A Securitizadora as a Service vem se popularizando cada vez mais entre as empresas que pertencem ao lucro real.
Afinal, nos últimos anos, a securitização deixou de ser uma operação restrita a grandes instituições financeiras e passou a fazer parte da estratégia de funding das mais diversas organizações.
Por meio dela, é possível estruturar recebíveis de forma estratégica, permitindo que a empresa financie suas próprias operações de crédito.
Com isso, a empresa consegue reduzir a dependência de terceiros, capturar mais margem financeira e ganhar eficiência tributária na gestão do capital.
Com a evolução regulatória, principalmente após a publicação da Resolução CVM 60, o mercado ganhou novas possibilidades para estruturar operações de securitização com mais segurança jurídica e padronização.
Ao mesmo tempo, cresceu o interesse de indústrias, marketplaces, varejistas e demais originadores de crédito em criar suas próprias estruturas de securitização.
Contudo, montar e operar uma Securitizadora “do zero” não é simples, pois a estrutura exige governança regulatória, controles operacionais e prestação de informações ao mercado.
Além disso, também existem uma série de outras responsabilidades e burocracias que podem tornar o projeto caro, complexo e demorado.
É nesse contexto que surge o modelo de Securitizadora as a Service, que possui uma proposta muito simples.
A ideia é permitir que as empresas acessem toda a estrutura regulatória, operacional e tecnológica necessária para realizar operações de securitização, sem precisar criar e manter uma Securitizadora própria.
É sobre isso que falaremos neste artigo. Portanto, siga a leitura conosco até o fim e entenda quais são os benefícios de utilizar uma Securitizadora as a Service e por que esse modelo tem se tornado uma ótima alternativa para empresas que desejam investir em securitização!
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Primeiramente, antes de entendermos melhor como esse modelo de negócio funciona, é importante contextualizarmos o que, de fato, significa As a Service.
Também chamado de “como serviço”, ele é um modelo de negócios e de entrega de tecnologia, no qual produtos, infraestrutura ou serviços são disponibilizados ao usuário final pela internet, geralmente sob demanda e com pagamento recorrente (assinatura).
Em outras palavras, esse conceito refere-se à “terceirização de ferramentas tecnológicas”.
Ou seja, ao invés de desenvolver, manter e operar uma estrutura própria, a empresa passa a utilizar uma solução pronta, disponibilizada por um provedor especializado, pagando apenas pelo seu uso ou operação.
A base do conceito de As a Service apareceu nos anos 60, quando pesquisadores começaram a imaginar a computação como um serviço público, da mesma forma que ocorre com a eletricidade ou telefone.
No entanto, foi a partir dos anos, com a popularização da internet, que surgiu a ideia de entregar software online.
Nesse sentido, soluções como a Salesforce, CRM Platform e Microsoft 365 passaram a ser os principais difusores desse modelo de negócio.
Por meio delas, qualquer empresa pode usar softwares complexos via assinatura, sem precisar instalar ou gerenciar toda a infraestrutura tecnológica.
Além do SaaS (Software as a Service), que começou a ser usado no início da década de 2000, também existem diversos outros modelos “como serviço”. São alguns exemplos:
Infrastructure as a Service (IaaS);
Desktop as a Service (DaaS);
Network as a Service (NaaS);
Plataform as a Service (PaaS);
Workspace as a Service (WaaS).
As a Service no mercado financeiro
Porém, o conceito de As a Service não fica restrito à computação. Ele também é muito presente no mercado financeiro.
Um exemplo clássico é o Banking as a Service (BaaS), que permite que empresas não financeiras ofereçam produtos bancários à sua base de clientes, sem precisar tirar uma licença bancária completa.
Por meio dele, indústrias, marketplaces e varejistas conseguem oferecer produtos como contas digitais, cartões de crédito/débito, cartão white label, entre outros meios de pagamento digitais, utilizando a infraestrutura regulatória e tecnológica de instituições autorizadas.
Outro modelo que segue essa lógica é o Credit as a Service (CaaS), no qual empresas podem estruturar operações de crédito usando plataformas que já possuem tecnologia, estrutura operacional e conexão com fontes de funding.
Desse modo, qualquer empresa não financeira pode oferecer empréstimos, financiamentos, cartão private label, entre outros serviços de crédito aos seus clientes, mas sem ter que virar um agente regulado pelo Banco Central (BC).
Além do BaaS e do CaaS, existem outros dois modelos que merecem destaque: o Lending as a Service (LaaS) e o Payments as a Service (PaaS).
No LaaS (empréstimo como serviço), as instituições financeiras oferecem uma plataforma tecnológica para otimizar o processo de concessão de crédito de empresas não financeiras.
Por sua vez, o PaaS (pagamentos como serviço) é um modelo no qual uma empresa terceiriza toda a infraestrutura de pagamentos para um provedor especializado, via APIs e plataformas prontas para aceitar, processar e gerenciar pagamentos.
Assim, ao invés de construir “do zero” sistemas complexos de pagamento, a empresa integra um serviço que já oferece a infraestrutura regulatória e tecnológica na nuvem.
Em todos esses casos, o As a Service mantém o mesmo objetivo: reduzir a complexidade operacional e acelerar o acesso a estruturas que, tradicionalmente, demandariam alto investimento e grande especialização para serem construídas internamente.
O que é uma Securitizadora?
É justamente essa lógica que também começa a ganhar espaço no mercado de capitais com o conceito de Securitizadora as a Service.
Por meio dela, empresas conseguem realizar operações de securitização utilizando uma estrutura já existente, regulada e preparada para operar.
Na prática, ao invés de constituir uma nova Securitizadora (com todas as exigências regulatórias, operacionais e de governança), a empresa passa a utilizar a infraestrutura de uma Securitizadora que já opera dentro das regras estabelecidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), especialmente no âmbito da Resolução CVM 60.
