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Sociedade de Crédito Direto: tire todas as suas dúvidas!
Quer financiar internamente as operações de crédito da sua empresa? Entenda o que é Sociedade de Crédito Direto e descubra se você realmente precisa abrir uma SCD!
27/09/2024

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Quer financiar internamente as operações de crédito da sua empresa? Entenda o que é Sociedade de Crédito Direto e descubra se você realmente precisa abrir uma SCD!
27/09/2024

A Sociedade de Crédito Direto (SCD) ganhou espaço entre empresas que enxergam o crédito como uma oportunidade estratégica para expandir seus negócios e criar novas fontes de receita.
Ao obter autorização para atuar como instituição financeira, uma empresa pode estruturar sua própria operação de crédito.
Com isso, é possível oferecer produtos financeiros diretamente aos seus clientes, utilizando tecnologia para integrar essa jornada ao seu ecossistema.
Esse movimento acompanha a evolução do Embedded Lending, no qual o crédito deixa de ser uma oferta isolada e passa a fazer parte da experiência de compra e relacionamento entre empresas e seus clientes.
Porém, existe uma questão importante: será que abrir uma Sociedade de Crédito Direto própria é efetivamente o melhor caminho para qualquer empresa que deseja operar crédito? A resposta é: depende.
Embora uma SCD ofereça maior autonomia sobre a operação, ela é um passo de grande peso estratégico, pois também envolve:
Sendo assim, se você está considerando abrir uma SCD por conta própria, é necessário tomar essa decisão com base no máximo de informações possíveis.
Por isso, mais do que explicar o que é uma Sociedade de Crédito Direto, este artigo vai ajudar você a entender quando vale a pena abrir uma SCD, quais são suas limitações e quais alternativas existem para empresas que querem oferecer crédito sem necessariamente constituir uma instituição financeira própria.
Além disso, você também conhecerá os principais modelos de operação e poderá avaliar qual estrutura faz mais sentido para os objetivos e o estágio do seu negócio. Siga a leitura e acompanhe conosco!
Primeiramente, antes de entrarmos nesses detalhes mais práticos, é importante que você conheça melhor o que é uma Sociedade de Crédito Direto.
Em síntese, a SCD é uma instituição financeira autorizada e regulada pelo Banco Central (BC), especializada na realização de operações de crédito por meio de plataformas eletrônicas.
O seu principal objetivo é permitir a concessão de empréstimos e financiamentos diretamente aos seus clientes, sem depender da intermediação de um banco tradicional para realizar a operação.
Na prática, isso coloca a SCD no centro da jornada de crédito.
Com isso, a instituição pode estruturar sua própria política de crédito, analisar os clientes, aprovar operações, disponibilizar os recursos e acompanhar a carteira posteriormente.
De forma simplificada, uma operação intermediada pela SCD pode seguir algumas etapas:
Assim como ocorre com outras fintechs de crédito, a Sociedade de Crédito Direto realiza suas operações em meio digital, utilizando uma plataforma eletrônica para estruturar e executar a jornada financeira.
Outro ponto fundamental é que a SCD não pode realizar captação pública de recursos.
Isso significa que a instituição trabalha exclusivamente com recursos próprios, o que diferencia seu modelo de funcionamento daquele adotado pelos bancos tradicionais, que podem utilizar instrumentos como Certificado de Depósito Bancário (CDB) e Letra de Câmbio (LC) para captar recursos do público e financiar suas operações.
Essa característica ajuda a explicar tanto o potencial quanto uma das principais limitações que essa instituição financeira possui.
Por um lado, a SCD proporciona maior autonomia sobre a operação de crédito, permitindo que a empresa desenvolva produtos mais alinhados ao perfil de seus clientes e ao seu próprio ecossistema.
Em contrapartida, ela exige uma estrutura capaz de suportar capital, risco, tecnologia, governança e responsabilidades regulatórias.
A abertura de uma Sociedade de Crédito Direto também envolve requisitos que precisam ser considerados antes da decisão de constituir a instituição.
De início, a SCD deve ser constituída como uma Sociedade Anônima (S.A.), ficando sujeita às regras aplicáveis a esse regime jurídico.
Também existe a necessidade de manter uma estrutura de capital e patrimônio compatível com as exigências regulatórias.
Esses requisitos tornam o planejamento financeiro uma etapa importante para quem pretende ingressar nesse modelo.
Em outras palavras, abrir uma SCD não significa apenas obter autorização para conceder crédito.
É necessário construir uma estrutura capaz de sustentar a instituição de forma permanente, considerando:
Além da concessão de crédito, a SCD também pode realizar outras atividades permitidas pela regulamentação, como análise e cobrança de operações de crédito para terceiros e determinadas atividades relacionadas a instrumentos de pagamento.
Assim, mais do que uma alternativa para conceder empréstimos, a Sociedade de Crédito Direto representa uma forma de internalizar uma operação financeira, colocando a empresa em uma posição mais próxima do centro da cadeia de crédito.
E é justamente essa possibilidade de assumir maior controle sobre o crédito que explica por que tantas empresas passaram a avaliar a abertura de uma SCD própria.
A abertura de uma Sociedade de Crédito Direto vem sendo avaliada por empresas que identificam no crédito uma oportunidade estratégica para ampliar seus negócios e monetizar a relação com seus próprios clientes.
