Como o varejo pode financiar crédito com capital próprio?

Descubra como o varejo pode conceder crédito com capital próprio e construir uma infraestrutura financeira completa dentro do seu ecossistema!

imagem Como o varejo pode financiar crédito com capital próprio?

Nos últimos anos, tem sido cada vez mais comum empresas de diferentes segmentos utilizarem capital próprio para financiar crédito ao seu ecossistema.

É o caso, por exemplo, do varejo, que é um dos setores que mais tem se beneficiado das tendências da bancarização e da descentralização do crédito.

Isso faz toda a diferença, principalmente se considerarmos o contexto histórico e particular no qual o varejo está inserido.

Quando falamos sobre varejo, estamos falando de um setor em que a disputa pela fidelização do cliente é extremamente intensificada.

Além disso, a rentabilidade das operações precisa ser constantemente otimizada. Por conta disso, muitos varejistas estão buscando formas para internalizar o crédito e aumentar suas margens.

E uma dessas alternativas é justamente o financiamento utilizando seus próprios recursos. Essa abordagem possibilita que o varejo opere linhas de crédito usando seu próprio capital.

Essa estratégia não é apenas uma alternativa aos financiamentos bancários tradicionais. Ela também transforma o varejista em um verdadeiro agente financeiro de todo seu ecossistema.

Logo, é possível ter o controle total sobre a jornada de crédito, desde a originação até a cobrança, possibilitando a captura integral das receitas com juros.

Entretanto, para que essa estratégia seja possível, é crucial que haja planejamento, robustez financeira e infraestrutura tecnológica que ajude na segurança e escalabilidade da operação.

Por isso, se você é varejista e deseja começar a financiar o seu ecossistema utilizando recursos próprios, este artigo será o seu guia nesta jornada.

Siga a leitura conosco até o fim e descubra como você pode estruturar operações de crédito com capital próprio e aproveitar as vantagens competitivas que essa estratégia oferece!

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O que é capital próprio?

Primeiramente, antes de conhecermos na prática quais são esses benefícios, é importante contextualizarmos melhor o que é capital próprio.

De modo geral, ele nada mais é do que o conjunto de recursos financeiros que pertencem à própria empresa, sem a dependência de terceiros em sua composição.

Em outras palavras, ele é o investimento realizado pelos sócios de uma empresa utilizando seus próprios recursos, que podem ser dinheiro, ativos ou outros bens.

Esse capital compõe o Patrimônio Líquido da empresa, e pode ter origem tanto do dono, quanto de acionistas. Porém, ele também pode vir do lucro da companhia ou dos resultados operacionais positivos.

Na prática, esse é um dinheiro que já faz parte do negócio, e que tem potencial para ser reinvestido em novos projetos, infraestrutura ou financiamento de uma operação de crédito própria.

No contexto do varejo, a utilização do capital próprio significa alocar recursos internos da empresa para financiar a compra dos seus clientes e consumidores.

Essa concessão de crédito pode ocorrer de várias formas, via cartão private label, crédito CDC, empréstimo pessoal, entre outras operações integradas.

A principal vantagem que essa estratégia oferece, é a possibilidade do varejista assumir o “protagonismo” da operação.

Ou seja, por não depender mais do intermédio de um banco tradicional, o varejista consegue capturar as receitas de juros, obtendo melhor controle sobre os riscos.


Como funciona o capital próprio?

Agora que você já entendeu melhor o que é o capital próprio, fica mais fácil compreender como ele funciona.

Na prática, isso ocorre por meio da composição entre investimentos, aportes e emissão de ações.

Esses recursos podem ser utilizados para novos investimentos, financiamentos, expansão operacional e fortalecimento do fluxo de caixa.

Além disso, esse capital também pode conter lucros reinvestidos ou, até mesmo, reservas emergenciais que foram realizadas pela empresa para a manutenção do controle dos ganhos.

Trazendo para o cenário do varejista que deseja conceder crédito, o funcionamento do capital próprio significa destinar uma parte dos lucros ou fluxo de caixa disponível para alimentar a esteira de crédito.

Isso significa, que esses recursos são designados para o financiamento dos consumidores que fazem compras a prazo.

Neste caso, o retorno financeiro vem através dos pagamentos das parcelas acrescidas dos juros estabelecidos pela política de crédito do varejista.

Ademais, como não existe o intermédio de um banco tradicional, é o próprio varejista quem fica responsável por controlar toda a jornada de crédito.

Ou seja, o varejo controla desde a análise até a formalização da operação e a posterior cobrança dos valores.

Em suma, o capital próprio é convertido em um ativo dinâmico, pois ele é investido no crédito ao cliente e retorna em forma de fluxo de caixa com margem financeira.

