22% dos consumidores abandonam uma compra por conta de um processo de checkout longo ou complicado.

Fricção no processo de pagamento, muitos campos a preencher, validações confusas, etapas redundantes, falhas de autorização e limitações de aceitação acabam impactando de forma direta a conversão e satisfação.

Afinal, esses fatores elevam a frustração do cliente e aceleram a desistência antes da conclusão da compra, que deveria ser “invisível”.

Por que entender o arranjo de pagamento é essencial para o varejista criar produtos financeiros?

Se você é um varejista que já tem maturidade na criação de produtos financeiros, sabe bem que essa estratégia vai muito além de um “simples” lançamento de cartão ou oferta de crédito no checkout.

Caso você seja um varejista que está buscando iniciar sua estratégia de bancarização, e utilizando capital próprio, é fundamental que entenda como funciona o arranjo de pagamento no qual seu varejo está inserido.

É graças a esse entendimento que você vai saber até onde seu negócio pode ir, e onde estão os limites regulatórios, operacionais e estratégicos.

A partir do momento em que o varejista compreende o arranjo, ele passa a enxergar com maior clareza quem controla as regras, onde os dados são gerados, quem assume os riscos e de que forma o dinheiro efetivamente circula.

Ter essa “visão 360º” é crucial para que o varejista estruture soluções financeiras de maneira inteligente, evitando dependência excessiva de terceiros e reduzindo os atritos que comprometem margem, experiência do cliente e velocidade de inovação.

Qual modelo de arranjo o varejista deve utilizar?

Além disso, o correto entendimento permite que o varejista tome decisões mais estratégicas sobre qual modelo de arranjo deve utilizar.

Lembre-se de que existem dois tipos de arranjos principais: o aberto e o fechado. Enquanto o primeiro permite que o instrumento de pagamento seja utilizado em diferentes estabelecimentos (cartões de crédito, débito, white label ou co-branded), o segundo é mais voltado para o cartão private label, que possui uma abrangência mais limitada, podendo ser utilizado somente na rede que o emitiu.

Ter esse conhecimento ajuda a escolher qual modelo faz mais sentido, conforme os objetivos do seu negócio. Isso evita que a sua iniciativa seja apenas uma “extensão comercial”, com pouco diferencial competitivo e baixo controle sobre políticas de crédito, precificação e relacionamento com o cliente.

Ademais, outro ponto importante é em relação à utilização dos dados transacionais como ativo estratégico.

Nós já falamos em outros conteúdos sobre o poder que os dados têm no varejo. Apesar disso, muitos varejistas desconhecem essa informação.

Algumas pesquisas de mercado indicam que 23% das empresas não têm estratégia de gerenciamento de dados, enquanto apenas 19% o fazem de forma integrada em toda a operação.

O arranjo de pagamento é o responsável por definir onde esses dados nascem, quem pode acessá-los e de qual forma eles podem ser utilizados.

Para o varejista, dominar essa lógica é o que viabiliza ofertas personalizadas, programas de fidelidade mais eficientes e estratégias de bancarização que realmente aprofundam o relacionamento com o consumidor.

Consequentemente, é esse entendimento sobre o arranjo de pagamento que transforma o varejista de um simples aceitador de meios de pagamento em um orquestrador de soluções financeiras, capaz de criar produtos alinhados ao seu ecossistema, à sua base de clientes e à sua estratégia de crescimento.

Como a bancarização do varejo começa pelo arranjo de pagamento?

Uma estratégia de Retail Banking não começa com a oferta de um cartão private label ou Crédito Direto ao Consumidor (CDC).

Ela começa no fluxo de pagamentos. E é justamente no arranjo de pagamento que o varejista passa a entender, organizar e estruturar a maneira como o dinheiro entra, circula e é liquidado dentro do seu ecossistema.

Essa é a base para que qualquer estratégia de bancarização tenha sucesso e não seja superficial, dependente e pouco escalável.

A partir do momento em que o varejista domina o arranjo, ele passa a ter uma visão analítica.

Com isso, o crédito deixa de ser um meio de pagamento e passa a ser uma infraestrutura de relacionamento financeiro.

Isso permite a captura de dados transacionais qualificados, criação de regras próprias de aceitação, escolha de modelos de liquidação mais eficientes e criação de jornadas integradas à experiência de compra.

É justamente aqui que a bancarização começa a “ganhar forma”. Afinal, a partir do arranjo de pagamento, o varejista consegue estruturar de forma gradual os serviços financeiros, respeitando as regulações vigentes e sem desviar o foco do seu core business.

Essa é a premissa da bancarização, pois ela não se trata do varejista “virar um banco”, mas sim, orquestrar soluções financeiras que estejam alinhadas ao comportamento do cliente.

Na prática, essa evolução segue alguns critérios, como:

  • Controle e visibilidade sobre os fluxos de pagamento;

  • Escolha estratégica do tipo de arranjo (aberto ou fechado);

  • Acesso estruturado a dados transacionais;

  • Integração entre pagamento, crédito, fidelização e recorrência;

  • Redução da dependência de intermediários tradicionais.