E isso faz todo sentido, pois mais do que criar uma instituição financeira, esse modelo permite estruturar uma operação de crédito integrada ao ecossistema da empresa, utilizando capital próprio para financiar diferentes modalidades de crédito.
Como explica Ronaldo Oliveira, CEO da GIRO.TECH:
“Quem busca montar uma SCD é quem está olhando para oportunidade de crédito e quer financiar com o seu próprio capital.”
Na prática, esse movimento ganha força principalmente entre empresas que possuem uma:
Além disso, existem três movimentos principais que ajudam a explicar porquê as empresas não financeiras têm considerado criar uma Sociedade de Crédito Direto:
O primeiro é a possibilidade de incorporar o crédito à própria jornada comercial, por meio do Embedded Lending, ou crédito embutido.
Nesse modelo, o crédito deixa de ser um produto financeiro isolado e passa a fazer parte da própria jornada comercial da empresa.
Com isso, um varejista, marketplace, indústria ou concessionária pode identificar o momento em que seu cliente precisa de crédito e oferecer uma solução diretamente dentro da experiência que já possui.
Neste caso, a SCD pode funcionar como a estrutura financeira responsável por financiar essa operação, permitindo que a empresa tenha maior autonomia sobre originação, política de crédito, produtos e relacionamento com o cliente.
Essa integração também pode gerar uma vantagem importante: a empresa conhece o comportamento dos seus clientes a partir da própria relação comercial, podendo utilizar essas informações dentro de sua estratégia financeira.
Assim, o crédito passa a fazer parte do ecossistema do negócio, sendo utilizado para aumentar a conversão, facilitar compras de maior valor e criar novas oportunidades de relacionamento com a base.
Outro fator que tem feito com que as empresas avaliem criar uma Sociedade de Crédito Direto, é a possibilidade de ampliar a quantidade e a variedade de produtos financeiros oferecidos dentro do próprio ecossistema.
Em vez de depender exclusivamente de instituições financeiras terceiras para disponibilizar financiamento aos seus clientes, a empresa pode estruturar uma operação própria e criar produtos mais alinhados às características da sua base.
Isso é possível, pois uma SCD pode atuar em diferentes modalidades de crédito, permitindo que a empresa desenvolva uma estratégia mais ampla de financiamento conforme as características e necessidades do seu público.
Entre as possibilidades estão:
Isso significa que a SCD pode funcionar como uma infraestrutura institucional para empresas que desejam transformar diferentes oportunidades de crédito em produtos financeiros estruturados.
O próprio Banco Central destaca que as fintechs de crédito contribuem para aumentar a eficiência e a concorrência no mercado de crédito, além de reduzir burocracias e ampliar o acesso a essas operações.
Por fim, ainda existe um terceiro fator, que é especialmente importante para empresas que já possuem escala de vendas e uma carteira recorrente de clientes: a possibilidade de transformar o crédito em uma fonte adicional de receita.
Quando uma empresa oferece crédito dentro do seu próprio ecossistema, a operação financeira deixa de ser apenas um mecanismo para facilitar uma venda e passa a fazer parte de toda a estratégia de monetização do negócio.
Isso pode ser especialmente relevante em modelos nos quais o crédito possui participação recorrente na jornada do cliente, como crediário loja, crédito CDC, cartão private label e outras modalidades de financiamento.
Nesse contexto, a Sociedade de Crédito Direto pode permitir que a empresa tenha maior participação na economia gerada pela operação financeira, em vez de deixar toda essa receita concentrada em um parceiro externo.
Porém, essa possibilidade não significa que toda empresa que deseja oferecer crédito deveria abrir uma SCD.
Afinal, essa oportunidade precisa ser analisada em conjunto com outros fatores envolvidos na manutenção de uma instituição financeira, como:
Por essas e outras razões, abrir uma Sociedade de Crédito Direto não deve ser tratado simplesmente como uma forma de “ganhar mais com crédito”.
A decisão faz sentido principalmente quando existe escala, recorrência e uma oportunidade de crédito suficientemente relevante para justificar a estrutura própria.
Desse modo, ter essa análise prévia é fundamental para entender quando uma SCD realmente faz sentido, e quando existem alternativas mais eficientes.
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Como dito anteriormente, uma das principais vantagens que a Sociedade de Crédito Direto oferece é a possibilidade de estruturar diferentes produtos de crédito dentro de um mesmo ecossistema financeiro.
Na prática, a SCD pode conceder empréstimos e financiamentos de forma 100% digital, por meio de plataforma eletrônica, além de emitir instrumentos de pagamento pós-pagos, como cartões de crédito.
Além disso, a regulamentação também permite que essa instituição financeira realize atividades como análise e cobrança de crédito para terceiros e aquisição de direitos creditórios.
Para as empresas que desejam transformar crédito em uma frente estratégica do negócio, isso permite criar produtos financeiros mais aderentes à jornada do cliente.
Neste sentido, quando falamos especificamente sobre operações de crédito, destacam-se algumas possibilidades:
O Crédito Direto ao Consumidor (CDC) é uma das aplicações mais relevantes da Sociedade de Crédito Direto para o setor do varejo.