Assim, o varejista consegue gerar uma nova fonte de receita utilizando seu próprio balanço financeiro.

Entretanto, para que isso ocorra de forma segura e eficiente, é necessário que o varejista tenha um modelo de governança bem estruturado e utilize ferramentas tecnológicas, que ajudem a automatizar o processo. Falaremos melhor sobre isso em itens seguintes.

Para que serve o capital próprio?

De modo geral, o capital próprio tem como principal objetivo, servir como uma base sólida para a manutenção das operações e investimentos estratégicos de uma empresa sem que a mesma precise recorrer aos empréstimos tradicionais.

Primeiramente, esses recursos são parte do aporte inicial de toda empresa que está começando suas atividades.

Ou seja, são eles que garantem o capital de giro e fôlego necessários para que a companhia se mantenha ativa até que ela, de fato, comece a dar lucro e obtenha faturamento.

Além disso, esse capital também serve para a empresa calcular indicadores de endividamento, ao comparar o patrimônio líquido com o capital de terceiros.

No contexto do varejo, o capital próprio é fundamental para assegurar autonomia financeira, impulsionar o crescimento e financiar atividades que precisam de fluxo recorrente, como é o caso da concessão de crédito.

Neste sentido, podemos destacar como sendo as principais finalidades deste capital os seguintes pontos:

Financiar operações de crédito CDC

Por meio do capital próprio, o varejista consegue financiar diferentes tipos de operações de crédito CDC.

O Crédito Direto ao Consumidor (CDC) é um tipo de financiamento regulamentado pelo BC, e tem como intuito tornar mais fácil o processo de uma compra, ao permitir que o cliente pague parcelado.

O crédito CDC pode ser concedido por diferentes entidades, como bancos, cooperativas, fintechs de crédito ou pelo próprio varejista, através da emissão de uma Cédula de Crédito Bancário (CCB).

Neste sentido, o varejo pode usar seu próprio capital como funding direto para linhas de crédito, crediário, cartão white label, entre outras formas de parcelamento.

Assim, o varejista consegue transformar seu caixa em alavanca para aumentar as vendas e, consequentemente, sua rentabilidade, por financiar seu próprio ecossistema.

Reinvestir no crescimento do próprio negócio

A utilização do capital próprio também serve para que o varejista reinvista no crescimento do seu próprio negócio.

Por meio desses recursos, é possível expandir lojas, investir em tecnologia, ampliar o mix de produtos e, até mesmo, financiar novas operações de crédito.

Neste caso, a principal vantagem que essa estratégia oferece é a possibilidade dessas ações ocorrerem sem que o varejo precise contrair dívidas ou fazer empréstimos bancários.

Reduzir dependência do capital de terceiros

Além disso, o varejista que utiliza seu capital próprio também consegue reduzir a dependência do capital de terceiros.

Afinal, a partir do momento em que utiliza recursos próprios, é possível reduzir a exposição a empréstimos, linhas de crédito bancárias e demais custos financeiros associados.

Desse modo, é possível manter uma estrutura de capital mais enxuta, permitindo que o negócio se mantenha mais estável do ponto de vista econômico.

Melhorar indicadores financeiros

Como dissemos anteriormente, a utilização do capital próprio permite que o varejista consiga ter um melhor cálculo dos seus indicadores financeiros.

Isso ocorre pelo fato das empresas que usam seus próprios recursos de maneira eficiente, apresentarem menor alavancagem.

Além de melhorar a relação com parceiros e fornecedores, essa estratégia faz toda a diferença na estruturação de captações junto a investidores do mercado de capitais.

Criar novas fontes de receita

Por fim, mas igualmente relevante: sempre que o capital próprio é alocado para o financiamento de clientes que têm margem positiva, ele passa a gerar retorno financeiro.

Ou seja, essa estratégia não é apenas uma forma para viabilizar vendas. Ela também possibilita que o crédito seja transformado em um produto que agrega valor para o varejo.

Essa inclusão de produtos e serviços financeiros ligados à oferta de crédito, na experiência do cliente, é popularmente conhecida como Embedded Lending.

Quando falamos do varejo, a maneira mais evidente de aplicação do Embedded Lending, ocorre por meio do financiamento das compras feitas pelos clientes.

Como essas transações ocorrem sem a intermediação de uma instituição financeira ou banco tradicional, o varejista consegue ser o dono de toda a operação.

Assim, é possível criar novas fontes de receita recorrentes utilizando os próprios recursos da empresa.

Portanto, o capital próprio não serve somente como uma reserva de segurança ou para cobrir a Provisão para Devedores Duvidosos (PDD).