Se você já acompanha os conteúdos aqui no blog da GIRO.TECH, está familiarizado com o conceito de Securitizadora.
Ela é um CNPJ no regime de Sociedade Anônima (S/A), criado exclusivamente para comprar recebíveis (boletos, parcelas de crediário ou cartão) com capital dos seus investidores.
Esse veículo de securitização compra os direitos sobre os recebíveis de uma empresa e faz a emissão de títulos lastreados, para garantir a existência e validade do recebível.
O modelo recomendado pela CVM 60 é a estruturação de uma nova Securitizadora como subsidiária integral de uma Securitizadora já regulada pela CVM.
Com isso, a empresa pode emitir debêntures e Certificado de Recebíveis (CR), que são a maneira como o dono da operação vai captar recursos para colocar dentro desta estrutura.
Desse modo, é possível comprar um recebível no mercado pelo seu montante a vencer, com deságio. Quando o devedor pagar o montante total, o valor do deságio será a receita da Securitizadora, que será direcionada ao investidor.
Isso significa que, além de emitir e vender os títulos aos investidores, esse veículo de securitização também administra e gera os recebíveis, repassando os valores para quem adquiriu os créditos.
Securitizadora As a Service
Na prática, a principal diferença da Securitizadora para a Securitizadora as a Service, é que essa estrutura já contempla elementos essenciais para a realização das operações no mercado de capitais, como:
Governança regulatória e estrutura societária adequada;
Processos para emissão de valores mobiliários;
Relacionamento com prestadores de serviço do mercado de capitais;
Rotinas de prestação de informações ao mercado e aos reguladores.
Desse modo, a empresa que está originando os créditos pode focar no seu core business, enquanto a estrutura da “Securitizadora-mãe” fica responsável por cuidar das etapas necessárias para viabilizar a operação no mercado de capitais.
Essa lógica é muito semelhante a de outros modelos As a Service que já estão consolidados no mercado financeiro, como o BaaS e o CaaS.
Em vez de construir toda a infraestrutura por conta própria, a empresa passa a acessar uma estrutura pronta, especializada e regulada.
Esse modelo tem ganhado espaço entre fintechs de crédito, varejistas e originadores que desejam aproveitar os benefícios que a securitização oferece.
Afinal, não necessariamente a empresa que está originando crédito precisa acessar recursos junto ao mercado de capitais.
As empresas também podem financiar uma operação usando os ativos que já possuem, pois a securitização permite que o dono da operação de crédito seja um investidor.
Ou seja, não existe a obrigatoriedade em buscar recursos com investidores terceiros. Ao usar seu capital próprio, o dono da operação consegue capturar o lucro da securitização de recebíveis.
Porém, em ambos os casos, ele pode obter essa eficiência tributária sem ter que assumir toda a complexidade de estruturar e operar uma Securitizadora “do zero”.
É justamente nesse contexto que surgem os benefícios da Securitizadora as a Service, que veremos adiante, em outros tópicos.
Como funciona uma Securitizadora As a Service?
O modelo de Securitizadora as a Service funciona a partir da utilização de uma Companhia Securitizadora já estruturada e regulada.
Neste caso, a “Securitizadora-mãe” disponibiliza sua infraestrutura para viabilizar operações de securitização realizadas pelas empresas que originam crédito.
Como dito anteriormente, esse veículo de securitização é uma S/A, responsável por obter o direito de receber as dívidas de uma empresa e convertê-las em valores mobiliários.
Pelo fato de ser um CNPJ, qualquer pessoa pode ir até uma Junta Comercial, abrir uma Securitizadora em seu nome, e alocar capital como sócio.
Contudo, neste caso, ela terá que pagar PIS/COFINS em toda a receita financeira que tiver na compra dos recebíveis.
Isso ocorre, pois essa estrutura não terá os benefícios tributários da securitização, pois a empresa não estará convertendo as dívidas em títulos no mercado de capitais. No mercado, esse processo é informalmente chamado de “Factoring 2.0”.
É justamente aí que entra a Securitizadora as a Service, que desenvolve toda a estrutura necessária para operar no mercado de capitais.
Assim, a empresa passa a usar uma plataforma que já está preparada para conduzir esse tipo de operação dentro das boas práticas estabelecidas pela CVM 60, resolução criada em 2022, e que tem como objetivo, garantir que as Companhias Securitizadoras estejam vinculadas a uma norma mais compatível com as atividades que elas desenvolvem.
Na prática, o funcionamento da Securitizadora as a Service costuma seguir algumas etapas principais. São elas:
Originação dos recebíveis
A originação dos recebíveis é o “primeiro ato” da operação de securitização. Ou seja, a empresa gera os ativos que serão usados na operação.
No mercado, os recebíveis também são conhecidos como direitos creditórios, que são os créditos que uma empresa tem a receber, oriundos das vendas a prazo de produtos ou serviços.
Esses recebíveis podem ser parcelas de cartões de crédito, cartão private label, crediário loja, boletos, contratos de aluguel, Cédulas de Crédito Bancário (CCB), entre outros.
Estruturação da operação pela Securitizadora as a Service
Na sequência, a Securitizadora as a Service fica responsável por fazer a estruturação da operação de securitização.
Isso inclui a organização da estrutura jurídica e financeira da operação, definindo aspectos como lastro, fluxo de pagamentos, garantias e características dos títulos que serão emitidos.
Emissão dos valores mobiliários
Posteriormente, a partir do momento em que a estruturação da operação for definida, a Securitizadora faz a emissão dos valores mobiliários.
Em suma, os valores mobiliários são instrumentos financeiros que podem ser emitidos tanto por entidades públicas, como o governo; ou privadas, como empresas ou instituições tradicionais.
