Como estruturar uma operação de crediário próprio para lojas?
Descubra como seu varejo pode obter maior eficiência tributária na estruturação e operação do crediário próprio para lojas!
31/12/2025

Descubra como seu varejo pode obter maior eficiência tributária na estruturação e operação do crediário próprio para lojas!
31/12/2025

O crediário próprio para lojas sempre foi um dos principais instrumentos de venda do varejo brasileiro.
Em um país historicamente marcado por restrição de crédito, juros elevados e volatilidade econômica, permitir que o cliente parcele a compra diretamente na loja é uma necessidade competitiva.
Embora as soluções de crediário sejam vistas como uma coisa do passado, a realidade nos mostra que essa operação não perdeu a sua relevância no varejo.
De acordo com um estudo produzido pela consultoria GMattos, a modalidade de crediário direto atingiu 37,3% das lojas online que foram monitoradas em julho de 2025.
Além disso, segundo a mesma pesquisa, o parcelamento fora de cartão pode chegar a mais de 20% da receita total.
Existem várias razões que ajudam a explicar esse crescimento, mas a principal delas, é a possibilidade do varejista poder obter maior controle na oferta de parcelamento.
Neste sentido, o que mudou nos últimos anos não foi o papel do crediário, mas sim, o ambiente em que ele está inserido.
Com a elevação das taxas de juros, o aumento da inadimplência, a maior fiscalização sobre operações de crédito e a evolução da bancarização do varejo, estruturar um crediário próprio deixou de ser uma decisão puramente comercial.
Hoje, trata-se de uma decisão financeira e estratégica, que impacta diretamente margem, fluxo de caixa, carga tributária e capacidade de crescimento do negócio.
Na prática, muitos varejistas continuam operando crediário como se estivessem “na década passada”. E é exatamente aí que mora o problema.
É sobre isso que falaremos neste artigo. Siga a leitura conosco até o fim e descubra como você pode estruturar uma operação segura e eficiente de crediário próprio para lojas!
Primeiramente, antes de vermos, na prática, como é possível estruturar essa operação, é importante que você conheça melhor o que é o crediário próprio para lojas.
Ele é um modelo no qual o varejista concede Crédito Direto ao Consumidor, financiando uma venda com recursos próprios ou estruturados e assumindo integralmente o risco da operação.
Assim, os clientes passam a poder parcelar suas compras de forma direta no estabelecimento, sem ter que recorrer às instituições financeiras tradicionais.
Isso significa que a loja deixa de atuar apenas como comerciante e passa a exercer, ainda que indiretamente, papéis típicos do sistema financeiro:
Nessa operação, o cliente paga mensalmente as parcelas, obtendo algumas vantagens, como prazos e juros mais acessíveis do que em outras linhas de crédito tradicionais.
Essas características fazem com que essa operação seja menos burocrática do que uma transação feita por meio do cartão de crédito, por exemplo.
Fica a cargo do varejista a análise de crédito do consumidor, levando em conta seus hábitos de consumo e pagamento, além da posterior decisão sobre conceder ou não o financiamento.
Com isso, o crediário próprio para lojas traz vários benefícios aos varejistas, que não precisam repassar os juros aos bancos, diferentemente do que ocorre com outras modalidades de crediário financiado e o garantido.
Além disso, o varejista consegue controlar toda a jornada da operação:
Esse controle gera ganhos evidentes de conversão, ticket médio e fidelização, mas, por outro lado, ele também traz responsabilidades que não podem ser ignoradas, pois a receita financeira não é receita comercial.
E os varejistas que tratam essas receitas da mesma forma, cometem um grave erro, como veremos adiante.
Agora que você já entendeu melhor o que é uma operação de crediário próprio para lojas, fica mais fácil de compreender como ela funciona na prática.
Em suma, essa operação é uma forma de empréstimo criada para que os clientes tenham acesso facilitado a um serviço ou produto. Assim, o crediário pode ser usado para compras parceladas.
Na prática, essa modalidade é muito similar aos antigos carnês que os varejistas disponibilizavam para seus clientes comprarem eletrodomésticos ou móveis.
Ainda é comum alguns lojistas permitirem que o pagamento via crediário ocorra em muitas parcelas (24 ou 30, algumas até mais).