Esses recursos também são instrumentos estratégicos, que se bem utilizados, ajudam a maximizar a autonomia e rentabilidade do varejo.

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Capital próprio x capital de terceiros: quais as diferenças?

No item acima, nós citamos brevemente sobre os varejistas reduzirem a dependência do capital de terceiros quando usam seu capital próprio.

Por conta disso, é importante contextualizarmos melhor quais são as diferenças entre esses dois modelos.

Afinal, esses dois tipos de funding possuem particularidades próprias, que impactam diretamente na estrutura de financiamento de uma operação de crédito no varejo.

Capital próprio

Como dissemos anteriormente, o capital próprio corresponde à soma de recursos financeiros que pertencem à própria empresa, sem depender de terceiros na sua composição.

Ele é formado por recursos originários do capital social, reservas de lucro ou reinvestimentos, e tem como principal característica, a autonomia.

Afinal, o varejista que utiliza seus próprios recursos não precisa depender do intermédio dos bancos tradicionais para conceder crédito ao seu ecossistema.

Além disso, o capital próprio possui algumas características principais, sendo elas

  • Possibilidade de capturar toda a receita financeira da operação de crédito;
  • Não exigência do pagamento de juros a terceiros;
  • Menor exposição a riscos financeiros externos;
  • Não aumenta o endividamento da empresa.

Contudo, a sua utilização exige alguns cuidados importantes, sendo o principal deles, a capacidade de manter um fluxo de caixa saudável, afinal, os recursos são oriundos do próprio balanço do varejista.

Capital de terceiros

Por outro lado, o capital de terceiros é um recurso obtido pelo varejista de forma externa, através de financiamentos, empréstimos, entre outras formas de crédito, que possuem taxas e prazos definidos previamente.

Até por conta disso, esse capital compõe o passivo da empresa, pois embora não comprometa o caixa imediato, implica em custos financeiros e obrigações contratuais.

Além disso, é importante pontuar, que o pagamento do empréstimo não está atrelado à performance da empresa, e obrigatoriamente, precisa ser devolvido com juros.

Ou seja, independentemente se a operação de crédito performar ou não, o capital de terceiros que foi emprestado, deverá ser devolvido em algum momento.

Ademais, o capital de terceiros também possui outras particularidades:

  • Envolve o pagamento de encargos, tarifas e juros;
  • Diminui o risco direto do varejista na inadimplência;
  • Pode exigir algumas garantias ou contrapartidas;
  • Reduz a margem líquida da operação de crédito.

O capital de terceiros costuma ser utilizado por varejistas que ainda não possuem uma estrutura robusta para operar o crédito “dentro de casa”.

Compreender essas diferenças é crucial para que você, enquanto varejista, tome a melhor decisão do ponto de vista estratégico.

Afinal, também existem casos em que a combinação entre capital próprio e capital de terceiros também ajuda a manter o equilíbrio da operação de crédito.

Quais são os tipos de capital próprio?

Ainda quando falamos sobre capital próprio, é importante pontuar que existem diferentes tipos desse recurso financeiro.

Eles correspondem à soma dos recursos que pertencem aos sócios ou acionistas da empresa, e que por consequência, não precisam ser devolvidos.

Todos esses valores formam a estrutura financeira de um negócio, e são fundamentais para que ele cresça de forma sustentável.

Abaixo, listamos melhor quais são os principais tipos de capital próprio existentes. Confira:

Capital social

O capital social, nada mais é, do que o “capital inicial” investido pelos sócios ou acionistas no momento em que a empresa é constituída.

Ou seja, por meio desses recursos, o varejo pode dar início à sua caminhada, começando as atividades internas.

Conforme o negócio for evoluindo e crescendo, estes valores podem aumentar. Além disso, o capital social pode ser integralizado de diferentes formas, por meio de dinheiro, bens ou direitos.

Capital de giro

O capital de giro é muito citado quando falamos sobre o mercado de crédito e outras operações relacionadas, como por exemplo, a securitização.

Ele representa todo o recurso financeiro necessário para que uma empresa possa operar no curto, médio e longo prazo.

Além disso, o capital de giro também garante que as despesas e contas sejam pagas e que a etapa de produção e vendas ocorra de forma segura.

Logo, o capital de giro contribui diretamente para que o negócio cresça de forma sustentável.

Reservas de lucros

As reservas de lucros também são um tipo de capital próprio. Elas correspondem a todos os valores acumulados conforme os ganhos da empresa.

Isso significa, que parte do lucro retido na empresa é destinado para finalidades específicas, como:

  • Reserva legal;
  • Reserva estatutária;
  • Reserva para expansão;
  • Reserva para contingências.