No mercado financeiro, eles representam outra forma de investimento, e incluem títulos como notas promissórias, ações, debêntures, cotas de fundos de investimentos, entre outros.
Esses valores mobiliários são lastreados nos recebíveis, para garantir a existência e validade do recebível.
Com isso, esses títulos/valores mobiliários podem ser ofertados a investidores no mercado de capitais.
Gestão e acompanhamento da operação
Por fim, como dissemos anteriormente, a Securitizadora as a Service também fica responsável por administrar e gerar os recebíveis, fazendo o repasse dos valores para quem comprou os créditos.
Ou seja, após a emissão dos valores mobiliários, este veículo de securitização segue responsável por diversas obrigações operacionais, como:
Gestão da emissão;
Prestação de informações ao mercado;
Acompanhamento dos fluxos financeiros da operação.
Esse é um dos processos burocráticos existentes na estruturação de um veículo de securitização, seja ele um FIDC ou Securitizadora.
Contudo, quando a empresa utiliza o serviço de As a Service, ela não precisa desenvolver internamente todo esse fluxo.
Em vez disso, ela passa aacessar uma infraestrutura já pronta, especializada e alinhada às exigências regulatórias.
Com isso, é possível reduzir significativamente o tempo, os custos e a complexidade para viabilizar operações de securitização.
É justamente essa combinação de acesso ao mercado de capitais com menor complexidade operacionalque tem impulsionado o crescimento desse modelo entre plataformas de crédito, originadores de recebíveis e empresas que desejam estruturar novas fontes de funding, melhorar a margem financeira e obter maior eficiência tributária.
Quais títulos de crédito uma Securitizadora As a Service pode emitir?
Como dito anteriormente, uma Securitizadora as a Service pode estruturar e emitir títulos de crédito no mercado de capitais que são lastreados em recebíveis.
Na prática, esse veículo de securitização fica responsável por converter esses ativos em valores mobiliários que podem ser adquiridos por investidores (que vale ressaltar, pode ser o próprio dono da operação).
Em suma, as estruturas mais utilizadas na securitização são as debêntures e Certificado de Recebíveis (CR).
Ambos são instrumentos amplamente usados no mercado brasileiro para viabilizar a captação de recursos a partir de ativos financeiros.
Cada um desses títulos de crédito possui características próprias, que podem variar conforme o tipo de ativo que foi usado como lastro.
O mesmo vale para o perfil da operação e os objetivos de financiamento da empresa originadora de crédito.
Debêntures
As debêntures são títulos de crédito que podem ser emitidos por uma Securitizadora as a Service.
Esse instrumento é muito similar à uma nota comercial, sendo usado por empresas como um meio para captação de recursos.
Nas operações que são realizadas pela GIRO.TECH, as debêntures funcionam como títulos de investimento nas operações de securitização.
Ou seja, os investidores compram as debêntures e esperam obter rentabilidade ao adquirir direitos creditórios (com deságio ou juros a receber).
Em síntese, uma empresa emite as debêntures, os investidores compram e, posteriormente, recebem o valor aportado com juros, conforme as condições determinadas.
Esse tipo de instrumento permite a criação de operações com diferentes características de prazo, remuneração e garantias.
Isso oferece flexibilidade para estruturar soluções de financiamento alinhadas às necessidades da empresa originadora e ao apetite de risco dos investidores.
Ademais, é importante frisar, que a rentabilidade das debêntures pode ser híbrida, prefixada ou pós-fixada.
Todavia, elas possuem incidência de Imposto de Renda (IR) que segue as alíquotas da tabela regressiva de tributação:
O CR é um título de crédito emitido exclusivamente pela Securitizadora as a Service, podendo ser comercializado no mercado de capitais.
Essa aplicação está lastreada nos direitos creditórios de empresas que fazem operações de antecipação de recebíveis.
Neste modelo, a Securitizadora “empacota” os recebíveis, permitindo que eles sejam convertidos em títulos e comercializados para os investidores, que adquirem esses títulos e passam a receber os fluxos financeiros provenientes do pagamento desses créditos.
Além do CR, também existem o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e o Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI).
Na prática, a principal diferença entre esses instrumentos está na finalidade dos recursos, que podem ser captados através da venda desses títulos.
Os CRAs e os CRIs têm como objetivo a captação de dinheiro para projetos nos setores agropecuário e imobiliário, respectivamente.
Ambos os títulos de crédito costumam ser usados por empresas de grande porte, diferentemente dos CRs, utilizados para financiamento de projetos em Pequenas e Médias Empresas (PMEs).
De toda forma, nas operações estruturadas via Securitizadora as a Service, os CRs costumam ser uma das principais ferramentas usadas para converter recebíveis em instrumentos de captação no mercado de capitais. Esse mecanismo possibilita que empresas:
Antecipem fluxos financeiros futuros;
Diversifiquem suas fontes de funding;
Ampliem o acesso a investidores institucionais ou qualificados.
Quais títulos de crédito uma Securitizadora as a Service pode comprar?
Contudo, para poder estruturar uma operação de securitização, a Securitizadora deve adquirir recebíveis.
Esses recebíveis/direitos creditórios vão servir como lastro para a emissão dos títulos no mercado de capitais.
Geralmente, esses créditos costumam ser originados pelas empresas em suas atividades comerciais ou em operações de financiamento.
No modelo de Securitizadora as a Service, a lógica é a mesma: a empresa originadora gera os ativos financeiros e faz a cessão de direitos creditórios ao veículo de securitização, que passa usá-los como base para estruturar a emissão dos valores mobiliários.
Na prática, existem diferentes tipos de títulos que podem ser usados como lastro nas operações de securitização.
Entre os mais comuns, podemos destacar três em especial. São eles:
Duplicata;
Nota comercial;
Cédula de Crédito Bancário (CCB).