Neste caso, se o cliente fizer a compra em 30 vezes, ele receberá um carnê com 30 boletos, que deverão ser quitados todos os meses.
Por consequência, essa flexibilidade do crediário próprio para lojas acaba expandindo a sua oferta para classes C, D e E que, historicamente, possuem restrições ao crédito tradicional.
Além de aumentar o poder de compra dessas pessoas, essa modalidade também ajuda na retenção e fidelização de novos clientes.
Ademais, além do crediário físico, também existe o crediário bancarizado, estruturado 100% de forma digital, via dispositivos móveis.
Essa flexibilidade permite que os clientes parcelem suas compras diretamente no site/aplicativo da loja, além de poder emitir a segunda via, se necessário.
Embora o crediário próprio para lojas seja uma modalidade mais flexível, é importante pontuar que ela não começa na venda e não termina no recebimento da parcela.
Ela é uma cadeia completa de decisões financeiras, jurídicas e operacionais, que não podem ser ignoradas.
Abaixo, listamos um breve passo a passo, que vai te mostrar os caminhos para que você rode essa operação no seu ecossistema. Veja:
O primeiro ponto da operação é a originação de crédito, que entra (ou não) como uma alavanca de vendas.
Na prática, o varejista precisa decidir como o crediário será ofertado ao cliente: em quais produtos, quais os prazos, limites e condições.
A oferta precisa estar integrada à jornada de compra, seja no ponto de venda físico, no e-commerce ou em experiências omnichannel.
Essa é uma das premissas do Embedded Lending, que consiste na inclusão de produtos e serviços financeiros, ligados à oferta de crédito, na experiência do cliente.
Quando mal estruturada, a oferta de crédito gera atrito e dificulta a jornada de compra do cliente. Por outro lado, quando bem desenhada, ela aumenta a conversão sem deteriorar o risco.
O ponto central é que a oferta do crediário próprio não pode ser genérica. Ela precisa refletir o perfil da base e os objetivos financeiros do negócio.
É aqui nesta etapa que muitos varejistas subestimam a complexidade da operação do crediário próprio para lojas.
Afinal, a partir do momento em que financia um cliente “dentro de casa”, a loja passa a assumir o risco de crédito.
Isso exige uma política de crédito clara, pautada em dados, histórico de relacionamento, informações de birôs de crédito e critérios próprios.
Quanto mais madura for a operação, menos dependente ela será de regras simplistas, e mais ela irá se apoiar nos modelos personalizados à realidade da base de clientes.
Aqui, é fundamental que o limite, às taxas e o prazo consigam equilibrar três variáveis:
O varejista não pode, em hipótese alguma, ignorar qualquer uma dessas variáveis, pois isso pode comprometer o resultado da operação no médio/longo prazo.
Quando o crédito é mal formalizado, ele dificilmente vai estar em condições de escalar dentro da estratégia financeira do varejista.
As operações informais até podem funcionar no curto prazo, porém, elas travam o crescimento e aumentam o risco jurídico e regulatório.
Por isso, é fundamental que logo após o varejista ter definido as regras para a liberação do crediário próprio para lojas, ele formalize esse contrato por meio de uma Cédula de Crédito Bancário (CCB).
A CCB é um título de crédito extrajudicial que estabelece a obrigação de pagamento de uma transação de financiamento realizada por uma empresa, banco ou outra entidade financeira.
Por sua natureza, ela assegura ao varejista que intermediou a operação de crediário, o direito de cobrar o pagamento sem precisar passar por um processo que reconheça a existência da dívida.
Essa segurança jurídica permite que os varejistas usem a Cédula de Crédito em diferentes operações de securitização.
Assim, o varejista pode criar um ativo financeiro poderoso que pode ser antecipado, vendido ou lastreado em operações de crédito estruturadas.
É justamente isso que diferencia o crediário próprio para lojas de outras modalidades, pois ele tem poder de transformar o crédito em uma ferramenta realmente estratégica.
Graças à ela, o varejista consegue obter novas fontes de receita, fortalecer seu fluxo de caixa e estruturar crédito através de uma Securitizadora ou FIDC.
Após a concessão de crédito, o varejista passa a gerenciar uma carteira ativa de crédito, composta pelo crediário próprio para lojas.