Nesse modelo, a empresa pode financiar diretamente a compra realizada pelo cliente, permitindo o pagamento parcelado do produto ou serviço.
A operação pode ser integrada à jornada de compra física ou digital, tornando o crédito parte da própria experiência comercial.
Essa segunda modalidade é chamada de CDC Digital, pois a operação é feita de forma 100% online, utilizando a infraestrutura regulatória de instituições financeiras, startups e fintechs.
No contexto do varejo, essa estrutura é especialmente relevante porque ela permite transformar uma venda a prazo em uma operação de crédito formalizada.
Ao utilizar uma Sociedade de Crédito Direto, o varejista consegue trazer essa operação “para dentro de casa”, financiando a compra do cliente e formalizando a dívida por meio de uma CCB.
Posteriormente, esse título de crédito pode ser vendido a um FIDC ou Securitizadora.
Ambas as estruturas são criadas para “separar” as receitas financeiras da operação mercantil, trazendo maior eficiência tributária e rentabilidade para os varejistas.
Não à toa, esse movimento está diretamente interligado à evolução do crédito digital no varejo.
De acordo com o Varejo Finance Report 2026, estudo realizado pela GIRO.TECH e que analisa como grandes varejistas utilizam produtos financeiros para impulsionar suas operações, a Magalu encerrou o ano de 2025 com R$ 1,8 bilhão em carteira de CDC, com crescimento de 15% sobre dezembro de 2024.
No 2T26, as vendas à vista representaram 35% do total da Magalu, com os meios de pagamento próprios (Cartões Luizacred, Magalupay e CDC) atingindo 19% das transações no período, com aumento de 2 p.p. em relação ao 2T25 (17%).
A Sociedade de Crédito Direto também pode estruturar operações que envolvem empréstimo pessoal.
Nesta modalidade, o consumidor recebe recursos sem que o empréstimo esteja necessariamente vinculado à compra de um determinado produto.
Essa característica amplia as possibilidades para empresas que possuem uma base de clientes recorrente e identificam oportunidades de oferecer liquidez diretamente a esse público.
No caso do varejo, o empréstimo pessoal permite avançar de uma lógica de financiamento da compra para uma estratégia mais ampla de relacionamento financeiro com o cliente.
Além disso, a operação pode ser estruturada de forma recorrente, utilizando dados de relacionamento e comportamento para aprimorar a análise de risco e definir ofertas mais adequadas.
A Sociedade de Crédito Direto também pode realizar operações de Consignado Privado, modalidade em que o pagamento das parcelas está relacionado à remuneração do trabalhador.
Para às empresas, essa estrutura pode ser utilizada, por exemplo, para oferecer crédito aos próprios colaboradores, com desconto das parcelas diretamente em folha, desde que observadas as regras aplicáveis à operação.
No entanto, não basta que a empresa tenha capital próprio para financiar os empréstimos.
A concessão do crédito precisa, obrigatoriamente, acontecer dentro de uma estrutura autorizada a atuar no Sistema Financeiro Nacional (SFN), observando as exigências regulatórias aplicáveis.
É justamente aí que entra a SCD, que permite que as operações de crédito sejam originadas dentro de uma estrutura regulada e em conformidade com as exigências do mercado.
Assim, essa instituição financeira consegue sustentar diferentes estratégias de crédito, indo além do financiamento de consumidores no momento da compra e alcançando também relações entre empresas, trabalhadores e seus respectivos ecossistemas.
Além das operações de crédito já citadas, a Sociedade de Crédito Direto também pode participar da estruturação de cartões private label.
Também conhecido como cartão de loja, ele representa uma alternativa especialmente estratégica para varejistas que desejam oferecer crédito próprio aos seus clientes.
Nesse modelo, o private label pode ser utilizado dentro do ecossistema da própria rede e funcionar como uma extensão da estratégia de crédito da empresa.
Desse modo, o varejista consegue combinar pagamento, financiamento, relacionamento e dados de consumo em uma mesma jornada.
“O conhecimento profundo da base de clientes, da dinâmica econômica local e do comportamento de pagamento permite que essas empresas mantenham operações rentáveis e sustentáveis ao longo dos anos”. Adilson Rufino, Fundador da Rufino Consultoria em Serviços Financeiros.
Ademais, é importante pontuar que essa operação pode contemplar tanto compras com pagamento no vencimento da fatura quanto compras parceladas.
Essa possibilidade é particularmente relevante porque permite que o cartão deixe de ser apenas um instrumento de pagamento e passe a funcionar como uma operação de crédito integrada ao ecossistema do varejista.
Não à toa, esse cartão se transformou em um dos principais instrumentos financeiros do varejo. Estima-se que os programas de cartão private label movimentam entre R$ 180 bilhões e R$ 250 bilhões por ano no Brasil.
A Sociedade de Crédito Direto também pode ser utilizada na estruturação de um cartão co-branded, ampliando o alcance do crédito para além da própria rede da empresa.
Enquanto o private label faz parte de um arranjo de pagamento fechado, concentrando sua utilização no ecossistema do varejista, o cartão bandeirado pode ser utilizado em outros estabelecimentos que aceitem a respectiva bandeira.
Essa diferença cria uma possibilidade estratégica interessante: a empresa pode continuar financiando o seu cliente dentro de sua própria operação, mas também permitir que ele utilize o cartão fora dela.