Abaixo, explicamos melhor como funciona cada um deles. Veja:
Duplicata
A Securitizadora as a Servicepode comprar duplicatas, um dos principais títulos de crédito, especialmente no setor comercial e de prestação de serviços.
Assim como ocorre com a duplicata escritural, esse título de crédito corresponde a uma venda a prazo de mercadorias ou serviços prestados, também servindo como uma obrigação de pagamento de dívida.
Na prática, sempre que uma empresa faz uma venda a prazo, ela pode emitir uma duplicata que formaliza o valor a receber daquele cliente.
A Securitizadora as a Service compra esses títulos das empresas cedentes e, a partir deles, estrutura operações de securitização para emissão de valores mobiliários.
Entretanto, é importante frisar que, além da duplicata, esse veículo de securitização também consegue comprar muitos outros recebíveis.
É o caso, por exemplo, dos contratos de financiamento, aluguel, parcelas do cartão de crédito/débito, boletos, entre outros outros recebíveis originados nas plataformas digitais.
Todos esses recebíveis são transformados em direitos creditórios, a fim de que eles possam ser securitizados e usados como lastro para a emissão de CRs e debêntures.
Devido à sua ampla utilização no comércio e no setor de serviços, as duplicatas costumam representar uma parcela relevante dos ativos utilizados em estruturas de securitização.
Nota Comercial
Em contrapartida, a nota comercialé um título de crédito emitido por empresascom o objetivo de captar recursos diretamente no mercado.
Ela representa um título de dívida de curto prazo, e permite que o emissor faça o pagamento ao investidor que aportou o capital.
Devido a essa particularidade, a nota comercial é usada por empresas não financeiras na captação de recursos no mercado de capitais.
Na prática, esse instrumento funciona como uma promessa de pagamento feita pela empresa emissora, geralmente com prazos mais curtos e condições previamente definidas de remuneração.
Além disso, em determinadas estruturas de securitização, as notas comerciais podem ser usadas como parte dos ativos comprados pela Securitizadora as a Service.
Ou seja, a Securitizadora pode comprar esse título de crédito e utilizá-lo como lastro nas operações de crédito.
Cédula de Crédito Bancário (CCB)
Por fim, existe a Cédula de Crédito Bancário (CCB), um título de crédito bastante utilizado em operações de financiamentoe crédito no Brasil.
Emitida em formato escrito, físico ou digital, por uma instituição financeira, contra uma pessoa física ou jurídica, ela é uma espécie de “confissão de dívida”.
Isso significa, que a CCB formaliza uma obrigação de pagamento assumida pelo tomador do crédito junto à instituição ou entidade que concedeu o financiamento.
Além disso, a CCB também garante à empresa que fez a operação, o direito de poder cobrar o pagamento do tomador de maneira extrajudicial.
Isso significa, que não é necessário passar por um processo para reconhecer a existência da dívida, tendo em vista que a própria CCB cumpre esse papel.
Quando operações de crédito são estruturadas utilizando CCBs, esses títulos podem ser cedidos para a Securitizadora, que passa a utilizá-los como ativos subjacentes em operações de securitização.
Esse tipo de estrutura é comum em operações originadas por fintechs de crédito, plataformas de crédito ou empresas que realizam concessão de financiamento a clientes e desejam acessar o mercado de capitais para financiar essas operações.
Ademais, é importante pontuar, que as CCBs também podem ser objeto de cessão fiduciária à Securitizadora as a Service.
Contudo, é necessário respeitar o marco regulatório da CVM e o tipo de instituição cedente.
Qual a diferença entre Securitizadora As a Service e FIDC?
Ao avaliar estruturas para acessar o mercado de capitais e financiar operações de crédito, é comum surgir a dúvida entre utilizar uma Securitizadora as a Serviceou um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).
Embora os dois modelos tenham como base a utilização de direitos creditórios, cada um deles possui suas próprias particularidades.
Ou seja, existem diferenças importantes em termos de estrutura, governança corporativa, custo e objetivo de captação.
O FIDC é uma estrutura de fundo de investimento regulada pela CVM, e muito utilizada para financiar operações de crédito que tem como investidores os cotistas.
Os cotistas podem ser você, seu negócio ou investidores que participam ativamente do mercado de capitais.
Como dito acima, essa estrutura nasce para comprar direitos creditórios, como duplicatas, recebíveis de cartão, entre outras dívidas financeiras, como CCB ou nota comercial.
Condomínio de cotas
Um jeito fácil de entender como o FIDC funciona, é pensar nele como um “condomínio de cotas”, sem um dono específico.
Na prática, o grande objetivo é conectar essas cotas com investidores que compram e valorizam o seu capital.
Ao todo, existem três tipos de cotas FIDC (sênior, mezanino e subordinada), cada qual, com um grau diferente de risco.
Esse veículo de securitização já nasce com uma configuração mais robusta, com a exigência, pela CVM, da participação de diferentes agentes, como:
Gestora de recursos: responsável por analisar quais direitos creditórios serão comprados;
Custodiante: responsável por guardar, registrar e controlar os ativos financeiros ou as cotas do fundo.
Essa estrutura existe para garantir maior segurança e transparência para investidores/cotistas, especialmente em operações voltadas para terceiros, como investidores institucionais.
Por isso, o FIDC costuma ser a escolha mais adequada para empresas que desejam captar recursos de uma base mais ampla de investidores, com maior nível de exigência regulatória e governança.
Em contrapartida, a Securitizadora as a Service segue uma lógica diferente do FIDC.
Embora possa atingir um nível elevado de robustez, principalmente em ofertas públicas, ela possui, pelas regras da CVM, maior flexibilidade em sua estrutura operacional.
Isso acontece porque ela pode operar com menos participantes obrigatórios e possui maior autonomia na estruturação dos ativos.