Logo, essas reservas podem ser utilizadas tanto para reinvestimentos, quanto para cobrir eventuais prejuízos ou pagamentos de dividendos, permitindo que a empresa se mantenha saudável e operando corretamente.

Lucros ou prejuízos acumulados

Os lucros ou prejuízos acumulados também são um tipo de crédito próprio. Neste caso, eles representam os resultados da empresa que ainda não foram destinados.

Ou seja, são os resultados financeiros que ainda não foram distribuídos como dividendos ou aplicados em reservas.

Aqui, vale um importante adendo: as empresas podem manter lucros acumulados de forma temporária, contudo, a legislação impõe alguns limites e prazos para que eles sejam destinados.

Capital autorizado

Por sua vez, o capital autorizado se refere ao limite máximo que uma empresa pode aumentar sem a necessidade de alterar seu contrato social.

Essa possibilidade permite uma maior flexibilidade para a empresa captar recursos internos, com a condição de que siga o valor estabelecido, para evitar problemas fiscais.

Capital subscrito

Já o capital subscrito, é um dinheiro prometido pelos sócios ou acionistas e que será pago de forma integral ou parcelada, ao longo dos meses.

Na prática, ele corresponde a uma promessa de aporte, o que significa que os sócios utilizarão seu capital próprio para entregar o dinheiro futuramente à empresa.

Capital integralizado

O capital integralizado está relacionado ao capital social que foi depositado no caixa da empresa pelos seus sócios ou acionistas.

Na prática, ele corresponde ao valor aportado na empresa para que ela pudesse começar suas atividades.

Esse capital integralizado pode ser dinheiro, direitos ou bens que foram enviados no momento em que a empresa foi aberta.

Capital a integralizar

Além do capital integralizado, também existe o capital a integralizar, que é uma parte do capital social que os acionistas e sócios prometerem aportar, mas que ainda não foi pago.

Ou seja, ele é um compromisso de investimento prometido na hora em que o CNPJ é registrado, porém, seu depósito pode ocorrer posteriormente.

Capital humano 

Por fim, mas não menos importante, temos o capital humano, que também é um tipo de capital próprio que toda empresa possui.

Ele é a soma entre os conhecimentos, habilidades, experiências, valores e competências que todos os sócios, acionistas e colaboradores da companhia possuem.

Afinal, o sucesso de uma empresa também depende da mão de obra humana.

Por isso, esse capital é um ativo estratégico extremamente importante para o desenvolvimento e crescimento de uma empresa, independentemente se ela for ou não do ramo do varejo.

Como o varejo pode financiar crédito com capital próprio?

Chegamos a um dos tópicos mais importantes deste artigo, afinal, se você chegou até aqui, é porquê buscava respostas que ajudassem a entender como seu varejo pode financiar crédito com capital próprio, certo?

Entender os conceitos e como essa estratégia funciona é um ótimo ponto de partida, porém, só isso não basta.

Para que você consiga transformar os próprios recursos em uma fonte estratégica de financiamento aos seus consumidores, não é preciso “apenas” ter recurso disponível em caixa.

Também é preciso estruturar uma operação robusta, segura e escalável, que seja capaz de garantir que a concessão aconteça com governança, controle de risco e foco na rentabilidade.

Mas como é possível fazer isso na prática? Abaixo, destacamos os principais caminhos que ajudam a tirar do papel essa estratégia. Veja:

Criação de veículos de securitização para capital próprio

Uma das maneiras mais seguras e eficientes do varejo financiar crédito utilizando capital próprio, é por meio da criação de veículos de securitização.

Os veículos de securitização são estruturas jurídicas autorizadas a executar a prática da securitização, pois eles possuem toda a infraestrutura exigida pelos reguladores do mercado financeiro para a execução dessa operação.

Ao utilizar a estrutura de um veículo de securitização, o varejista pode transformar os direitos creditórios de sua carteira em ativos financeiros.

Assim, é possível reinvestir os recursos dentro do próprio ecossistema de crédito.

Além do mais, os veículos de securitização também proporcionam diversos ganhos em eficiência tributária e são mais atrativos para eventuais co-investidores.

Neste sentido, existem dois tipos de veículos de securitização: o Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) e a Securitizadora.

FIDC

O FIDC é uma estrutura de fundo de investimento regulamentada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), muito utilizada para financiar operações de crédito.

Essas operações de crédito podem ser você, seu negócio, acionistas ou investidores do mercado de capitais.

Esse veículo de securitização nasce para comprar direitos creditórios, que são o direito que uma empresa tem de receber uma determinada dívida, como recebíveis do cartão de crédito ou private label, duplicatas, entre outras dívidas, como CCBs ou notas comerciais.