Como explica Ronaldo Oliveira, CEO da GIRO.TECH:
“Se é um cliente que você gosta muito e você quer financiar ele nas suas operações, no que ele compra da sua loja e também o que ele compra fora, o cartão bandeirado é uma boa opção. Além de ampliar a utilização do produto, esse modelo pode criar outras fontes de receita relacionadas às transações realizadas fora do próprio ecossistema, como as receitas de interchange”.
Por fim, a Cédula de Crédito Bancário tem uma função diferente das demais operações de crédito apresentadas.
Ela não é propriamente uma modalidade de crédito, mas sim, o instrumento utilizado para formalizar a dívida originada na operação.
Isso permite que diferentes produtos, como crédito CDC, empréstimo pessoal ou operações relacionadas a cartões, sejam formalizados por meio de uma estrutura jurídica adequada.
Ademais, a CCB Bancária também desempenha um papel importante quando a operação é conectada ao mercado de capitais.
Depois de originado e formalizado o crédito, a carteira pode ser cedida para uma Securitizadora ou FIDC, permitindo estruturar o financiamento da operação por meio desses veículos.
“No caso do varejo, esse fluxo pode ser aplicado a diferentes operações de crédito, como o CDC. A venda é realizada, a dívida é formalizada por CCB e o crédito pode posteriormente ser direcionado ao veículo que concentra o capital da operação. Assim, é possível separar a receita de juros do fluxo de caixa, para que haja economia tributária nesta receita”. Ronaldo Oliveira, CEO da GIRO.TECH
O principal ponto é que a SCD não precisa ser pensada como uma estrutura destinada a apenas um produto.
Ela pode sustentar um portfólio diversificado de operações de crédito, combinando:
Dessa forma, a Sociedade de Crédito Direto permite construir uma operação mais completa:
O CDC pode financiar a compra, o empréstimo pessoal pode ampliar o relacionamento, o Consignado Privado pode atender trabalhadores e os cartões podem transformar o crédito em uma experiência recorrente.
E a CCB emitida pela SCD funciona como a formalização de toda essa estrutura, conectando a originação do crédito às estratégias de financiamento e, quando aplicável, de cessão da carteira.
Embora a Sociedade de Crédito Direto realize diversas operações de crédito, é importante ressaltar que ela não pode desempenhar qualquer tipo de atividade no mercado financeiro.
Ou seja, ela deve limitar-se às atividades que a regulação do Banco Central autoriza.
Além das limitações em seu escopo de atividades, a SCD também está sujeita a outras restrições estabelecidas pela regulação, que a distinguem de um banco tradicional. São elas:
Uma das principais diferenças entre uma Sociedade de Crédito Direto e um banco tradicional está na forma como essas instituições podem obter recursos para financiar suas operações.
Um banco pode captar recursos de terceiros por diferentes instrumentos e utilizar esses recursos, dentro das regras prudenciais aplicáveis, para financiar suas operações de crédito.
Já a SCD não pode realizar captação pública de recursos da mesma forma que um banco tradicional.
Na prática, isso impede, por exemplo, que a instituição utilize instrumentos de captação destinados ao público, como CDB ou LCA, para ampliar sua capacidade de financiamento.
Contudo, essa particularidade não faz com que a SCD esteja limitada exclusivamente ao capital próprio.
A regulamentação atual, por meio da Resolução CMN nº 5050/2022, também permite a utilização de repasses e empréstimos originários do BNDES, desde que destinados à concessão de crédito de acordo com o objeto da instituição.
Além disso, existe ainda um outro caminho relevante para ampliar a capacidade de financiamento da SCD: a cessão de recebíveis.
Segundo Fabricio Martins, CFO da GIRO.TECH, a Sociedade de Crédito Direto pode originar operações de crédito e, posteriormente, cedê-los a um veículo de securitização:
“Dessa forma, a SCD pode fazer a concessão de empréstimos, mas ao mesmo tempo, através da cessão de recebíveis, ela busca recursos de investidores no mercado de capitais”.
Portanto, a grande restrição não é simplesmente “ter ou não ter funding”, mas não poder fazer captação pública como um banco tradicional.
Essa diferença precisa entrar no planejamento de qualquer empresa que esteja avaliando abrir essa instituição financeira.
Outra característica importante é que as operações de empréstimo, financiamento e aquisição de direitos creditórios realizadas pela SCD devem ocorrer exclusivamente por meio de plataforma eletrônica.
Um banco tradicional pode combinar diferentes canais de atendimento, incluindo agências físicas, correspondentes bancários e canais digitais.
Já a Sociedade de Crédito Direto possui uma característica estrutural diferente: sua operação de crédito precisa ser realizada por meio de uma plataforma eletrônica.
Na prática, isso exige que a instituição tenha uma infraestrutura tecnológica que seja capaz de sustentar etapas como:
Essa característica ajuda a explicar por que a SCD se tornou tão associada às fintechs e aos modelos de crédito digital.
Afinal, ao mesmo tempo em que reduz a dependência de estruturas físicas, ela aumenta a importância da tecnologia, da integração de sistemas e da experiência digital na operação.
Ademais, a SCD também não deve ser confundida com um banco tradicional porque sua autorização possui um escopo específico de atuação.