Além disso, ela também permite a realização de emissões privadas, sem a necessidade de distribuição ampla.
Na prática, isso abre espaço para modelos em que o próprio financiador da operação é o investidor.
Essa dinâmica é muito comum em estruturas de crédito proprietário ou em operações dentro de ecossistemas, como é o caso do varejo.
Securitizadora as a Service como Sociedade de Propósito Específico (SPE)
Em muitos casos, a operação pode ser viabilizada com a participação essencial de um agente de emissão, responsável por administrar e gerir aestrutura, reduzindo a complexidade operacional.
Com isso, é possível criar uma operação mais enxuta, ágil e com menor custo operacional quando comparada a um FIDC.
Em síntese, essa é a principal diferença entre esses dois veículos de securitização, pois o FIDC é obrigado a ter mais agentes participando, o que eleva seus custos de abertura e manutenção, além de aumentar sua burocracia.
Portanto, no fim do dia, a escolha entre o FIDC e a Securitizadora não é sobre qual estrutura é melhor, mas sim, qual faz mais sentido para o seu objetivo:
FIDC: mais indicado para captação com investidores terceiros, especialmente institucionais, com maior nível de governança;
Securitizadora as a Service: mais eficiente para operações próprias, estruturas privadas e modelos que exigem agilidade, controle e menor custo.
Essa diferença é justamente o que explica o crescimento do modelo de Securitizadora as a Serviceem empresas que desejam estruturar crédito de forma mais estratégica, mas sem abrir mão de eficiência operacional, como é o caso do varejo.
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Para quem faz sentido utilizar uma Securitizadora as a Service?
Pelo fato de possuir uma estrutura mais leve e flexível, a Securitizadora as a Service tem ganhado espaço entre empresas que desejam acessar o mercado de capitais de forma estruturada, mas sem ter que assumir a complexidade de montar uma operação própria.
De modo geral, esse modelo faz mais sentido para negócios que têm geração recorrente de recebíveis ou operações de crédito próprias, e que enxergam nesses ativos uma oportunidade de funding, monetização ou ganho de eficiência tributária.
Entre os principais perfis de empresas que se beneficiam dessa estrutura, destacam-se três em especial. São eles:
Varejistas
Os varejistas são um dos perfis que mais conseguem se beneficiar ao utilizar uma Securitizadora as a Service. E existe uma grande razão para isso.
Em uma operação de ecossistema fechado, na qual os próprios sócios querem financiar as operações de crédito dentro desse ecossistema, utilizar uma estrutura robusta como o FIDC pode não ser a melhor opção.
Isso ocorre pois os próprios sócios são os donos e investidores da operação. Neste caso, a estrutura da Securitizadora as a Service pode ser uma alternativa mais vantajosa, pois ao fazer uma emissão privada, é possível reduzir a burocracia, obrigações e participantes obrigatórios.
Desse modo, é possível ter uma estrutura “mais enxuta” e com menos custos para a operação de crédito.
Além disso, é importante pontuar, que as empresas do varejo que operam com vendas a prazo, seja via crediário, BNPL ou cartão private label possuem um volume relevante de recebíveis que pode ser estruturado via securitização.
Quando um varejista opta pela bancarização, ele passa a ter mais liberdade para reduzir taxas e definir condições mais competitivas. Isso não seria possível em uma estrutura de FIDC, financiada pelo capital de terceiros.
Nesse contexto, a Securitizadora as a Servicepermite que o varejista:
Antecipe fluxos de caixa futuros;
Financie suas próprias operações de crédito;
Reduza a dependência de bancos tradicionais.
Ademais, se o varejista for montar uma operação de crédito totalmente com capital próprio, esse veículo de securitização possui uma estruturação muito mais rápida, eficiente e com menor custo.
Para negócios que já estão avançando em estratégias de Embedded Finance, esse modelo se torna ainda mais estratégico, pois permite transformar o crédito em uma alavanca de crescimento e margem financeira.
Marketplaces
Os marketplacestambém são um dos perfis que mais se beneficiam ao utilizar uma Securitizadora as a Service.
E isso ocorre, principalmente, por conta da natureza que esse modelo de negócio possui.
Dentro do marketplace, existe um fluxo financeiro constanteentre consumidores, sellers e a própria plataforma.
Muitas vezes, esses players passam a oferecer soluções como antecipação de recebíveis para lojistas, crédito para sellers ou até crédito CDC ao consumidor final.
Nesse contexto, surge uma decisão estratégica importante: como estruturar o funding dessas operações?
Se o objetivo dos sócios e donos do marketplace for captar recursos com investidores terceiros, um FIDC pode fazer sentido.
Porém, em muitos casos, o próprio marketplace é quem deseja financiar essas operações dentro do seu ecossistema, seja com capital próprio ou com parceiros estratégicos.
É justamente aqui que a Securitizadora as a Servicese torna mais eficiente para os objetivos da operação, pois ao utilizar uma estrutura de emissão privada, o marketplace consegue:
Reduzir a necessidade de múltiplos participantes obrigatórios;
Simplificar a operação do ponto de vista regulatório;
Ganhar mais agilidade na estruturação das operações.
Além disso, esse modelo permite uma melhor organização do fluxo financeiro da operação, ao separar os recebíveis por tipo de produto, perfil de risco ou prazo, algo essencial para quem opera diferentes linhas dentro do mesmo ecossistema.
Outro ponto relevante é o ganho de controle, pois o marketplace passa a ter maior autonomia para estruturar produtos financeiros mais competitivos e alinhar a estratégia de crédito com o crescimento da plataforma.
Na prática, isso transforma o financeiro em uma alavanca estratégica de retenção e expansão da base de lojistas.