Isso envolve o acompanhamento de pagamentos, controle de inadimplência, renegociações, provisões e gestão de crédito e cobrança.
Na prática, muitos problemas que são atribuídos ao crediário não estão na concessão em si, mas sim, na falta de gestão da carteira de crédito.
Sem visibilidade, o crédito deixa de ser previsível e passa a consumir o fluxo de caixa. Esse é um ponto bastante crítico, e que também merece a sua atenção, pois um crediário próprio saudável demanda uma disciplina financeira contínua.
Por fim, entra um componente que ainda é mais estratégico, mas que frequentemente acaba sendo negligenciado na estrutura financeira da operação: o funding.
Embora a premissa do crediário seja o financiamento com capital próprio, dependendo do estágio que a operação chegar, esse capital pode acabar limitando o crescimento.
Aqui, o varejista pode optar por utilizar a securitização e converter seus direitos creditórios em títulos negociáveis no mercado de capitais.
Assim, é possível antecipar valores que ele teria a receber futuramente, como contas a receber, duplicatas, CCBs, parcelas de vendas a prazo, entre outros recebíveis, que serão convertidos em recursos imediatos.
É nesse momento que entram estruturas como FIDCs e Securitizadoras, que permitem que o varejista acesse capital de terceiros e melhore seu fluxo de caixa, mas sem ter que abrir mão do relacionamento com o cliente.
No contexto do varejo bancarizado, existem algumas operações de crédito e modalidades de pagamento que costumam ser muito utilizadas.
É o caso, por exemplo, do crediário próprio para lojas e do cartão private label. Apesar de ambos viabilizarem vendas parceladas, eles são operações completamente diferentes do ponto de vista financeiro e estratégico.
Como dito anteriormente, o crediário é um modelo de crédito CDC, no qual, o varejista financia uma venda usando recursos próprios ou estruturados, assumindo integralmente o risco da operação.
Até por conta disso, ele não está inserido no arranjo de cartões, sendo uma opção interessante para os consumidores que não tiveram aprovação para o uso do cartão de crédito ou que preferem utilizar uma forma de pagamento mais simples e flexível.
Por outro lado, o cartão private label é o popular “cartão de loja”, emitido especificamente por uma loja ou comércio varejista.
Ele não tem vínculo com as tradicionais bandeiras de cartão, e não pode ser utilizado em outros estabelecimentos que não sejam a rede que o disponibilizou.
Ao ser usado de forma exclusiva, ele permite que os clientes e consumidores tenham acesso a condições especiais de pagamentos, como descontos, parcelamento e promoções.
Até por conta disso, o cartão private label está inserido no arranjo de cartões, diferentemente do que ocorre com o crediário próprio para lojas.
Isso traz conveniência operacional, mas também impõe algumas regras rígidas, como taxas, prazos, liquidação e menor flexibilidade.
Na prática, isso significa que o crediário próprio abre espaço para algo que o cartão raramente permite: estruturação financeira e tributária da carteira de crédito.
É justamente por isso que muitos varejistas mais maduros combinam os dois modelos, usando o cartão private label como meio de pagamento e o crediário como estratégia financeira.
A partir do momento em que um varejista disponibiliza o crediário próprio para lojas, ele também passa a ter que lidar com alguns desafios “críticos”.
Uma das questões mais sensíveis, e que na maioria das vezes, acaba sendo negligenciada, é o impacto tributário. Esse é o ponto que mais gera perda de margem.
Diferentemente do que acontece em uma simples venda a prazo, o crediário demanda outras receitas financeiras e custos de captação, além de uma eventual cessão de direitos creditórios.
Cada uma dessas situações exige um tratamento fiscal diferente, e qualquer erro no planejamento pode “colocar a perder” a rentabilidade da operação.
Quando o varejista concede crédito, ele passa a gerar receita financeira. E receita financeira não deve ser tratada como faturamento de mercadoria.
Abaixo, listamos três implicações tributárias que mais impactam a operação do crediário próprio para lojas. Veja:
Antes de mais nada, é válido ressaltar que todas as vezes que um varejista oferece CDC ao cliente, as parcelas recebidas durante o período do financiamento não correspondem apenas ao valor da venda do produto.
Esses valores também incorporam uma outra receita financeira, que são os juros embutidos na operação. Este é o primeiro desafio.