Além de realizar empréstimos, financiamentos e aquisição de direitos creditórios por meio eletrônico, a instituição pode prestar determinados serviços previstos na regulamentação.
É o caso, por exemplo, da análise e cobrança de crédito para terceiros, além de outras atividades autorizadas.
Essa característica torna a Sociedade de Crédito Direto uma estrutura bastante eficiente para empresas que querem atuar diretamente no mercado de crédito.
Entretanto, não significa que ela tenha a mesma amplitude operacional de um banco múltiplo.
É justamente por isso que a decisão de abrir ou não uma SCD precisa partir do modelo de negócio e do tamanho da oportunidade de crédito.
“A licença pode fazer muito sentido para empresas que pretendem estruturar uma operação financeira relevante e de longo prazo, mas pode ser desnecessária quando o objetivo é apenas incorporar crédito ao próprio ecossistema”. Ronaldo Oliveira, CEO da GIRO.TECH.
Em resumo: a SCD oferece uma estrutura regulada e especializada para operações de crédito, mas exige que a empresa aceite três características fundamentais: não pode captar recursos do público como um banco, deve operar o crédito por meio de plataforma eletrônica e possui um escopo de atuação mais específico. É justamente esse equilíbrio entre autonomia, regulação e limitações que deve ser considerado antes da decisão de abrir uma instituição própria.
Abrir uma Sociedade de Crédito Direto pode ser uma decisão estratégica para empresas que possuem uma oportunidade relevante no mercado de crédito e desejam assumir maior controle sobre essa operação.
Porém, a licença também exige uma estrutura própria, capital e capacidade operacional para atender às exigências do Banco Central.
Por isso, antes de decidir pela abertura, é importante avaliar os dois lados dessa escolha:
Como dito anteriormente, uma das principais vantagens de possuir uma SCD própria é a possibilidade de internalizar a operação de crédito.
Sendo assim, a empresa passa a ter maior controle sobre a estruturação das operações, a emissão da dívida e o financiamento de seu próprio ecossistema, sem depender integralmente de uma instituição financeira terceira.
Na prática, isso pode fazer sentido para empresas que possuem uma demanda recorrente e relevante por crédito, como:
Além disso, ao estruturar o crédito dentro de uma instituição própria, a empresa também pode capturar receitas financeiras que, em modelos tradicionais, ficariam com o intermediário financeiro.
No caso das operações de crédito, elas podem gerar receitas por meio de juros e outras modalidades, transformando o financiamento do ecossistema em uma nova frente de geração de valor para o negócio.
Esse ponto ganha ainda mais relevância quando existe uma carteira de clientes grande e recorrente, capaz de sustentar um volume significativo de operações.
Ademais, uma Sociedade de Crédito Direto própria também permite concentrar maior parte da estratégia financeira dentro da própria estrutura empresarial.
Isso significa ter mais autonomia para definir produtos, jornadas, modelos e políticas de crédito alinhadas ao perfil da sua base.
Como explica Ronaldo Oliveira, CEO da GIRO.TECH, a SCD permite que a empresa tenha “o próprio controle sobre a emissão dessa dívida” e sobre o financiamento da operação.
Esse nível de controle é especialmente relevante para empresas que enxergam o crédito como parte central de sua estratégia de crescimento.
Em contrapartida, a autonomia proporcionada pela Sociedade de Crédito Direto vem acompanhada de uma estrutura operacional própria.
Em outras palavras, isso quer dizer que a empresa precisa considerar uma série de custos com:
“Portanto, não basta avaliar apenas o custo de constituição da SCD. Também é necessário analisar o custo recorrente de manutenção da licença e verificar se o volume esperado de operações consegue justificar essa estrutura”. Ronaldo Oliveira, CEO da GIRO.TECH.
Além disso, outra limitação importante já citada é que a Sociedade de Crédito Direto não pode realizar captação pública de recursos para financiar suas operações.
Ou seja, a SCD precisa utilizar seu próprio capital para fazer as concessões de crédito.
Não é possível, por exemplo, emitir um CDB para captar recursos e utilizar esse dinheiro para ampliar diretamente a carteira de crédito.
Isso pode limitar a velocidade de crescimento da carteira e exigir um planejamento financeiro bastante rigoroso.
Uma alternativa é utilizar estruturas de mercado de capitais, como FIDCs e Securitizadoras, para viabilizar a cessão das carteiras e ampliar o acesso a recursos de terceiros.
Por fim, ter uma Sociedade de Crédito Direto significa, também, assumir diretamente as responsabilidades de participar do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Embora a SCD tenha uma estrutura mais enxuta do que outras instituições financeiras, abrir uma operação própria ainda exige investimentos relevantes.
O BC determina que essas instituições devem operar com valores entre R$ 9,8 milhões e R$ 60 milhões, dependendo do tamanho,
escopo e complexidade da operação.
Para evitar problemas, a norma estabelece um cronograma progressivo: até junho de 2026 permanecem os requisitos antigos; entre julho e dezembro de 2026, 25% do novo capital mínimo; até junho de 2027, 50%; até dezembro de 2027, 75%; e 100% a partir de janeiro de 2028.
Porém, não basta apenas considerar as regras de capital mínimo necessárias para abrir uma Sociedade de Crédito Direto.