Indústrias
Por fim, as indústrias também são um dos perfis que mais podem se beneficiar ao utilizar uma Securitizadora as a Service, principalmente por conta da dinâmica de vendas a longo prazo ao longo da cadeia.
Nas operações industriais, é relativamente comum que as vendas sejam realizadas para distribuidores ou parceiros comerciais com prazos estendidos.
Isso acaba gerando um volume relevante de recebíveis, que, embora representem uma receita futura, acabam pressionando o capital de giro no curto prazo.
Neste cenário, muitas indústrias buscam por alternativas para financiar sua cadeia de Supply Chain Finance.
Assim como ocorre com os varejistas e marketplaces, o FIDC pode ser uma opção interessante, principalmente quando há o interesse em captar recursos com investidores terceiros. No entanto, nem sempre essa é a estratégia ideal.
Em muitas situações, a própria indústria deseja financiar sua operação com mais controle, utilizando capital próprio ou estruturas mais flexíveis.
É nesse ponto que a Securitizadora as a Service também se mostra uma alternativa mais eficiente para as indústrias.
Ao permitir emissões privadas e uma estrutura “mais enxuta”, esse modelo viabiliza uma operação mais ágil, com menor custo e maior autonomia na definição da estratégia de crédito.
Além disso, ao estruturar o financiamento da própria cadeia, a indústria passa a ter mais liberdade para ajustar prazos, aumentar competitividade comercial e crescer sem pressionar o caixa.
Nesse contexto, a Securitizadora as a Service permite que a indústria:
Transforme contas a receber em funding estruturado;
Financie sua cadeia de distribuição com maior controle;
Melhore o capital de giro sem depender de bancos;
Alinhe crescimento comercial com eficiência financeira.
Quais os benefícios de utilizar uma Securitizadora as a Service?
A partir do momento em que uma empresa passa a utilizar uma Securitizadora as a Service, ela deixa de enxergar seus recebíveis somente como um ativo passivo.
Por meio dessa estrutura, os recebíveis passam a ser uma ferramenta estratégica de geração de receita, funding e eficiência financeira.
Na prática, esse modelo permite estruturar operações de crédito e antecipação a fornecedores de maneiramais inteligente, sem depender exclusivamente de bancos ou de estruturas mais complexas, como o FIDC.
Além disso, ao operar dentro dessa estrutura, a empresa consegue obter maior controle sobre sua estratégia financeira.
Assim, fica mais fácil alinhar a estratégia de crédito com os objetivos comerciais e de crescimento do negócio.
É justamente essa combinação entre controle, eficiência e acesso ao mercado de capitaisque tem impulsionado a adoção desse modelo por empresas que desejam sofisticar sua operação financeira.
Abaixo, listamos 6 benefícios estratégicos que você pode ganhar ao utilizar uma Securitizadora as a Service. Veja:
Monetização de recebíveis como estratégia de receita
Em muitos negócios, os recebíveis são vistos apenas como um fluxo futuro a ser antecipado quando necessário.
Contudo, quando esses ativos são estruturados dentro desse veículo de securitização, a empresa passa a tratá-los como fonte recorrente de geração de receita.
O motivo é muito simples: as empresas deixam de usar o crédito apenas como facilitador de vendas e começam a operá-lo como um produto financeiro estruturado, definindo taxas, prazos e margens.
Na prática, esse é um dos principais ganhos obtidos com a monetização de recebíveis como estratégia de receita.
Afinal, a empresa começa a capturar valor não somente na venda, mas também, na operação de crédito que está associada a ela.
Maior eficiência tributária na estrutura de crédito
Além disso, outro ponto altamente estratégico é a possibilidade de estruturar a operação de crédito com um enquadramento tributário mais eficiente.
Lucro Real
Essa lógica serve para qualquer empresa do lucro real, regime tributário obrigatório para toda empresa que possui faturamento anual acima dos R$ 78 milhões.
Neste regime,a empresa apura os tributos da seguinte forma: calcula os principais tributos federais, como o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ)e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), com base no lucro líquido contábil.
Sobre esse lucro apurado, são aplicadas as seguintes alíquotas:
15% de IRPJ sobre o lucro real (mais 10% adicionais sobre o que exceder R$ 20 mil mensais);
9% de CSLL sobre o mesmo resultado.
Além do IRPJ e da CSLL, também existem outros tributos que incidem sobre a receita financeira de uma empresa. São eles: PIS/COFINS e o ICMS.
Quando a Securitizadora as a Service é estruturada no modelo proposto pela CVM, o dono da operação de crédito consegue obter uma melhor eficiência financeira.
Isso ocorre, pois quando a operação deixa de ser feita “no balanço” e passa aocorrer dentro de um veículo específico, é possível obter umtratamento fiscal mais adequado à natureza dos recebíveis e das receitas financeiras geradas.
Por meio da Lei da Securitização, todo resultado da Securitizadora que é atribuído ao investidor, pode ser retirado da base de cálculo de PIS e COFINS.
Nesta configuração, a Securitizadora não vai gerar lucro. Como ela não terá impostos incidentes em sua receita, a única tributação existente será a do investidor sobre seu ganho de capital no resgate.
Desse modo, o veículo de securitização acompanha a tabela regressiva de renda fixa, podendo chegar à alíquota mínima de 15%, seguindo a mesma tributação aplicada a um FIDC.
Isso tende a ser especialmente relevante para empresas que operam crédito em escala, pois pequenas diferenças de carga tributária podem gerar impactos significativos no resultado a longo prazo.
Estrutura mais enxuta e com menor custo operacional
Além da eficiência tributária, outro diferencial estratégico da Securitizadora as a Service está na sua capacidade de viabilizar operações com uma estrutura muito mais leve do que modelos tradicionais.
Como dissemos anteriormente, o FIDC obrigatoriamente deve ter a atuação de três participantes: gestora de recursos, administrador fiduciário e custodiante.