Dependendo da estrutura da operação, a receita financeira do crediário próprio para lojas pode sofrer incidência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Em muitos casos, a carga tributária incide diretamente sobre o spread de crédito da operação.
A base de cálculo desses tributos muda conforme o regime tributário utilizado pela empresa (Lucro Real, Lucro Presumido ou Simples Nacional), além do formato da operação.
Na prática, isso significa que se o crediário for operado de forma direta no balanço do varejista, essa receita será “incorporada” às outras receitas operacionais.
Ou seja, o varejista pode estar concedendo crédito, assumindo risco e operando uma carteira relevante, apenas para entregar uma parcela relevante da margem em impostos, sem perceber.
Além dos tributos incidentes sobre as receitas financeiras, também há os desafios fiscais e contábeis da carteira de crédito.
Reconhecimento de receitas, provisões para inadimplência e classificação correta da carteira acabam se tornando pontos sensíveis.
Além disso, o crediário próprio concedido ao cliente se torna um ativo no balanço financeiro do varejista, no caso, o contas a receber.
Erros nessa etapa não apenas distorcem o resultado da empresa, como também aumentam o risco de questionamentos fiscais e dificultam qualquer estratégia futura de funding.
Portanto, qualquer contabilização incorreta dos recursos, ou reconhecimento errado das despesas financeiras pode culminar em distorções no resultado fiscal, levando a autuações ou recolhimentos indevidos dos tributos.
Ademais, outro desafio na gestão do crediário próprio para lojas, são os riscos de haver enquadramento inadequado.
Esse desalinhamento entre a prática da operação e o seu enquadramento jurídico faz com que muitos varejistas operem crédito com características típicas de instituição financeira, mas sem ter uma estrutura adequada.
Isso é mais comum do que parece, e ocorre quando o varejista concede crédito “dentro do CNPJ” da loja.
Neste caso, o Fisco pode acabar interpretando as receitas financeiras como parte da “atividade core” do varejo.
O resultado disso é aquilo que chamamos de bitributação, ou “mistura de finanças”, com o mesmo fluxo de receita sendo tributado tanto como venda de mercadoria, quanto como operação financeira.
Além disso, também existem situações em que o modelo é enquadrado erradamente frente ao Banco Central (BC) ou Receita Federal.
Todas essas questões limitam o crescimento, aumentam o risco regulatório e inviabilizam a eficiência tributária no longo prazo.
Embora existam essas implicações tributárias, é importante ressaltar que o crediário próprio para lojas é uma ótima ferramenta de rentabilidade e crescimento para o varejo, contanto que ela seja estruturada da maneira correta.
E para que isso seja possível, basta aplicar algumas estratégias inteligentes, e que ajudam a transformar esses desafios em oportunidades. Falaremos melhor sobre isso no próximo tópico.
Os desafios tributários são um dos principais obstáculos enfrentados pelos varejistas que “operam como um banco”, financiando os seus ecossistemas.
Esses impactos tributários estão presentes em qualquer operação de crédito, desde o CDC Lojista até o cartão white label.
Soma-se a isso, o fato das empresas brasileiras terem que lidar com a alta carga tributária. Segundo o Tesouro Nacional, a carga tributária bruta no país em 2024 foi de 32,2%, com aumento de 2,06 pontos percentuais (p.p.) na comparação a 2023, quando a carga foi revisada para 30,3% do PIB,
Embora os números de 2025 ainda não tenham sido consolidados, a tendência é que esse panorama não seja tão diferente.
Por isso, é crucial que você, varejista, conheça as estratégias necessárias para converter a estrutura fiscal em rentabilidade para o seu negócio.
Afinal ,a eficiência tributária não nasce de atalhos. Ela é consequência direta de estrutura, enquadramento e governança.
O futuro do varejo é o crédito, no entanto, ele tem que ser capaz de gerar lucro, preservar o fluxo de caixa e assegurar que ele seja operado com todo o aparato regulatório necessário.
A seguir, listamos 3 principais cuidados que você deve ter ao estruturar uma operação de crediário próprio para lojas. Veja:
Uma das formas mais eficientes de gerar eficiência tributária no crediário próprio para lojas é estruturar a operação por meio de um veículo de securitização.