Também existem custos relacionados à governança, compliance, tecnologia, controles internos e manutenção da estrutura regulada.
Esse ponto é especialmente importante porque a SCD depende de capital próprio para conceder crédito.
Ou seja, quanto maior for a carteira que a empresa pretende financiar, maior tende a ser a necessidade de capital disponível para sustentar o crescimento da operação.
Além do mais, existe uma diferença importante entre ter autonomia sobre o crédito e simplesmente oferecer crédito ao cliente.
Ao abrir uma SCD, a empresa passa a assumir diretamente as responsabilidades associadas à operação financeira, em vez de utilizar a infraestrutura regulatória de uma instituição parceira.
“A SCD depende totalmente de capital próprio, enquanto estruturas como corban reduzem as barreiras de entrada ao utilizar a infraestrutura regulatória e tecnológica de uma instituição financeira já regulada”. Luis Ribeiro, CRO da GIRO.TECH.
Portanto, a decisão não deve considerar apenas o potencial de receita financeira.
É necessário avaliar se o volume de crédito, a estratégia de longo prazo e o nível de autonomia desejado justificam os investimentos e as responsabilidades de manter uma SCD própria.
Depois de tudo o que dissemos anteriormente, você pode estar se perguntando: quando vale a pena abrir uma Sociedade de Crédito Direto?
Neste contexto, Ronaldo Oliveira, CEO da GIRO.TECH, é muito direto: depende do tamanho da oportunidade.
A abertura de uma SCD tende a fazer mais sentido quando existe uma oportunidade de crédito suficientemente grande para justificar os investimentos, as responsabilidades regulatórias e a necessidade de utilizar capital próprio na operação.
Portanto, um dos principais critérios a serem considerados, é o tamanho do ecossistema de crédito.
As empresas que mantêm uma carteira relevante, estratégia de longo prazo e intenção de assumir maior controle sobre a concessão e o financiamento das operações podem encontrar na Sociedade de Crédito Direto uma estrutura adequada.
Além disso, a licença também pode ser estratégica quando a empresa pretende ampliar sua atuação dentro do SFN, inclusive buscando acesso a determinados serviços e infraestruturas que exigem uma instituição regulada.
Por outro lado, a decisão não deve levar em conta apenas o potencial de receita.
Também é necessário colocar na conta capital mínimo, tecnologia, estrutura regulatória, governança e custos operacionais.
Na prática, isso significa que, antes de abrir uma SCD própria, vale comparar essa licença com outras alternativas, como é o caso do correspondente bancário.
Neste modelo, o corban funciona como parceiro de uma instituição financeira já autorizada pelo Banco Central, atuando na “ponta da operação”, incorporando a oferta de produtos financeiros à sua própria jornada de atendimento.
Em suma, quanto maior e mais estruturada for a oportunidade de crédito, maior tende a ser a justificativa para avaliar uma Sociedade de Crédito Direto própria.
Para operações menores ou em fase de validação, utilizar a licença de um parceiro já regulado pode ser um caminho mais eficiente para começar e, posteriormente, se fizer sentido, migrar para uma licença própria.
Embora a Sociedade de Crédito Direto ofereça autonomia para empresas que desejam estruturar e controlar suas próprias operações de crédito, a abertura de uma SCD não é necessariamente a melhor decisão para todos os negócios.
A escolha depende principalmente do tamanho da oportunidade, da capacidade de investimento e do nível de estrutura que a empresa está preparada para assumir.
Segundo Ronaldo Oliveira, CEO da GIRO.TECH, quando a empresa ainda está validando sua estratégia de crédito ou possui uma carteira pequena, os custos e as obrigações de uma instituição financeira própria podem comprometer a eficiência do projeto.
Na visão do executivo, a empresa “tem que colocar tudo isso na balança para ver se vale a pena ter sua própria SCD”.
Nesse cenário, começar por uma infraestrutura para crédito de um parceiro já regulado pode permitir que a empresa valide a demanda e desenvolva sua operação antes de assumir uma estrutura própria.
Outra questão importante diz respeito à própria limitação da Sociedade de Crédito Direto, que só pode conceder crédito utilizando capital próprio.
Ou seja, a empresa que utiliza essa licença não consegue captar recursos junto ao mercado de capitais, ao contrário do que ocorre com a Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento.
“As SCFIs podem fazer captação direta junto a poupadores. Isso ocorre por meio da emissão de títulos de investimento, e através da venda desses títulos, ela faz a captação de recursos para financiar as operações de crédito que ela promove”. Fabricio Martins, CFO da GIRO.TECH.
Consequentemente, ela possui um nível de regulamentação ainda mais rigoroso do que a SCD. Isso também é algo que precisa ser colocado na balança, caso a empresa opte por ir por este outro caminho.
Além disso, ter uma licença de Sociedade de Crédito Direto significa participar diretamente do SFN e manter uma estrutura aderente às exigências do BC, o que envolve:
Portanto, empresas que não desejam internalizar essa complexidade podem encontrar alternativas mais adequadas em modelos de originação e distribuição de crédito, como é o caso do corban.
Por fim, também pode não fazer sentido abrir uma SCD quando o objetivo da empresa pode ser alcançado por meio de uma estrutura mais simples.