É impossível estruturar um FIDC sem esses agentes. E isso, consequentemente, aumenta os custos regulatórios e de estruturação.
Ao evitar a necessidade de múltiplos participantes obrigatórios e processos mais complexos, a empresa consegue implementar e operar a estrutura com mais agilidade e menor custo recorrente.
Isso reduz as barreiras de entrada e permite testar, ajustar e escalar a operação de forma muito mais eficiente, o que faz toda a diferença em uma emissão privada.
Maior controle sobre a operação de crédito
Além disso, quando a Securitizadora as a Service é utilizada em estruturas privadas, a empresa passa a ter maior autonomia sobre toda a dinâmica da operação de crédito.
Desse modo, fica muito mais fácil alinhar o crédito com a estratégia comercial, ajustando as condições conforme o perfil do cliente.
Como resultado, as tomadas de decisões tendem a ser muito mais ágeis e flexíveis.
Esse panorama é muito diferente de quando a empresa depende exclusivamente do capital de terceiros.
Neste caso, a operação de crédito tende a ser condicionada às exigências dos investidores que aportaram capital, o que impacta taxas, prazos e políticas de concessão.
Acesso simplificado ao mercado de capitais
Além do mais, a Securitizadora estruturada no modelo CVM também possibilita um acesso simplificado ao mercado de capitais.
Em síntese, o mercado de capitais representa a união de diferentes entidades, agentes econômicos e legislação voltados à distribuição de valores mobiliários.
Através dele, é possível viabilizar, emitir e negociar valores mobiliários, como os já citados CRs e debêntures, além de ações e outros instrumentos financeiros.
Por ser um canal de financiamento para empresas e fonte de rentabilidade aos investidores, o mercado de capitais, tradicionalmente, tinha um acesso complicado.
Isso acontecia, pelo fato dele exigir estruturas complexas, alto nível de governança e custos relevantes de implementação.
Porém, com o modelo As a service, esse acesso se torna mais simples e progressivo, pois aempresa pode começar com operações privadas, entender a dinâmica da securitização e evoluir gradualmente para estruturas mais sofisticadas, conforme for ganhando maturidade e escala.
Escalabilidade com eficiência operacional
Por fim, mas não menos importante: após a estrutura estar montada, a empresa consegue expandir sua operação de forma consistente.
Com isso, é possível acompanhar o crescimento da carteira de crédito ou recebíveis.
Ademais, também é válido pontuar, que essa expansão não demanda um aumento proporcional da estrutura operacional.
Na prática, isso quer dizer, que o dono da operação consegue ganhar escalabilidade com eficiência, pois essa estrutura cria um modelo sustentável, no qual o crédito deixa de ser um “obstáculo” e passa a ser um motor de crescimento.
Em quais operações de crédito as empresas podem utilizar a Securitizadora as a Service?
Ao longo da leitura, mostramos que você pode utilizar a Securitizadora as a Service em diferentes tipos de operações de crédito.
Contudo, é fundamental que exista um elemento em comum: a geração de recebíveis estruturáveis.
Na prática, empresas podem estruturar por meio da securitização qualquer operação que gere um fluxo financeiro previsível, como vendas parceladas, concessão de Crédito Direto ao Consumidor (CDC) ou antecipação.
Essa estratégia possibilita que as empresas organizem esses ativos, transformem em funding e passem a operar o crédito com maior controle e eficiência.
Embora exista o “senso comum” de que a securitização serve apenas para antecipação de recebíveis, isso não é o que ocorre na prática.
Na realidade, diversos ecossistemas utilizam amplamente esse modelo em estruturas modernas de crédito.
Abaixo, mostramos algumas das principais operações em que as empresas podem aplicar a Securitizadora as a Service. Confira:
Operações de Crédito Direto ao Consumidor
No contexto do varejo (que opera crédito próprio ou deseja bancarizar sua base de clientes), essas são algumas das aplicações mais comuns:
CDC Lojista: Financiamento oferecido no Ponto de Venda (PDV) para compra de produtos, com crédito concedido por uma instituição financeira própria ou parceira;
CDC Digital: Modalidade de crédito contratada de forma 100% online, com liberação rápida e menos burocracia;
Crediário próprio (carnê ou parcelado): Financiamento direto feito pela loja ao cliente, geralmente sem intermediário financeiro. O cliente paga em parcelas, via carnê ou sistema interno.
Cartão Private Label: Cartão de crédito exclusivo de uma loja ou rede, utilizado principalmente para compras dentro do próprio estabelecimento ou ecossistema da rede que o emitiu;
Empréstimo pessoal: Crédito concedido diretamente ao consumidor, sem necessidade de justificar o uso, com pagamento em parcelas mensais.
Em todas essas operações, a securitização permite separar a atividade mercantil da atividade financeira.
Assim, o varejista deixa de operar o Crédito Direto ao Consumidor dentro do seu balanço, reduzindo a carga tributária sobre juros e ganhos de crédito.
Além disso, por meio da Securitizadora as a Service, o varejista também consegue transformar essas carteiras em funding estruturado, melhorando o controle sobre a performance dos recebíveis e reduzindo a necessidade de capital próprio imobilizado.
Operações de antecipação e crédito B2B
A securitização também é uma estratégia muito utilizada em operações de antecipação e crédito B2B, voltadas para empresas.
Em geral, essas operações costumam ter foco na gestão de capital de giro. São elas:
Antecipação de contas a receber: Operação em que a empresa antecipa o recebimento dos valores de vendas a prazo (boletos ou duplicatas) junto a uma instituição financeira;
Antecipação de recebíveis de cartão: Modalidade que permite à empresa receber antecipadamente valores das vendas realizadas via cartão de crédito ou débito;
Risco Sacado: Operação em que os fornecedores antecipam seus recebíveis com base no risco de crédito do comprador (empresa âncora);
Financiamento de fornecedores (Supply Chain Finance): Estrutura financeira que oferece crédito aos fornecedores com melhores condições, usando a solidez financeira da empresa compradora como referência.