O FIDC é um condomínio de cotas, sem um dono específico, cujo propósito é conectar títulos de crédito com investidores que compram as cotas do fundo e valorizam seu capital.

Entretanto, para que o FIDC exista, é obrigatória a atuação de três participantes: gestora de recursos, administrador fiduciário e custodiante.

A gestora de recursos fica encarregado por analisar quais direitos creditórios serão comprados, enquanto o administrador fiduciário é responsável por administrar a parte jurídica da operação. Por sua vez, o custodiante faz toda a custódia, cuidando e controlando as cotas do fundo.

Securitizadora

Por sua vez, a Securitizadora é um CNPJ no regime de Sociedade Anônima (S/A), criado com um único objetivo: comprar recebíveis com capital dos seus investidores.

Esse veículo de securitização compra os direitos sobre os recebíveis de uma empresa e faz a emissão de títulos lastreados. Neste caso, o lastro serve para garantir a existência e a validade do recebível.

O modelo recomendado pelo CVM é a estruturação de uma nova Securitizadora como subsidiária integral a partir de uma Securitizadora regulada pela CVM.

Assim, é possível alcançar a mesma eficiência tributária proporcionada pela estrutura do FIDC.

Além disso, é importante pontuar, que para uma operação de ecossistema fechado, na qual os sócios desejam utilizar capital próprio para financiar as operações de crédito, como é o caso do varejo, a Securitizadora se mostra uma estrutura mais eficiente.

Isso ocorre, pois ao fazer uma emissão privada, é possível reduzir a burocracia, obrigações e participantes obrigatórios, trazendo menos custos e uma estrutura mais rápida e eficiente.

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Quais são as diferenças entre FIDC e Securitizadora?

 

Constituição de uma estrutura financeira própria

Por meio do veículo de securitização, o varejista consegue iniciar a constituição de uma estrutura financeira própria.

Assim, é possível montar internamente uma estrutura dedicada exclusivamente à concessão e gestão de crédito e cobrança.

Na prática, isso significa ter uma área financeira com políticas claras de crédito, análise de risco, formalização e gerenciamento de contratos, cobrança e compliance regulatório.

Por meio da concessão de crédito com capital próprio, a operação fica 100% sob o controle do varejista, que pode definir as condições personalizadas conforme cada perfil de cliente.

Além do mais, a partir do momento em que dispensa o intermédio de um banco tradicional, o varejista consegue potencializar as margens e melhorar o relacionamento com o cliente.

Todos esses fatores são cruciais para fidelizar os clientes que já confiam no negócio e atrair novos públicos que ainda não conhecem a marca.

Automatização da jornada de crédito

Entretanto, embora traga essas vantagens, a operação de crédito com capital próprio exige agilidade e eficiência.

Esses itens devem estar presentes em todo o ciclo, desde o onboarding do cliente, por meio do Know Your Customer (KYC), passando pela análise de crédito, emissão de CCB, assinatura digital, liberação de recursos e posterior gestão de crédito e cobrança.

Portanto, a automatização da jornada de crédito utilizando o apoio e suporte de plataforma digitais, é um requisito fundamental para que a operação escale com segurança e em conformidade jurídica.

A automatização da jornada de crédito não ajuda apenas a reduzir os riscos operacionais. Ela também aumenta a produtividade e proporciona uma experiência muito mais fluida ao cliente.

Uso de tecnologias e parceiros estratégicos

Por fim, embora a operação seja estruturada com o capital próprio da empresa, o sucesso da estratégia está interligado ao uso de tecnologias e parceiros estratégicos.

Afinal, mesmo que a concessão de crédito feita pelo varejo seja mais leve que as operações conduzidas pelos bancos tradicionais, ainda assim, ela está sujeita a algumas regras.

Logo, ter os parceiros certos em tecnologia, análise de dados, formalização jurídica e cobrança, é crucial para que as concessões ocorram de forma segura

Neste sentido, uma alternativa é utilizar o apoio de uma plataforma de crédito, um sistema digital que centraliza e automatiza todas as etapas da jornada, da originação até a gestão da carteira.

Assim, os varejistas conseguem atuar como fintechs, tendo uma solução pronta para ativar o crédito em seu ecossistema de forma integrada e em conformidade regulatória.

Quais as vantagens do varejo financiar crédito com capital próprio?

A bancarização empresarial tem feito com que cada vez mais as empresas que não pertencem ao setor financeiro, optem por financiar seus respectivos ecossistemas.

No caso do varejo, a estratégia do Retail Banking possibilita que esse setor inclua a oferta de produtos e serviços financeiros à sua base de clientes.

Ao assumir as funções que, historicamente, eram realizadas somente pelas instituições financeiras tradicionais, o varejo consegue transformar sua operação financeira em uma alavanca de crescimento e rentabilidade.