É por meio desse caminho que o varejo consegue avançar uma estratégia de bancarização sustentável, construindo soluções financeiras que fazem sentido para o cliente e para seu negócio.

E o arranjo de pagamento é o ponto de partida dessa “transformação financeira” do varejo brasileiro.

Conecte seu arranjo de pagamento à infraestrutura de crédito da GIRO.TECH!

Se você chegou até aqui na leitura, conseguiu compreender melhor como os arranjos de pagamento estruturam o ecossistema financeiro do varejo.

Naturalmente, o próximo passo é pensar de qual forma é possível transformar essa base em produtos de crédito escaláveis e eficientes dentro do seu ecossistema.

É justamente nesse ponto que a tecnologia passa a ser decisiva. E não para substituir o arranjo, mas sim, para potencializar o que ele tem de mais estratégico.

A GIRO.TECH atua exatamente nesta camada estratégica. Nós não somos um arranjo de pagamento, adquirente ou subadquirente, e nem concedemos crédito ao seu cliente final.

O nosso papel é fornecer a infraestrutura regulatória e a tecnologia para crédito que simplesmente funciona, e que se conecta ao arranjo já existente.

Com isso, o seu varejo consegue montar sua própria operação de crédito e bancarizar seu negócio com mais controle, velocidade e inteligência financeira.

Plataforma completa de Credit as a Service

Ao integrar o arranjo de pagamento à nossa infraestrutura de crédito, o seu varejo consegue estruturar produtos financeiros de forma modular, aproveitando dados transacionais, regras de negócio próprias e fluxos financeiros já consolidados.

Essa integração reduz atritos e acelera a estruturação de soluções como crédito CDC, parcelamento inteligente e modelos híbridos de financiamento.

Do ponto de vista tecnológico, o grande diferencial está na orquestração do crédito sobre a realidade operacional do varejo.

Afinal, a infraestrutura da GIRO.TECH permite que o crédito seja desenhado de acordo com o arranjo, a jornada do cliente e a estratégia da sua empresa.

Para isso, nós disponibilizamos a nossa plataforma completa de Credit as a Service (CaaS), que dispõe de todos os requisitos necessários para que seu varejo crie sua própria infraestrutura de crédito.

Neste processo de bancarização, também utilizamos o suporte da Giro SCD, unidade regulada pelo BC. A nossa SCD possui todas as licenças bancárias, e está apta a habilitar seu varejo como nosso correspondente bancário.

Por meio das APIs, você consegue fechar contratos de crédito com seus clientes, através da emissão de CCB.

A Cédula de Crédito Bancário (CCB) é um título que comprova que o tomador de crédito assumiu uma obrigação de pagamento em favor do credor, nas condições ali descritas, como valor, prazo, juros, garantia, entre outros.

A CCB assegura ao varejista a opção de cobrar o pagamento do tomador de crédito sem ter que abrir um processo para reconhecimento da dívida, pois a própria CCB cumpre essa função.

Assim, seu negócio passa a poder financiar seu ecossistema utilizando 100% do capital próprio.

Além do mais, também temos o suporte da GTS Securitizadora e da Monetiza, nossos veículos especializados na estruturação de Securitizadoras e FIDCs, para que seu varejo obtenha ainda mais eficiência tributária nas operações de crédito.

Como funciona a operação de Bancarização da Giro SCD?

 

Conclusão

Por fim, ao concluir a leitura deste artigo, você conseguiu entender melhor o que é um arranjo de pagamento e como ele funciona.

Esse “conjunto de regras” deixou de ser somente uma engrenagem operacional do sistema financeiro para se tornar um pilar estratégico da transformação financeira do varejo.

Afinal, é a partir dos arranjos de pagamento que se estruturam fluxos financeiros mais eficientes, se capturam dados estratégicos e se criam as condições necessárias para que os varejistas lancem produtos de crédito alinhados ao comportamento do consumidor e às regulações vigentes.

Sem que haja essa base, qualquer estratégia de bancarização tende a ser superficial, dependente e pouco sustentável a longo prazo.

Não se esqueça: a bancarização não é algo abrupto, que acontece da “noite para o dia”. Ela é construída passo a passo, começando pelo domínio do pagamento, evoluindo com a escolha correta do arranjo e se consolidando quando o crédito passa a ser integrado de forma inteligente à sua operação.

E para que você obtenha o nível máximo de excelência, é fundamental contar com o apoio da tecnologia, que também passa a ser uma infraestrutura estratégica dentro desse processo.

A GIRO.TECH atua exatamente nesse ponto, ao oferecer a tecnologia para crédito que simplesmente funciona e que é conectável ao arranjo de pagamento já existente.

Assim, seu varejo consegue avançar na estratégia de bancarização com melhor controle, velocidade e eficiência, e sem a necessidade de se tornar banco ou criar uma estrutura complexa do zero.

O futuro do varejo é o crédito. E se você entender isso agora, estará apto a bancarizar seu ecossistema e transformar seu crédito em resultado.

Se isso faz sentido para seu negócio, entre em contato com nossos especialistas, marque uma reunião e saiba mais como podemos ajudar seu varejo a ter margem de banco!

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