Modelos que combinam tecnologia de crédito, capital próprio e veículos de investimento, como FIDCs e Securitizadoras, podem conectar a empresa às oportunidades de crédito sem exigir que ela construa toda a estrutura de uma instituição financeira.
“Assim, a decisão não deve partir apenas da pergunta “posso abrir uma SCD?”, mas principalmente de “eu preciso de uma SCD para atingir meu objetivo?”. Ronaldo Oliveira, CEO da GIRO.TECH.
Abrir uma Sociedade de Crédito Direto não é a única forma de estruturar uma operação de crédito.
Dependendo do objetivo, do volume da operação e do nível de autonomia desejado, existem outros modelos que podem ser considerados. São eles:
A Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI) é uma instituição financeira autorizada e regulada pelo Banco Central, com capacidade para realizar operações de crédito e captar recursos diretamente no mercado.
Entre as funções que uma SCFI pode realizar, destacam-se:
Essa possibilidade amplia a capacidade de funding em comparação com uma SCD, mas também significa maiores exigências regulatórias, de capital, governança e controles.
Por outro lado, é importante pontuar que as SCFIs também tiveram seus níveis de capital mínimo atualizados pelo BC.
Agora, o capital exigido varia entre R$ 9,8 milhões e R$ 60 milhões, conforme o tamanho e o grau de complexidade da operação.
Da mesma forma que ocorre com as SCDs, o BC definiu um período de transição: até junho de 2026 valem os requisitos antigos; entre
julho e dezembro de 2026, 25% do novo capital; até junho de 2027, 50%; até dezembro de 2027, 75%; e 100% a partir de janeiro de 2028
Portanto, embora seja uma alternativa para empresas que pretendem atuar de forma mais ampla no mercado financeiro, a SCFI não costuma ser o caminho mais simples para quem está começando a oferecer crédito.
As Instituições de Pagamento (IPs) também são reguladas pelo Banco Central, mas possuem uma finalidade diferente das instituições financeiras voltadas à concessão de crédito.
Isso ocorre, pois elas são estruturadas principalmente para oferecer serviços relacionados a pagamentos e contas, como movimentação de recursos, Pix, pagamentos com cartão e processamento de transações.
Na prática, uma IP pode ser utilizada para criar uma infraestrutura própria de pagamentos dentro de um ecossistema, permitindo, por exemplo, a abertura e gestão de contas de pagamento e a realização de transações de forma integrada.
Esse modelo também é utilizado no formato de Banking as a Service (BaaS), no qual uma empresa utiliza a infraestrutura de uma IP para oferecer funcionalidades financeiras aos seus clientes sem necessariamente constituir uma instituição própria.
Porém, existe uma diferença fundamental em relação à Sociedade de Crédito Direto: uma IP não pode realizar operações de crédito. Ou seja, se o objetivo da empresa é;
A licença de IP, isoladamente, não consegue resolver essa necessidade. Nesse caso, seria necessário estruturar também uma SCD ou utilizar a infraestrutura de uma instituição autorizada a operar com crédito.
Além disso, ter uma IP própria significa assumir uma estrutura regulatória e tecnológica relevante.
“A instituição de pagamento tem uma regulação bem pesada do Banco Central, o que envolve sistemas robustos e custos que precisam ser considerados antes da decisão”. Ronaldo Oliveira, CEO da GIRO.TECH.
Portanto, para empresas que estão começando a estruturar uma operação financeira, abrir uma IP também não deve ser encarado automaticamente como o melhor caminho.
Antes de assumir essa complexidade, é importante avaliar se as mesmas funcionalidades podem ser obtidas por meio de uma infraestrutura financeira especializada.
Existe ainda um caminho diferente: estruturar a operação por meio de um correspondente bancário.
Nesse modelo, as empresas que querem oferecer crédito, mas não pretendem constituir uma Sociedade de Crédito Direto, podem atuar como corban e integrar produtos financeiros à própria jornada comercial.
Assim, a empresa atua como canal de originação e distribuição de crédito, enquanto uma instituição financeira parceira fica responsável pelas atividades que dependem de autorização regulatória, como a formalização e a concessão da operação.
Na prática, isso permite que o crédito seja oferecido diretamente nos canais que a empresa já utiliza para se relacionar com seus clientes:
“Dessa forma, o cliente consegue ter acesso ao crédito dentro do ambiente do varejista e da experiência que o varejista proporciona para ele, mas de forma totalmente regulada e em conformidade com o Banco Central”. Diego Motta, Head Comercial da GIRO.TECH.
O fluxo pode envolver a oferta do crédito, coleta de informações, encaminhamento da proposta e acompanhamento da contratação, enquanto a instituição financeira parceira realiza as etapas que exigem sua estrutura regulatória.
Em determinadas operações, a dívida pode ser formalizada por meio da emissão de uma Cédula de Crédito Bancário.
Outro ponto importante é que o corban não precisa estar limitado ao atendimento presencial.
A regulamentação permite a atuação por meio de plataformas eletrônicas, o que criou espaço para o chamado corban digital.
Assim, a empresa consegue incorporar a oferta de crédito ao seu próprio ambiente digital sem, necessariamente, ter que se transformar em uma instituição financeira.