Afinal, ao internalizar essa atividade, o varejista passa a ter domínio em toda a jornada de crédito, da originação ao recebimento.

Consequentemente, isso gera diversas vantagens estratégicas e operacionais. Abaixo, listamos 5 principais ganhos que o varejo tem ao financiar crédito com capital próprio. Confira:

Maior retenção de margem

Anteriormente, nós já citamos sobre essa possibilidade, mas nunca é demais ressaltá-la.

A partir do momento em que o varejista consegue eliminar os intermediários e utilizar os próprios recursos para financiar as compras dos seus clientes, é possível capturar toda a margem financeira gerada pelos juros e demais encargos cobrados.

Na prática, essa maior retenção de margem representa uma ótima oportunidade para o varejo aumentar a lucratividade da operação.

Essa estratégia faz toda a diferença em alguns setores do varejo, especialmente aqueles que possuem margens mais apertadas.

É o caso do varejo alimentar, que segundo dados divulgados pelo Varejo Finance Report, têm uma margem líquida entre 1% e 3%.

Autonomia sobre a política de crédito

Ao utilizar seu capital próprio, o varejista também consegue ter maior liberdade para estabelecer regras e condições que estejam alinhadas ao seu perfil de cliente e estratégia comercial.

Naturalmente, isso permite muito mais autonomia sobre a política de crédito, que é o conjunto de diretrizes e critérios usados para definir se uma empresa vai ou não conceder crédito ou financiamento aos seus clientes.

Além disso, essa ferramenta também ajuda a determinar qual é o limite do valor que será concedido, assim como o nível de risco que a empresa deseja trabalhar.

No caso do varejo, essa autonomia abre portas para flexibilizações nos critérios de aprovação, limites de crédito, prazos de pagamento e demais taxas de juros.

Assim, é possível tornar a operação de crédito muito mais competitiva e personalizada com os reais objetivos do negócio.

Possibilidade de escalar com mais eficiência

Mas não é só isso. Ao estruturar e automatizar uma operação de crédito com capital próprio, o varejista passa a ter a possibilidade de escalar com mais eficiência.

Nos últimos anos, a atuação das fintech white label vem crescendo cada vez mais no Brasil. Essa empresa de tecnologia financeira desenvolve e oferece soluções prontas e personalizadas.

Com isso, qualquer outra empresa pode utilizar essa ferramenta sob seu próprio nome, marca e identidade visual.

Ao utilizar essa tecnologia pronta, o varejista não precisa gastar foco e energia na criação de uma solução “do zero” ou, então, depender da capacidade e da burocracia das instituições financeiras parceiras.

Por meio da tecnologia certa, fica muito mais fácil atender volumes maiores com agilidade, eficiência e segurança, sem perder o controle sobre o risco e performance.

Redução da dependência de terceiros

Essa vantagem está, diretamente, ligada à possibilidade de escalar com mais eficiência a operação de crédito.

Afinal, o fato de não precisar depender exclusivamente dos bancos ou instituições financeiras para realizar a concessão de crédito, permite que o varejista tenha mais independência.

Assim, ele consegue ter espaço para inovar, testar novas abordagens comerciais e responder rapidamente às mudanças que ocorrem neste mercado tão efêmero.

Ao internalizar o crédito e financiar os consumidores com capital próprio, o varejista também experimente uma redução dos riscos operacionais atrelados à eventuais quebras contratuais.

No final do dia, todos esses itens fazem toda a diferença no balanço financeiro e no fluxo de caixa.

Eficiência tributária com capital próprio

Por fim, mas não menos importante: ao conceder crédito com capital próprio, o varejista consegue ter muito mais eficiência tributária.

Historicamente, o varejo é um dos setores que mais sofre com a tributação, podendo pagar por volta de 50% das vendas em impostos.

Esse cenário de menores margens ocorre devido à alta carga tributária e demais custos operacionais elevados.

Neste sentido, ao utilizar a própria estrutura de uma Securitizadora ou FIDC, o varejo consegue organizar a operação de crédito de maneira mais vantajosa do ponto de vista fiscal.

Por meio da securitização, o varejista consegue ter um melhor enquadramento tributário, que reduz para 15% de imposto sobre a receita de juros apenas no resgate.

Como o varejista poderá seguir vendendo normalmente seus produtos sem ter que embutir o custo de juros na Nota Fiscal (NF), é possível obter mais eficiência no balanço financeiro.

Isso ocorre, pelo fato do fisco calcular os impostos somente sobre o valor real da venda. Além disso, o veículo de securitização reconhece essa receita de juros.