Na prática, isso significa que o varejista pode organizar sua carteira de crédito utilizando duas estruturas já consolidadas no mercado: o FIDC ou uma Companhia Securitizadora.
Ambas cumprem o papel de conectar recebíveis de crédito a investidores, com impactos relevantes em risco, funding e tributação.
O Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) é um fundo regulado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e amplamente utilizado para financiar operações de crédito no Brasil.
Nesse modelo, as operações de crédito são financiadas pelos cotistas do fundo, que podem ser o próprio varejista, empresas do grupo econômico ou investidores do mercado de capitais.
O FIDC existe para comprar direitos creditórios, ou seja, o direito que uma empresa tem de receber um pagamento futuro.
Esses direitos podem assumir diversas formas, como duplicatas, recebíveis de cartão de crédito ou cartão private label, CCBs, notas comerciais e outros ativos financeiros, incluindo os recebíveis originados em operações de crediário.
Do ponto de vista jurídico e econômico, o FIDC funciona como um condomínio de cotas, sem um dono específico.
O objetivo central dessa estrutura é conectar ativos de crédito a investidores, permitindo que esses investidores integralizem capital no fundo em troca de participação nos fluxos de pagamento da carteira.
Para que um FIDC opere de forma regular, é necessária a atuação de alguns participantes-chave. São eles:
O fluxo operacional é relativamente simples: a empresa originadora cede os direitos creditórios ao FIDC, que os adquire com deságio utilizando o capital dos cotistas.
Os pagamentos realizados pelos devedores passam a ser direcionados ao fundo, que distribui os recursos aos investidores conforme sua participação e a ordem de prioridade definida no regulamento.
Essa estrutura permite segregar o risco da carteira de crédito da operação principal do varejista, aumentando a transparência da operação e trazendo mais segurança para os investidores.
Já a Companhia Securitizadora é uma pessoa jurídica constituída no formato de Sociedade Anônima (S.A.), criada com um objetivo bem específico: adquirir recebíveis utilizando capital de investidores e transformá-los em títulos negociáveis no mercado.
Nesse modelo, a Securitizadora compra os direitos sobre os recebíveis de uma empresa e realiza a emissão de títulos lastreados nesses créditos, garantindo sua formalização e validade jurídica.
A recomendação regulatória da CVM 60 é que a Securitizadora seja estruturada como uma subsidiária integral de uma Securitizadora já regulada, o que permite alcançar eficiência tributária semelhante à de um FIDC, além de maior segurança jurídica e operacional.
A partir dessa estrutura, a empresa pode emitir títulos como Certificados de Recebíveis (CR) ou debêntures, que são utilizados para captar recursos junto a investidores.
Esse capital captado é então alocado na compra dos recebíveis, sempre considerando prazo, risco e deságio.
Quando o devedor realiza o pagamento integral da obrigação, o deságio aplicado na aquisição do crédito representa a receita da operação, que é direcionada aos investidores da Securitizadora conforme as condições estabelecidas.
Além da emissão e distribuição dos títulos, a Companhia Securitizadora também é responsável por administrar a carteira de recebíveis, acompanhar os fluxos de pagamento e realizar os repasses aos investidores que adquiriram os créditos.
Entender como o FIDC e a Companhia Securitizadora geram eficiência tributária no crediário próprio para lojas é mais simples do que parece.
Nos dois veículos de securitização, o varejista deixa de reconhecer as receitas financeiras diretamente no seu próprio CNPJ operacional.
Em vez disso, essas receitas passam a ser isoladas e concentradas em um veículo específico, desenhado justamente para operar crédito e recebíveis.
Ao fazer essa segregação, o varejista passa a ter acesso a um tratamento fiscal mais adequado à natureza financeira da operação, algo que dificilmente seria alcançado quando o crédito é operado dentro da mesma estrutura que concentra a atividade mercantil.
Na prática, isso permite separar a venda do produto da geração de receita financeira, reduzindo a incidência tributária sobre juros, encargos e ganhos provenientes da carteira de crédito.
O resultado dessa “equação” é uma operação mais eficiente do ponto de vista fiscal e mais organizada do ponto de vista contábil e regulatório.