Essa possibilidade é especialmente relevante para empresas que já possuem base de clientes, canais próprios e relacionamento comercial, pois permite transformar esses ativos em novos pontos de distribuição de produtos financeiros.
Ademais, o modelo pode gerar novas receitas por meio das comissões recebidas pela distribuição dos produtos.
“Não precisamos transformar o varejista em banco para colocar o crédito dentro da jornada. Podemos transformar o varejista em um canal digital de distribuição de crédito.” Ronaldo Oliveira, CEO da GIRO.TECH.
Portanto, para uma empresa que deseja começar a distribuir crédito sem assumir a complexidade de uma instituição financeira própria, o corban pode representar um caminho mais aderente, especialmente quando o objetivo está em conectar o crédito à operação que ela já possui.
Contudo, não possuir uma Sociedade de Crédito Direto própria não significa que uma empresa precise abrir mão das oportunidades do mercado de crédito. Muito pelo contrário.
Na prática, existem estruturas que permitem originar, distribuir e financiar operações de crédito dentro do próprio ecossistema sem assumir diretamente toda a estrutura regulatória de uma instituição financeira.
Um dos principais caminhos é atuar como correspondente bancário de uma instituição financeira autorizada pelo Banco Central.
Nesse modelo, a empresa utiliza seus próprios canais para apresentar produtos financeiros aos clientes, enquanto a instituição parceira fica responsável pelas atividades que dependem de autorização regulatória, como a formalização e a concessão do crédito.
Imagine um varejista que deseja oferecer crédito CDC, empréstimo pessoal ou outras modalidades de financiamento, como Buy Now Pay Later (BNPL) aos seus clientes, mas não pretende constituir uma Sociedade de Crédito Direto própria.
Neste caso, a operação pode seguir este fluxo:
Dessa forma, o cliente não precisa necessariamente abandonar a jornada comercial para contratar o crédito, pois a oferta pode estar integrada ao ambiente que ele já utiliza para comprar ou se relacionar com a empresa.
Como explica Diego Motta, Head Comercial da GIRO.TECH:
“Assim, o cliente consegue acessar o crédito dentro do ambiente do varejista e da experiência que o varejista já proporciona para ele. O grande valor está em como isso ocorre: de forma totalmente regulada e em conformidade com o Banco Central.”
A ausência de uma Sociedade de Crédito Direto própria também não impede que uma empresa utilize capital próprio para financiar uma carteira de crédito, contanto que a operação seja estruturada dentro de uma estrutura regulada.
Nesse caso, a empresa pode disponibilizar os recursos para financiar os clientes, enquanto uma instituição financeira autorizada fica responsável por formalizar a operação.
Isso pode ser feito utilizando diferentes instrumentos financeiros, como a CCB e a nota comercial.
Após formalizados, ambos poderão ser posteriormente cedidos a um veículo de securitização, responsável pela aquisição dos direitos creditórios.
Essa estrutura é especialmente relevante porque separa funções que, em uma SCD própria, estariam concentradas na mesma instituição:
Sendo assim, a empresa não precisa começar criando uma instituição financeira para transformar seu relacionamento comercial em um canal de distribuição de crédito.
Naturalmente, a tecnologia financeira também cumpre um papel fundamental para conectar esses diferentes participantes.
Por meio de APIs, a jornada de crédito pode ser integrada aos sistemas, aplicativos, sites e plataformas da empresa, permitindo que a oferta seja realizada de forma mais fluida.
É justamente essa combinação entre:
Que permite criar uma operação de crédito sem a necessidade de constituir uma Sociedade de Crédito Direto própria.
Isso vai de encontro a uma tese defendida por Ronaldo Oliveira, CEO da GIRO.TECH: o varejo não precisa virar um banco para colocar crédito dentro da sua jornada. Ele pode, simplesmente, virar um canal digital de distribuição desse crédito.
Dessa maneira, a decisão deixa de ser simplesmente entre “abrir ou não abrir uma Sociedade de Crédito Direto”.
O ponto central passa a ser identificar qual estrutura consegue conectar, de maneira eficiente, capital, crédito, tecnologia e distribuição, de acordo com o tamanho e os objetivos da operação.
A escolha pelo modelo mais adequado de Sociedade de Crédito Direto não deve partir apenas da vontade de ter uma instituição financeira própria.
Antes de tomar essa decisão, é necessário avaliar o tamanho da oportunidade de crédito, a necessidade de controle sobre a operação, a disponibilidade de capital e o nível de estrutura regulatória que a empresa está preparada para assumir.
“A pergunta mais importante não é apenas “qual SCD devo abrir?”, mas sim “eu realmente preciso de uma SCD própria neste momento?” Ronaldo Oliveira, CEO da GIRO.TECH.
O primeiro ponto é entender qual é o potencial da carteira que será originada.
Para empresas que possuem um ecossistema amplo de clientes, alto volume de transações e uma oportunidade recorrente de concessão de crédito, assumir uma estrutura própria pode fazer mais sentido.
Afinal, quanto maior for a escala, maior será a possibilidade de diluir os custos envolvidos na manutenção da instituição financeira.
Por outro lado, quando a operação ainda está em fase de validação ou possui um volume menor, assumir toda a estrutura regulatória, tecnológica e operacional de uma Sociedade de Crédito Direto pode não ser economicamente eficiente.
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