Quer ver na prática como isso é possível? A tabela abaixo vai te ajudar a compreender melhor como o varejo consegue ter mais eficiência tributária em seu balanço ao utilizar um cartão private label bancarizado:

Como funciona a tributação no Cartão Private Label

 

Assim, ao utilizar o capital próprio e securitizar essa operação, o varejista reduz a carga tributária sobre os resultados da operação financeira.

Consequentemente, essa estratégia ajuda a aumentar ainda mais a margem líquida da atividade, que se torna um verdadeiro motor de crescimento.

Ou seja, o financiamento de crédito com recursos próprios é uma forma inteligente e segura do varejo transformar crédito em resultado.

Quais cuidados o varejo deve ter ao conceder crédito com capital próprio?

Embora a concessão de crédito com capital próprio seja uma ótima alternativa para o varejo ampliar as margens e ter maior controle sobre a jornada financeira dos clientes, é necessário se atentar a alguns detalhes.

Afinal, essa é uma decisão estratégica, que demanda atenção a uma série de aspectos técnicos, operacionais e jurídicos.

Todas essas questões são importantes para assegurar que a operação ocorra de forma sustentável, segura e eficiente.

Abaixo, listamos os principais cuidados que você, enquanto varejista, deve adotar. Observe:

Estrutura jurídica adequada

Primeiramente, antes de iniciar a concessão de crédito com os próprios recursos, é fundamental que o varejista tenha uma estrutura jurídica bem definida.

Isso passa pela criação de um veículo para financiar operações de crédito com capital próprio, como uma Securitizadora ou FIDC.

Essa base legal não apenas ajuda a trazer mais eficiência tributária e autonomia nas concessões.

Ela também assegura que os financiamentos estejam em conformidade regulatória, segurança contratual e otimização fiscal.

Portanto, não deixe de buscar por parceiros confiáveis e que possuem experiência comprovada no mercado de capitais, especialmente no que diz respeito à emissão de valores mobiliários.

Gestão de risco de crédito

De modo geral, esse é um cuidado que vale para qualquer empresa que trabalha com financiamentos via capital próprio. Afinal, esse tipo de operação demanda uma gestão rigorosa do risco de crédito.

Isso significa que o varejista precisa estabelecer e criar políticas claras para que as concessões de crédito ocorram dentro do ecossistema.

Para tal, é importante segmentar os perfis, utilizar a análise de dados e o apoio de um bureau de crédito para ter acesso ao score de crédito do solicitante.

Assim, é possível evitar inadimplências e assegurar que a manutenção da carteira de crédito ocorra de forma transparente.

Utilizar o apoio de parceiros que fornecem as ferramentas tecnológicas e de inteligência de dados é crucial para facilitar esse processo.

Gestão de crédito e cobrança

Todavia, não basta apenas olhar com cuidado para a gestão de risco de crédito. Também é importante dar atenção à gestão de crédito e cobrança.

Afinal, uma operação de crédito eficiente não se resume somente em liberar recursos para que um cliente realize uma compra.

Essa é uma estratégia que deve ser feita com responsabilidade, assim como ocorre com outras decisões dentro da hierarquia organizacional.

Se você deseja iniciar a concessão ao seu ecossistema, é necessário que monte uma esteira estruturada de cobrança.

Também chamada de esteira de crédito, ela é o conjunto de todos os processos, etapas e sistemas que uma empresa utiliza para analisar, aprovar, formalizar e conceder o crédito.

Logo, essa esteira é indispensável no que diz respeito à organização do fluxo necessário para que uma operação de crédito aconteça de forma responsável, segura e eficaz.

Isso também passa pela cobrança desse crédito. Ou seja, o varejista deve criar regras de contrato, estabelecer canais de comunicação com o cliente, entre outras estratégias para recuperação de crédito.

A automação de toda essa jornada por meio dos insumos desenvolvidos pela fintech parceira, contribui para reduzir a inadimplência e aumentar o retorno da operação.

Formalização e compliance

Apesar da agenda do Banco Central ter permitido que houvesse essa descentralização do mercado de crédito, ainda assim, ele segue sendo monitorado pelo órgão financeiro.

Ou seja, cada operação de crédito realizada pelas entidades não financeiras, também precisa ser formalizada de forma correta.

Isso passa pela elaboração de contratos bem estruturados, via CCBs, assinaturas digitais e armazenamento seguro dos documentos.

Ademais, também é preciso estar em conformidade com as legislações vigentes, como as normas do BC e outras leis vigentes, a respeito da Lei Geral da Proteção de Dados (LGPD).

Essas boas práticas do setor financeiro são inegociáveis, e devem ser seguidas para garantir que a operação de crédito com capital próprio ocorra de forma segura, íntegra e transparente.