Além do benefício tributário, a utilização de um veículo de securitização traz outras vantagens relevantes para o crediário:
Acesso ao mercado de capitais, viabilizando a captação de recursos de forma estruturada e recorrente;
Maior controle sobre a performance da carteira de recebíveis, com métricas claras de inadimplência, prazo e rentabilidade;
Fortalecimento da governança da operação de crédito, com processos, papéis e responsabilidades bem definidos.
Além da busca por eficiência tributária, existe outro desafio igualmente crítico na operação do crediário próprio para lojas.
Estamos falando da necessidade do varejista garantir que a estrutura esteja corretamente enquadrada do ponto de vista jurídico e regulatório.
Não é raro encontrar varejistas que começam a conceder crédito sem avaliar com profundidade quais normas regulatórias se aplicam à operação.
No curto prazo, isso pode até parecer simples, porém, no longo prazo, costuma virar um baita problema.
Afinal, quando o crédito é estruturado sem esse cuidado, o risco não fica na ineficiência fiscal.
É comum surgirem situações como a já citada bitributação, além de questionamentos de compliance e contingências com o Fisco ou com órgãos reguladores.
Por isso, antes de colocar qualquer operação de crédito em pé, é fundamental que você responda:
Essas definições são determinantes para que a operação do crediário seja organizada da forma mais eficiente possível, tanto sob a ótica tributária quanto regulatória, evitando interpretações equivocadas e riscos desnecessários.
Nesse contexto, é bastante comum que o varejista opte por criar um braço financeiro próprio, responsável pela oferta de serviços bancários ou de crédito aos clientes.
Essa separação realizada por grandes varejistas, como Magalu, Renner e Riachuelo traz clareza para a operação e permite que cada atividade seja tratada de acordo com a sua natureza.
Com essa estrutura, o varejista consegue aumentar a liquidez, receber as vendas à vista e aplicar um tratamento tributário mais adequado às receitas financeiras.
Dessa forma, cada tipo de receita (mercantil ou financeira) passa a ter o enquadramento correto.
O resultado é uma operação mais organizada, com menos sobreposição de tributos e maior preservação da margem líquida ao longo do tempo.
Além disso, é importante pontuar que sem uma gestão integrada, o varejista dificilmente vai alcançar eficiência tributária no crediário próprio.
Em via de regra, essa dica vale para qualquer operação de crédito estruturada que envolve múltiplos fluxos ao mesmo tempo, como:
Quando essas frentes não caminham de forma coordenada, o risco de inconsistências aumenta de maneira significativa.
Aqui, um erro bastante comum é tratar o crédito apenas como uma extensão do mercantil, sem integrá-lo ao planejamento tributário e financeiro da empresa.
Esse tipo de abordagem até pode simplificar o início da operação, mas costuma gerar problemas à medida que a carteira escala.
Além do mais, a falta de sinergia entre as áreas jurídica, fiscal e contábil pode resultar em reconhecimento incorreto das receitas financeiras, recolhimento indevido de tributos e até distorções na análise de rentabilidade da operação.
Diante disso, o caminho mais adequado para o varejista buscar eficiência (e até mesmo recuperação tributária), é adotar um modelo de governança integrada.
Isso significa garantir que as áreas jurídica, fiscal e contábil participem ativamente desde a fase de estruturação da operação de crediário próprio para lojas.
Com essa coordenação, o varejista não apenas aumenta a segurança nas concessões, como também passa a ter consistência na apuração dos tributos e maior previsibilidade sobre o resultado financeiro da carteira de crédito.
Ademais, uma gestão integrada também reduz ruídos na relação com órgãos reguladores e investidores, trazendo mais clareza, confiança e credibilidade para a operação.
Em última instância, alcançar eficiência tributária no crediário próprio exige profissionalizar a estrutura de crédito.
Uma arquitetura financeira bem desenhada, com enquadramento jurídico adequado e gestão integrada, permite reduzir custos fiscais e criar uma base sólida para escalar a operação de crédito com segurança e sustentabilidade.
Como você observou ao longo da leitura, a operação de crediário próprio para lojas demanda alguns cuidados por parte do varejista, especialmente no que diz respeito à eficiência tributária.
Operar o crediário no balanço, definitivamente não é a melhor opção, especialmente se levarmos em conta as altas taxas e tributações que compõem essa operação.