Essas operações de crédito são relevantes para os marketplaces e, sobretudo, para indústrias e empresas que mantêm cadeias de distribuição estruturadas.
No caso das indústrias, a securitização cumpre um papel extremamente estratégico, principalmente na transformação da gestão financeira das indústrias que atuam financiando os próprios ecossistemas.
A lógica é a mesma para empresas que antecipam recebíveis dos clientes, e para aquelas que adiantam valores aos fornecedores.
Nas duas situações, a securitização estruturada via Securitizadora as a Service ajuda a gerar receita adicional, eficiência fiscal e controle operacional.
Isso ocorre, pois as indústrias deixam de fornecer bens e passam a atuar também como estruturadoras de crédito, utilizando os próprios ativos.
Desse modo, fica muito mais viável executar operações financeiras com baixo risco e alta escalabilidade.
Operações de crédito de baixo risco
Por fim, também existem operações de crédito demenor risco, que possuem fluxos mais previsíveis e estruturas específicas de desconto ou garantia.
Essas operações também podem ser securitizadas via Securitizadora as a Service. São elas:
Crédito com garantia de FGTS: Empréstimo concedido ao trabalhador com garantia vinculada ao saldo do FGTS ou à multa rescisória, reduzindo o risco e as taxas de juros.
Consignado Privado: Modalidade de crédito com desconto das parcelas diretamente na folha de pagamento dos colaboradores de empresas privadas, geralmente com taxas mais baixas.
As duas modalidades tendem a apresentar maior previsibilidade de pagamento, o que as torna habilitadas às estruturas de securitização.
Em suma, empresas podem aplicar a Securitizadora as a Service em qualquer operação que envolva originação de crédito e geração de recebíveis.
Da indústria ao varejo, a securitização permite que as empresas transformem essas carteiras de recebíveis em fonte estruturada de funding.
Assim, qualquer modelo de negócio consegue ir além do seu core business, não apenas vendendo mais, mas também, operando o crédito como parte central da sua estratégia financeira.
Conheça a GTS Securitizadora As a Service!
A securitização não se resume à uma alternativa de funding. Se bem estruturada, ela pode se tornar uma alavanca estratégica para geração de receita, eficiência tributária, aumento da margem financeira e crescimento sustentável.
No entanto, também é evidente que estruturar e operar um veículo de securitização por conta própria exige conhecimento técnico, estrutura regulatória e capacidade operacional que nem sempre fazem parte da realidade e do core business das empresas.
Portanto, se você quer dar esse passo adiante, é fundamental que conte com o apoio de parceiros estratégicos que te ajudem a passar pelo “caminho das pedras”.
É justamente nesse ponto que entra a GIRO.TECH e a nossa vertical GTS Securitizadora as a Service!
A CVM regula o nosso veículo de securitização, que possui todas as licenças necessárias para fornecer todo o aparato jurídico à sua operação.
A GTS Securitizadora funciona como controladora de uma subsidiária integral constituída abaixo dela, na mesma dinâmica do conceito de As a Service.
É essa subsidiária que vai ficar responsável por fazer as emissões de títulos para sua empresa, nos moldes estabelecidos pela CVM 60.
Por meio da emissão desses títulos, as empresas conseguem acessar recursos dentro do mercado de capitais e desenvolver novas operações de crédito.
Além disso, a GIRO.TECH também apoia sua empresa na busca por investidores (através das debêntures emitidas como títulos de investimento), caso seu objetivo seja captar com terceiros.
O principal benefício estratégico é o fato da sua empresa assumir 100% do controle nas operações de crédito, sem ter que usar o intermédio de uma instituição financeira tradicional.
Por isso, se a sua empresa já origina recebíveis ou deseja começar a operar crédito de forma mais estratégica, a GTS Securitizadora as a Servicepode ser o próximo passo para transformar essa operação em uma verdadeira vantagem competitiva.
Conclusão
Por fim, ao concluir a leitura deste artigo, você conheceu melhor a dinâmica e os casos práticos de uso da Securitizadora as a Service.
A securitização deixou de ser somente uma estrutura restrita às grandes instituições, e se consolidou como alternativa estratégica.
Por meio delas, as empresas podem acessar o mercado de capitais, ganhar eficiência tributária e transformar seus recebíveis em fonte ativa de geração de receita.
A Securitizadora as a Service permite capturar todos esses benefícios estratégicos de forma muito mais simples.
Afinal, esse modelo possui menor complexidade operacional e oferece maior controle sobre a operação de crédito, além de uma estrutura mais alinhada à realidade de empresas do lucro real e que deseja crescer com autonomia.
Na prática, isso representa uma mudança de mentalidade, saindo do “senso comum”, no qual o crédito somente viabiliza vendas, para um modelo estratégico, em que ele se torna parte central da geração de valor do negócio.
Portanto, se a sua empresa já possui uma operação de crédito, ou gerar recebíveis com recorrência, este pode ser o momento ideal para evoluir essa estratégia.
E para isso, você pode contar com o apoio de uma Securitizadora as a Service regulada, como a GTS Securitizadora.
Além dessa estrutura, nós também oferecemos uma plataforma completa de Credit as a Service (CaaS), com a tecnologia para crédito que simplesmente funciona.
Desse modo, nós desenvolvemos a infraestrutura de crédito completa, para que seu varejo tenha margem de banco.
Conheça a GTS Securitizadora as a Service e descubra como estruturar suas operações de forma mais eficiente, escalável e alinhada ao crescimento do seu negócio.
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