Por isso, novamente vale o lembrete: busque parceiros que tenham experiência comprovada na estruturação de operações de crédito.

Monitoramento dos indicadores de carteira

Por fim, para que a operação de crédito com capital próprio tenha sucesso no varejo, é necessário que haja um monitoramento contínuo dos indicadores de carteira.

Ou seja, é imprescindível que sejam monitorados frequentemente algumas métricas, como índice de inadimplência, ticket médio, prazo médio de recebimento e rentabilidade da carteira.

Com esses dados e informações em mãos, o varejista consegue ajustar suas políticas de crédito, evitar riscos e tomar decisões mais seguras e assertivas.

É importante que você se atente a esses detalhes e siga essas boas práticas, pois, quando uma operação de crédito com capital próprio é bem estruturada, ela passa a se tornar uma poderosa fonte de receita recorrente para o varejo.

A GIRO.TECH ajuda seu varejo a conceder crédito com capital próprio!

Como você observou, a concessão de crédito com capital próprio é uma estratégia cada vez mais utilizada pelos varejistas brasileiros.

É o caso, por exemplo, da Magalu, Riachuelo, C&A e Lojas Renner, que possuem seu próprio braço financeiro, uma estrutura criada para oferecer serviços bancários ou de crédito aos seus clientes e fornecedores.

Existe uma razão para isso: estruturar uma operação de crédito utilizando os recursos próprios exige muito mais do que a “simples” vontade de inovar.

Também é preciso contar com uma infraestrutura robusta, segura e que esteja em conformidade com as exigências regulatórias do mercado financeiro.

A GIRO.TECH reconhece essa importância. É por isso que nos posicionamos como a parceira ideal para a bancarização do varejo!

Nós somos uma plataforma completa de Credit as a Service (CaaS), e fornecemos a tecnologia para crédito que simplesmente funciona.

Assim, nós tornamos possível que o seu varejo estruture atividades de crédito utilizando seu capital próprio e construa uma infraestrutura completa de financiamento.

Para isso, nós temos o suporte da GIRO SCD, a nossa Sociedade de Crédito Direto (SCD), que tem todas as licenças regulatórias exigidas pelo BC.

Desse modo, nós podemos habilitar seu varejo como nosso correspondente bancário, permitindo que você utilize nossas APIs para elaborar contratos de crédito com seus clientes, via emissão de CCB.

Além disso, a GIRO.TECH também ajuda seu varejo no processo de abertura do veículo de securitização, estrutura fundamental para que a concessão de crédito com capital próprio ocorra de forma eficiente.

Essa estrutura também permite que o seu negócio busque recursos no mercado de capitais, para potencializar ainda mais as operações.

É por isso que nós estamos prontos para transformar seu crédito em resultado e permitir que seu varejo tenha margem de banco.

Como funciona a operação de Bancarização da Giro SCD?

 

Conclusão

Por fim, após concluir a leitura deste artigo, você pôde conferir melhor o que é capital próprio e como o varejo pode utilizá-lo para financiar o seu ecossistema.

Nos últimos anos, graças à bancarização, essa estratégia deixou de ser exclusividade dos grandes bancos e instituições financeiras tradicionais.

Esse novo movimento passou a tornar possível que empresas dos mais diferentes segmentos pudessem atuar como bancos, alimentando o crédito de toda a sua cadeia produtiva.

Assim, além de ampliar as margens e permitir que essas empresas tenham mais autonomia, essa estratégia também possibilita que as operações sejam escaladas com mais segurança.

No cenário do varejo, isso faz toda a diferença para melhorar a taxa de receita, proporcionar mais liberdade para a criação de políticas de crédito, gerar maior eficiência tributária e independência em relação aos bancos tradicionais.

Contudo, para que uma operação de crédito com capital próprio seja realmente segura, sustentável e rentável, é primordial olhar com atenção para a estrutura jurídica.

Afinal, ela é extremamente importante no que diz respeito à governança de risco, formalização contratual e monitoramento, como um todo.

Por isso, ter o apoio dos parceiros certos, que forneçam toda a infraestrutura tecnológica e regulatória, é seguramente importante.

A GIRO.TECH apoia os varejistas em toda essa jornada, oferecendo a tecnologia para crédito que simplesmente funciona, capaz de transformar seu crédito em resultado.

Nós estamos prontos para acelerar o seu crescimento e impulsionar as suas conquistas e dos seus clientes. Ficou interessado e quer saber melhor como nós podemos ajudar seu varejo? Então, não perca mais tempo!

Entre em contato com nossos especialistas, conheça as nossas soluções, e descubra como é possível bancarizar seu varejo sem perder a simplicidade e os cabelos!

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