Entretanto, existe um ditado popular que diz “para tudo tem jeito, só não tem jeito para a morte”. E essa lógica também se aplica ao varejo e ao mercado de crédito.
Graças à tecnologia desenvolvida pelas fintechs de crédito, qualquer empresa ou varejista consegue criar uma operação mais eficiente do ponto de vista fiscal, por meio do crediário bancarizado.
É exatamente aqui que entra a GIRO.TECH. Nós fornecemos a infraestrutura regulatória e a tecnologia para crédito que simplesmente funciona, e ajudamos os varejistas a terem margem de banco em suas operações!
Para isso, nós temos o auxílio da Giro SCD, nossa Sociedade de Crédito Direto (SCD) regulada pelo BC e habilitada a atuar como uma instituição financeira.
Com isso, nós podemos oferecer a bancarização como serviço para que os varejistas sejam o banco que financia o seu ecossistema e crie uma estrutura financeira completa.
Assim, o varejista não precisa se preocupar em ter que tirar uma licença própria e manter um “banco”, pois os custos regulatórios e de abertura são muito altos.
Por meio da nossa tecnologia para crédito que simplesmente funciona, nós conseguimos integrar todas as pontas da operação de crédito, permitindo que os varejistas gerem mais eficiência no crediário próprio para lojas.
Foi isso que nós fizemos com a Magalu, que usou nossas soluções de bancarização e securitização para rodar sua operação de CDC Digital.
O CDC Digital é um financiamento da compra do cliente dentro do SuperApp Magalu. Nele, o cliente pré-aprovado para o carnê digital consegue comprar parcelado pelo carnê diretamente no checkout.
Todo esse processo ocorre de maneira fluida, com o próprio cliente selecionando as condições e parcelas dentro do SuperApp Magalu.
Como a Magalu possui o conhecimento prévio dos dados do cliente, fica mais fácil conceder o financiamento para quem tem o perfil adequado.
Com o novo CDC Digital bancarizado, que é uma “evolução” do crediário próprio, a Magalu consegue obter muito mais eficiência tributária e aumentar a margem de lucro nessa operação tão tradicional.
Todo esse processo ocorre no GTHub, o nosso Hub de Integração que consegue conectar todos os sistemas de pagamento e processamento do MagaluPay, braço financeiro da Magalu, com os processos necessários para emissão e liquidação do crédito.
A nossa “solução invisível” otimiza os processos dessa operação complexa, permitindo que a Magalu controle somente a experiência do cliente e a análise de risco.
Desse modo, o resultado dessa estratégia é uma operação de crediário próprio para lojas mais ágil e eficiente do ponto de vista tributário.
Por fim, ao concluir a leitura deste artigo, você viu que o crediário próprio para lojas segue sendo umas das principais alavancas de crescimento do varejo.
Contudo, o contexto mudou, e o ambiente de juros elevados, maior pressão regulatória e aumento da carga tributária transformou o crédito em uma atividade muito mais estratégica.
No geral, muitos varejistas já operam crediário próprio, mas poucos o fazem de forma efetivamente estruturada e segura.
O resultado disso é um cenário recorrente: as vendas crescem, a carteira de crédito aumenta, mas a margem financeira não aparece.
E quando olhamos isso mais de perto, o problema raramente está na inadimplência, embora ela esteja presente na realidade do varejo.
Essa ineficiência e falta de rentabilidade está na estrutura da operação, no enquadramento tributário e na ausência de uma estratégia clara para o crédito.
Quando bem desenhado, o crediário próprio para lojas deixa de ser um meio para facilitar a compra e passa a ser um ativo financeiro do negócio.
Assim, o varejista consegue obter recorrência, dados, eficiência tributária e acesso a capital. É nesse ponto que o varejo começa a operar crédito como estratégia.
E isso passa pela bancarização do crediário. Portanto, se você quer diminuir a carga tributária, aumentar a eficiência e ampliar duas receitas, conte com o auxílio da GIRO.TECH!
Por meio da nossa tecnologia para crédito que simplesmente funciona, e da nossa expertise regulatória, nós conseguimos transformar o seu crédito em resultado.
Entre em contato com nossos especialistas, agende uma reunião, e descubra como nós podemos transformar seu capital e prazo em crédito estruturado e ágil!
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